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Paciente de 45 anos, sem comorbidades relevantes, foi submetido a apendicectomia devido a quadro clínico sugestivo de apendicite aguda. O exame histopatológico da peça cirúrgica revelou um tumor neuroendócrino de apêndice de 1,3 cm, do terço proximal do apêndice, atingindo submucosa, sem comprometimento linfovascular e com mesopaêndice não avaliado.
Pelo índice do Ki-67, foi classificado como G2. O paciente se encontra assintomático e está em boa recuperação pós-operatória.
Das condutas a seguir elencadas, a mais adequada para esse caso de tumor neuroendócrino de apêndice é
realizar hemicolectomia direita com linfadenectomia.
realizar tiflectomia com linfadenectomia radical.
iniciar quimioterapia adjuvante, independentemente do estágio do tumor.
iniciar radioterapia seguida de hemicolectomia direita com linfadenectomia.
Prescrever análogo da somatostatina por 18 meses e acompanhar com exames de imagem regulares.
Homem, 69 anos, tabagista, com histórico de uso crônico de AINEs por osteoartrite, apresenta dor epigástrica súbita, intensa, há 4 horas, irradiando para dorso. Ao exame: abdome em tábua, dor à descompressão brusca, sinal de Jobert presente. PA 116/77 mmHg, FC 108 bpm, febre de 38,2ºC. Leucograma com 16.000/mm3 , lactato: 3,5 mmol/L. Radiografia de tórax em ortostase demonstrada na imagem a seguir.

(https://www.researchgate.net/)
Qual é a conduta mais apropriada?
Videolaparoscopia para sutura de perfuração e lavagem da cavidade.
Laparotomia exploradora com gastrectomia parcial e reconstrução em Y de Roux.
Laparotomia exploradora e gastrostomia parcial provisória.
Antibioticoterapia e observação clínica com dieta zero.
Endoscopia digestiva com tentativa de clipagem endoscópica.
Sobre os componentes anatômicos abdominais, assinale a alternativa correta.
O omento menor liga o estômago ao cólon transverso e atua como estrutura de contenção de inflamações abdominais.
O mesentério fixa o intestino delgado à parede posterior do abdome, mas não possui vasos nem estruturas nervosas associadas.
O retroperitônio contém apenas órgãos digestivos, como pâncreas, duodeno e cólon ascendente.
A parede abdominal é formada apenas pelos músculos retos abdominais e pela aponeurose do oblíquo externo.
O omento maior pode migrar até áreas inflamadas, ajudando a isolá-las e limitar a disseminação de infecção intra-abdominal.
Paciente do sexo masculino, 72 anos, portador de fibrilação atrial crônica não anticoagulada, apresenta dor abdominal súbita, intensa e difusa há 6 horas, desproporcional ao exame físico. Nega febre ou diarreia. Está hemodinamicamente estável, mas levemente taquicárdico. O abdome é flácido, doloroso à palpação difusa, sem peritonite. Lactato elevado. A tomografia com contraste mostra redução da perfusão de alças do jejuno, sem espessamento significativo da parede intestinal.
Com base nesse quadro e na fisiopatologia do abdome agudo vascular, é correto afirmar que a
trombose arterial mesentérica é mais frequente em pacientes com valvopatia mitral e geralmente leva à colite isquêmica do cólon esquerdo.
embolia da artéria mesentérica superior ocorre tipicamente em pacientes com arritmia e apresenta início súbito com exame físico inicialmente pouco expressivo.
trombose venosa mesentérica geralmente cursa com dor súbita e marcada hipoperfusão de alças sem alterações na parede intestinal.
colite isquêmica costuma acometer pacientes mais jovens e costuma acometer mais frequentemente cólon direito.
embolia mesentérica geralmente compromete o cólon esquerdo em pacientes idosos com hipotensão, podendo manifestar sangramento retal.
Um homem de 45 anos, previamente hígido, procura atendimento devido a dor epigástrica intensa de início súbito, associada a náuseas. No exame físico, apresenta abdome rígido e doloroso à palpação, com sinais de irritação peritoneal. A radiografia de abdome revelou pneumoperitônio. Após estabilização inicial, foi submetido a uma videolaparoscopia, que identificou uma úlcera perfurada de 0,8 cm na pequena curvatura gástrica, sem calo fibroso.
Considerando o exposto, assinale a alternativa que indica a conduta cirúrgica mais adequada para esse caso.
Sutura da úlcera com omentoplastia e tratamento clínico para Helicobacter pylori.
Gastrectomia parcial com reconstrução em Y de Roux.
Sutura da úlcera com omentoplastia, seguida de vagotomia superseletiva.
Antrectomia e fechamento primário com reforço de omento.
Realizar apenas lavagem peritoneal ampla e monitoramento clínico.
Um paciente de 58 anos apresenta uma lesão pigmentada em evolução no dorso há seis meses. Ao exame físico, a lesão tem bordas irregulares, coloração heterogênea e mede cerca de 1,8 cm. A biópsia excisional revelou um melanoma cutâneo com espessura de Breslow de 2,5 mm, presença de ulceração e ausência de metástases linfonodais ou à distância nos exames de imagem.
Assinale a conduta terapêutica mais indicada para esse paciente.
Observação clínica sem intervenção adicional.
Radioterapia local como tratamento secundário.
Quimioterapia sistêmica e imunoterapia imediata.
Ampliação das margens da excisão cirúrgica e biópsia do linfonodo sentinela.
Ampliação das margens da excisão cirúrgica com linfadenectomia profilática.
Um paciente de 52 anos apresenta um quadro de dor abdominal intensa e contínua, localizada no quadrante inferior direito, febre de 38,5ºC, náuseas e vômitos. Durante o exame físico, observa-se defesa abdominal localizada e sinal de Blumberg positivo. A tomografia computadorizada do abdome revela presença de um apêndice inflamatório com diâmetro maior que 6 mm, espessamento da parede e uma coleção de líquido peri-apendicular. Qual é a conduta cirúrgica mais indicada para este paciente?
Antibioticoterapia intravenosa exclusiva, sem intervenção cirúrgica.
Drenagem percutânea guiada por imagem seguida de antibioticoterapia.
Apendicectomia laparoscópica precoce.
Laparotomia exploradora com lavagem peritoneal.
O lavado peritoneal diagnóstico é um exame rápido e sensível, usado para identificar lesões intra-abdominais após um traumatismo fechado. A realização desse procedimento pode ser indicada na hipótese de:
obesidade
ausência de lesão medular
laparotomia exploradora prévia
hipotensão sem causa estabelecida
A cirurgia ambulatorial vem aumentando nos últimos anos, com realização dos procedimentos geralmente por anestesia local e sem sedação, o que permite alta médica após cada procedimento. Na avaliação pré-operatória, recomenda-se avaliar a presença de:
hipotireoidismo
arritmias sintomáticas
hérnia de parede abdominal
diabetes não insulino dependente
Paciente masculino, de 70 anos, submetido a correção de hérnia incisional com tela intraperitoneal há 3 anos, apresentou dor abdominal crônica e imagem de alça intestinal aderida à tela com saída de secreção purulenta. Análise da secreção demonstrou amilase > 1.000 UI/l. Qual a complicação mais provável?
Infecção de ferida superficial
Seroma estéril tardio
Recidiva herniária sem complicações associadas
Erosão intestinal com fístula entérica
Paciente masculino, de 75 anos, com distensão e dor abdominal em cólica associada a vômitos biliosos há 24 horas, foi trazido à Emergência. Ao exame, apresentava hérnia inguinal direita irredutível, dolorosa à palpação, sem sinais de peritonite. Qual a conduta mais adequada no momento?
Indicar cirurgia de urgência para correção da hérnia.
Tentar redução manual da hérnia sob analgesia e sedação leve.
Solicitar radiografia abdominal e manter jejum, observando a evolução clínica.
Iniciar administração de antibióticos e agendar correção eletiva da hérnia após melhora clínica.
Paciente feminina, de 30 anos, sem outras patologias diagnosticadas, apresentou, ao exame físico, um nódulo único de tireoide, com 2 cm, no lobo direito. Ultrassonografia mostrou nódulo com maior diâmetro de 1,8 cm, sólido, hipoecoico, com margens irregulares, sem comprometimento extratireoideo, classificado como TI-RADS 5. Nesse exame, não foram identificados linfonodos patológicos em região cervical. Foi realizada punção aspirativa com agulha fina, cuja citopatologia foi classificada como Bethesda V. Assinale a assertiva correta em relação ao caso clínico.
Considerando o diâmetro da lesão (< 4 cm), pode-se indicar observação ativa.
A classificação de Bethesda indica risco intermediário para neoplasia, considerando que a mesma inclui classes de I a X (1 a 10).
A investigação deve ser complementada com cintilografia para determinar a atividade metabólica da lesão.
A paciente apresenta indicação de tireoidectomia parcial ou total, dependendo dos achados intraoperatórios.
Os fatores predisponentes para a deiscência de ferida incluem:
I. Obesidade, quimioterapia ou radioterapia e insuficiência renal ou hepática.
II. Nutrição deficiente e diabetes.
III. Infecção ativa e uso de corticosteroide.
Está CORRETO o que se afirma:
Apenas no item I.
Apenas no item II.
Apenas nos itens I e III.
Apenas nos itens II e III.
Homem de 45 anos, com antecedente de colectomia segmentar por diverticulite complicada, refere, há vários meses, episódios recorrentes de estufamento, distensão abdominal e pirose, com melhora parcial ao uso de omeprazol. Foi submetido à seguinte investigação ambulatorial:
• Endoscopia digestiva alta: esofagite erosiva grau D segundo a classificação de Los Angeles. Observado conteúdo de estase no estômago. Ausência de hérnia hiatal.
• pHmetria esofágica de 24 horas: índice de DeMeester = 66,2 (valor de referência < 14,7). Tempo total de exposição ácida: 18,4%. Número total de episódios de refluxo: 87, sendo 14 com duração superior a 5 minutos.
• Tomografia computadorizada de abdome com contraste oral e endovenoso: alças delgadas de fino calibre proximal ao quadrante inferior esquerdo apresentam distensão significativa, com níveis hidroaéreos e redução do calibre em segmento de íleo distal. Progressão parcial do contraste até esse ponto.
Na última semana, procurou o pronto-socorro devido à piora dos sintomas, com aumento da distensão abdominal e parada da eliminação de fezes e gases. Encontra-se afebril, em bom estado geral, sem sinais de peritonite.
Diante desse quadro, qual deve ser a conduta imediata?
Realizar laparotomia imediata com lise de aderências e fundoplicatura.
Indicar fundoplicatura laparoscópica.
Solicitar colonoscopia diagnóstica para afastar neoplasia obstrutiva.
Iniciar tratamento clínico com hidratação venosa e sonda nasogástrica para descompressão gástrica.
Homem de 44 anos, previamente hígido, é admitido com distensão abdominal, vômitos e parada de eliminação de fezes e flatos há 36 horas. A tomografia computadorizada evidencia obstrução intestinal com distensão de delgado e cólon, associada a espessamento parietal no ceco, compatível com neoplasia obstrutiva de cólon direito. Adicionalmente, observa-se espessamento focal no sigmoide, sem sinais de perfuração, sugestivo de lesão sincrônica. O paciente encontra-se hemodinamicamente estável e sem sinais de peritonite.
Com base nesse cenário, assinale a alternativa correta.
A colectomia total é uma opção adequada em tumores sincrônicos de cólon. Devem ser ligados os vasos ileocólicos e mesentéricos inferiores em suas origens; a ligadura da cólica média em sua origem pode ser considerada, mas não é obrigatória.
Em casos de obstrução de cólon direito, a perfuração pode ocorrer no sigmoide devido à Lei de LaPlace, que relaciona maior pressão transmural ao menor raio luminal.
A colectomia segmentar do cólon direito e do sigmoide, com preservação do transverso e realização de duas anastomoses primárias, é preferível em casos de lesões sincrônicas, por manter maior extensão colônica e reduzir complicações.
Frente à suspeita de tumor sincrônico, a melhor conduta é realizar uma transversostomia em alça para descompressão e posterior avaliação colônica completa com colonoscopia e biópsias antes de indicar ressecção definitiva.
A artéria mesentérica inferior é responsável pela irrigação de parte do sistema digestório derivado do intestino posterior e origina-se na parte abdominal da aorta, realizando o trajeto que:
passa entre as camadas do mesoapêndice
segue na raiz do mesentério até a junção ileocecal
desce no retroperitônio à esquerda da parte abdominal da aorta
segue no retroperitônio para a esquerda do colo descendente até o reto
Homem de 46 anos, operado há 5 dias em caráter de urgência (laparoscopia exploradora), sendo realizada ressecção intestinal de segmento de cólon esquerdo por obstrução tumoral, apresenta quadro de taquicardia, febre e dor abdominal difusa com descompressão brusca positiva ao exame abdominal. A imagem a seguir demonstra a radiografia de abdome em pé.

(Junior, W. R. F. et al. Rev Assoc Med Bras 2011; 57(6):600)
Assinale a alterantiva que apresenta, corretamente, a melhor definição fisiopatológica do quadro apresentado e a conduta imediata indicada.
Peritonite química por perfuração visceral com contaminação — reexploração cirúrgica com controle da fonte e lavagem peritoneal.
Íleo adinâmico pós-operatório — manejo conservador com descompressão e observação.
Coleção subfrênica isolada tratável apenas com antibiótico oral.
Tromboembolismo mesentérico — anticoagulação plena e observação.
Fístula enterocutânea controlada — cuidados locais e adiar cirurgia.
Durante uma cirurgia abdominal de grande porte, o paciente desenvolve súbita queda na saturação periférica (SpO2 de 82%); a pressão de pico no ventilador aumenta subitamente e há queda do débito cardíaco. A inspeção mostra aumento do diâmetro torácico e palpação difícil para ventilação manual.
Quais são a causa mais provável do distúrbio respiratório e a conduta técnica imediata a ser realizada?
Broncoespasmo grave — administrar broncodilatador inalatório e esteroide.
Embolia pulmonar — iniciar trombólise imediata em sala de cirurgia.
Pneumotórax hipertensivo — realizar descompressão torácica imediata com agulha, seguida de drenagem por dreno de tórax.
Edema pulmonar cardiogênico — diurese e suporte inotrópico.
Desconexão do circuito ventilatório — reinserir circuito e ventilar manualmente.
Homem de 62 anos, com IMC: 28 kg/m2, portador de hérnia inguinal recidivada após herniorrafia aberta prévia, é submetido a reparo laparoscópico transabdominal pré-peritoneal (TAPP). Durante a dissecação do espaço de Retzius, o cirurgião identifica o ligamento de Cooper como marco anatômico essencial para a fixação da tela. Ao abordar a região lateral do ligamento, ocorre sangramento arterial de difícil controle.
Com base na anatomia cirúrgica e nas melhores práticas atuais, qual é a explicação mais provável para a origem desse sangramento?
Lesão da artéria epigástrica inferior, que cruza o trato iliopúbico medialmente ao anel femoral.
Lesão da artéria circunflexa ilíaca profunda, que passa posteriormente ao trato iliopúbico e irriga o músculo transverso do abdome.
Lesão de ramo aberrante da artéria obturadora, também conhecida como “coroa mortis”, que cruza lateralmente o ligamento de Cooper.
Lesão da artéria pudenda externa, ramo da femoral, que acompanha os vasos espermáticos pelo anel inguinal profundo.
Lesão de ramo da artéria vesical inferior, que emerge do plexo venoso retropúbico e cruza anteriormente ao espaço de Retzius.
Um paciente sem cirurgias prévias apresenta uma hérnia intra-abdominal interna, cujo tratamento cirúrgico corresponde à redução da hérnia e ao fechamento do defeito. Nesse caso, percebe-se que se trata da hérnia:
adquirida
mesentérica
mesocólica direita
paraduodenal esquerda