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Paciente masculino, 64 anos, foi internado devido a dor abdominal moderada e vômitos pós-alimentares. Relata que há dois meses teve alta hospitalar após internação com o diagnóstico de pancreatite aguda biliar.
Na ocasião, apresentou evolução inicial arrastada, permanecendo duas semanas com nutrição parenteral total e dieta oral zero. Quando apresentou melhora, foi reintroduzido a dieta oral e na mesma internação foi realizado a colecistectomia por videolaparoscopia após a qual teve alta hospitalar.
Ao exame clínico, apresenta-se emagrecido, desidratado, eupneico, apirético, normotenso. O exame de sangue demonstra elevação em torno de quatro vezes das enzimas lipase e amilase. No hemograma observamos discreta anemia e leucograma normal. O CA 19.9 está aumentado em duas vezes o valor normal. Foi então submetido a tomografia computadorizada do abdome que demonstrou uma coleção líquida bem delimitada, de paredes espessas e formato arredondado, com diâmetro de 11,0 cm, localizada em topografia da cabeça pancreática, acarretando o alargamento do arco duodenal o qual apresentava luz virtual.
Diante desses achados, é correto afirmar que
o paciente apresenta pseudocisto de pâncreas e deve ser submetido a drenagem interna nessa internação.
o paciente apresenta fleimão pancreático e o tratamento é conservador com nutrição parenteral e antibioticoterapia.
o diagnóstico mais provável é de cistoadenocarcinoma e está indicada a cirurgia de Whipple após melhora do estado nutricional.
o paciente apresenta pseudocisto de pâncreas sem indicação de drenagem visto que a maioria apresenta cura espontânea em até 1 ano.
o paciente apresenta recrudescência da pancreatite com formação de abscesso pancreático e deve ser submetido a drenagem externa.
Paciente de 48 anos, sexo feminino, com diagnóstico de colelitíase sintomática, é submetida à colecistectomia laparoscópica eletiva. Durante a dissecção do triângulo hepatocístico, o cirurgião busca obter a visão crítica de segurança (critical view of safety) antes de clipar e seccionar as estruturas.
Os critérios da visão crítica de segurança incluem:
identificação de três estruturas entrando na vesícula biliar: ducto cístico, artéria cística e ducto hepático comum.
dissecção do ligamento hepatoduodenal até visualização da veia porta.
identificação do ducto colédoco antes da ligadura do ducto cístico.
dissecção completa do triângulo hepatocístico, destacamento do terço inferior da vesícula do leito hepático e identificação de apenas duas estruturas entrando na vesícula biliar.
colangiografia intraoperatória obrigatória antes da secção do ducto cístico.
Em relação ao pneumoperitônio na cirurgia laparoscópica, analise as assertivas abaixo:
I. Os dois acessos mais frequentes de realização do pneumoperitônio com agulha de Veres são pela cicatriz umbilical ou no ponto de Palmer.
II. O ponto de Palmer deve ser a escolha para a introdução da agulha de Veres na suspeita de grandes aderências abdominais, especialmente na presença de laparotomia mediana prévia.
III. Na presença de panículo adiposo mais espesso, a agulha de Veres deve ser inserida a 90 graus em relação à parede abdominal, ao passo que, em pacientes muito magras, a agulha pode ser inserida em uma angulação de até 45 graus em relação à parede abdominal.
Quais estão corretas?
Apenas I.
Apenas II.
Apenas III.
Apenas I e III.
I, II e III.
Paciente de 45 anos procura atendimento devido a dor no quadrante superior direito há 12 horas, acompanhada de náuseas e febre baixa. Ao exame físico, apresenta sinal de Murphy positivo, sem icterícia. Considerando o manejo inicial das afecções da vesícula biliar, o papel dos exames de imagem e a definição de conduta adequada, assinale a melhor opção.
Associar anti-inflamatórios e aguardar melhora clínica, sem investigação complementar.
Solicitar apenas exames laboratoriais para definir a causa da dor abdominal.
Realizar ultrassonografia para confirmar a suspeita diagnóstica e orientar a conduta.
Indicar dieta hipolipídica e retorno sem reavaliação por imagem, pois o quadro é clássico.
Presumir quadro complexo e iniciar drenagem biliar, sem confirmação diagnóstica.
Homem de 72 anos procura atendimento por dor abdominal em fossa ilíaca esquerda, de início progressivo, há 3 dias, associada a febre baixa e constipação. Nega diarreia, sangramento intestinal ou episódios de hipotensão. Ao exame físico, apresenta sensibilidade localizada em quadrante inferior esquerdo, sem sinais de irritação peritoneal. Exames laboratoriais mostram leucocitose e PCR elevada. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Diverticulite aguda.
Neoplasia colorretal.
Colite isquêmica.
Apendicite aguda.
Doença inflamatória intestinal.
Durante uma duodenopancreatectomia cefálica (procedimento de Whipple), ao realizar a linfadenectomia ao longo da artéria mesentérica superior (AMS), o cirurgião identifica uma importante veia que cruza anteriormente a AMS, drenando o cólon transverso e a flexura direita, e que deve ser preservada para evitar congestão venosa colônica pós-operatória. A descrição refere-se à veia:
Mesentérica superior.
Gastro-omental direita.
De Henle (tronco gastrocólico).
Ileocólica.
Cólica direita.
Durante a fase proliferativa da cicatrização de uma ferida cirúrgica, a síntese de colágeno é o evento central. Para que ocorra a hidroxilação dos resíduos de prolina e lisina, essencial para a estabilidade da tripla hélice do colágeno e sua subsequente secreção para o espaço extracelular, qual combinação de cofatores é estritamente necessária?
Vitamina A, Zinco e Magnésio.
Vitamina K, Cálcio e Cobre.
Vitamina E, Selênio e Manganês.
Vitamina B12, Ácido Fólico e Cobalto.
Vitamina C, Ferro e Oxigênio molecular.
Paciente de 58 anos, com cirrose hepática Child-Pugh C, apresenta hematêmese volumosa e melena. Após estabilização hemodinâmica inicial, é submetido a endoscopia digestiva alta que identifica varizes esofágicas sangrantes. A primeira tentativa de ligadura elástica (LE) falha em controlar o sangramento. Qual é a conduta farmacológica e endoscópica mais apropriada, considerando o risco de falha terapêutica?
Instituir octreotida em infusão contínua e reprogramar uma nova sessão de ligadura elástica após estabilização clínica.
Aplicar cianoacrilato diretamente nas varizes observadas e associar betabloqueador para prevenção secundária da recidiva.
Utilizar balão esofágico para tamponamento imediato e encaminhar o paciente para realização precoce de TIPS como medida definitiva.
Administrar terlipressina e tentar nova ligadura na mesma avaliação endoscópica, mantendo TIPS como alternativa caso persista sangramento.
Interromper medicações anticoagulantes e substituir a ligadura elástica por escleroterapia com agente esclerosante.
Paciente de 65 anos submetido à colecistectomia laparoscópica por colelitíase sintomática evolui no 5º dia de pós-operatório com dor abdominal intensa, febre de 39 °C, taquicardia e leucocitose. A tomografia computadorizada mostra coleção líquida peri-hepática com gás intralesional e espessamento da parede vesicular residual. Considerando o caso apresentado e o risco de sepse, qual é a complicação mais provável e a conduta imediata, respectivamente?
Abscesso subfrênico secundário a fístula biliar – drenagem percutânea guiada por ultrassom e antibioticoterapia empírica.
Peritonite química por bile extravasada – laparotomia exploradora imediata e lavagem peritoneal.
Coleção estéril por reação inflamatória – observação clínica e analgesia.
Fístula biliopancreática por lesão ductal inadvertida – colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) urgente.
Infecção de ferida operatória superficial – debridamento local e antibioticoterapia oral.
Em relação ao manejo da hemorragia digestiva alta grave em ambiente de urgência, qual é a conduta inicial mais adequada?
Solicitar endoscopia imediatamente.
Iniciar reposição volêmica vigorosa com cristaloides e acesso venoso calibroso.
Administrar antibióticos profiláticos imediatamente.
Realizar laparotomia exploradora sem estabilização prévia.
Realizar colonoscopia imediatamente.
Sobre o tratamento da apendicite aguda, assinale a alternativa correta:
O tratamento padrão é antibiótico exclusivo, sem cirurgia.
A apendicectomia laparoscópica é considerada segura e apresenta vantagens sobre a aberta.
A drenagem percutânea é indicada em todos os casos de apendicite não complicada.
A cirurgia deve ser evitada em pacientes idosos devido ao risco de complicações.
A apendicectomia convencional deve ser a técnica escolhida sempre que houver apendicite complicada.
Sobre o manejo da obstrução de vias aéreas em emergência, é CORRETO afirmar que:
A intubação orotraqueal é contraindicada em pacientes com trauma facial.
A cricotireoidostomia é indicada como procedimento de escolha em obstrução alta quando a intubação orotraqueal não é possível.
A traqueostomia deve ser sempre preferida à cricotireoidostomia em situações de emergência.
O uso de máscara laríngea é considerado como método de via aérea definitiva.
A ventilação com bolsa-valva-máscara nunca deve ser utilizada em pacientes inconscientes.
Sobre os exames complementares na investigação da colecistite aguda, é correto afirmar:
A ultrassonografia abdominal é o exame de escolha inicial.
A tomografia computadorizada é superior à ultrassonografia em todos os casos.
A colangiopancreatografia endoscópica é indicada como exame diagnóstico inicial.
A radiografia simples de abdômen é suficiente para confirmar o diagnóstico.
A ressonância magnética é o exame de escolha para o diagnóstico.
Durante um procedimento cirúrgico abdominal, a ligadura inadvertida de uma artéria comprometeu a irrigação primária do intestino delgado proximal, resultando em isquemia significativa do jejuno inicial. Considerando a anatomia vascular do trato gastrointestinal, a artéria mais provavelmente envolvida foi a:
artéria mesentérica superior.
artéria mesentérica inferior.
artéria gástrica esquerda.
artéria hepática comum.
Paciente do sexo feminino, 41 anos, feodérmica, previamente hígida, é conduzida ao serviço de emergência com queixa de dificuldade respiratória e consciente. A ausculta revelou o sinal de Hamman. Com base nessas informações, a provável causa desse sinal é
pneumomediastino.
estenose de valva mitral.
aneurisma de aorta torácica.
tamponamento cardíaco.
derrame pleural extenso.
Paciente gestante, de 22 semanas, com queixa de dor abdominal em hipocôndrio direito, parada da inspiração à palpação profunda em hipocôndrio direito, febre, leucograma com leucocitose e desvio à esquerda. Ultrassom demonstra vesícula biliar com paredes espessadas e líquido livre adjacente.
Considerando esse contexto, assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta para a paciente.
Adiar a cirurgia para o puerpério imediato.
Colecistectomia via laparotômica por risco fetal na laparoscopia.
Colecistectomia laparoscópica durante a mesma internação, com pressão de pneumoperitônio de 10-12 mmHg e decúbito com leve inclinação à esquerda.
CPRE seguida de colecistectomia no puerpério.
Colecistostomia.
Paciente do sexo masculino, 65 anos, feodérmico, foi submetido a gastrectomia total e linfadenectomia regional, associada a omentectomia, para tratar um carcinoma avançado de antrogástrico. Após uma semana, seu organismo, em recuperação anabólica, retomou a homeostasia, restabelecendo as suas funções, por meio da ação de mediadores endócrinos, metabólicos, imunitários e inflamatórios. Entre as seguintes manifestações, qual ocorre na fase anabólica da resposta endocrinometabólica e imunitária ao trauma (REMIT)?
Redução da diurese.
Redução do apetite.
Redução da lipogênese.
Redução da glicogênese.
Redução dos glicocorticoides.
Paciente do sexo feminino, 66 anos, leucodérmica, procura atendimento médico por dor epigástrica intensa, que piora após as refeições e antes das defecações. Ela leva exames de consultas anteriores, que não mostravam anormalidade alguma. Todos os exames cardiológicos, inclusive cateterismo, endoscopias e exames de imagem, estavam normais. Ao exame físico, a palpação abdominal não mostrou anormalidade, exceto na linha alba superiormente, que era muito dolorosa à compressão digital, porém sem massa palpável.
Com base apenas nesses dados, qual é o provável diagnóstico?
Aderências intra-abdominais.
Hérnia epigástrica.
Herpes zoster.
Úlcera péptica.
Hematoma subaponeurótico.
Um paciente foi submetido à laparotomia exploradora de urgência, após trauma contuso com grande energia cinética. Durante o inventário da cavidade, o cirurgião opta por exploração renal à esquerda. Justifica-se essa conduta pelo fato de que:
há presença de coágulos na goteira parietocólica esquerda
foi verificado um hematoma retroperitoneal em expansão após manobra de Mattox
há lesão renal grau II confirmada em tomografia computadorizada de admissão
identificou-se sinal de hematúria na avaliação inicial, associado à presença de urina na cavidade abdominal
toda laparotomia de urgência associada à trauma com grande energia cinética merece exploração do retroperitônio
Homem, 62 anos, com disfagia progressiva e perda ponderal. Endoscopia apresenta lesão estenosante em esôfago distal, biópsia mostra carcinoma espinocelular e TC sem metástases. Realizou-se esofagectomia com reconstrução por tubo gástrico, com dissecção cuidadosa e ligadura seletiva dos vasos esofágicos para evitar sangramento e manter perfusão. Pós-operatório imediato estável. Sobre a vascularização do esôfago descrita na última edição do “Sabiston Textbook of Surgery” (Townsend et al., 2021), assinale a alternativa INCORRETA.
O esôfago cervical recebe a maior parte do suprimento sanguíneo das artérias tireoidianas inferiores.
O músculo cricofaríngeo, que marca a entrada do esôfago, é suprido pela artéria tireóidea superior.
O esôfago torácico recebe suprimento diretamente de 4 a 6 artérias esofágicas provenientes da aorta, além de ramos esofágicos das artérias brônquicas direita e esquerda.
O esôfago abdominal recebe suprimento sanguíneo da artéria gástrica esquerda e das artérias frênicas inferiores pareadas.
As artérias que fornecem sangue ao esôfago penetram diretamente na parede muscular.