Questões de Concurso sobre Gêneros textuais

 
 
Disciplina 1
Assunto 39
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Fica evidente pela crônica de Fernando Sabino que por uma questão de estilo o gênero textual “crônica”:


A

Apresenta linguagem excessivamente metafórica, com o intuito de provocar fruição estética.


B

Pode apresentar temáticas cotidianas por meio de um olhar observador.


C

Tem sempre caráter metalinguístico.


D

Para retratar o cotidiano de maneira mais poética, tem linguagem mais rebuscada.


E

Retrata, exclusivamente, situações cotidianas sob uma perspectiva satírica.

São características das crônicas, EXCETO:


A

Narrativa curta;


B

Uso de uma linguagem simples e coloquial;


C

Presença de poucos personagens, se houver;


D

Espaço reduzido;


E

Temas relacionados a acontecimentos históricos.

Texto 1


Um SPA para o cérebro


1____Seis e meia da manhã. O celular desperta. Está na hora de acordar. Os olhos ainda reclamam da claridade

e o corpo está adormecido, precisando espreguiçar. Você ignora o comando e só estica um dos braços, o suficiente

para alcançar o telefone ao lado da mesa de cabeceira e desligar o alarme. Antes de um bocejo, abre a agenda para

conferir os compromissos do dia. E, em um segundo de distração, já está checando os e-mails.

5____A janela do quarto continua fechada e você não sabe se chove ou faz sol. Mas já descobriu pelo

Instagram que uma colega de colégio noivou, o seu vizinho está na academia e a influencer de finanças fez mais

uma live imperdível sobre investimentos. Antes do meio-dia, você assistiu ao jornal da manhã enquanto fazia café,

ouviu podcast no caminho para o trabalho, respondeu oito clientes no Whatsapp e deu uma olhada nos links com as

notícias suspeitas enviadas no grupo da família.

10___No intervalo entre as reuniões do zoom, entrou no LinkedIn e se inscreveu em mais um webinar sobre

“produtividade na pandemia”. Além disso, você lembrou que precisa terminar de assistir às aulas do curso online de

engajamento do seu perfil profissional nas redes sociais, comprado no início da quarentena.

Sem perceber o gatilho, você se culpa por ter abandonado pela metade os três últimos livros que são

“leitura obrigatória” para se reinventar no “novo normal”. Por outro lado, você é invadido por angústia, sensação de

15 impotência e medo de não dar conta. Sua respiração fica pesada, os batimentos cardíacos acelerados e você se

sente um nativo de alguma terra primitiva, capturado e jogado em uma metrópole confusa e barulhenta. Dá vontade

de fugir.

Em síntese, somos todos da mesma tribo e estamos intoxicados com tanta informação. A preocupação

com excessos de tecnologia na sociedade não é de hoje. Entretanto, não há dúvidas de que a pandemia agravou o

20 cenário e nos tornou mais dependentes do mundo digital. Assim também, ganhamos um cardápio maior de

conteúdos de qualidade, com a facilidade de interagirmos, sem sair de casa, com as pessoas mais requisitadas de

todas as áreas inimagináveis. Por outro lado, estamos compulsivos e não sabemos filtrar as informações que nos

agregam.

Nossas mentes são gulosas e não tem maturidade para buffet livre. Se não soubermos controlá-las,

25 consumiremos o que estiver disponível à mesa, só para provar um pouquinho de cada. Colocamos em um mesmo

prato caviar e junk food e não sabemos diferenciar o que é preciso ser degustado do que é dispensável. No final, não

digerimos nada, nem absorvemos o que consumimos de bom.

É delicioso conversar com alguém com pluralidade de assuntos. E, mais do que isso, estar por dentro de

todas as pautas discutidas num bate-papo. Alienação não é concebível para quem quer fazer a diferença. Mas, será

30 que não passamos do ponto? A necessidade de saber falar sobre qualquer tema, ainda que superficialmente, diz

muito sobre o nosso ego. Esquecemos que conversas são trocas e a sensação de aprender é tão gostosa quanto a

de ensinar.

A vulnerabilidade e a honestidade de podermos dizer “não li esse livro”, “não conheço esse autor” ou “não

estou sabendo dessa notícia” criam conexões e oportunidades de diálogos sinceros. Talvez tenhamos perdido o real

35 propósito de nos mantermos informados. Nos submetemos a uma enxurrada de informações não para dialogarmos

melhor, mas para travarmos uma batalha. Isto é: ganha quem sabe mais, ainda que saber seja somente ter ouvido

falar a respeito...

Supervalorizamos a mente, negligenciamos nossos instintos. Esquecemos que somos, de fato, nativos

selvagens pertencentes à natureza. Precisamos encontrar meios de alimentar essa alma primitiva e reeducar nosso

40 intelecto guloso. Caso contrário, sucumbiremos à intoxicação, com cabeças pesadas e corações desnutridos.


Disponível em: https://vidasimples.co/leitores/excesso-de-informacoes-e-o-spa-para-o-cerebro/. Acesso em: 18 out. 2021.



Texto 2


Imagem associada para resolução da questão

Disponível em: https://bichinhosdejardim.com/. Acesso em: 20 out. 2021.



Texto 3


Imagem associada para resolução da questão

Disponível em: https://bichinhosdejardim.com/. Acesso em: 20 out. 2021.


Sobre os Textos 1, 2 e 3, é CORRETO afirmar:


A

Reconhecem o quanto as tecnologias digitais contribuíram para melhorar a qualidade de vida das pessoas.


B

Defendem a ideia de que, embora tenha sido por uma necessidade urgente, as pessoas aprenderam como usar as tecnologias digitais.


C

Ressaltam que não há como se afastar das tecnologias digitais, pois elas agilizam não só a realização do trabalho, como também o acesso às informações necessárias.


D

Contrapõem-se à ideia de que as tecnologias digitais trazem malefícios, visto que elas proporcionam diversão e facilitam a realização do trabalho.


E

Suscitam reflexões sobre a maneira como as pessoas estão lidando com as tecnologias digitais em suas vidas.

A principal característica dos textos que pertencem a esse gênero textual é


A

expor a opinião de um veículo de comunicação.


B

dar voz aos leitores de uma determinada publicação.


C

apresentar um fato acontecido recentemente.


D

buscar convencer o leitor de uma determinada opinião.

Leia a tirinha de Calvin e Haroldo para responder à questão.


Imagem associada para resolução da questão

WATTERSON, B. Calvin e Haroldo - As Tiras de Domingo- Vol.13. Edição Português por Alexandre Boide (Tradutor). 1. ed. Editora: Conrad


A contradição na fala de Calvin sobre a TV pode ser explicada por meio da seguinte linguagem figurada:


A

Hipérbole.


B

Eufemismo.


C

Catacrese.


D

Ironia.

Leia o texto abaixo e responda ao que se pede.


A música da chuva


Tirei umas miniférias e voei para a cidade onde nasci, Montevidéu, no Uruguai. Tinha planos ambiciosos. A maioria envolvia caminhar. Andar a pé, especialmente pela rambla, a avenida que margeia o Rio da Prata, é um dos meus esportes favoritos, ainda mais se tiver uma boa companhia e, juntos, compartilharmos o chimarrão. Mas quando chove...

Não dá para passear direito, precisa carregar guardachuva, depois é impossível guardar o tal guarda-chuva molhado, isso quando a gente lembra de levar um. O sapato encharca, demora a secar, a barra da calça pesa, a gente inteira se atrapalha. Vixi! O jeito é aceitar e sair mesmo assim – ou ficar sob alguma cobertura, curtindo o que a chuva faz com a gente. Foi o que eu fiz.

As primeiras gotas eu nem vi. Estava distraída com as novidades que meus anfitriões, minha prima e o marido, foram me mostrando antes de se retirarem para a siesta, o cochilo depois do almoço. Uma delas incluía o Gaspar, um coelho preto que Manuel, filho deles, ganhara de um amiguinho da escola e que agora habitava o jardim.

Eu estava louca para chegar até a beirada do rio, que tinha visto da janela do avião poucas horas antes. Não era a mesma coisa.

Mas aí, tac, tac,tac – ouvi. Ainda dava pra sair. Havia até um guarda-chuva pendurado na maçaneta. Mas aí, tacata-tacata, o ritmo acelerou. Gotas lentas sobre o telhado. Mais apressadas saindo de uma das calhas e caindo direto no chão de pedra do quintal. Como um metrônomo, mas sem a regularidade das sonatas e das canções. Desliguei o ar-condicionado, que mantinha o quarto quente, mas abafava o som da orquestra de tambores d’água que vinha de fora. Ir pra rua, nem pensar.

Vi o Gaspar correndo para a toca. Vi as florezinhas brancas se encharcando aos poucos; algumas caíam, não sem antes se embaralhar pelas gotas grossas que as levavam em rodopios até o chão. Vi uma pequena cachoeira surgir em cada um dos pilares, tracatracatracatraca. Abri a janela: com o frio, entrou o cheiro de grama molhada. Me senti em casa.

Antes de ir para o quarto e se enfiar na cama entre seus pais, Manu tinha me mostrado, orgulhosamente, como já sabia tocar bateria. Acertou as caixas, o prato, o bumbo, com destreza e graça. Aos 4 anos, ele fazia música sem saber. Como as gotas, as bonitas filhas da chuva.


Gabriela Aguerre

O texto apresentado pertence ao seguinte gênero textual:


A

Conto.


B

Reportagem.


C

Crônica.


D

Romance.


E

Biografia.

 
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