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Um homem de 61 anos, leucodérmico, com sobrepeso, história prévia de infarto do miocárdio, com implante de três stents, bem como hipertensão arterial controlada e diabetes melito em tratamento, procurou o serviço de urgência do hospital com dor intensa restrita ao flanco esquerdo e febre termometrada de 38 ºC. Ele nunca havia sentido dor semelhante. O apetite estava diminuído e o paciente havia defecado, na manhã daquele dia, com aspecto habitual das fezes. A hipótese diagnóstica mais provável para esse caso é
hérnia inguinal.
litíase urinária.
isquemia mesentérica.
diverticulite aguda.
câncer de cólon.
Um homem feodérmico de 31 anos foi internado com doença de Crohn grave, em estado nutricional precário. Em uma acutização anterior da doença, apresentou estenose intestinal extensa, tendo sido ressecados 60 cm de íleo terminal. Os exames laboratoriais mostraram deficiência de ferro, vitamina B12, vitamina D, vitamina K, cálcio, magnésio e ácido fólico, além de hipoalbuminemia. O paciente estava anêmico e com sarcopenia; conseguia ingerir alimentos por via oral, porém apresentava hiporexia. A conduta de primeira linha para restabelecer o estado nutricional desse paciente é
insistir com a dieta oral, por meio de alimentos toleráveis e assistência psicológica.
aumentar as doses dos medicamentos e acrescentar suplementos nutricionais orais.
dieta enteral por meio de cateter nasoentérico e aporte dos nutrientes necessários.
dieta parenteral e transfusões de hemácias, até se alcançar o equilíbrio nutricional.
realizar jejunostomia para nutrição eficaz.
Em um paciente vítima de lesão cervical penetrante em zona II, que se apresenta hemodinamicamente estável, sem evidências de sangramento externo maciço e sem instabilidade de via aérea, qual é a estratégia diagnóstica mais recomendada para descartar lesões em estruturas vitais?
Exploração cirúrgica cervical mandatória devido ao alto risco de lesões ocultas e o potencial catastrófico das estruturas anatômicas da zona II.
Ultrassonografia doppler de carótidas e jugulares combinada com radiografia de tórax e de coluna cervical para identificação de corpos estranhos ou anomalias ósseas.
Angiotomografia de pescoço associada a exames para avaliação da via aérea (laringoscopia ou broncoscopia).
Monitorização em unidade de terapia intensiva e, inicialmente, observação clínica, reservando exames invasivos para o caso de piora clínica.
Arteriografia diagnóstica de vasos cervicais, seguida de traqueostomia preventiva.
A pneumectomia é um procedimento desafiador que pode estar associado a complicações graves, como síndrome pós-pneumectomia, insuficiência respiratória e complicações cardíacas. Sobre as complicações pós-operatórias de pneumectomia, assinale a opção correta.
A síndrome pós-pneumectomia é causada exclusivamente pela formação de tromboembolismo pulmonar no lado contralateral.
O deslocamento mediastinal para o lado operado é a principal causa de instabilidade hemodinâmica no período pós-operatório imediato.
A principal causa de insuficiência respiratória no pós-operatório precoce é o edema pulmonar do lado remanescente.
O controle da drenagem pleural é desnecessário em pacientes submetidos à pneumectomia, devido à ausência de pulmão no lado ressecado.
De acordo com as diretrizes da World Society of Emergency Surgery (WSES), qual dos achados apresentados a seguir contraindica o tratamento não operatório de lesões abdominais sólidas?
Presença de estabilidade hemodinâmica.
Ausência de sinais de irritação peritoneal.
Presença de lesões de vísceras ocas.
Presença em unidade de terapia intensiva.
Disponibilidade de cirurgia imediata.
Um homem de 55 anos, previamente hígido, é admitido na UTI após laparotomia exploradora devido a um trauma abdominal fechado com lesão hepática grau IV e volumoso hemoperitônio. Foram realizados: hepatorrafia, controle de danos com tamponamento hepático e fechamento temporário da parede abdominal com curativo a vácuo. Evolui nas primeiras 24 horas com oligúria (débito urinário < 0,3 mL/kg/h), elevação progressiva da pressão intra-abdominal (PIA) medida pela bexiga urinária, atingindo 25 mmHg, e distensão abdominal importante. Apresenta instabilidade hemodinâmica, hipoxemia com necessidade de ajuste dos parâmetros ventilatórios e acidose metabólica progressiva.
Assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta para esse paciente.
Administrar diuréticos para otimizar a diurese e reduzir a pressão intra-abdominal.
Realizar expansão volêmica agressiva para otimizar a perfusão esplâncnica e renal.
Manter abordagem conservadora, pois a síndrome compartimental abdominal (SCA) é autolimitada na maioria dos casos.
Substituir o curativo a vácuo por fechamento primário da parede abdominal para reduzir a pressão intra-abdominal.
Descompressão abdominal imediata com laparotomia, pois o paciente apresenta critérios de síndrome compartimental abdominal grau III-IV, com comprometimento hemodinâmico e respiratório.
Paciente com colelitíase será submetida a colecistectomia videolaparoscópica.
Qual princípio fundamental garante a segurança da paciente durante a cirurgia?
Estrita observância da Visão Crítica de Segurança para evitar lesão biliar.
Priorização da habilidade do cirurgião mais experiente sobre comunicação.
Uso de materiais de última geração, mesmo sem familiaridade da equipe.
Antibiótico profilático de amplo espectro em todos os pacientes.
Minimização do tempo cirúrgico, mesmo negligenciando etapas.
Após uma cirurgia abdominal eletiva, o paciente apresenta sinais de infecção na ferida cirúrgica, como hiperemia, calor local e secreção purulenta. De acordo com o “Sabiston: Tratado de Cirurgia” (2020), qual é a conduta mais apropriada para o manejo inicial dessa complicação?
Realizar sutura imediata da ferida para evitar maior contaminação.
Iniciar antibioticoterapia sistêmica, sem necessidade de manejo local da ferida.
Abrir a ferida para drenagem e limpeza, associando cuidados locais adequados.
Aplicar curativos oclusivos para acelerar a cicatrização.
Suspender qualquer tipo de limpeza, para permitir cicatrização espontânea.
Um paciente submetido a uma hernioplastia inguinal apresenta febre de 38,5 °C no segundo dia de pós-operatório. Está hemodinamicamente estável, com ausculta pulmonar reduzida na base direita e leve taquipneia. Qual é a causa mais provável da febre nesse período e qual é a conduta inicial mais adequada, respectivamente?
Infecção da ferida operatória – iniciar antibiótico empírico.
Atelectasia pulmonar – incentivar deambulação e fisioterapia respiratória.
Infecção urinária – iniciar antibioticoterapia após urocultura.
Trombose venosa profunda – iniciar anticoagulação plena.
Pneumonia – solicitar TC de tórax e iniciar antibiótico de amplo espectro.
Sobre os princípios fundamentais da técnica operatória de acordo com o “Sabiston: Tratado de Cirurgia” (2020), qual das seguintes condutas é a mais adequada para minimizar o risco de infecção e promover boa cicatrização da ferida operatória?
Manuseio vigoroso dos tecidos, para garantir exposição adequada e rapidez cirúrgica.
Escolha preferencial de fios absorvíveis em todas as camadas, inclusive na pele.
Coagulação extensa com eletrocautério em áreas amplas, para reduzir o sangramento.
Uso de antibióticos profiláticos, que dispensa a necessidade de técnica asséptica rigorosa.
Preservação do suprimento vascular e hemostasia meticulosa, que auxiliam na cicatrização.
Em relação à cirurgia videolaparoscópica, assinale a alternativa correta.
A técnica de Hasson se refere à forma que se retira a vesícula pelo trocarte umbilical.
O enfisema subcutâneo pode ser uma complicação causada pelo mau posicionamento da agulha de Veress.
O procedimento é contraindicado para gestantes por apresentar mais riscos que a cirurgia laparotômica.
Os gases utilizados para a insuflação da cavidade abdominal podem ser o óxido nítrico e o oxigênio.
A pressão intra-abdominal é usualmente maior que 20 mmHg.
Paciente feminina, 42 anos, vem apresentando náuseas matinais e intolerância a alimentos gordurosos e procurou atendimento médico. Foi então solicitado ultrassom, que diagnosticou colelitíase. A paciente foi encaminhada ao serviço de cirurgia para realização de colecistectomia videolaparoscópica. Para uma cirurgia segura deve-se seguir a Visão Crítica de Segurança.
Acerca do tema, assinale a afirmativa incorreta.
É importante a identificação de somente duas estruturas entrando na vesícula biliar (ducto cístico e artéria cística).
É fundamental o reconhecimento do sulco de Rouviere e a dissecção deve ser acima dele seguindo o plano avascular entre a vesícula biliar e o fígado.
É na área anatômica delimitada pelo ducto cístico (lateralmente), pelo ducto hepático comum (medialmente) e pela face inferior do fígado (superiormente) que se encontra a artéria cística.
O conhecimento adequado da anatomia do hilo biliar permite dissecções econômicas mesmo nas colecistites agudas em que as estruturas anatômicas não estão claramente identificadas.
É essencial conhecer as principais variações anatômicas dos ductos biliares e artérias hepáticas para evitar lesões inadvertidas. O uso de colangiografia intraoperatória pode ajudar na identificação dessas variações.
Um homem de 72 anos, diabético e hipertenso, procura o pronto-socorro com dor em hipocôndrio direito há 36 horas, febre de 38,9 °C e náuseas. Ao exame, apresenta- -se ictérico, com dor à palpação profunda em hipocôndrio direito e sinal de Murphy positivo. Laboratorialmente, apresenta leucocitose com desvio à esquerda e elevação de transaminases. Realizada tomografia computadorizada de abdome, observando-se gás na parede da vesícula biliar e líquido pericolecístico.
Com base no caso clínico e nos conhecimentos sobre colecistite enfisematosa, assinale a alternativa correta.
É mais comum em mulheres jovens pós cirurgia bariátrica.
O tratamento é conservador com antibióticos IV.
A tomografia computadorizada tem pouca acurácia no diagnóstico.
É uma forma leve de colecistite aguda TOKYO I.
É frequentemente associada a infecção por Clostridium Perfringens.
Paciente de 66 anos, ex-tabagista, com hérnia incisional mediana de 15 cm após múltiplas laparotomias, apresentou perda de domicílio abdominal. Planejou-se correção eletiva. Qual a técnica de escolha para o melhor resultado funcional e a menor taxa de recidiva?
Fechamento primário sem uso de prótese, associado a separação anterior de componentes.
Uso de tela em posição pré-aponeurótica (onlay), associada a drenagem aspirativa
Uso de tela retromuscular (técnica de Rives Stoppa), associada a separação posterior de componentes.
Uso de tela intraperitoneal sem liberação de componentes.
Paciente masculino, de 71 anos, transplantado renal, foi encaminhado para tratamento de uma lesão cutânea na região malar, cuja biópsia por punch revelou carcinoma epidermoide moderadamente diferenciado. A lesão tinha 2,5 cm no maior diâmetro, e suas bordas eram mal delimitadas. Que conduta, dentre as abaixo, é a mais adequada?
Avaliação microscópica durante a cirurgia com cortes de fatia de bolo e manutenção do ferimento aberto para cicatrização por segunda intenção.
Excisão com margens determinadas macroscopicamente e retalho cutâneo, evitando a tração da pálpebra inferior.
Excisão com margens determinadas macroscopicamente e enxerto de pele imediatamente após a ressecção.
Excisão com margens determinadas macroscopicamente e extenso descolamento com aproximação linear das bordas.
Paciente masculino, de 60 anos, com história de hipertensão arterial sistêmica e cardiopatia isquêmica estável, tem confirmado diagnóstico de oclusão trombótica aterosclerótica em membro inferior, com claudicação intermitente não limitante. Além do uso de AAS, qual das intervenções terapêuticas abaixo está associada a redução de eventos adversos cardiovasculares maiores e isquemia aguda de membro inferior, devendo ser indicada na prevenção secundária?
Uso de rivaroxabana
Uso de enoxaparina
Uso de cilostazol
Revascularização endovascular periférica com stent farmacológico
A escolha do fio e da técnica de fechamento aponeurótico é fundamental na prevenção de evisceração e hérnia incisional.
Em face do exposto, assinale a alternativa correta.
O uso de toxina botulínica do tipo A 4 semanas antes de cirurgias eletivas aumenta a capacitância intra- -abdominal e é uma estratégia válida em pacientes com alto risco de deiscência fascial.
Fios de poliglactina são monofilamentares, absorvíveis lentos, com tempo de absorção em torno de 180 dias, sendo indicados para fechamento da aponeurose em pacientes de risco elevado para deiscência fascial.
Polipropileno é um material multifilamentar e absorvível lentamente, sendo útil como malha para reforço temporário da parede abdominal em pacientes com risco aumentado para deiscência fascial.
A técnica de Smead-Jones consiste em pontos contínuos em alça ancorada, aplicada para fechamento de laparotomias e reduz o risco de deiscência fascial em pacientes de alto risco.
Mulher de 65 anos, com necessidade de toracocentese de alívio por extenso derrame pleural à esquerda, que causava dispneia. Realizada punção no 8o espaço intercostal, linha axilar média, com saída de 20 mL de líquido serossanguinolento, sem saída adicional de líquidos. Trinta minutos após o procedimento, a paciente evolui descorada, com frequência cardíaca de 100 bpm e PA de 85 x 60 mmHg, queixando-se de dispneia e dor abdominal. Realizou a tomografia demonstrada nas imagens a seguir:

(Arquivo pessoal; imagem usada com autorização)
No retorno da tomografia, a paciente evolui com queda do nível de consciência, sendo realizada intubação orotraqueal.
Assim, qual conduta mais adequada para resolução do caso?
Toracotomia esquerda de urgência.
Laparotomia exploradora.
Ácido tranexâmico e protocolo de transfusão maciça.
Drenagem pleural esquerda no 5o espaço intercostal.
Homem de 67 anos, com IMC 35 kg/m2 , procura o pronto- -socorro com quadro de dor em região inguinoescrotal direita, aumento de volume local há 24 horas e episódios de náuseas. Ao exame físico, observa-se hérnia inguinoescrotal volumosa à direita, dolorosa, sem sinais de isquemia cutânea, irredutível. Exames laboratoriais são normais, e a tomografia abdominal evidencia alça delgada herniada com sinais de compressão, sem pneumoperitônio. O paciente é encaminhado para cirurgia de urgência com diagnóstico de hérnia inguinoescrotal volumosa encarcerada.
Com relação ao manejo intraoperatório e aos aspectos técnicos dessa condição, assinale a alternativa correta.
O uso de toxina botulínica ventrolateral no intraoperatório pode ser considerado em cirurgias de urgência, pois seu pico de ação é imediato; entretanto, deve-se ter cautela pelo risco de paralisia diafragmática e instabilidade ventilatória.
A via extraperitoneal total (TEP) é contraindicada em casos de hérnia inguinal encarcerada, devido à limitação de acesso à cavidade abdominal para avaliação da viabilidade das vísceras herniadas.
Em pacientes com contaminação ou fístula entérica, o uso de telas sintéticas é considerado contraindicação absoluta.
Em hérnias inguinoescrotais volumosas com grande perda de domicílio, pode-se empregar a técnica de separação de componentes associada à colocação de tela em posição sublay, permitindo o aumento da cavidade abdominal e cobertura efetiva do defeito.
Mulher de 25 anos, vítima de politraumatismo (atropelada por ônibus), após avaliação inicial e estabilização, foi diagnosticada com uma alteração intracraniana: sangramento pequeno (sem indicação neurocirúrgica) e também com lesão hepática grau II pela AAST (American Association for the Surgery of Trauma). Os exames foram repetidos 48 horas após o trauma, e não houve progressão do sangramento craniano nem hepático. Não foram identificadas outras complicações. Não há outros traumas relevantes. Ao exame físico, a paciente não tem edema dos membros inferiores. A equipe médica está preocupada com a profilaxia para trombose venosa profunda.
Assinale a alternativa que apresenta a conduta mais indicada para a paciente nesse momento, ponderando os riscos e benefícios.
Compressão pneumática intermitente em membros inferiores.
Compressão pneumática intermitente em membros inferiores e implante de filtro de veia cava inferior.
Implante de filtro de veia cava inferior sem outras medidas adicionais.
Compressão pneumática intermitente em membros inferiores e heparina subcutânea não fracionada na dose de 5.000 UI a cada 8 horas.