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Paciente feminina de 28 anos, diagnosticada com retocolite ulcerativa há 5 anos, em tratamento com imunobiológico, apresenta quadro clínico de agravamento da doença com diarreia sanguinolenta vultuosa, febre e dor abdominal, de início há uma semana, com piora progressiva.
Ao exame clínico encontra-se prostrada, hipocorada e desidratada, PA 92 x 57 mmHg, FC 121 bpm, SatO2 92% em ar ambiente. O hemograma apresenta Hgb 8,2 g/dL, leuco 27.600 com 12 bastões e 5 mielócitos. O Rx simples de abdome demonstra um cólon transverso dilatado, com 6,2 cm de diâmetro. A paciente relata que tinha uma viagem longa programada em duas semanas e que tem desejo de engravidar no futuro.
A conduta terapêutica mais indicada para esse caso é
proctocolectomia total com ileostomia permanente.
proctocolectomia total com anastomose ileoanal e bolsa ileal.
colectomia subtotal com ileostomia e procedimento de Hartmann.
colectomia subtotal com ileoretoanstomose e ileostomia de proteção.
terapia imunossupressora agressiva e manutenção do tratamento biológico e adiamento da cirurgia.
Paciente jovem foi submetido a laparotomia exploradora devido a hemoperitônio consequente a trauma abdominal decorrente de queda de bicicleta. A etiologia do sangramento foi de lacerações do mesentério, prontamente resolvida. Apresentou boa evolução pós-operatória obtendo alta hospitalar no 4º DPO. Após 15 dias da alta, retornou ao ambulatório para revisão sendo constatadas hiperemia e flogose da ferida operatória, além de dor ao toque. À expressão observa-se saída de secreção purulenta.
Assinale a melhor conduta, entre as elencadas a seguir.
Calor local, curativo com pomada de mupirocina 2x/dia e retorno em uma semana.
Abertura parcial da ferida operatória, debridamento e curativo com clorohexidina.
Colocação de dreno por radiointervenção e colher material para cultura e antibioticoterapia direcionada.
Abertura parcial da ferida operatória, debridamento, colher cultura e iniciar a antibioticoterapia empiricamente.
Abertura parcial da ferida operatória, debridamento, colher cultura e aguardar o resultado para início de antibioticoterapia.
Uma paciente de 34 anos foi submetida a laparotomia mediana de urgência, sendo diagnosticado abscesso tubo-ovariano direito associado à pelve peritonite purulenta.
No fechamento da cavidade peritoneal, assinale o melhor fio cirúrgico para o fechamento da aponeurose, dos elencados a seguir.
Seda zero.
Nylon zero.
Polipropileno zero.
Ácido poliglicólico zero.
Polietileno tereftalato zero.
Um paciente será submetido a uma cirurgia abdominal de grande porte. Apresenta risco alto de tromboembolismo venoso (TEV) e risco moderado de sangramento, mas sem contraindicação absoluta ao uso de anticoagulantes. Qual é a conduta profilática mais adequada para prevenção de TEV nesse cenário?
Meias de compressão elástica.
Deambulação precoce.
Profilaxia mecânica durante todo o período de internação.
Enoxaparina subcutânea iniciada 6 horas após a cirurgia, associada à compressão pneumática intermitente.
Heparina não fracionada em dose plena desde o intraoperatório.
Qual é a principal indicação de colectomia total de urgência em pacientes com colite ulcerativa?
Intolerância prolongada aos imunobiológicos.
Megacólon tóxico refratário ao tratamento clínico.
Displasia de baixo grau detectada em colonoscopia.
Anemia refratária à reposição de ferro.
Estreitamento fibroso crônico de sigmoide.
Considerando a classificação de Goligher, utilizada para graduar e orientar o tratamento das hemorroidas internas, assinale a alternativa correta.
Ligadura elástica é indicada apenas em hemorroidas grau IV.
Hemorroidas de grau II requerem hemorroidectomia.
Hemorroidas grau III podem ser tratadas com ligadura elástica ou cirurgia.
Hemorroidas grau I devem ser tratadas com escleroterapia de rotina.
Hemorroidas grau IV são invariavelmente estranguladas.
Um paciente de 50 anos, com diabetes mellitus tipo 2, é submetido a uma cirurgia de correção de hérnia inguinal. No quinto dia pós-operatório, o paciente apresenta febre alta, dor intensa e edema na região operada, acompanhados de secreção purulenta e sinais de eritema. Com base no Tratado de Infectologia de Veronesi e nas diretrizes de cirurgia geral, qual é o agente etiológico mais provável?
Staphylococcus aureus.
Escherichia coli.
Streptococcus pyogenes.
Pseudomonas aeruginosa.
Um homem de 56 anos, com diagnóstico prévio de cirrose hepática por hepatite C, apresenta hematêmese volumosa. Ao exame, está confuso, com tremores e hálito amoniacal, apresentando pressão arterial de 90/60 mmHg, frequência cardíaca de 120 bpm, pele ictérica e sinais de circulação colateral abdominal visível. Após estabilização inicial com reposição volêmica, transfusão sanguínea e droga vasoativa (terlipressina), foi indicada endoscopia digestiva alta que revela varizes esofágicas sangrantes de grande calibre; realizada ligadura elástica, mas o endoscopista não conseguiu coibir o sangramento. Qual é a próxima etapa mais apropriada no manejo desse paciente?
Iniciar infusão contínua de octreotida e reavaliar em 24 horas.
Realizar escleroterapia endoscópica imediata.
Submeter o paciente à colocação de um TIPS (derivação portossistêmica intra-hepática transjugular).
Inserir balão de Sengstaken-Blakemore para controle temporário do sangramento.
Realizar cirurgia de derivação portossistêmica de emergência.
Paciente de 62 anos, sem comorbidades significativas, será submetido à colectomia direita eletiva por neoplasia. Considerando as evidências atuais sobre anastomoses intestinais em cirurgias eletivas do cólon, assinale a alternativa que representa a recomendação mais respaldada pela literatura especializada.
Anastomoses manuais têm melhores resultados que as mecânicas em pacientes imunossuprimidos.
A anastomose lateral-lateral mecânica está associada a menor tempo operatório e menor incidência de estenose em comparação à término-terminal manual.
A anastomose término-terminal deve ser preferida por reduzir o risco de fístulas, independentemente do caso.
A escolha do tipo de anastomose deve basear-se apenas na experiência pessoal do cirurgião.
A anastomose término-lateral é contraindicada em anastomoses colônicas.
A coledocolitíase, além de representar uma complicação relevante da colelitíase, impõe desafios diagnósticos e terapêuticos, sobretudo quando associada à colangite ascendente e pancreatite aguda biliar. Considerando os critérios clínico-laboratoriais, os achados de imagem e a estratificação de risco, qual proposição reflete, com maior exatidão, as recomendações contemporâneas para o manejo da coledocolitíase em contextos hospitalares de alta complexidade?
A ultrassonografia abdominal é suficiente para confirmação diagnóstica em todos os casos, devendo preceder a indicação de colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE).
A estratificação de risco baseada em marcadores bioquímicos e achados ecográficos direciona o uso de métodos de imagem avançados como colangiorressonância ou ecoendoscopia antes da intervenção.
O tratamento cirúrgico imediato está indicado mesmo na ausência de evidência radiológica de cálculos na via biliar principal, dado o risco de recorrência.
A colangite associada à coledocolitíase não contraindica a realização de colangiografia percutânea e deve ser tratada exclusivamente com antibióticos de amplo espectro.
A CPRE deve ser evitada em pacientes com suspeita clínica elevada, pois aumenta o risco de pancreatite aguda pós-procedimento.
Homem de 65 anos, com histórico de 2 episódios anteriores recentes de diverticulite aguda do cólon sigmoide tratada conservadoramente, se apresenta na emergência com instabilidade hemodinâmica, dor abdominal difusa, febre alta e sinais de irritação peritoneal. Tomografia computadorizada do abdome evidencia líquido livre difuso, pneumoperitônio e achados compatíveis com peritonite purulenta generalizada (Hinchey III). Qual a conduta mais indicada nessa situação?
Antibioticoterapia ampla por via intravenosa e drenagem.
Colectomia com anastomose primária, sendo segura e preferida.
Colectomia com colostomia terminal (Hartmann).
Drenagem percutânea associada a suporte clínico por ser o padrão-ouro.
Drenagem por colonoscopia sob sedação.
Homem de 56 anos, etilista crônico, com diagnóstico prévio de cirrose hepática por hepatite C, dá entrada no pronto-socorro com quadro de hematêmese volumosa e melena. Encontra-se hipotenso (PA 82/53 mmHg), taquicárdico (FC 116 bpm) e com rebaixamento do nível de consciência (Glasgow 12). Hemoglobina inicial: 6,8 g/dL; Plaquetas: 60.000/mm³; INR: 2,1. A endoscopia digestiva alta realizada 6 horas após estabilização parcial revela varizes esofágicas calibrosas com sangramento ativo. Após manutenção das vias aéreas/ventilação/oxigenação, qual é a melhor conduta terapêutica inicial para esse paciente, com intuito de promover estabilização hemodinâmica?
Transfusão alvo (Hb >7), octreotida ou terlipressina EV, antibioticoterapia e ligadura elástica endoscópica.
Transfusão maciça, inibidor de bomba de prótons EV e endoscopia com escleroterapia.
Cirurgia de urgência com derivação portossistêmica.
Inserção imediata de balão de Sengstaken-Blakemore e transfusão para Hb >10.
Instalação de TIPSS e aguardar por transplante hepático por se tratar de Child-Pugh C.
Em relação ao estudo das hérnias, analisar os itens.
I. A hérnia de Spiegel ocorre mais comumente na região lombar.
II. A hérnia inguinal direta é classificada como Tipo IV C na classificação de Nyhus.
III. Na hérnia de Richter, pode ocorrer um estrangulamento, sem a presença de obstrução intestinal.
Está CORRETO o que se afirma:
Apenas no item I.
Apenas no item II.
Apenas no item III.
Em nenhum dos itens.
Durante uma colecistectomia laparoscópica eletiva bem sucedida em um paciente de 55 anos com histórico de hipertensão controlada, o cirurgião identifica uma hemorragia de pequena monta na região do leito hepático após a dissecção da vesícula biliar; o sangramento não foi eficazmente contido com eletrocoagulação ou pinça hemostática e persistiu. A pressão arterial do paciente mantém-se estável.
Qual é a conduta mais apropriada para o manejo imediato dessa complicação transoperatória?
Conversão para laparotomia a fim de melhor controle do sangramento.
Aplicação de hemostáticos tópicos no leito hepático sem outras intervenções.
Compressão manual externa do abdome para auxiliar na hemostas
Administração intravenosa de agentes vasopressores para reduzir o sangramento.
Ligadura da artéria hepática direita.
Uma paciente de 60 anos com histórico de cirrose hepática secundária à hepatite C apresenta hematêmese volumosa. No atendimento inicial, está hipotensa e taquicárdica.
Após estabilização hemodinâmica inicial na sala de emergência, assinale a alternativa que apresenta o próximo passo mais apropriado na gestão dessa paciente.
Transferência para unidade de terapia intensiva sem intervenções adicionais.
Realização de tomografia computadorizada de abdome antes de qualquer intervenção.
Início de inibidores da bomba de prótons intravenosos e observação clínica.
Indicação imediata de cirurgia para ligadura de varizes esofágicas.
Administração de antibióticos profiláticos e agentes vasoativos, seguida de endoscopia digestiva alta urgente.
Paciente, sexo masculino, 55 anos, com quadro de dor abdominal em cólica e distensão abdominal difusa há 4 dias, associado a múltiplos episódios de vômitos biliosos, parada da eliminação de gases e fezes há 1 dia. Ao exame físico apresenta aumento dos ruídos hidroaéreos. Histórico de laparotomia exploradora há 20 anos por lesão de arma com fogo. Neste caso, qual é o tipo de abdome agudo e diagnóstico mais provável, respectivamente?
Abdome agudo obstrutivo e hérnia encarcerada.
Abdome agudo inflamatório e diverticulite.
Abdome agudo obstrutivo e bridas.
Abdome agudo obstrutivo e neoplasia colorretal.
Mulher, 76 anos, hipertensa e diabética, com história pregressa de coronariopatia, é admitida no pronto-socorro com dor abdominal difusa de início súbito e intensidade progressiva há 8 horas. Relata náuseas, vômitos e ausência de evacuação no último dia. Ao exame físico, apresenta abdome distendido, ruídos hidroaéreos reduzidos e dor difusa à palpação, sem sinais de irritação peritoneal. O hemograma revela leucocitose importante. Gasometria arterial evidencia acidose metabólica com aumento do lactato.
Qual é a principal hipótese diagnóstica e a conduta inicial mais adequada?
Pancreatite aguda – solicitar amilase e lipase e iniciar reposição volêmica agressiva.
Isquemia mesentérica aguda – solicitar angiotomografia abdominal e considerar laparotomia exploradora precoce.
Volvo de sigmoide – realizar colonoscopia descompressiva como primeira abordagem.
Síndrome do intestino irritável – prescrever sintomáticos e reavaliar em 24 horas.
Apendicite aguda – solicitar ultrassonografia de abdome e considerar antibioticoterapia.
Sobre a pancreatite aguda, é correto afirmar:
a etiologia mais comum de pancreatite aguda em homens é o uso excessivo de medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs).
para o diagnóstico da pancreatite aguda, é imprescindível a realização da tomografia computadorizada abdominal.
a pancreatite aguda leve é caracterizada por necrose pancreática difusa, e o manejo inicial deve incluir antibióticos de amplo espectro.
o tratamento inicial da pancreatite aguda leve (não complicada) inclui jejum, hidratação intravenosa e controle da dor, com a necessidade de intervenção cirúrgica restrita a complicações.
a pancreatite aguda grave é definida pela presença de edema pancreático difuso com melhora clínica após 48 horas de tratamento conservador.
Homem de 67 anos, ex-trabalhador da construção naval, com história de exposição ao amianto, apresenta dispneia progressiva e derrame pleural unilateral. A toracocentese foi pouco conclusiva.
Assinale a alternativa correta sobre o provável diagnóstico do paciente.
A cirurgia de escolha para o caso do paciente é geralmente a pleurectomia-decorticação.
A doença do paciente responde bem à quimioterapia com agentes alquilantes isolados.
A exposição ao benzeno, comum na construção naval, é o principal fator etiológico da lesão.
A biópsia por toracoscopia é o padrão-ouro para o diagnóstico da lesão.
A toracocentese com citologia tem alta sensibilidade diagnóstica no caso apresentado.
Em relação à abordagem cirúrgica das hérnias inguinais em pacientes adultos, assinale a alternativa correta de acordo com as diretrizes mais recentes.
A técnica de Shouldice deve ser preferida em pacientes obesos.
A abordagem posterior laparoscópica é contraindicada em hérnias bilaterais.
A técnica Lichtenstein com tela é o padrão-ouro em centros de alta complexidade.
A cirurgia sem tela tem menores taxas de recidiva em hérnias grandes.
A abordagem laparoscópica é recomendada na recidiva pós-reparo anterior aberto.