Questões de Concurso sobre Cirurgia Geral

 
 
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Choque ocorre quando a circulação sanguínea não atende às necessidades metabólicas teciduais. Sobre choque, analisar os itens.


I. São sinais de má perfusão periférica: extremidades frias, palidez, sudorese, pulso filiforme, tempo de enchimento capilar prolongado, livores.

II. As alterações do sistema circulatório que levam ao choque inicialmente desencadeiam a ativação de mecanismos compensatórios (bradicardia, vasoconstrição periférica).

III. Lactato arterial, quando elevado, representa má perfusão tecidual.


Está CORRETO o que se afirma:


A

Apenas no item I.


B

Apenas no item II.


C

Apenas nos itens I e III.


D

Em todos os itens.

A hipertensão portal não cirrótica pode ser causada por obstrução extra-hepática da veia porta. Nesse contexto, assinalar a alternativa que preenche a lacuna abaixo CORRETAMENTE.


Se a trombose de veia esplênica for a causa do sangramento de varizes, a _______________ é o procedimento curativo.


A

trombólise


B

enoxaparina


C

esplenectomia


D

ligadura por bandas elásticas

Com relação ao desenvolvimento de uma fístula enteroatmosférica relacionada ao abdômen aberto, assinalar a alternativa CORRETA.


A

É definida como uma fístula intestinal com a mucosa do intestino no nível de uma ferida abdominal aberta, podendo ocorrer em um sítio anastomótico ou no intestino lesionado.


B

É aconselhável reparar esse tipo de fístula aguda no campo cirúrgico inflamado para evitar postergar o problema.


C

Seu fechamento costuma ser de baixa complexidade e com baixas taxas de complicações.


D

O estado nutricional do paciente não tem um papel crucial no sucesso do tratamento.

Um paciente de 62 anos é admitido na emergência com dor abdominal intensa, difusa por todo abdome, início súbito há duas horas, acompanhada de náuseas e vômitos.

Ao exame físico, fácies álgica, sem posição no leito, FC 110 bpm, PA 145 x 98 mmHg, FR 24 ipm, SatO2 96% (ar ambiente). Observa-se distensão abdominal, rigidez no abdômen e sinais de peritonite difusa. A radiografia abdominal mostra presença de ar livre subdiafragmático.

Diante do quadro de pneumoperitoneo, o paciente é hidratado, é iniciada antibioticoterapia empírica e o paciente é encaminhado ao centro cirúrgico para laparotomia exploradora, a qual evidenciou uma úlcera gástrica perfurada, de aproximadamente 1,5 cm, localizada na pequena curvatura do antro, além de pequena quantidade de secreção gástrica com restos alimentares perigástricos.


A conduta mais indicada para esse paciente é


A

rafia da úlcera e vagotomia troncular.


B

antrectomia com vagotomia troncular.


C

ressecção em cunha com rafia primária.


D

biópsia da úlcera e epiploplastia de Graham.


E

ressecção da úlcera, rafia e epiploplastia de Graham.

Em hérnias abdominais complexas com defeitos de parede maiores que 10 cm, a técnica de escolha para reconstrução é:


A

sutura simples sem tensão.


B

uso de tela com reposição intraperitoneal.


C

abordagem por separação de componentes.


D

herniorrafia laparoscópica.


E

colocação de tela biológica subcutânea.

Paciente feminina, 67 anos, deu entrada no PS com quadro de dor abdominal de forte intensidade no abdome inferior, inicialmente na FIE e hipogástrio, evoluindo para todo o abdome de início há 4 dias.

No auge da dor, apresentou um episódio de síncope. Relata TAX 38,2 ºC. Nega episódios semelhantes prévios.

Ao exame: prostrada, hipocorada, hipohidratada, febril, com fácies de dor. PA: 95 X 60 mmHg, FC: 112 bpm, FR: 24 ipm, SAT02: 92%. Abdome: distendido, tenso, doloroso à palpação difusamente, mais acentuado em FIE e hipogástrio, com descompressão dolorosa, macicez lateral à percussão e peristalse débil. LAB: Hgb: 14,3, Leuco: 21.200 c/ 13 bastões; PLAQ: 107.000. TC: Divertículos no cólon descendente e mais intensos no sigmoide, associados a espessamento parietal, densificação da gordura mesentérica, focos gasosos de permeio e no subfrêncio direito, além de moderada quantidade de líquido livre no subhepático, goteiras parietocólicas e pelve.

Após estabilização dos parâmetros hemodinâmicos, foi submetida a laparotomia exploradora que evidenciou doença diverticular perfurada, parcialmente bloqueada, no terço proximal do sigmoide e peritonite fecal difusa.


Nesse caso, a melhor conduta é


A

retossigmoidectomia à Hartmann.


B

retossigmoidectomia com reconstrução primária.


C

ressecção do segmento afetado, sigmoidostomia e colostomia com o descendente.


D

retossigmoidectomia e colectomia esquerda, reconstrução primária e ileostomia de proteção.


E

retossigmoidectomia e colectomia esquerda, colostomia terminal no transverso e síntese do coto retal.

Um homem de 33 anos, previamente saudável, procura o pronto-socorro com história de febre (T: 37,8 o C), dor abdominal há 36 horas, iniciada em região periumbilical e atualmente localizada na fossa ilíaca direita. Relata náuseas e falta de apetite. Ao exame físico, está estável hemodinamicamente; apresenta defesa de parede no quadrante inferior direito do abdome e dor à descompressão brusca na fossa ilíaca direita (sinal de Blumberg positivo) e dor à mobilização passiva do quadril direito (sinal do Psoas positivo). Hemograma revela leucocitose com desvio à esquerda.

Com base nesse caso clínico, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada.


A

Antibioticoterapia exclusiva e observação clínica.


B

Antibioticoterapia empírica por 7 dias e revisão ambulatorial.


C

Drenagem percutânea do apêndice inflamado.


D

Apendicectomia aberta de emergência por laparotomia ampla.


E

Apendicectomia videolaparoscópica em até 24 horas.

Qual das seguintes condutas é mais indicada para um homem de 35 anos, vítima de ferimento por arma branca na zona II do pescoço à direita, encontrando-se hemodinamicamente estável e com ausência de sinais clínicos de lesão vascular, aerodigestiva ou neurológica?


A

Angiografia seletiva e esofagografia contrastada.


B

Observação clínica rigorosa por 48 horas.


C

Cervicotomia exploradora imediata.


D

Endoscopia rígida e broncoscopia de urgência.


E

Tomografia computadorizada com angiografia (angio-TC) cervical.

Um paciente masculino de 22 anos procura atendimento por apresentar aumento de volume doloroso na região cervical direita há 4 dias, associado a leve febre (máxima de 37,8 ºC) e odinofagia discreta. Refere início súbito do quadro, sem emagrecimento, suores noturnos ou outros sintomas sistêmicos. Ao exame físico, nota-se linfonodo cervical de 2,5 cm, móvel, doloroso, sem sinais flogísticos na pele adjacente e sem outras adenomegalias periféricas palpáveis. O restante do exame é normal. Qual é a conduta inicial mais adequada nesse caso?


A

Excisão cirúrgica do linfonodo para biópsia definitiva.


B

Analgesia, observação clínica e reavaliação precoce.


C

PET-CT para descartar malignidade oculta.


D

Início imediato de antibióticos de amplo espectro intravenosos.


E

Punção aspirativa com agulha fina para análise citológica.

Mulher de 75 anos, com hipertensão e diabetes controlados, é diagnosticada com hérnia femoral assintomática durante investigação de dor abdominal inespecífica. Qual é a abordagem mais indicada segundo as recomendações atuais?


A

Observação clínica com monitoramento periódico.


B

Abordagem aberta com técnica de Shouldice.


C

Cirurgia via robótica com colocação intraperitoneal de tela (IPOM).


D

Abordagem laparoscópica pré-peritoneal com tela (TEP).


E

Reparação via abordagem anterior com técnica de McVay.

Paciente feminina, 58 anos, com dor abdominal em fossa ilíaca esquerda há 4 dias, associada a febre (38,5 ºC) e náuseas. Sem vômitos. Sem episódios prévios semelhantes.

Ao exame apresenta dor à palpação em fossa ilíaca esquerda, com descompressão pouco dolorosa. Não palpo massas. Laboratório com 16.800 leucócitos com oito bastões e PCR de 6,74. Solicitada, TC de abdome e pelve com contraste evidenciou espessamento da parede do cólon sigmoide, com densificação da gordura adjacente e imagem sugestiva de abscesso pericólico de 3,5 cm.


Em relação ao caso, não é correta a seguinte afirmativa:


A

após o episódio agudo, colonoscopia em seis a oito semanas deve ser programada.


B

deve-se indicar tratamento cirúrgico imediato e realizar cirurgia de Hartmann.


C

drenagem percutânea por radiologia intervencionista é indicada.


D

deve-se indicar suporte clínico inicial com dieta zero, hidratação venosa e antibioticoterapia de largo espectro.


E

se a paciente apresentar boa evolução com tratamento conservador, dar alta hospitalar e avaliar possível cirurgia eletiva.

Um homem de 61 anos, leucodérmico, com sobrepeso, história prévia de infarto do miocárdio, com implante de três stents, bem como hipertensão arterial controlada e diabetes melito em tratamento, procurou o serviço de urgência do hospital com dor intensa restrita ao flanco esquerdo e febre termometrada de 38 ºC. Ele nunca havia sentido dor semelhante. O apetite estava diminuído e o paciente havia defecado, na manhã daquele dia, com aspecto habitual das fezes. A hipótese diagnóstica mais provável para esse caso é


A

hérnia inguinal.


B

litíase urinária.


C

isquemia mesentérica.


D

diverticulite aguda.


E

câncer de cólon.

Um homem feodérmico de 31 anos foi internado com doença de Crohn grave, em estado nutricional precário. Em uma acutização anterior da doença, apresentou estenose intestinal extensa, tendo sido ressecados 60 cm de íleo terminal. Os exames laboratoriais mostraram deficiência de ferro, vitamina B12, vitamina D, vitamina K, cálcio, magnésio e ácido fólico, além de hipoalbuminemia. O paciente estava anêmico e com sarcopenia; conseguia ingerir alimentos por via oral, porém apresentava hiporexia. A conduta de primeira linha para restabelecer o estado nutricional desse paciente é


A

insistir com a dieta oral, por meio de alimentos toleráveis e assistência psicológica.


B

aumentar as doses dos medicamentos e acrescentar suplementos nutricionais orais.


C

dieta enteral por meio de cateter nasoentérico e aporte dos nutrientes necessários.


D

dieta parenteral e transfusões de hemácias, até se alcançar o equilíbrio nutricional.


E

realizar jejunostomia para nutrição eficaz.

Em um paciente vítima de lesão cervical penetrante em zona II, que se apresenta hemodinamicamente estável, sem evidências de sangramento externo maciço e sem instabilidade de via aérea, qual é a estratégia diagnóstica mais recomendada para descartar lesões em estruturas vitais?


A

Exploração cirúrgica cervical mandatória devido ao alto risco de lesões ocultas e o potencial catastrófico das estruturas anatômicas da zona II.


B

Ultrassonografia doppler de carótidas e jugulares combinada com radiografia de tórax e de coluna cervical para identificação de corpos estranhos ou anomalias ósseas.


C

Angiotomografia de pescoço associada a exames para avaliação da via aérea (laringoscopia ou broncoscopia).


D

Monitorização em unidade de terapia intensiva e, inicialmente, observação clínica, reservando exames invasivos para o caso de piora clínica.


E

Arteriografia diagnóstica de vasos cervicais, seguida de traqueostomia preventiva.

A pneumectomia é um procedimento desafiador que pode estar associado a complicações graves, como síndrome pós-pneumectomia, insuficiência respiratória e complicações cardíacas. Sobre as complicações pós-operatórias de pneumectomia, assinale a opção correta.


A

A síndrome pós-pneumectomia é causada exclusivamente pela formação de tromboembolismo pulmonar no lado contralateral.


B

O deslocamento mediastinal para o lado operado é a principal causa de instabilidade hemodinâmica no período pós-operatório imediato.


C

A principal causa de insuficiência respiratória no pós-operatório precoce é o edema pulmonar do lado remanescente.


D

O controle da drenagem pleural é desnecessário em pacientes submetidos à pneumectomia, devido à ausência de pulmão no lado ressecado.

Paciente do sexo masculino, 32 anos, em investigação de dor abdominal, náuseas e eventualmente vômitos, fez um ultrassom abdominal que evidenciou vesícula biliar de paredes finas e conteúdo amorfo, dilatação do colédoco de até 2,6 cm sem imagem ecogênicas no seu interior e ausência de dilatação dos canais biliares intra-hepáticos.

Diante desses achados, foi indicada a realização de tomografia computadorizada, que diagnosticou cisto biliar do tipo IA.


Sobre essa patologia, é correto afirmar que


A

a papilotomia endoscópica é a escolha inicial para tratar cisto biliar do tipo IA.


B

a cistoenteroanastomose é indicada nos pacientes em que não há litíase biliar.


C

não há distinção histológica entre um cisto de colédoco e o ducto biliar normal.


D

a duodenopancreatectomia com ressecção da via biliar extra-hepática é o tratamento de escolha.


E

deve ser acompanhado conservadoramente e se apresentar colangite de repetição indicar transplante hepático.

Um paciente de 62 anos, com histórico de hipertensão e insuficiência renal crônica em hemodiálise, é submetido a uma laparotomia exploradora devido a um abdome agudo obstrutivo causado por uma brida. Durante o fechamento da laparotomia, a equipe cirúrgica enfrenta dificuldades para realizar o fechamento primário da aponeurose devido ao edema intestinal significativo. Após várias tentativas de aproximação das bordas, a tensão residual permanece elevada. Qual a melhor conduta técnica para o fechamento da parede abdominal nesse cenário?


A

Realizar fechamento primário sob alta tensão e observar o paciente clinicamente.


B

Utilizar um sistema de fechamento progressivo com técnica de tração gradual.


C

Colocar uma tela sintética permanente para fechamento com baixa tensão.


D

Optar por fechamento temporário com aplicação de terapia por pressão negativa.


E

Empregar técnica de separação de componentes para fechamento primário imediato.

Paciente institucionalizado de 65 anos apresenta histórico de 2 dias de distensão abdominal, náusea e obstipação. O exame físico é significativo para distensão acentuada do abdome com dor difusa leve, sem descompressão brusca (Blumberg negativo). A contagem de leucócitos é de 10.000/mm3 . As radiografias simples revelam uma alça intestinal maciçamente dilatada e em forma de U invertido (sinal ômega). O tratamento inicial deve consistir em:


A

desfazer a torção por via endoscópica seguida de colectomia sigmoide durante a mesma hospitalização.


B

desfazer a torção por via endoscópica seguida de colectomia sigmoide eletiva, no caso de recorrência.


C

laparoscopia imediata com colectomia de sigmoide e colostomia proximal.


D

laparotomia exploratória com colectomia sigmoide, lavagem na mesa e anastomose primária.


E

laparotomia exploratória com colectomia sigmoide, colostomia proximal e coto retal suturado.

Durante uma laparotomia exploradora por suspeita de trauma abdominal, o cirurgião realiza a manobra de Kocher. Qual é o principal objetivo dessa manobra?


A

Mobilizar o cólon esquerdo para exposição da aorta abdominal.


B

Expor o pâncreas distal e o baço para hemostasia em sangramentos do retroperitônio.


C

Mobilizar o duodeno e a cabeça do pâncreas para acesso à veia cava inferior.


D

Reduzir hérnias diafragmáticas traumáticas por via abdominal.


E

Avaliar a integridade do intestino delgado próximo à válvula ileocecal.

Um homem de 70 anos, com histórico de fibrilação atrial crônica, sem anticoagulação, diabetes e hipertensão, procura o pronto-socorro com dor abdominal intensa e de início súbito há três horas. Ele apresenta náuseas e vômitos, mas sem sinais evidentes de peritonite. O exame físico revela abdome discretamente doloroso, sem defesa ou rigidez. Os exames laboratoriais mostram leucocitose e aumento do lactato. Com base na história e no exame clínico foi feito a hipótese de isquemia mesentérica.


Em relação ao caso, avalie as afirmativas a seguir.


I. O tratamento inicial em todos os pacientes com menos de 12h inclui trombólise intra-arterial e angioplastia.

II. A anticoagulação com heparina é indicada para prevenir a progressão do trombo e novas oclusões.

III. A fibrilação atrial é um fator de risco importante para a isquemia mesentérica trombótica.

IV. A dor abdominal desproporcional ao exame físico é um achado característico quando há peritonite.

V. Na trombose venosa, o tratamento inicial inclui ressuscitação volêmica, anticoagulação, vasodilatador e antibióticos.


Estão corretas apenas as afirmativas


A

I, II e III.


B

II e IV.


C

III e IV.


D

II e V.


E

I e V.

   
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