Questões de Concurso sobre Cirurgia Geral

 
 
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Paciente masculino, de 63 anos, ex-tabagista, com diabetes melito tipo 2, foi submetido a gastrectomia por adenocarcinoma gástrico. No 8⁠º dia pós-operatório, apresentou quadro de dor pleurítica à esquerda, acompanhada de tosse produtiva, dispneia e febre moderada. Radiografia de tórax evidenciou velamento do terço inferior do hemitórax esquerdo compatível com derrame pleural. Toracocentese diagnóstica mostrou um derrame exsudativo com predomínio neutrofílico, pH de 6,95, glicemia do líquido pleural de 28 mg/dl e cocos gram-positivos à bacterioscopia. Levando-se em conta o diagnóstico de empiema pleural, assinale a assertiva correta.


A

Derrame pleural multiloculado e septado à tomografia computadorizada de tórax é fator de risco para o insucesso da drenagem pleural isolada; nesse caso, deve-se considerar abordagem cirúrgica.


B

A via toracotômica convencional é a via de acesso preferida para realização de desbridamentos e deloculações pleurais porque a via toracoscópica (VATS) está associada a altos índices de recidiva.


C

A utilização de agentes fibrinolíticos intrapleurais tem se mostrado superior aos procedimentos cirúrgicos para tratamento de derrames pleurais loculados.


D

A utilização de drenos finos (< 15 Fr) é contraindicada para o tratamento de derrames pleurais complicados devido à viscosidade do líquido infeccioso; devem ser utilizados, para esse fim, drenos calibrosos (> 28 Fr).

A abordagem laparoscópica na apendicite aguda é superior à laparotomia convencional em praticamente todos os cenários clínicos, inclusive na apendicite perfurada com abscesso localizado, devido à menor dor pós-operatória, menor tempo de internação e menor taxa de infecção de sítio cirúrgico, sem aumento significativo no risco de fístulas fecais ou abscesso intra-abdominal residual.


C

Certo


E

Errado

A perfuração esofágica iatrogênica durante endoscopia é uma emergência cirúrgica que, independentemente do tamanho da lesão ou do tempo de diagnóstico, impõe a necessidade de rafia primária do defeito com reforço por retalho de tecido local ou drenagem mediastinal, dada a alta morbimortalidade associada à mediastinite.


C

Certo


E

Errado

Situação hipotética: Um paciente com diagnóstico de câncer gástrico avançado, classificado como T4N2M0, submetido a gastrectomia total com linfadenectomia D2. Assertiva: A cirurgia oncológica segue princípios que priorizam a margem cirúrgica livre e a extensão da linfadenectomia com base na anatomia linfática e nos dados de estadiamento tumorais, sendo a preservação de órgãos adjacentes um objetivo secundário em detrimento da radicalidade oncológica.


C

Certo


E

Errado

A assepsia é definida como o conjunto de medidas destinadas a impedir a penetração de microrganismos em um ambiente estéril, utilizando processos físicos e químicos para eliminar todas as formas de vida microbiana, incluindo esporos, em superfícies inanimadas e tecidos vivos.


C

Certo


E

Errado

Sobre a tríade de Whipple, é correto afirmar que:


A

Pode indicar a presença de tumores neuroendócrinos em pacientes não diabéticos, como o Gastrinoma.


B

Glicemia acima de 50 mg dL, Insulina sérica acima de 5 pg dL e convulsões.


C

Hipoglicemia sintomática, hiperinsulinemia e reversão dos sintomas com a administração de glicose.


D

Hipoglicemia sintomática, Glicemia abaixo de 50 mg dL e reversão dos sintomas após a administração de glicose.


E

Hiperinsulinemia, hipoglicemia e sintomas neurovegetativos.

Paciente masculino, de 75 anos, com histórico de tabagismo e revascularização arterial de membro inferior, referiu, na consulta, dor abdominal pós-prandial com evolução de 4 meses, ingestão alimentar progressivamente reduzida e perda ponderal de 10 kg. Negou diarreia e vômitos e não apresentava sinais de infecção sistêmica. Angiotomografia computadorizada abdominal evidenciou estenose de 90% na artéria mesentérica superior, oclusão da artéria mesentérica inferior e estenose moderada de 60% no tronco celíaco. A anatomia foi considerada favorável à abordagem endovascular. O paciente era funcionalmente ativo e não apresentava contraindicações cirúrgicas relevantes. Com base nas diretrizes atuais, qual a conduta terapêutica mais adequada?


A

Realizar revascularização aberta multivisceral com by-pass anterógrado a partir da aorta supracelíaca, considerando o envolvimento trivascular e a expectativa de maior durabilidade frente às taxas de reestenose associadas à abordagem endovascular.


B

Realizar revascularização endovascular isolada da artéria mesentérica superior com implante de stent, devido à menor morbimortalidade periprocedimento e resultados clínicos satisfatórios no médio prazo.


C

Iniciar terapia nutricional parenteral e acompanhamento clínico ambulatorial, postergando a abordagem intervencionista até a progressão dos sintomas ou desenvolvimento de sinais objetivos de isquemia intestinal.


D

Realizar angiografia diagnóstica com avaliação hemodinâmica funcional (pressão de gradiente translesional) e decidir posteriormente entre intervenção percutânea ou observação expectante.

A tomografia computadorizada (TC) com contraste intravenoso é um método de imagem fundamental na avaliação do abdome agudo traumático, permitindo a identificação e classificação de lesões de órgãos sólidos, vasos sanguíneos e estruturas do retroperitônio. Na TC de abdome de um paciente com trauma contuso, a presença de _______ sugere lesão hepática grave, com alto risco de sangramento e instabilidade hemodinâmica, enquanto o achado de _______ indica lesão renal com extravasamento de urina para o espaço perinefrético.


A sequência que preenche corretamente as lacunas é:


A

laceração hepática grau II com blush arterial próximo à cápsula hepática / lesão do pedículo renal com ausência de realce do parênquima renal


B

hematoma intraparenquimatoso hepático > 5 cm com desvio da veia cava inferior / laceração renal grau IV com extravasamento de contraste para o espaço perinefrético


C

laceração hepática grau III com lesão vascular ativa / uroma


D

rotura de veia hepática com trombose portal / avulsão pieloureteral com extravasamento de contraste

Após quantos dias, idealmente, a nutrição enteral deve ser introduzida a lactente de 6 meses de idade que foi submetido à enterostomia devido à atresia jejunal?


A

Apenas após 7 dias, para evitar sobrecarga intestinal.


B

Assim que houver peristalse e eliminação de gases.


C

Somente após a retirada da sonda nasogástrica.


D

Após 3 dias de nutrição parenteral exclusiva.

Uma senhora melanodérmica com 68 anos de idade procurou o serviço de urgência hospitalar por dispneia decorrente de grande ascite provocada por cirrose hepática associada à hipertensão porta crônica. A paciente já havia sido submetida a operações para tratar diverticulite sigmóidea e peritonite por apendicite perfurada. Apresentava ainda uma protrusão umbilical sugestiva de hérnia. Qual é a conduta inicial correta na urgência, antes do tratamento definitivo?


A

Realizar paracentese abdominal de alívio, com punção guiada por ultrassonografia.


B

Operar a hérnia umbilical, pelo risco de estrangular, e drenar a ascite no mesmo ato.


C

Tratar a paciente com diuréticos e inscrevê-la no protocolo para transplante hepático.


D

Drenar a ascite por laparoscopia, sob visão direta, e avaliar o fígado e o abdome.


E

Internar a paciente no centro de tratamento intensivo e controlar distúrbios metabólicos.

Uma senhora leucodérmica de 61 anos e de origem portuguesa foi diagnosticada com hepatopatia grave por amiloidose hereditária. Para tratá-la, foi indicado transplante hepático. A operação foi bem conduzida e com sucesso. No quinto dia pós-operatório, com a paciente em condições de receber alta do CTI, começou a apresentar elevação da fosfatase alcalina, sem outras alterações ou manifestações. Qual é a causa mais provável dessa mudança na dosagem dessa enzima?


A

Rejeição do fígado transplantado.


B

Evolução da amiloidose para o enxerto.


C

Estenose da anastomose do colédoco.


D

Necrose hepática parcial por isquemia.


E

Trombose venosa pós-hepática.

Uma senhora feodérmica de 59 anos chega à emergência relatando dor abdominal generalizada, desde o dia anterior, com vômitos e distensão progressiva do abdome, porém continua eliminando flatos e fezes. Ela é portadora de colecistolitíase e múltiplos miomas uterinos grandes, em propedêutica para colecistectomia e histerectomia, tendo sido operada de apendicite aguda há três anos. Os exames hematológicos e bioquímicos estão dentro dos parâmetros de normalidade. A radiografia simples de abdome mostrou distensão do estômago, jejuno e parte do íleo com conformação em pilhas de moeda. Qual é o diagnóstico mais provável para esse caso?


A

Intoxicação alimentar.


B

Aderência intestinal.


C

Pancreatite aguda biliar.


D

Colecistite aguda.


E

Torção de mioma uterino.

Dentre as possíveis complicações pós-operatórias, há uma que representa grande preocupação tanto para o cirurgião quanto para o paciente, por seu impacto físico, emocional e funcional, podendo causar sequelas e prolongar o tempo de recuperação. Para reduzir seus efeitos, são essenciais medidas de profilaxia, prevenção da contaminação e diagnóstico precoce.


A complicação descrita refere-se a:


A

Infecção.


B

Retenção urinária.


C

Hematoma cirúrgico.


D

Tromboembolismo venoso.


E

Náusea pós-anestésica.

Trata-se de uma condição inflamatória do pâncreas caracterizada por um amplo espectro de gravidade clínica, variando de episódios leves e autolimitados a doença necrosante grave com alta morbidade e mortalidade.


Essa condição clínica corresponde a:


A

Colecistite crônica.


B

Cirrose hepática.


C

Hepatite viral B.


D

Pancreatite aguda.


E

Doença celíaca.

Paciente de 19 anos procura atendimento médico devido a pequeno abaulamento na região inguinal direita que diminui ao deitar. Não tem dor, nem alterações urinárias. No exame clínico é diagnosticada hérnia inguinal pequena, redutível, provavelmente indireta. Região inguinal esquerda e testículos normais.


A melhor conduta é


A

tratamento cirúrgico pela técnica de Shouldice.


B

tratamento cirúrgico pela técnica de Bassini.


C

tratamento cirúrgico pela técnica de Lichtenstein.


D

tratamento cirúrgico pela técnica de Stoppa.


E

acompanhar e indicar cirurgia se houver dor ou aumento do volume.

Um homem de 55 anos, com cirrose hepática secundária ao consumo crônico de álcool, apresenta história pregressa de hematêmese volumosa e melena. No exame físico, encontra-se taquicárdico e hipotenso. Exames laboratoriais mostram hemoglobina de 7,5 g/dL e função hepática compatível com Child-Pugh C. A endoscopia digestiva alta revela varizes esofágicas de grande calibre com sinais de alto risco de ruptura (sinal da “cereja ou red spots”).


Assinale a alternativa correta com relação à próxima conduta mais apropriada para manejo desse paciente após estabilização hemodinâmica inicial com reposição volêmica e transfusão de hemácias.


A

Realizar cirurgia de derivação portossistêmica imediatamente.


B

Instalar balão esofágico (Sengstaken-Blakemore) como única medida terapêutica.


C

Submeter o paciente a transplante hepático emergencial.


D

Iniciar infusão de terlipressina e antibioticoterapia profilática, seguido de ligadura elástica das varizes.


E

Realizar escleroterapia endoscópica como medida inicial.

Um homem de 64 anos será submetido a uma colecistectomia com exploração das vias biliares por laparotomia (diagnóstico: colelitíase com coledocolitíase). A equipe cirúrgica decide utilizar uma incisão de Lennander.


Qual das opções a seguir descreve corretamente as características e as precauções cirúrgicas ao realizar uma incisão paramediana para esse procedimento?


A

A incisão paramediana deve ser feita diretamente sobre a linha média por evitar complicações, cortando o músculo reto abdominal para um melhor acesso.


B

A incisão de Lennander foi indicada para o paciente na situação descrita por facilitar o acesso à vesícula biliar e vias biliares, não obstante apresentar maior risco de sangramento e lesões nervosas que os acessos laterais ao músculo reto abdominal.


C

A incisão paramediana oferece melhor acesso ao quadrante inferior, sendo indicada especialmente para intervenções em estruturas pélvicas.


D

Durante o fechamento, após a sutura da aponeurose, é recomendável evitar a reaproximação dos músculos e da bainha anterior, priorizando o fechamento apenas da pele para reduzir o risco de seromas.


E

A técnica envolve afastar lateralmente o músculo reto abdominal, preservando os vasos epigástricos inferiores e nervos intercostais para reduzir o risco de complicações como hipoestesia e hérnia incisional.

Um homem de 45 anos, com índice de massa corporal (IMC) de 38 kg/m2 e histórico de cirurgia bariátrica há 3 anos, apresenta dor abdominal intermitente e abaulamento irredutível na região umbilical. Após 12 horas de dor contínua associada a náuseas e vômitos, ele procura o pronto-socorro. Ao exame, nota-se massa endurecida e dolorosa no umbigo, com sinais de eritema cutâneo local. A tomografia computadorizada confirma hérnia umbilical com sinais de obstrução intestinal e comprometimento vascular do segmento herniado. Qual a melhor abordagem inicial para esse paciente?


A

Tentativa de redução manual sob analgesia e observação clínica por 24 horas.


B

Reparação cirúrgica emergencial com tela sintética sob técnica laparoscópica.


C

Reparação cirúrgica emergencial sem uso de tela devido ao risco de contaminação.


D

Correção cirúrgica eletiva após estabilização clínica e perda de peso prévia.


E

Uso de técnica de separação de componentes para fechamento da hérnia sem tela.

Paciente feminina, 62 anos, foi submetida à colectomia direita com linfadenectomia à DII para tratamento de adenocarcinoma do cólon. É hipertensa leve, sem outras comorbidades.


Uma terapia nutricional imunomoduladora no pré-operatório pode trazer os seguintes benefícios, à exceção de um. Assinale-o.


A

Favorecer a cicatrização.


B

Abreviar o tempo de internação.


C

Diminuir a incidência de fístulas digestivas.


D

Melhorar a resposta imunológica pela diminuição do CD4.


E

Melhorar a resposta inflamatória com diminuição da interleucina 6.

Um paciente de 75 anos, com histórico de doenças coronariana, hipertensão arterial e diabetes tipo II é submetido a artroplastia total do quadril esquerdo. No pós-operatório apresenta distensão abdominal progressiva, dor de leve intensidade, difusa e parada de eliminação de gases e fezes.

Ao exame, apresenta um abdome distendido, depressível, com ruídos hidroaéreos muito diminuídos. A tomografia do abdome revela dilatação difusa do cólon, principalmente no cólon direito, com maior diâmetro de 8,0 cm. O paciente não apresenta febre e os sinais vitais estão estáveis.


Com base nesse caso, a conduta mais adequada é


A

clister glicerinado associado à lactulona oral.


B

colectomia direita com ileostomia e fístula mucosa.


C

administrar neostigmina para promover a motilidade intestinal.


D

escopolamina regular, procinético e antibióticos de amplo espectro.


E

descompressão cirúrgica do cólon com transversostomia em dupla boca.

   
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