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Em relação ao tratamento das lesões esplênicas traumáticas, é correto afirmar que o(a)
tratamento cirúrgico pode ser realizado por via aberta ou laparoscópica.
embolização da artéria esplênica tem sido um adjuvante eficaz como parte do tratamento conservador da lesão esplênica fechada e penetrante.
“padrão‑ouro” do tratamento cirúrgico é a esplenorrafia, que é utilizada em lesões de baço grau IV e V.
novo sistema de classificação – escala de WSES (World Society of Emergency Surgery) – leva em consideração a condição do paciente, a anatomia das lesões e se o paciente é adulto ou criança.
profilaxia contra Staphylococcus aureus, Haemophilus influenzae e Streptococcus pneumoniae deve ser realizada mesmo quando a conduta for conservadora.
Em relação ao trauma cervical penetrante e suas respectivas zonas, é correto afirmar que a
zona 3, compreendida entre o ângulo da mandíbula até a base do crânio, apresenta maior probabilidade de lesão das artérias carótidas distais, das glândulas salivares e da faringite.
zona 3, compreendida entre as clavículas e a cartilagem cricoide, apresenta maior probabilidade de lesão das artérias carótidas proximais, dos vasos subclávios, da traqueia, da laringe, do esôfago e do pulmão.
zona 1, compreendida entre o ângulo da mandíbula e o mastoide, apresenta maior probabilidade de lesão das artérias carótidas, do esôfago, da traqueia e da laringe.
zona 1, compreendida entre as clavículas e a cartilagem cricoide, apresenta maior probabilidade de lesão das artérias carótidas distais, da veia jugular interna e da externa, da faringe, do esôfago e das glândulas salivares.
zona 2, compreendida entre a cartilagem cricoide e o ângulo da mandíbula, apresenta maior probabilidade de lesão das artérias carótidas, das veias jugulares, da tireoide, do pulmão, do esôfago e da faringe.
Uma paciente do sexo feminino, 26 anos, politraumatizada, em estado de choque hemorrágico, com a tríade letal (acidose, hipotermia e coagulopatia) podendo rapidamente se instaurar e perpetuar um ciclo de piora clínica. Com base na fisiopatologia envolvida, qual é a estratégia mais eficaz para interromper o círculo vicioso da tríade letal?
Administrar grandes volumes de soluções cristaloides isotônicas à temperatura ambiente para melhorar a perfusão tecidual e reduzir a acidose.
Corrigir a acidose metabolicamente com bicarbonato de sódio, priorizando o pH sérico e não a temperatura corporal.
Realizar transfusões de plasma fresco congelado, sem controle específico da temperatura, para reverter a coagulopatia associada ao trauma.
Aquecer o paciente e os fluidos administrados, enquanto realiza controle cirúrgico eficaz da hemorragia, visando restaurar a perfusão e a temperatura corporal.
Administrar vasopressores potentes para melhorar a pressão arterial, interrompendo a hipotermia e melhorando a perfusão tecidual.
Após acidente de trânsito com politrauma, paciente com histórico de subnutrição severa e IMC de 17 kg/m² foi admitido para cirurgia. Durante a avaliação, observa-se uma perda involuntária de 12% do peso corporal nos últimos 4 meses, albumina sérica de 2,8 g/dL e previsão de perda sanguínea acima de 500 ml durante o procedimento cirúrgico. Considerando as diretrizes para suporte nutricional perioperatório, qual é a conduta mais apropriada em relação à nutrição desse paciente?
Iniciar suporte nutricional imediatamente (dentro de 3 dias) devido ao risco nutricional grave, mesmo que a cirurgia seja realizada sem adiamento.
Adiar a cirurgia por 14 dias para prover suporte nutricional intensivo e corrigir o estado imunológico, visando diminuir o risco de infecção pós-operatória.
Aguardar pelo menos 10 dias de suporte nutricional, pois somente após esse período o paciente apresenta benefício clínico significativo.
Prover suporte nutricional apenas após a cirurgia, uma vez que a prioridade no trauma deve ser o controle cirúrgico e a estabilização inicial.
Optar por Nutrição Parenteral Total (NPT) prolongada, pois é superior à Nutrição Enteral (NE) na recuperação de pacientes hipercatabólicos e desnutridos.
Um paciente de 40 anos é admitido no pronto-socorro após um acidente automobilístico de alta velocidade. Apresenta dispneia intensa, taquipneia e dor torácica bilateral. Na avaliação inicial, sua frequência respiratória está aumentada, usa musculatura acessória e está com saturação de oxigênio em 88% em ar ambiente. A radiografia de tórax mostra infiltrados pulmonares difusos. Qual das alternativas a seguir representa a conduta inicial mais apropriada para o manejo desse paciente com suspeita de lesão pulmonar traumática e possível edema pulmonar?
Administrar diuréticos para reduzir o acúmulo de líquido nos alvéolos e fornecer suporte ventilatório com pressão positiva para melhorar a oxigenação.
Iniciar ressuscitação volêmica agressiva com solução salina isotônica para melhorar a perfusão tecidual, considerando o potencial de hemorragia.
Administrar corticosteroides intravenosos para reduzir a resposta inflamatória e prevenir a Síndrome da Angústia Respiratória do Adulto (SARA).
Fornecer oxigênio suplementar e considerar ventilação com pressão positiva, monitorando cuidadosamente para evitar exacerbação do trauma pulmonar.
Prescrever antibióticos de amplo espectro para prevenir infecção secundária associada à contusão pulmonar.
Paciente apresenta trauma em região abdominal por colisão de carro contra muro. Está hemodinamicamente estável e apresenta suspeita de lesão hepática. A avaliação inicial inclui exame físico e laboratorial, seguido por imagem para confirmação do diagnóstico. Considerando as informações disponíveis sobre o manejo de lesões hepáticas, assinale a alternativa correta.
O exame de imagem mais confiável para confirmar a lesão hepática é a ultrassonografia focada (FAST), que pode excluir completamente a lesão hepática.
A tomografia computadorizada com contraste intravenoso é a ferramenta padrão para diagnosticar lesões hepáticas e definir o grau da lesão, sendo especialmente útil na detecção de lesões vasculares.
A ressonância magnética (MRI) é a primeira escolha para a avaliação de lesões hepáticas em pacientes que não podem receber contraste intravenoso devido a alergias.
A arteriografia é o exame inicial recomendado para todos os pacientes com suspeita de lesão hepática, pois permite a visualização imediata do fluxo sanguíneo hepático.
A aspiração peritoneal diagnóstica (DPA) deve ser realizada em todos os pacientes hemodinamicamente estáveis com suspeita de lesão hepática, independentemente dos resultados do FAST.
A ultrassonografia focada para trauma (FAST) é uma ferramenta essencial na avaliação rápida de pacientes com trauma, permitindo a detecção de líquido livre na cavidade abdominal e torácica. Indique qual das opções a seguir descreve corretamente uma das principais utilizações do exame FAST em emergências cirúrgicas:
Avaliação detalhada de fraturas pélvicas.
Identificação de líquido livre em cavidades peritoneal e pericárdica.
Diagnóstico de embolia pulmonar.
Detecção de aneurismas da aorta abdominal.
O trauma vascular consiste em um dos desafios mais importantes em pacientes vítimas de trauma, não sendo sempre óbvio e de difícil reconhecimento imediato frente a ferimentos múltiplos. Com relação a esses traumas nas extremidades superiores, podemos afirmar:
Retardo no diagnóstico e tratamento da lesão arterial em extremidade superior é mais comum em traumas penetrantes do que em traumas contusos.
O leito arterial da extremidade superior é muito reativo à vasoconstrição produzida por choque hipovolêmico, dor e drogas.
Para lesões vasculares em artéria braquial e vasos do antebraço, a abordagem endovascular é opção melhor que o acesso operatório tradicional.
Lesões vasculares na extremidade superior dificilmente estão associadas com lesões musculoesqueléticas, neurológicas ou de tecidos moles.
Homem de 35 anos dá entrada no pronto socorro vítima de assalto apresentando lesão por arma branca. Encontra-se lúcido, eupneico, FC 102 bpm, PA 140 x 90 mmHg. No exame clínico observamos ferida corto contusa no flanco esquerdo, na altura da linha axilar posterior, de aproximadamente 2,0 cm, com sangramento ativo de pequeno volume. À palpação abdominal observamos certo grau de defesa, dor mais intensa em flanco esquerdo e sem sinais de irritação peritoneal. Na exploração digital da ferida observamos penetração na cavidade abdominal.
Diante desse quadro, assinale a melhor conduta.
Lavado peritoneal diagnóstico.
Laparotomia exploradora imediata.
Ultrassonografia abdominal – FAST.
Tomografia computadorizada do abdome.
A avaliação primária ao paciente politraumatizado é baseada no protocolo do Advanced Trauma Life Support (ATLS), que nos traz uma abordagem clara, simples e organizada, é necessária ao lidar com um paciente gravemente ferido. O ATLS se baseia em três princípios básicos:
I. Tratar primeiro a maior ameaça à vida.
II. A falta de diagnóstico definitivo nunca deve impedir a aplicação do tratamento indicado.
III. A história detalhada não é essencial para iniciar a avaliação do traumatizado.
A avaliação primária busca a identificação e intervenção das condições que mais rápido levarão à morte. O mnemônico ABCDE define as avaliações e intervenções específicas e organizadas que devem ser seguidas em todos os doentes vítimas de politraumatismo.
Identifique as características da avaliação C do referido protocolo.
Avaliar a respiração, identificar e tratar lesões no tórax, como pneumotórax, hemotórax ou tórax instável. Se necessário oferecer oxigênio;
Verificar a respiração e se a pessoa tem traumas na cabeça e tratar essa condição;
Verificar o nível de consciência da pessoa através da escala de Glasgow. Geralmente, nível de consciência reduzido, indica traumatismo cranioencefálico;
Verificar a circulação e se a pessoa tem traumas no abdômen, hemorragia externa, fratura de bacia, lesões nas extremidades, choque hipovolêmico ou choque cardiogênico, e tratar essas condições;
Desobstruir vias aéreas e colocar o colar cervical.
Um paciente de 33 anos de idade atendido no Hospital de Urgência de Teresina (HUT) foi vítima de ferimento por arma branca no terço médio da coxa, há duas horas. Ao exame físico, apresenta pulso de 92 bpm, pressão arterial (PA) de 120x80 mmHg, palidez, hipotermia e cianose não fixa do membro acometido, pulso femoral palpável e ausência de pulsos poplíteo e distais. Qual a melhor conduta para esse caso?
Anticoagulação sistêmica e aquecimento passivo do membro.
Solicitação de ultrassonografia com Doppler para confirmação de lesão vascular.
Antiagregação plaquetária, vasodilatadores sistêmicos.
Solicitação de arteriografia para confirmar a presença de lesão vascular.
Tratamento cirúrgico definitivo imediato aberto ou endovascular.
A respeito das lesões cervicais penetrantes, é correto afirmar que o(a)
exploração cirúrgica é mandatória quando a lesão ultrapassa o músculo platisma.
exploração cirúrgica é obrigatoriamente realizada por cervicotomia com incisão em colar.
lesão da veia jugular interna unilateral pode ser ligada, mas, se for bilateral, será recomendada a rafia de, pelo menos, uma delas.
paciente estável com enfisema de subcutâneo e hematoma em expansão pode ser investigado com laringoscopia e ultrassom Doppler.
lesão da artéria carótida comum, se for unilateral, poderá ser ligada, mas, se for bilateral, será obrigatória a sutura primária em pequenas lesões. Por sua vez, nas grandes lesões, será obrigatório o enxerto sintético ou a veia autóloga.
A principal medida para controle de hemorragia em atendimento inicial a paciente politraumatizado é a:
compressão direta
aplicação de gelo local
aplicação de torniquetes
elevação do membro acometido
compressão dos pontos arteriais
Paciente vítima de colisão de carro contra anteparo fixo, de alta energia, com grande deformação do veículo, é trazido à unidade de emergência referenciada e diagnosticado com trauma hepático grau IV. Metabolicamente, é esperado:
Um aumento da liberação de insulina.
Inibição da produção de glicose hepática para evitar sobrecarga metabólica e reduzir o consumo de oxigênio.
Aumento da secreção de hormônio do crescimento (GH), causando uma resposta anabólica imediata.
Redução da secreção de glucagon.
A liberação de catecolaminas e cortisol, resultando em hiperglicemia e aumento da taxa metabólica basal.
Um paciente envolvido em um acidente de carro apresenta taquicardia persistente inexplicada e novo bloqueio de condução. A equipe médica suspeita de uma possível contusão cardíaca, mas deve priorizar a identificação de outras lesões que possam requerer intervenção imediata. Com base nas diretrizes atuais para o manejo de lesões cardíacas contundentes, qual das seguintes alternativas é a mais correta?
A presença de distensão das veias do pescoço e sons cardíacos abafados é sempre evidente em casos de tamponamento cardíaco, e sua ausência sugere que não há lesão cardíaca significativa.
O choque inexplicado que não responde à ressuscitação agressiva pode ser um indicativo de lesão cardíaca grave, como ruptura de válvula ou septo, mesmo na ausência de sinais clássicos de tamponamento.
A contusão do miocárdio é uma condição rara em traumas contundentes e não é uma consideração importante em pacientes com trauma torácico.
A ecocardiografia transesofágica é o exame inicial preferido para avaliar lesões cardíacas em pacientes hemodinamicamente instáveis após trauma.
A avaliação inicial do paciente com trauma torácico deve ser focada apenas em lesões visíveis no tórax e não requer investigação de possíveis lesões cardíacas até que outras lesões sejam tratadas.
Paciente politraumatizado foi submetido à cirurgia abdominal, uma laparotomia exploradora aberta. Em relação às manifestações clínicas e diagnóstico diferencial entre íleo adinâmico e obstrução mecânica do intestino delgado após laparotomia, assinale a alternativa correta.
No íleo adinâmico, a motilidade gástrica e colônica retorna mais rapidamente que a do intestino delgado, com ausência de distensão abdominal em virtude da função gástrica preservada.
Pacientes com obstrução mecânica alta do intestino delgado apresentam vômito fecaloide logo no início do quadro clínico, com distensão abdominal pronunciada e sinais evidentes de hipovolemia.
Na obstrução mecânica distal, o vômito pode inicialmente ser bilioso, mas torna-se fecaloide tardiamente, sendo acompanhado de distensão abdominal significativa e sinais clínicos de sepse e hipovolemia.
A principal diferenciação entre íleo adinâmico e obstrução mecânica no pós-operatório é feita pela presença de sons intestinais acentuados, que são característicos do íleo adinâmico devido à falta de motilidade do cólon.
O íleo adinâmico caracteriza-se pela ausência de atividade intestinal e pela distensão abdominal silenciosa, com raros sons intestinais auscultáveis, enquanto na obstrução mecânica há distensão e sons intestinais acentuados devido à acumulação de secreções e ar.
Paciente masculino, 32 anos, vítima de acidente automobilístico com trauma torácico fechado, apresenta drenagem pleural persistente de líquido leitoso pelo dreno de tórax à direita, com débito superior a 1000 ml/dia após 72 horas de observação. A análise do líquido pleural confirma a presença de quilotórax. Considerando a necessidade de tratamento cirúrgico para este caso, qual a conduta mais adequada no intraoperatório para a identificação precisa do ducto torácico e sua ligadura?
Toracotomia póstero-lateral direita com realização de pleurodese química com talco.
Videotoracoscopia direita com clipagem profilática do ducto torácico na sua porção supradiafragmática.
Mediastinoscopia para ligadura do ducto torácico na sua porção cervical.
Toracotomia antero-lateral direita com ligadura dos vasos mamários internos.
Videotoracoscopia direita com injeção de azul de metileno via cateter nasoentérico para visualização e ligadura do ducto torácico.
Durante uma situação de trauma, é crucial seguir protocolos específicos para realizar a reanimação cardiopulmonar (RCP) de maneira eficaz, considerando as particularidades do paciente traumatizado. Indique qual das opções a seguir descreve corretamente a modificação mais importante na técnica de reanimação cardiopulmonar em um paciente politraumatizado com suspeita de lesão na coluna cervical:
Compressões torácicas mais rápidas para compensar o trauma.
Utilização de dispositivos de compressão mecânica.
Estabilização manual da coluna cervical antes de iniciar as compressões.
Priorizar a ventilação sobre as compressões torácicas.
Paciente jovem foi vítima de bala perdida apresentando ferida na altura do mamilo, na linha hemiaxilar anterior direita. Agitado, referindo dor no hemitórax afetado, taquipneia, taquicardia, hipotensão severa, hipertimpanismo na percussão, veias cervicais ingurgitadas e murmúrio vesicular ausente no hemitórax direito.
Diante desse quadro, assinale a opção que indica a melhor conduta.
Drenagem imediata do hemitórax direito.
Intubação orotraqueal seguida de drenagem.
Toracotomia direita ântero posterior imediata na sala vermelha.
Ventilação sob máscara de Hudson, estabilização e toracotomia exploradora.
Paciente de 82 anos, vítima de atropelamento por bicicleta apresenta fratura alinhadas dos sexto, sétimo e oitavo arcos costais esquerdos, sem hemo ou pneumoperitoneo e fratura de colo de fêmur esquerdo. Será submetida a tratamento cirúrgico – prótese total do quadril.
Em relação à profilaxia do tromboembolismo, é correto afirmar que
Heparina de baixo peso molecular iniciada 24 horas após a cirurgia e interrompida após 7 dias.
Heparina de baixo peso molecular iniciada 12 horas antes da cirurgia e interrompida após 7 dias.
Heparina de baixo peso molecular iniciada 24 horas após a cirurgia e interrompida após o início da deambulação.
Heparina de baixo peso molecular iniciada 12 horas antes da cirurgia, nova dose 12h após a cirurgia e iniciar anticoagulante oral e manter até 30 dias.