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Um RN prematuro, com 35 semanas de idade gestacional e peso ao nascer de 1.850 gramas, encontra-se clinicamente estável e em aleitamento materno exclusivo. A mãe é HIV positiva e recebeu tratamento com anticorpos monoclonais no período pós-parto imediato. Além disso, o RN reside com um avô recém-diagnosticado com Hanseníase Paucibacilar (PB), atualmente assintomático. A triagem para Erros Inatos da Imunidade (imunodeficiências primárias) foi coletada, mas o resultado ainda é pendente. Com base nas normas do PNI 2026 e manuais vigentes, assinale a alternativa que descreve a conduta CORRETA para a vacinação com BCG:
A vacinação imediata com dose única de 0,1 mL é a prioridade absoluta para garantir a imunoprofilaxia contra a hanseníase devido ao contato domiciliar.
A administração de 0,05 mL por via intradérmica deve ser realizada após o recém-nascido atingir o peso mínimo de 2.000 gramas.
A via subcutânea profunda deve ser utilizada no braço direito para compensar a escassez de panículo adiposo típica de recém-nascidos com baixo peso.
O adiamento da vacina por 90 dias é obrigatório em decorrência do tratamento materno com anticorpos monoclonais durante o puerpério.
A exclusão definitiva da infecção pelo HIV é condição mandatória e prévia para a aplicação da vacina BCG em qualquer criança exposta verticalmente.
A reanimação neonatal exige antecipação e preparação por parte dos profissionais de saúde, que devem treinar individualmente e em equipe. De acordo com as atualizações recentes sobre a reanimação neonatal e a avaliação da Frequência Cardíaca (FC) do recém-nascido ao nascimento, assinale a alternativa CORRETA:
A oximetria de pulso é considerada o método mais rápido e preciso para a medição da frequência cardíaca nos primeiros minutos após o nascimento, superando o Eletrocardiograma (ECG) em situações de reanimação.
Embora a ausculta do precórdio seja o método de exame físico preferido para a avaliação inicial, o ECG fornece a medição mais rápida e precisa da frequência cardíaca durante a reanimação.
O uso do ECG para detecção da frequência cardíaca substitui a necessidade da oximetria de pulso para determinar a necessidade de oxigênio suplementar.
Novas tecnologias emergentes para avaliação da FC, como dispositivos vestíveis com sensores assistidos por IoT, IA e Blockchain já possuem dados clínicos suficientes para substituir a palpação do cordão umbilical nas recomendações atuais.
A oximetria de pulso é o método de escolha utilizado para monitorar a frequência cardíaca no momento em que se considera a obtenção de uma via aérea alternativa em casos de bradicardia severa.
A Displasia Broncopulmonar (DBP) é uma condição multifatorial de grande impacto na morbidade neonatal e no acompanhamento de longo prazo. De acordo com o Manual de Seguimento do Recém-nascido de Alto Risco da Sociedade Brasileira de Pediatria, sobre a fisiopatologia e a avaliação da função pulmonar nesses pacientes, é CORRETO afirmar que:
A DBP deve ser manejada como uma patologia restrita ao parênquima pulmonar, cujas repercussões clínicas e funcionais se limitam obrigatoriamente à primeira infância.
O nascimento prematuro e o Muito Baixo Peso ao Nascer (MBPN) estão associados ao aumento da capacidade pulmonar total compensatória, o que previne o declínio prematuro da função respiratória na vida adulta.
Embora o número de alvéolos seja reduzido nos prematuros, o volume corrente é compensado pelo aumento do tamanho alveolar; entretanto, os valores de fluxo expiratório forçado tendem a ser menores que o esperado.
A limitação do fluxo aéreo (VEF1 reduzido) observada em pacientes com história de DBP é um achado transitório que costuma normalizar-se completamente entre os 6 e 19 anos de idade, quando comparados a nascidos a termo.
A pletismografia por indutância eletromagnética é uma técnica invasiva de alta complexidade, indicada apenas para pacientes com DBP que necessitam de ventilação mecânica prolongada no primeiro ano de vida.
Um RN pré-termo tardio (35 semanas de idade gestacional), Pequeno para a Idade Gestacional (PIG), reside em uma região metropolitana que enfrenta uma onda de calor extremo associada a altos índices de material particulado decorrente de queimadas sazonais. O Manual de Orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) sobre "Anamnese Ambiental em Pediatria" destaca que a vulnerabilidade biológica deste grupo intensifica os riscos à saúde em cenários de desequilíbrio ecológico. Considerando os mecanismos fisiopatológicos de exposição e a imaturidade orgânica neonatal, assinale a alternativa CORRETA:
A elevada razão superfície/massa corporal e a limitada capacidade de sudorese do neonato garantem a estabilidade térmica em picos de temperatura ambiente, promovendo a homeostase hídrica através da dissipação por condução.
A permeabilidade da barreira hematoencefálica e o elevado volume minuto respiratório por quilograma de peso potencializam o aporte sistêmico de neurotoxinas e poluentes, interferindo em processos críticos de sinaptogênese e arquitetura cortical.
A transição imunológica neonatal é caracterizada por uma robusta resposta inflamatória mediada por linfócitos Th1, o que assegura uma proteção eficaz contra patógenos emergentes em cenários de inundações e contaminação de mananciais.
O impacto da exposição intrauterina a poluentes atmosféricos e disruptores endócrinos manifesta-se exclusivamente por meio de alterações genéticas mendelianas primárias, mantendo a integridade do crescimento fetal independentemente da carga tóxica ambiental.
A eficácia dos sistemas enzimáticos antioxidantes no período neonatal, como a glutationa peroxidase e a superóxido dismutase, supera a capacidade de detoxificação do adulto, protegendo o epitélio pulmonar contra danos oxidativos induzidos pelo ozônio.
Lactente de 2 meses de vida, nascido a termo, apresenta abaulamento intermitente em região inguinal direita que se torna mais evidente durante o choro. Ao exame, o neonatologista observa que o conteúdo do abaulamento não transilumina. No mesmo exame, nota-se aumento de volume no hemiescroto esquerdo, de consistência cística, que transilumina totalmente e não sofre variação de volume com o esforço. Conforme o enunciado, a alternativa que apresenta a conduta CORRETA para os dois achados, respectivamente, é:
Encaminhamento para cirurgia eletiva da hérnia inguinal direita assim que diagnosticada; e observação da hidrocele esquerda, que pode se resolver espontaneamente até o 2º ano.
Uso de fundas ou bandagens compressivas na hérnia inguinal direita; e punção aspirativa imediata da hidrocele esquerda para alívio de tensão.
Cirurgia de urgência para ambos os lados, devido ao alto risco de estrangulamento intestinal em hidroceles não comunicantes.
Aguardar a resolução espontânea da hérnia inguinal até os 3 anos de vida; e realizar ligadura do conduto peritônio-vaginal na hidrocele esquerda imediatamente.
Solicitar ultrassonografia para avaliar a necessidade de uso de telas inorgânicas na correção da hérnia inguinal, conforme protocolo de adultos.
Um RN do sexo masculino, com 27 semanas de idade gestacional, nasce de parto vaginal após ruptura prematura de membranas. A mãe não realizou seguimento pré-natal adequado e não recebeu corticoterapia antenatal. Ao nascimento, o RN apresenta gemência audível, retrações subcostais e intercostais importantes, batimento de asa de nariz e necessidade de FiO2 de 0,40 em CPAP de bolha para manter saturação de 91%. A radiografia de tórax revela infiltrado reticulogranular difuso bilateral com broncogramas aéreos. Em relação à fisiopatologia e às diretrizes de manejo da Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR) contidas no material de referência, é CORRETO afirmar que:
A patogênese da SDR é centrada na deficiência de surfactante, cujo principal componente tensoativo é a apoproteína SP-B, responsável por reduzir a tensão superficial alveolar e garantir a estabilidade pulmonar durante a inspiração profunda.
O quadro clínico de hipoxemia e acidose na SDR pode desencadear vasoconstrição pulmonar, o que resulta em aumento da pressão nas artérias pulmonares e favorece a ocorrência de shunt direita-esquerda pelo canal arterial ou forame oval.
A administração de corticosteroide antenatal é indicada em ciclos repetidos semanais entre 24 e 34 semanas de gestação, sendo esta prática isenta de riscos e fundamental para evitar a leucomalácia periintraventricular no recém-nascido.
Estruturalmente, os pulmões dos RNPT com SDR encontram-se no estágio alveolar do desenvolvimento, caracterizado por membranas alvéolo-capilares espessas e impermeáveis, o que impede o extravasamento de líquidos para a luz alveolar.
A incidência da SDR é inversamente proporcional à idade gestacional, afetando menos de 10% dos recém-nascidos com menos de 28 semanas, devido à produção precoce de fosfatidilcolina saturada a partir da 20ª semana.
Um RN com 32 semanas de idade gestacional e peso de 1.450g, apresentando síndrome do desconforto respiratório grave, necessita de transferência de uma unidade de baixo risco para um centro de referência de maior complexidade situado a 200 km de distância. A equipe local iniciou a estabilização e a regulação solicitou transporte aeromédico. Considerando as diretrizes da SBP e as normas de segurança para o transporte neonatal contidas no material de referência, assinale a alternativa CORRETA:
No transporte aeromédico, deve-se prever um aumento na oferta de oxigênio suplementar e redobrar os cuidados com a manutenção da normotermia, visto que a temperatura ambiental pode cair cerca de 2°C a cada 300 metros de altitude e a pressão barométrica reduzida impacta a oxigenação.
O transporte em aeronaves de asas móveis (helicópteros) é a escolha ideal para esta distância de 200 km, pois, além da rapidez, a cabine pressurizada elimina riscos de expansão de gases em alças intestinais ou piora de escapes de ar torácico.
Em relação à monitorização durante o deslocamento em veículos terrestres ou aéreos, o monitor multiparamétrico é superior ao oxímetro de pulso, pois a vibração do veículo interfere menos no traçado eletrocardiográfico do que na leitura da saturação de oxigênio.
De acordo com o Conselho Federal de Medicina e a SBP, a equipe mínima para o transporte desse RN deve ser composta por um médico (preferencialmente pediatra ou neonatologista), um enfermeiro e um fisioterapeuta respiratório, sendo facultativa a presença do motorista se o médico possuir habilitação categoria D.
Medicamentos de reanimação, como adrenalina e solução fisiológica, devem ser mantidos em suas ampolas originais dentro da maleta de transporte para garantir a estabilidade farmacológica, devendo ser aspirados e preparados apenas no momento exato da intercorrência durante o trajeto.
O diagnóstico laboratorial e a estratégia terapêutica na suspeita de sepse neonatal exigem interpretação criteriosa de biomarcadores e exames microbiológicos. Sobre esse tema, é CORRETO afirmar que:
O hemograma apresenta elevado valor preditivo positivo, sendo o parâmetro isolado mais confiável para confirmar o diagnóstico de infecção bacteriana no primeiro dia de vida.
A Proteína C Reativa (PCR) deve ser utilizada como critério isolado para início de antibioticoterapia, pois eleva-se imediatamente (nas primeiras 2 horas) após o insulto infeccioso.
No tratamento da sepse com meningite por germes Gram-negativos confirmada no LCR, o tempo de tratamento recomendado é de 14 dias com antibioticoterapia de largo espectro.
O escore de Rodwell com pontuação menor que 3 possui um valor preditivo negativo de 99%, indicando alta probabilidade de ausência de infecção.
As cefalosporinas de 3ª geração são a primeira escolha para o tratamento empírico da sepse neonatal, devido ao baixo risco de indução de resistência bacteriana e proteção contra Candida.
Recém-nascido de 7 dias apresenta resultado alterado na triagem neonatal para fenilcetonúria. A família questiona a necessidade de intervenção precoce, já que o bebê está assintomático. A justificativa que fundamenta a conduta preventiva imediata, nesse caso, é:
Introduzir precocemente dieta restrita em fenilalanina para prevenir atraso neurocognitivo irreversível, mesmo em crianças inicialmente assintomáticas.
Aguardar evolução clínica, pois manifestações só ocorrem após 1 ano de idade.
Prescrever suplementação vitamínica inespecífica, sem necessidade de dieta específica.
Solicitar apenas exames radiológicos, para avaliar alterações ósseas.
Suspender acompanhamento, pois ausência de sintomas descarta risco.
As Malformações Congênitas das Vias Aéreas Pulmonares (MCVAP) e o sequestro broncopulmonar (SBP) são as anomalias broncopulmonares mais diagnosticadas no período pré e pós-natal.
Assinale a alternativa correta sobre as características clínicas, radiológicas e o manejo dessas patologias.
O Enfisema Lobar Congênito é uma anomalia vascular que resulta na compressão extrínseca do brônquio, causando colapso lobar total e desvio do mediastino para o lado ipsilateral à lesão, sendo visível na radiografia de tórax como uma área de radiopacidade homogénea.
O Cisto Broncogênico é uma malformação que se origina da porção dorsal do intestino anterior e localiza-se preferencialmente no parênquima periférico dos lobos superiores, devendo ser manejado exclusivamente com observação clínica na ausência de sintomas compressivos.
No SBP do tipo extralobar, o tecido malformado está incorporado no lobo pulmonar normal e partilha a mesma pleura visceral, o que predispõe o paciente a episódios recorrentes de pneumonia bacteriana no mesmo segmento afetado desde o nascimento.
Para o planejamento cirúrgico de qualquer malformação pulmonar, a radiografia de tórax em incidência anteroposterior é considerada o exame padrão-ouro, sendo a tomografia computadorizada com contraste contraindicada em lactentes assintomáticos pelo risco de exposição à radiação.
A MCVAP caracteriza-se por uma massa multicística de tecido pulmonar não funcionante, que comunica com a árvore traqueobrônquica e recebe suprimento sanguíneo da circulação pulmonar, enquanto o SBP distingue-se por ser uma massa de parênquima pulmonar sem comunicação brônquica e com suprimento arterial sistêmico anômalo, geralmente originado da aorta abdominal ou torácica.
Uma criança de 1 mês é atendida na Atenção Primária à Saúde (APS) após resultado positivo na triagem neonatal para fibrose cística (FC), com dosagem elevada de tripsinogênio imunorreativo (TIR). A mãe relata que a criança está assintomática, com ganho de peso adequado e sem história familiar de FC. O exame físico é normal, sem sinais de insuficiência pancreática ou respiratória.
De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para Fibrose Cística do Ministério da Saúde (MS), qual deve ser a organização da rede de atenção à FC nesse caso, incluindo o fluxo inicial a partir da APS?
Manter acompanhamento exclusivo na APS com repetição do TIR em 30 dias, iniciando suplementação vitamínica lipossolúvel empiricamente, sem referência especializada até confirmação de sintomas clínicos, conforme protocolos de triagem neonatal do MS.
Solicitar teste genético molecular diretamente na APS para mutações no gene CFTR, associado à fisioterapia respiratória domiciliar, postergando encaminhamento para centro de referência até resultado positivo, alinhado às diretrizes de economia de recursos no SUS.
Encaminhar imediatamente para centro de referência em pneumologia pediátrica no Sistema Único de Saúde (SUS), para confirmação diagnóstica por teste do suor quantitativo e avaliação multidisciplinar inicial, garantindo fluxo de referência e contrarreferência para acompanhamento contínuo e prevenção de complicações precoces.
Orientar observação domiciliar com dieta hipercalórica e retorno à APS em 3 meses para reavaliação, evitando sobrecarga na rede especializada, uma vez que o PCDT do MS prioriza resolubilidade primária para casos assintomáticos de FC.
Iniciar enzimas pancreáticas orais na APS como medida preventiva, com encaminhamento eletivo para gastroenterologia pediátrica isolada, ignorando a integração multidisciplinar recomendada no Tratado de Pediatria da SBP para FC.
Um recém-nascido (RN) apresenta diagnóstico confirmado de anencefalia.
De acordo com os princípios bioéticos e as orientações da SBP, a conduta correta na sala de parto é
oferecer cuidados paliativos e de conforto, como aquecimento e colo materno, evitando intervenções fúteis.
fazer todos os procedimentos que forem necessários para a sobrevivência do RN, independentemente do desejo dos pais.
proceder com intubação orotraqueal e ventilação mecânica para garantir a sobrevida a qualquer custo.
realizar reanimação plena apenas se os pais assinarem um termo de responsabilidade financeira.
suspender imediatamente a oferta de oxigênio e hidratação para acelerar o processo de óbito.
Recém-nascido de termo apresenta desconforto respiratório grave logo após o parto, com abdome escavado e desvio das bulhas cardíacas para a direita.
De acordo com o provável diagnóstico e com base na conduta cirúrgica e fisiopatológica adequada, assinale a alternativa correta.
A estabilização ventilatória inicial deve ser feita preferencialmente via ventilação por máscara e balão (VPP), visando a recrutar os alvéolos hipoplásicos antes da intubação traqueal definitiva.
A técnica cirúrgica padrão ouro é a plicatura diafragmática por via abdominal, obrigatoriamente associada a esplenectomia profilática, devido ao alto risco de torção esplênica no pós-operatório tardio.
A patogênese da insuficiência respiratória é explicada pela hipoplasia pulmonar bilateral (com predomínio ipsilateral à hérnia) e pela remodelação da vasculatura pulmonar, o que resulta em hipertensão pulmonar persistente neonatal.
A correção cirúrgica é considerada uma emergência médica imediata, devendo ser realizada nas primeiras 6 a 12 horas de vida, independentemente da estabilidade hemodinâmica ou dos parâmetros de hipertensão pulmonar, para evitar o encarceramento intestinal.
O uso de sonda nasogástrica é contraindicado no pré-operatório imediato, pois a insuflação gástrica é necessária para manter a pressão positiva intratorácica e evitar o colapso do pulmão contralateral saudável.
Qual é a conduta recomendada para um recém-nascido (RN) cuja mãe começou a apresentar sintomas de varicela três dias antes do parto?
Isolar o RN da mãe e contraindicar o aleitamento materno.
Vacinar o RN com a primeira dose da vacina contra varicela.
Iniciar tratamento ao RN com valganciclovir intravenoso profilático.
Iniciar tratamento ao RN com aciclovir intravenoso profilático.
Administrar imunoglobulina específica contra varicela-zóster ao RN.
Recém-nascido a termo, adequado para a idade gestacional, do sexo masculino, apresenta perímetro cefálico de 30 cm. A mãe relata que não realizou o seguimento pré-natal completo, mas se recorda de um episódio de febre e linfonodomegalia cervical no segundo trimestre da gestação. Ao exame físico, apresenta perímetro cefálico de 30 cm, fígado palpável a 3 cm do RCD. É solicitada tomografia de crânio, que demonstra inúmeras calcificações difusas e grosseiras pelo cérebro. Avaliação oftalmológica: coriorretinite bilateral.
Com base na principal suspeita diagnóstica e nos achados para essa patologia, assinale a alternativa correta.
O tratamento de escolha para o recém-nascido deve ser iniciado precocemente com a combinação de sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico, visando a reduzir as sequelas neurológicas e visuais.
A presença de calcificações periventriculares e a microcefalia são características dessa patologia, diferenciando-a de outras infecções do grupo TORCH.
A principal hipótese diagnóstica é a infecção congênita por citomegalovírus (CMV), dado que as calcificações difusas no parênquima são patognomônicas dessa etiologia.
O achado de microcefalia associado a calcificações grosseiras sugere infecção pelo zika vírus, sendo a coriorretinite uma complicação comum nesse contexto clínico.
O tratamento de escolha para o recém-nascido deve ser iniciado precocemente com espiramicina e ácido folínico, visando a reduzir comprometimento sistêmico.
No que diz respeito à fisiopatologia e ao tratamento farmacológico da apneia da prematuridade, considerando as recomendações do Manual de Assistência Neonatal de Cloherty (2022), assinale a alternativa correta.
Ao prescrever o tratamento, deve-se atentar para o fato de que a dose de ataque de 20 mg/kg de citrato de cafeína equivale a 20 mg/kg de cafeína-base, não sendo necessária a correção farmacológica entre as apresentações.
A cafeína é preferida em relação à teofilina exclusivamente por sua via de administração ser apenas intravenosa, garantindo uma absorção mais errática e controlada em prematuros com sistema gastrointestinal imaturo.
A monitorização dos níveis séricos de cafeína deve ser realizada semanalmente em todos os RNPT em tratamento, visto que o citrato de cafeína possui janela terapêutica estreita e alto risco de toxicidade cardiovascular severa em doses de manutenção de 5 mg/kg/dia.
A dose de manutenção recomendada para o citrato de cafeína é de 20 mg/kg a cada doze horas, visando a manter a estimulação constante do diafragma e prevenir a fadiga muscular respiratória.
O mecanismo de ação das metilxantinas baseia-se primordialmente no antagonismo dos receptores de adenosina, o que resulta no aumento da sensibilidade central ao dióxido de carbono e na redução do limiar de resposta respiratória.
A atresia de vias biliares extra-hepáticas (AVBEH) pode causar hepatite por aumento da bilirrubina direta e deve ser diagnosticada o mais precocemente possível, a fim de evitar evoluir para insuficiência hepática.
O tratamento inicial da AVBEH é
transplante de fígado.
uso do ácido ursodesoxicólico até três meses de idade.
corticoterapia em altas doses.
cirurgia de Whipple.
cirurgia de Kasai.
A abordagem diagnóstica das patologias respiratórias neonatais exige a correlação entre a idade gestacional, os fatores de risco perinatais e o padrão radiológico específico. Considerando a fisiopatologia da Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR), da Taquipneia Transitória do RN (TTRN) e da Síndrome de Aspiração Meconial (SAM), analise as afirmativas a seguir:
I.A deficiência quantitativa de surfactante na SDR promove o colapso alveolar expiratório e a formação de atelectasias difusas, resultando em um padrão radiológico de infiltrado reticulogranular com broncogramas aéreos.
II.A taquipneia transitória decorre do retardo na reabsorção do líquido pulmonar pelos canais de sódio epiteliais, manifestando-se radiologicamente por congestão hilar, aumento da trama vascular e presença de líquido cisural.
III.A síndrome de aspiração meconial gera uma obstrução de vias aéreas por mecanismo de válvula, levando a áreas de hiperinsuflação alternadas com atelectasias, além de desencadear um processo de pneumonite química.
Está correto o que se afirma em:
I e II apenas.
I, II e III.
I e III apenas.
II apenas.
Em relação à escolha dos modos de ventilação em recém-nascidos que requerem suporte ventilatório invasivo, assinale a alternativa correta.
A ventilação mandatória sincronizada (SIMV) deve ser a primeira opção para todos os pacientes, pois proporciona uniformidade no volume corrente.
O uso isolado da ventilação de alta frequência oscilatória (VAFO) é recomendado para todos os casos de SDR, independentemente da condição pulmonar do paciente.
O modo assistido-controlado (A/C) não deve ser utilizado em recém-nascidos, pois promove aumento do trabalho respiratório ao não assistir ciclos espontâneos.
Na combinação do modo SIMV com ventilação por pressão de suporte (PS), a PS ajuda a reduzir a carga resistiva durante as respirações espontâneas.
A ventilação “pressão-alvo” é sempre mais vantajosa que a ventilação “volume-alvo” em todos os tipos de suporte ventilatório.
Em relação ao manejo do recém-nascido de mãe com diagnóstico de sífilis durante a gestação, assinale a alternativa correta.
O teste não treponêmico deve ser realizado com amostra do sangue de cordão umbilical, porque isso facilita a coleta.
Os valores de proteína de 100 mg/dL e 20 cél/mm3 encontrados no liquor de um recém-nascido são suficientes para confirmar o diagnóstico de neurossífilis.
A ausência de um título maior que o da mãe no teste não treponêmico não exclui a possibilidade de sífilis congênita, mesmo em casos de tratamento materno adequado.
O seguimento das crianças nascidas de mães com sífilis é desnecessário se o teste não treponêmico do recém-nascido for negativo.
O teste treponêmico deve ser realizado no recém-nascido a partir do nascimento para confirmar a infecção.