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Homem de 62 anos, 105 kg, está sendo avaliado para colecistectomia laparoscópica. Durante a avaliação pré-anestésica, observa-se:
∙ Mallampati IV.
∙ Abertura bucal 2 cm.
∙ Ausência de dente.
∙ Pescoço curto e pouco flexível.
∙ Ronco intenso e apneia do sono.
∙ Barba.
Considerando os critérios de via aérea difícil, assinale a alternativa que indica corretamente apenas os fatores que preveem ventilação difícil com máscara.
Mallampati IV e história de ronco.
Ausência de dente e idade.
Pescoço curto e abertura bucal <3 cm.
Mallampati IV e pescoço curto.
Abertura bucal limitada e barba.
São contraindicações à histerectomia laparoscópica, EXCETO:
Paciente com doença cardíaca grave.
Paciente com hipertensão arterial pulmonar grave.
Suspeita de malignidade em útero volumoso com necessidade de morcelação.
Carcinoma de endométrio do tipo endometrioide com necessidade de morcelação.
Útero volumoso com doença benigna, de boa mobilidade e com viabilidade técnica para morcelação.
Na cirurgia laparoscópica ou robótica da prostatectomia radical, a técnica de Rocco visa:
Reconstruir a parede fascial posterior da anastomose vesicouretral.
Aproximar o esfíncter externo.
Sepultar os feixes vasculonervosos.
Ampliar o colo vesical.
Ligar o plexo de Santorini.
São fatores de risco para neoplasia de vesícula e indicam a colecistectomia mesmo em pacientes assintomáticos:
presença de pólipos vesiculares menores que 5 mm.
colelitíase crônica, especialmente associada a cálculos maiores que 3 cm
pacientes do sexo masculino jovens, com pólipos e com história de pancreatite aguda recorrente.
pólipos localizados no fundo da vesícula, independentemente do tamanho.
vesículas biliares de paredes finas.
Um homem de 65 anos procura o serviço de emergência com dor abdominal intensa há 48 horas, localizada inicialmente no quadrante inferior esquerdo, evoluindo nas últimas horas para dor difusa. Refere febre, náuseas e interrupção da eliminação de fezes e de flatos.
Relata ter constipação crônica e tem dois episódios prévios de diverticulite tratados clinicamente com sucesso.
Exame físico: temperatura: 38,7 oC; frequência cardíaca: 112 bpm; pressão arterial: 100/65 mmHg; abdome distendido; dor intensa à palpação difusa, predominante em fossa ilíaca esquerda; defesa abdominal generalizada e com sinal de Blumberg positivo.
Exames laboratoriais: leucócitos: 20.000/mm³ e PCR elevada.
A tomografia computadorizada de abdome demonstra: espessamento do cólon sigmoide; múltiplos divertículos; presença de líquido livre e gás extraluminal na cavidade abdominal; peritonite purulenta difusa, sem grande abscesso delimitado.
A conduta terapêutica mais adequada é
tratamento clínico com antibióticos intravenosos e observação em unidade hospitalar.
drenagem percutânea guiada por tomografia.
colectomia total com anastomose ileorretal.
colonoscopia terapêutica para drenagem da cavidade abdominal.
sigmoidectomia de urgência com colostomia terminal (procedimento de Hartmann).
Um homem de 32 anos é admitido no pronto-socorro após colisão automobilística de alta energia. Chega consciente, porém dispneico, referindo dor intensa no hemitórax esquerdo.
Anamnese: Trauma torácico fechado por impacto do volante; dispneia progressiva nos últimos 20 minutos; dor pleurítica intensa à inspiração.
Exame físico inicial: PA: 90/60 mmHg; FC: 124 bpm; FR: 30 irpm; Saturação: 88% em ar ambiente.
O exame torácico mostrou assimetria respiratória, murmúrio vesicular abolido à esquerda, macicez à percussão no hemitórax inferior esquerdo, hipersonoridade no ápice do mesmo hemitórax, enfisema subcutâneo discreto e desvio traqueal ausente.
Exames de imagem: FAST negativo para líquido abdominal. Radiografia de tórax mostra colapso pulmonar parcial à esquerda, nível hidroaéreo pleural e opacidade compatível com hemopneumotórax volumoso e fraturas costais.
Após drenagem torácica no 5º espaço intercostal na linha axilar média, são drenados 1600 mL de sangue imediatamente, mantendo-se drenagem, em selo d’água, de 250 mL/h nas três horas subsequentes.
Diante desse caso, a conduta mais apropriada nesse momento será
manter drenagem torácica e observação clínica em unidade de trauma.
realizar toracocentese repetida guiada por ultrassom para drenagem progressiva.
solicitar tomografia computadorizada de tórax antes de qualquer decisão cirúrgica.
indicar toracotomia exploradora urgente.
realizar pleurodese química após estabilização hemodinâmica.
Paciente masculino, 59 anos, hipertenso controlado, IMC 27 kg/m², ex-tabagista há 15 anos, com hábito intestinal preservado. Apresenta emagrecimento de 6 kg em 3 meses e episódios intermitentes de tenesmo e evacuações com muco e sangue vivo. Ao exame físico, sem linfonodomegalias palpáveis e sem queixas urinárias. A colonoscopia evidenciou lesão vegetante e infiltrativa em reto médio (a 7 cm da borda anal), medindo cerca de 4 cm, com biópsia confirmando adenocarcinoma moderadamente diferenciado. A ressonância pélvica demonstrou tumor T3N1, com margem circunferencial ameaçada (<2 mm), mas sem invasão de órgãos adjacentes. O paciente realizou radioquimioterapia neoadjuvante com boa resposta clínica.
Considerando esse contexto, avalie as assertivas:
I. A realização de terapia neoadjuvante permitiu aumento das taxas de cirurgias com preservação esfincteriana em tumores localizados no reto médio e baixo.
II. A avaliação da margem circunferencial é fator determinante no planejamento cirúrgico oncológico do reto, especialmente para definição da abordagem e da extensão da ressecção.
Assinale a alternativa correta.
I e II são assertivas verdadeiras, e a II justifica a I.
I e II são assertivas verdadeiras, e a II não justifica a I.
I é assertiva verdadeira, e II é falsa.
I é assertiva falsa, e II é verdadeira.
I e II são assertivas falsas.
Um médico pesquisador clínico conduz um ensaio experimental para avaliar a eficácia de um novo fármaco na redução da pressão arterial sistólica (PAS). O estudo seleciona uma amostra de 60 pacientes com hipertensão essencial, divididos aleatoriamente em dois grupos independentes, de 30 indivíduos: um recebeu o fármaco e outro um placebo. Após 6 meses, os resultados demonstram que a redução média da PAS no grupo intervenção foi de 15 mmHg (desvio padrão: 10), enquanto no grupo placebo a redução média foi de 5 mmHg (desvio padrão: 12). A aplicação do teste t de Student para amostras independentes (bi-caudal) resultou em um valor de p: 0,001. Adicionalmente, o pesquisador calculou o coeficiente de correlação de Pearson entre a idade dos participantes e a magnitude da redução pressórica, obtendo um valor de r = 0,60. Para uma análise secundária, os pacientes foram classificados de forma dicotômica entre os que atingiram a meta pressórica e os que não atingiram, utilizando-se o teste qui-quadrado para avaliar a associação com o tipo de tratamento (p < 0,05). Observa-se que a distribuição dos valores iniciais de PAS na amostra era levemente assimétrica à direita.
Com base no cenário descrito e nos princípios bioestatísticos, é correto afirmar que
a análise por Qui-quadrado mostra-se pertinente para avaliar a associação entre o tratamento e o alcance da meta.
a expansão do tamanho da amostra para 1.000 participantes provocaria uma elevação proporcional no erro padrão das médias.
o coeficiente de correlação de Pearson de 0,60 estabelece que a idade é o determinante causal da redução pressórica.
o teste t pareado é a ferramenta estatística recomendada para contrastar as médias finais entre dois grupos distintos.
o teste de Mann-Whitney representa o método de maior poder estatístico para variáveis contínuas com distribuição perfeitamente normal.
Paciente de 55 anos com esôfago de Barrett com displasia de alto grau é submetido à esofagectomia total. Qual conduto de reconstrução oferece melhor funcionalidade a longo prazo, considerando a preservação de sensibilidade, motilidade e menor risco de refluxo?
Estômago tubulizado (gastric pull-up) com anastomose cervical.
Cólon isoperistáltico com preservação de arcadas vasculares.
Jejuno livre com anastomose microvascular.
Intestino delgado (jejuno) em segmento longo com válvula antirrefluxo.
Esôfago artificial (scaffold) com células-tronco.
Paciente de 65 anos com cirrose hepática por hepatite C apresenta ascite refratária a diuréticos e restrição sódica. A ultrassonografia com Doppler mostra fluxo portal reduzido (10 cm/s) e esplenomegalia. Qual é o mecanismo fisiopatológico primário responsável pela hipertensão portal nesse cenário e qual procedimento cirúrgico oferece melhor relação risco-benefício para alívio de sintomas, respectivamente?
Elevação da resistência hepática relacionada ao processo fibrótico, com opção de realizar derivação portocava terminolateral como forma de descompressão portal.
Redução do fluxo portal secundário a eventos trombóticos, considerando esplenectomia associada à ligadura de vasos curtos como forma de controle hemodinâmico.
Aumento da resistência vascular intra-hepática decorrente da cirrose, sendo o TIPS o método menos invasivo e mais eficaz para alívio da hipertensão portal refratária.
Elevação do fluxo portal por estado hipervolêmico, proposta de abordagem gástrica associada à modulação vagal como medida terapêutica.
Diminuição da complacência hepática por infiltração gordurosa, indicando derivação portocava como alternativa cirúrgica de descompressão.
Paciente de 70 anos com história de cirurgia abdominal prévia (histerectomia total) apresenta dor abdominal cólica, distensão, vômitos biliosos e ausência de eliminação de gases há 48 horas. A radiografia simples de abdome em decúbito mostra alças dilatadas, com níveis hidroaéreos em “escada” e ausência de gás no cólon distal. A tomografia computadorizada confirma transição abrupta no íleo terminal. Qual é a etiologia mais provável e a conduta cirúrgica indicada, respectivamente?
Volvo de sigmoide – indicar ressecção segmentar seguida de anastomose, com eventual proteção derivativa conforme condições intraoperatórias.
Brida adesiva como causa de obstrução mecânica – proceder à abordagem exploradora com liberação das aderências e ressecção apenas se áreas inviáveis forem identificadas.
Neoplasia de cólon direito ocasionando bloqueio da válvula ileocecal – indicar hemicolectomia direita em caráter emergencial.
Estenose inflamatória ileal decorrente de doença de Crohn – manejar com estricturoplastia ou ressecção de alça comprometida.
Íleo paralítico relacionado a disfunção motora intestinal – conduzir com descompressão gástrica e suporte clínico expectante.
Durante uma herniorrafia inguinal aberta pela técnica de Lichtenstein, ao dissecar o canal inguinal, identifica-se o cordão espermático. Qual estrutura anatômica deve ser preservada separadamente durante a liberação do funículo para colocação da tela e NÃO faz parte do cordão espermático?
Nervo ilioinguinal.
Artéria testicular (espermática interna).
Ducto deferente.
Plexo pampiniforme.
Artéria do ducto deferente (de vas deferens).
Assinale a alternativa que apresenta o método considerado como padrão clínico e mais utilizado para monitorização seriada da pressão intra-abdominal.
A medida indireta da pressão intra-abdominal por via intravesical é o método mais utilizado e recomendado para monitorização clínica.
A pressão intragástrica apresenta acurácia superior à intravesical e substituiu seu uso rotineiro.
A mensuração por meio de cateter arterial intra-abdominal é considerada padrão-ouro.
A tomografia computadorizada é o método padrão para monitorização seriada.
A ultrassonografia abdominal é o método padrão recomendado.
Um homem de 28 anos, vítima de acidente automobilístico de alta energia, é trazido ao serviço de emergência hemodinamicamente instável, com dor intensa e edema progressivo na perna esquerda, parestesia na região do pé, dor intensa à mobilização passiva dos dedos, endurecimento dos compartimentos à palpação e piora progressiva da dor. À inspeção, não há fratura exposta evidente, mas a perna apresenta tumefação acentuada e dor exacerbada à palpação dos compartimentos musculares. O paciente está lúcido, com pulsos pediosos e tibiais posteriores diminuídos, e já foi submetido às manobras de estabilização iniciais de acordo com o protocolo ATLS (houve aumento do edema após reposição volêmica). E-FAST negativo em todos os focos. Considerando o quadro clínico apresentado, qual a conduta adequada neste momento?
Administrar corticosteroides sistêmicos para reduzir inflamação e prevenir lesão nervosa secundária.
Solicitar apenas radiografia simples de perna e, se positivo para fratura, programar cirurgia ortopédica em 24h.
Realizar fasciotomia de emergência dos compartimentos da perna esquerda o mais cedo possível.
Manter a imobilização rígida da perna com tala gessada e reavaliar clínico-neurológico seriado em 6h.
Iniciar analgesia opioide, aguardar estabilização hemodinâmica e medir pressão intracompartimental antes de qualquer intervenção cirúrgica.
Leia o caso a seguir.
Paciente do sexo masculino, 28 anos, trazido para o departamento de emergência por equipe de atendimento pré-hospitalar com colar cervical posicionado e em prancha rígida. Apresenta vias aéreas pervias, frequência respiratória de 28 ipm, saturação periférica de oxigênio de 87%, frequência cardíaca de 120 bpm, pressão arterial de 75x45 mmHg, extremidades frias e pegajosas. Realizada ultrassonografia point of care que evidenciou as seguintes imagens:

Janela hepatorenal

Janela esplenoorenal

Janela subxifoide

Janela pleural direita no modo B

Janela pleural direita no modo M
Quais são o diagnóstico e a conduta recomendada respectivamente?
Tamponamento cardíaco - proceder à pericardiocentese guiada.
Pneumotórax hipertensivo a direita - realizar toracocentese de alívio.
Hemotórax a esquerda - executar a drenagem torácica em selo d'água.
Hemoperitônio - iniciar reposição volêmica e solicitar avaliação cirúrgica.
Em relação ao diagnóstico de diverticulite aguda do sigmoide, assinale a alternativa correta:
A colonoscopia é o exame inicial de escolha na fase aguda.
O diagnóstico é exclusivamente clínico, sem necessidade de exames complementares.
A tomografia computadorizada é o melhor exame para confirmar o diagnóstico e identificar complicações.
A radiografia simples de abdome é suficiente para diagnóstico em todos os casos.
A ultrassonografia de abdome é o melhor exame para confirmar o diagnóstico.
Em relação ao tratamento da pancreatite aguda, assinale a alternativa correta:
O tratamento inicial é suporte clínico com hidratação vigorosa, analgesia e jejum.
A colecistectomia imediata é indicada em todos os casos.
O uso rotineiro de antibióticos profiláticos é recomendado em pancreatite leve.
A nutrição parenteral exclusiva é preferida em todos os pacientes.
A laparotomia exploradora precoce é indicada em todos os casos de pancreatite aguda.
Sobre o tratamento da úlcera péptica perfurada, segundo o Sabiston, qual é a conduta cirúrgica mais indicada na maioria dos casos?
Gastrectomia total imediata.
Laparotomia exploradora com fechamento da perfuração (gastrorrafia) e omentoplastia.
Tratamento clínico exclusivo com antibióticos e inibidores de bomba de prótons.
Observação hospitalar por 48 horas antes da intervenção.
Gastrectomia parcial.
Paciente do sexo masculino, 33 anos, feodérmico, procura o serviço de urgência com dor no flanco direito desde o dia anterior, com piora de intensidade. Encontra-se em bom estado geral e com apetite preservado. Para reduzir o risco de indicação inadequada de apendicectomia, frente à dúvida diagnóstica, decidiu-se utilizar os critérios de Alvarado, para o escore final auxiliar na decisão terapêutica. Figuram entre os critérios de Alvarado para determinar o escore, EXCETO
temperatura superior a 37,5 ºC.
descompressão brusca dolorosa.
leucocitose com desvio para esquerda.
espessamento apendicular ao ultrassom.
náuseas e vômitos.
Paciente do sexo feminino, 71 anos, leucodérmica, procura o serviço médico com múltiplas queixas abdominais, queixa de dispepsia durante os últimos três anos, além de refluxo e intolerância a alimentos gordurosos. Submetida a uma propedêutica cuidadosa, a endoscopia digestiva alta revelou esofagite de refluxo associada a hérnia hiatal de deslizamento. Na colonoscopia, foi encontrada diverticulose do sigmoide e cólon descendente. O achado da ultrassonografia completou o diagnóstico da tríade de Saint. Qual foi esse achado ultrassonográfico que completou essa tríade?
Colecistite calculosa.
Cistos ovarianos múltiplos.
Cistos hepáticos bilateralmente.
Cistos renais bilateralmente.
Tumor em suprarrenal direita.