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Paciente, 42 anos, transplantado renal há três anos, comparece à consulta ambulatorial com quadro de diarreia aquosa; mais de doze evacuações ao dia; sem sangue ou muco; e, febre baixa, de três meses de evolução. Encontra-se em uso de micofenolato mofetil 1 g/dia; tacrolimus 3 mg/dia; e, prednisona 5 mg/dia. Ao exame físico, encontra-se hidratado e abdômen inocente. Exame proctológico, incluindo retossigmoidoscopia rígida, sem alterações. Solicitou-se colonoscopia diagnóstica. Realizou colonoscopia que não evidenciou alterações macroscópicas. Considerando o caso hipotético, assinale a afirmativa correta.
O paciente não apresentava indicação de colonoscopia.
Como o paciente apresenta diarreia importante, não é necessária a realização de preparo.
A diarreia do paciente apresenta caráter alto e, portanto, deve-se considerar a endoscopia.
Como a colonoscopia foi normal, não se deve pesquisar infecções intestinais como Clostridium difficile.
A realização de biópsias seriadas está indicada neste caso, mesmo que o exame macroscópico esteja normal.
Sobre as síndromes familiares e o câncer colorretal, assinale a afirmativa correta.
A PAF é a síndrome de predisposição ao CCR mais comum.
A maioria dos casos de câncer colorretal possuem componente familiar associado.
A polipose adenomatosa constitui uma síndrome hereditária autossômica recessiva.
Na síndrome de Lynch, a lesão precursora constitui o pólipo adenomatoso com lesões predominantes no cólon proximal.
A PAF corresponde a uma síndrome genética com predisposição apenas de neoplasia colorretal, diferentemente da síndrome de Lynch, em que há risco de outros cânceres.
Para a realização de uma colonoscopia é necessário que o cólon esteja adequadamente limpo. Sobre o preparo do cólon, assinale a afirmativa correta.
Não é necessário ser descrito no laudo.
Preparo inadequado não interfere na taxa de intubação cecal.
Podem ser utilizadas classificações validadas como a de Boston, Ottawa e Aronchick.
Não se relaciona com a taxa de detecção de adenomas visto que está interligada à experiência do examinador, apenas.
Um preparo inadequado é responsabilidade apenas do paciente, pois tal orientação é dada corretamente antes da realização do exame.
Paciente, 65 anos, veio à consulta por alteração do hábito intestinal e hematoquezia de início há um ano. Realizada retossigmoidoscopia rígida que identificou lesão vegetante; ulcerada; friável; ocupando 80% da circunferência do reto a 8 cm da margem anal. Realizadas biópsias da lesão, cujo histopatológico revelou tratar-se de adenocarcinoma pouco diferenciado.
Considerando o estadiamento que deve ser proposto para tal paciente, assinale a afirmativa correta.
O CEA deve ser solicitado apenas após a cirurgia, a fim de avaliar prognóstico no seguimento.
PET-CT é o melhor exame para avaliar a presença de acometimento linfonodal e deve ser solicitado de rotina.
Como se trata de lesão de reto médio, é necessário o estadiamento locorregional para definir qual o melhor tratamento.
O tipo mais comum de metástase no CCR é a pulmonar; por isso, é imprescindível a realização de exame de imagem do tórax.
Como o paciente já possui diagnóstico, não há necessidade de complementar com colonoscopia, visto que atrasaria o tratamento.
Sobre as complicações pós-procedimentos endoscópicos, assinale a afirmativa correta.
A taxa de perfuração não aumenta durante a ESD.
A maior incidência de sangramento tardio ocorre no cólon direito.
A complicação mais frequente pós-procedimentos endoscópicos é a síndrome de coagulação.
A síndrome pós-polipectomia consiste em queimadura transmural por eletrocoagulação pós-tratamentos endoscópicos.
A presença de fibrose na submucosa contribui para reduzir o risco de perfuração durante um procedimento endoscópico, principalmente ESD.
É considerado critério para que um procedimento por ESD seja curativo:
Carcinoma mucinoso.
Histologia pouco diferenciada.
Invasão angiolinfática positiva.
Profundidade de invasão da submucosa < 1.000 micra.
Tumor budding 2 ou 3 no local de invasão mais profundo.
Sobre as angiectasias, assinale a afirmativa correta.
O tratamento cirúrgico é preferível pelo melhor controle.
A fotocoagulação a laser é um ótimo recurso com baixo custo atualmente.
O melhor tratamento constitui em hemostasia mecânica com clipes metálicos.
Sempre que identificadas, as angiectasias devem ser tratadas mesmo em assintomáticos.
As angiectasias são responsáveis por menos de 10% das HDB, sendo o cólon direito o mais acometido.
A ressecção endoscópica de lesões pré-cancerosas é importante para prevenir o aparecimento de câncer colorretal. Dentre os fatores de risco colocados, qual deles NÃO está relacionado com maior incapacidade de ressecção das lesões adenomatosas?
Morfologia plana.
Lesões de grande tamanho, geralmente maiores de 2 cm.
Morfologia polipoide.
Fibrose decorrente de manipulação prévia.
Localização atrás de pregas.
Homem assintomático com 52 anos de idade, é encaminhado para realizar colonoscopia de rastreamento para câncer colorretal. Realizou retossigmoidoscopia há 3 anos, que mostrou pólipos hiperplásicos no reto. De acordo com o caso clínico descrito, assinale a alternativa correta.
A identificação de pólipos adenomatosos, e não hiperplásicos, seria a indicação correta para colonoscopia completa.
As diretrizes atuais recomendam um intervalo acelerado para a vigilância dos achados descritos no exame anterior desse paciente.
A identificação de pólipos hiperplásico distais é uma indicação para colonoscopia completa.
O risco de um adenoma proximal e uma neoplasia colorretal proximal avançada é aumentado nesse paciente.
A identificação de pólipos hiperplásicos no reto é um risco grande para o desenvolvimento de neoplasia colorretal, portanto a retosigmoidectomia deveria ser recomendada profilaticamente.
Quanto à monitorização para a sedação, é correto afirmar que:
Em pacientes sedados com propofol, o uso da xilocaína spray é dispensável.
Os pacientes submetidos a procedimentos endoscópicos terapêuticos devem ser monitorizados com capnografia.
Em todos exames colonoscópicos, é necessária a intubação orotraqueal para proteção de via aérea.
A monitorização eletrocardiográfica é essencial, o que reduz o índice de complicações, em qualquer paciente submetido à sedação/analgesia para o procedimento endoscópico.
A utilização de escalas simples de avaliação do nível de consciência (BIS, OAA/S, MOAA/S) garante maior segurança cardiorrespiratória e satisfação do paciente nos procedimentos endoscópicos prolongados.
Homem, 78 anos de idade, em uso de anticoagulantes orais devido ao histórico de fibrilação atrial, realiza colonoscopia para investigar anemia ferropriva. Durante o procedimento, observa-se a presença de angiodisplasias no cólon direito. No caso de se optar pelo tratamento endoscópico, assinale a alternativa que apresenta os melhores resultados.
Ressecção da lesão com alça de polipectomia.
Ligadura ou clipe metálico.
Coagulador de plasma de argônio ou eletrodo bipolar.
Injeção de epinefrina ou álcool.
Injeção de solução esclerosante ou ligadura.
Homem, 79 anos idade, com história de ingestão de Corpo Estranho (CE) prótese dentária, procura o pronto-socorro para remoção. Está com sialorreia e odinofagia. Em relação à perfuração esofágica por CE pontiagudo, assinale a alternativa correta.
A cirurgia de escolha é a esofagectomia total.
O tratamento de escolha é a passagem de sonda nasogástrica.
Deve-se proceder à drenagem do tórax imediata e, posteriormente, gastrostomia por via cirúrgica.
Se a perfuração ocorrer durante a retirada do CE, próteses autoexpansíveis ou endoclipes podem ser empregados no lugar da cirurgia.
A mortalidade é de aproximadamente 50%.
Homem de 50 anos de idade, com cirrose causada por hemocromatose, está na fila do transplante hepático, com escore de MELD de 16 (modelo para doença hepática terminal), foi encaminhado com quadro de hematêmese volumosa para a realização de endoscopia digestiva alta, após atendimento no pronto-socorro. Foram evidenciadas varizes esofágicas de fino calibre sem sinais de “red spots”. Havia grande quantidade de sangue vivo na luz gástrica. Na manobra de retrovisão, foi evidenciado o sangramento em jato nas varizes de fundo gástrico. Assinale a alternativa mais adequada para a situação descrita.
Realização de esclerose endoscópica com oleato de etanolamina ou álcool absoluto.
Posicionamento de balão esofagogástrico do tipo Sengstaken-Blakemore, com nova endoscopia após 24h para a abordagem endoscópica da variz.
Colocação imediata do TIPS (shunt transjugular intra-hepático porto sistêmico).
Injeção de adesivos tissulares com agulha durante endoscopia, como o cianocrilato.
Posicionamento de balão esofagogástrico do tipo Sengstaken-Blakemore, para controle da hemorragia e ponte para introdução de TIPS nas próximas 12 horas.
Uma mulher de 58 anos realizou a cirurgia bariátrica tipo bypass em Y de Roux há cerca de 10 meses. Ela apresentou dor abdominal epigástrica que gradualmente se tornou mais frequente e intensa nos últimos meses. Foi realizada uma endoscopia digestiva alta que demonstrou uma sutura cirúrgica não absorvível com uma úlcera com 6 mm de diâmetro, de base plana e branca.
Qual é a conduta nesse caso clínico?
Revisão cirúrgica.
Remoção endoscópica da sutura.
Terapia com misoprostol e sucralfato.
Terapia para erradicação do Helicobacter pylori.
Terapia com antagonistas do receptor H2 da histamina.
Na eletrocoagulação, o calor é gerado através da corrente na ponta do probe. Assinale a alternativa verdadeira sobre o método de eletrocoagulação.
A eletrocoagulação monopolar é a mais segura.
Aquecimento pode coagular artérias de até 1 mm de diâmetro.
As sondas de aquecimento podem fornecer uma quantidade variável de energia dependendo da resistência do tecido.
A terapia ideal é aplicada em torno de 8 a 10 segundos.
Alta potência (> 50 W) é essencial para uma coagulação adequada.
Mulher de 70 anos chega ao pronto-socorro com dor abdominal moderada e 2 episódios de enterorragia com sangue vermelho vivo. A paciente tem diabetes, hipercolesterolemia e cardiopatia isquêmica com cirurgia de revascularização. Há 6 meses, fez uma colonoscopia de triagem sem alterações. Faz uso de metformina, aspirina e ibuprofeno. Sinais vitais: T = 37 °C, PA = 95/65 mm Hg, FC = 110 bpm, FR = 15 respirações/min. Exame físico: dor abdominal, sem descompressão brusca dolorosa. Exames laboratoriais dignos de nota: hemoglobina = 8 g/dL, plaquetas 200.000/μL, creatina 1,9 mg/dL, INR 1,1. Após estabilização hemodinâmica, realizou o preparo para colonoscopia.
Qual é o achado endoscópico mais provável?
Diverticulite aguda.
Volvo do sigmoide.
Síndrome da artéria mesentérica superior.
Massa grande e friável no cólon.
Colite isquêmica na flexura esplênica.
Um homem 57 anos com HIV (T CD4+ 55/μL) queixa-se de febre, dor torácica retroesternal, odinofagia e disfagia. A esofagogastroduodenoscopia demostra algumas ulcerações extensas, profunda, grandes (com até 3 cm de diâmetro), longitudinais, serpiginosas, coalescentes no esôfago médio e distal.
O que é mais provável de estabelecer um diagnóstico?
Sorologias.
Biópsias de terço próximal e distal do esôfago.
Biópsias da base das úlceras.
Biópsias das margens da úlcera.
Escovações e citologia esofágica.
A classificação de Siewert é utilizada na endoscopia em adenocarcinoma da junção esofagogástrica, sendo importante para guiar a conduta cirúrgica. Do ponto de vista endoscópico, o limite superior das pregas longitudinais típicas da mucosa gástrica é definido como “cárdia endoscópico”, sendo melhor do que a linha Z. Esse é um ponto de referência relevante para essa classificação endoscópica.
Assinale a alternativa correta a respeito dessa classificação.
Adenocarcinoma esofagogástrico tipo I: localiza-se no esôfago distal, entre 2 e 5 cm acima do cárdia endoscópico, que usualmente origina-se de área de esôfago de Barrett e pode infiltrar a transição localizada distalmente.
Adenocarcinoma esofagogástrico tipo IV: adenocarcimoma acima de 5 cm com infiltração em direção à região do cárdia endoscópico.
Adenocarcinoma esofagogástrico tipo III: localizado ente 2 e 4 cm distal do cárdia endoscópico. É o carcinoma gástrico subcárdico, que infiltra a transição esofagogástrica localizada proximamente.
Adenocarcinoma esofagogástrico tipo II: situa-se entre 1 cm acima e 2 cm abaixo do cárdia endoscópico, sendo o verdadeiro carcinoma da cárdia, que se origina do epitélio cárdico ou de segmentos curtos de metaplasia intestinal na transição esofagogástrica.
Adenocarcinoma esôfago tipo V: adenocarcinoma que não permite localizar de onde surgiu devido ao seu estádio avançado.
Segundo recomendações das diretrizes da Sociedade Americana de Endoscopia Gastrointestinal (ASGE) sobre o manejo da colangite, é correto afirmar que
drenagem biliar por CPRE sem esfincterotomia é a melhor opção.
realização de CPRE em > 48 horas é preferível em comparação com ≤ 48 horas.
colocação de stent é a conduta mais adequada.
colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) é preferível em relação à drenagem biliar percutânea.
drenagem percutânea por CPRE após a melhora clínica é a melhor conduta.
Homem, 30 anos de idade, 10º dia pós-transplante de medula, apresenta febre, diarreia, náuseas, vômitos e dor intensa retroesternal. Submetido à endoscopia digestiva alta, que evidenciou a presença de múltiplas úlceras esofágicas nos 2/3 distais, profundas, confluentes, com bordas bem delimitadas. O diagnóstico mais provável é:
Esofagite péptica em consequência do refluxo gastroesofágico.
Infecção pelo citomegalovírus (CMV).
Reação enxerto versus hospedeiro.
Úlceras idiopáticas do esôfago.
Esofagite herpética.