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A avaliação de risco cirúrgico em cirurgia torácica envolve a avaliação do risco de tromboembolismo venoso (TEV), o que exige uma abordagem multidimensional, integrando fatores clínicos, funcionais e específicos do procedimento. Acerca dessa avaliação, assinale a opção correta.
A abordagem cirúrgica por videotoracoscopia está associada a maior risco de TEV em comparação à toracotomia.
Nas esofagectomias por neoplasia de esôfago, o consenso de cirurgiões torácicos sugere a profilaxia estendida por 28 a 35 dias no pós-operatório, na ausência de contraindicações, apesar do baixo nível de certeza na evidência dos efeitos.
Pneumectomias e lobectomias possuem riscos de TEV similares, e, portanto, a avaliação de risco cirúrgico não muda quanto à profilaxia de TEV.
O risco de TEV nas cirurgias torácicas é de baixo a moderado, motivo pelo qual a profilaxia de TEV é pouco realizada no perioperatório pelos cirurgiões, clínicos e anestesistas.
O escore de Caprini para estratificação do risco de TEV relacionado a cirurgias é desaconselhado para cirurgias torácicas, uma vez que os pacientes submetidos a cirurgias torácicas estariam, por si só, sujeitos a alto risco para TEV devido ao sítio das cirurgias torácicas.
O termo pneumotórax é amplamente reconhecido na literatura médica e refere-se à presença anormal de ar no espaço pleural, ou seja, entre a pleura visceral (que recobre o pulmão) e a pleura parietal (que reveste a parede torácica). Acerca do pneumotórax, julgue os itens seguintes.
I Pneumotórax espontâneo primário é mais comum entre jovens do sexo feminino, enquanto o pneumotórax secundário é mais comum em homens em faixas etárias mais avançadas.
II As evidências que suportam o tratamento conservador do pneumotórax secundário são fracas.
III A principal causa de pneumotórax secundário é a fibrose cística.
Assinale a opção correta.
Apenas o item I está correto.
Apenas o item II está correto.
Apenas os itens I e III estão corretos.
Apenas os itens II e III estão corretos.
Todos os itens estão corretos.
Durante uma colecistectomia videolaparoscópica, a identificação da tríade de Calot é fundamental para evitar lesão de estruturas vitais. Qual das alternativas a seguir apresenta corretamente os limites anatômicos do triângulo de Calot (modificado)?
Ducto cístico, artéria hepática comum e margem inferior do fígado.
Ducto hepático comum, ducto cístico e artéria cística.
Ducto hepático comum, ducto cístico e margem inferior do fígado.
Ducto hepático comum, ducto colédoco e artéria hepática própria.
Ducto colédoco, artéria cística e veia porta.
Durante uma laparotomia exploradora por suspeita de trauma abdominal, o cirurgião realiza a manobra de Kocher. Qual é o principal objetivo dessa manobra?
Mobilizar o cólon esquerdo para exposição da aorta abdominal.
Expor o pâncreas distal e o baço para hemostasia em sangramentos do retroperitônio.
Mobilizar o duodeno e a cabeça do pâncreas para acesso à veia cava inferior.
Reduzir hérnias diafragmáticas traumáticas por via abdominal.
Avaliar a integridade do intestino delgado próximo à válvula ileocecal.
Paciente, sexo masculino, 60 anos, sofre uma queda e apresenta dor torácica localizada sobre a 6ª costela esquerda. A radiografia de tórax confirma uma fratura sem pneumotórax ou hemotórax. Nesse caso, qual é a conduta adequada?
Restrição de atividade e imobilização torácica.
Analgesia e incentivo respiratório.
Fixação cirúrgica da costela.
Internação hospitalar.
Qual dos exames a seguir é o mais indicado para doente estável após a avaliação inicial, que apresenta ferimento por arma de fogo com entrada no hemitórax esquerdo na altura do quinto espaço intercostal/linha axilar posterior e orifício de saída no hemitórax direito, sexto espaço intercostal/linha axilar posterior?
Endoscopia digestiva alta.
TC de tórax contrastada.
Ecocardiografia.
Aortografia.
Paciente, sexo masculino, 28 anos, tabagista, apresenta terceiro episódio de pneumotórax espontâneo primário no lado direito. O primeiro e o segundo episódios foram tratados com drenagem torácica. Qual a melhor conduta neste momento?
Indicar corticoterapia e repouso domiciliar.
Observar em ambiente hospitalar.
Realizar nova drenagem pleural.
Realizar pleurodese cirúrgica.
Dentre os achados abaixo, assinale a opção que indica contraindicação cirúrgica absoluta para lobectomia, em um paciente com câncer de pulmão de não pequenas células.
Linfonodos mediastinais contralaterais positivos (N3).
Capacidade vital forçada (CVF) de 60%.
Presença de metástase óssea única.
Tumor localizado no lobo médio.
O líquido pleural no derrame exsudativo apresenta:
Relação proteína pleural/sérica > 0,5.
Baixa celularidade.
Glicose elevada.
Baixa LDH.
A abordagem cirúrgica padrão para ressecção de um nódulo pulmonar periférico pequeno e solitário, é:
Pneumonectomia.
Segmentectomia.
Toracocentese.
Lobectomia.
Sobre os princípios do tratamento cirúrgico do câncer de pulmão, assinale a alternativa correta.
Pelo menos três cadeias mediastinais e a cadeia hilar devem ser dissecadas para adequado estadiamento.
Para os casos de estádio III ressecáveis, as técnicas minimamente invasivas são inferiores à técnica aberta devido à dificuldade na execução da linfadenectomia.
Em pacientes com doença multifocal, devem ser ressecadas a maior lesão e todas as ipsilaterais. As lesões contralaterais devem ser acompanhadas e tratadas somente se houver progressão do tamanho.
Para lesões até 2 cm, é aceitável segmentectomia anatômica ou ressecção em cunha. Lesões de 2 a 3 cm podem ser tratadas com segmentectomia anatômica ou lobectomia, dependendo da posição no parênquima pulmonar. Acima de 3 cm, somente lobectomia é aceitável como tratamento adequado.
Pacientes com doença avançada devem ser encaminhados para tratamento sistêmico sem a necessidade de ser avaliados em reunião multidisciplinar.
Paciente feminina, 60 anos, apresenta quadro de desconforto torácico leve há 2 meses, acompanhado de tosse seca leve e esporádica. Foi avaliada clinicamente e fez uma radiografia de tórax que mostrou derrame pleural moderado à esquerda. Foi inicialmente tratada com antibioticoterapia e anti-inflamatórios com melhora parcial. Após 30 dias, apresenta piora discreta do quadro com dor torácica atípica à esquerda, manutenção do derrame pleural esquerdo e dispneia aos grandes esforços. Foi submetida à pleuroscopia esquerda que observou pleura difusamente espessada e congesta, ausência de lesões pulmonares ou adenomegalia mediastinal. A propedêutica do liquido pleural foi inespecífica e a biopsia pleural mostra ninhos de células epitelioides com núcleos arredondados, nucléolo evidente, citoplasma róseo e limites celulares bem definidos, com raras figuras de mitose e sem necrose. O estudo imuno-histoquímico revelou forte expressão de WT-1 e podoplanina e perda de expressão para BAP-1, além de GATA-3 focalmente positivo. Com base nos achados expostos, assinale a alternativa correta.
Trata-se de pleurite crônica inespecífica. A melhor conduta é manter controle clínico radiológico e medicamentos sintomáticos.
Apesar da ausência de necrose e imuno-histoquímica inespecífica, o quadro clínico é muito sugestivo de tuberculose pleural. Há indicação de novo painel imuno-histoquímico contemplando moléculas específicas para detecção de BAAR.
O quadro histopatológico e o imuno-histoquimico são sugestivos de mesotelioma pleural. Como não há acometimento pulmonar e linfonodal, a paciente pode ser encaminhada para tratamento operatório imediato com pleurectomia / descorticação ou pleuropneumonectomia a depender da expertise do serviço.
Trata-se de mesotelioma pleural epitelioide e a paciente deve ser avaliada obrigatoriamente com estadiamento mediastinal invasivo, PET-CT e considerando a possibilidade de realizar pleuroscopia contralateral e laparoscopia para estadiamento adequado.
A expressão de GATA-3 sugere fortemente neoplasia mamária metastática. A paciente deve ser investigada para diagnóstico do sítio primário mamário e encaminhada para tratamento sistêmico.
Paciente, 22 anos, foi encaminhado à cirurgia torácica para avaliação de hiperidrose. Relata início dos sintomas há 6 meses com sudorese intensa na face e no tronco, principalmente no fim do dia e mesmo em dias de clima mais frio. Teve quadro gripal recente com tosse seca esporádica e leve, sem alterar a sudorese. Refere perda ponderal discreta de 2 kg no período. Ao exame, não há alterações importantes e o paciente não apresenta sudorese aumentada na consulta. Diante do exposto, assinale a alternativa correta.
Deve-se pedir revisão laboratorial com hemograma, ionograma e função renal já em vista de preparo pré-operatório para simpatectomia torácica.
Por se tratar de hiperidrose mais generalizada, a melhor conduta é iniciar tratamento clínico com anticolinérgico e medicação tópica antes de indicar tratamento operatório.
No tratamento cirúrgico, é possível indicar simpatectomia extensa de R3 a R8 para prevenir hiperidrose reflexa, uma vez que o paciente já tem queixa de sudorese no tronco.
Como o paciente não apresenta sudorese visível no exame clínico, deve ser reavaliado na vigência do sintoma para caracterizar o diagnóstico de hiperidrose.
A avaliação inicial deve conter exames de imagem do tórax (tomografia ou raio-X) para adequado diagnóstico diferencial entre hiperidrose primária e secundária.
Em relação aos tumores neuroendócrinos do pulmão, é correto afirmar:
Os carcinomas neuroendócrinos na forma de carcinoide atípico apresentam > 20 mitoses/ mm2 .
Os carcinomas neuroendócrinos na forma de carcinoide atípico apresentam > 10 mitoses/mm².
Os carcinomas neuroendócrinos na forma de neoplasia de pequenas células apresentam expressão de Ki 67 > 50%.
Os carcinomas neuroendócrinos na forma de carcinoide típico apresentam > de 2 mitoses/mm2 e < 6 mitoses/mm2 .
Os carcinomas neuroendócrinos de grandes células apresentam expressão de Ki 67 < 5%.
Nas neoplasias neuroendócrinas do pulmão, é sabido que tais tumores possuem receptores de somatostatina. Em comparação entre o PET-CT que usa o FDG e o DotaPET com Gálio 68 em um tumor de 3 cm, é correto afirmar:
Os carcinoides atípicos têm valor de SUV no PET-CT convencional em níveis moderados e no DotaPET captação baixa.
Os tumores carcinoides típicos têm valor de SUV no PET-CT convencional abaixo de 1 e no DotaPET sem captação.
Os tumores carcinoides típicos têm valor de SUV no PET-CT convencional abaixo de 1 e no DotaPET alta captação.
Os tumores carcinoides típicos têm valor de SUV no PET-CT convencional em torno de 3-4 (baixo) e no DotaPET sem captação.
Os carcinoides atípicos têm valor de SUV no PET-CT convencional em níveis moderados e no DotaPET captação alta.
Homem de 82 anos, portador de adenocarcinoma de 3 cm no segmento superior do lobo inferior direito, foi submetido ao PET-CT pré-cirúrgico, que não mostrou captação mediastinal. O cirurgião torácico optou por fazer biópsia de congelação antes da lobectomia para avaliar o comprometimento linfonodal. Foi ressecado o linfonodo 7, que veio negativo, e então foi indicada lobectomia por videotoracoscopia. Subitamente, durante o procedimento, houve deterioração dos parâmetros hemodinâmicos do paciente e optou-se por encerrar a operação. Na peça cirúrgica, havia comprometimento de 2 linfonodos hilares e o linfonodo subcarinal também estava comprometido.
Diante da descrição, assinale a alternativa correta quanto aos linfonodos que poderiam estar comprometidos e que merecem atenção no seguimento pós-operatório.
Linfonodo 2L.
Linfonodo 8.
Linfonodo 9.
Linfonodo 4L.
Linfonodo 4R.
Mulher de 32 anos, portadora de artrite reumatoide de longa data, referiu em consulta tosse eventual e leve desconforto torácico à esquerda. Foi submetida a tomografia de tórax, que mostrou pequeno derrame pleural à esquerda com espessamento pleural parietal. O médico clínico geral solicitou punção pleural guiada por radiointervenção. O líquido coletado era turvo e tinha coloração amarela esbranquiçada; a glicose medida no líquido foi de 5 mg/dL e a cultura foi negativa. O clínico solicita a avaliação do cirurgião torácico para drenagem pleural.
Assinale a alternativa correta em relação ao que deveria ter sido analisado nesse líquido e ao que tornaria a drenagem torácica desnecessária.
Triglicerídeos se < 110 mg/dL.
DHL se menor que < 1000.
Colesterol se > 250 mg/dL.
Colesterol se > 50 mg/dL.
DHL, se menor que 250.
Na avaliação pré-operatória de um paciente candidato a ressecção pulmonar, é correto afirmar:
Na ergoespirometria, valores superiores a 16 mL/kg/min autorizam a realização de uma lobectomia.
O Dlco (capacidade de difusão do monóxido de carbono) se correlaciona ao VEF1 (volume expiratório forçado no primeiro segundo) pois ambos medem os volumes pulmonares.
Se o Dlco (capacidade de difusão do monóxido de carbono) previsto no pós-operatório for <80% e > 60%, a possibilidade de complicação pós-operatória aumenta significativamente.
Na ergoespirometria, valores superiores a 12 mL/kg/min autorizam uma ressecção lobar, mas não autorizam uma pneumonectomia.
Se o VEF1 (volume expiratório forçado no primeiro segundo) e Dlco (capacidade de difusão do monóxido de carbono) forem maiores que 80% do predito, o paciente obrigatoriamente necessita realizar a ergoespirometria se for realizar uma pneumonectomia.
Na cirurgia para abordagem da Síndrome do Desfiladeiro Cérvico-Torácico, uma possível complicação é a lesão do nervo frênico. Em relação à anatomia, é correto afirmar:
O nervo se posiciona lateralmente ao escaleno anterior na direção anterior para posterior passando medialmente a inserção do escaleno na primeira costela.
O nervo se posiciona anteriormente ao escaleno posterior na direção lateral para medial passando medialmente a inserção do escaleno na clavícula.
O nervo se posiciona anteriormente ao escaleno médio na direção lateral para medial passando medialmente a inserção do escaleno na primeira costela.
O nervo se posiciona anteriormente ao escaleno médio na direção lateral para medial passando medialmente a inserção do escaleno na segunda costela.
O nervo se posiciona anteriormente ao escaleno anterior na direção lateral para medial passando medialmente a inserção do escaleno na primeira costela.
De acordo com a 10ª edição do ATLS®, considerando um paciente com diagnóstico fundamentado no exame físico de pneumotórax hipertensivo, a manobra de descompressão recomendada para tirar o paciente dessa condição potencialmente letal deve ser feita no
5º espaço intercostal na linha axilar média.
4º espaço intercostal na linha hemiclavicular.
3º espaço intercostal na linha axilar média.
5º espaço intercostal na região subescapular.
2º espaço intercostal na linha hemiclavicular.