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O conhecimento epidemiológico sobre as doenças permite classificá-las e obter uma medida de sua importância e possibilidade de prevenção. O conhecimento da história natural de uma doença nos permite prevenir e, portanto, a possibilidade de intervir efetivamente sobre ela. Em sentido amplo e com fins práticos, a prevenção geralmente é classificada em quatro categorias ou níveis, relacionadas com as diferentes fases de desenvolvimento da doença (OPAS, 2010).
Sobre exemplos dos níveis de prevenção, indique a assertiva INCORRETA.
Prevenção primária: a imunização, a pasteurização do leite, a cloração da água, o uso de preservativos ou a modificação de fatores e comportamentos de risco.
Prevenção secundária: os programas de triagem ou rastreamento populacional, como as campanhas massivas de exame de Papanicolau ou para detecção e tratamento precoce do câncer de colo de útero.
Prevenção primordial: as medidas contra os efeitos mundiais da poluição atmosférica ou o estabelecimento de uma dieta nacional baixa em gordura animal saturada.
Prevenção terciária: a imunização, a pasteurização do leite, a cloração da água, o uso de preservativos ou a modificação de fatores e comportamentos de risco.
É correto afirmar que um dos marcos no estudo da epidemiologia nutricional foi a determinação de coortes, como a das enfermidades americanas.
Indicadores bioquímicos, entre outros, são determinantes como biomarcadores de exposição e de estado nutricional.
Considerando uma população normal, a anemia está presente em cerca de 2,5% dos indivíduos. Quando ultrapassa os 5% da população, a anemia é considerada um problema de saúde pública.
Os estudos epidemiológicos nutricionais podem utilizar dados primários ou secundários. Assinale a alternativa correta:
Dados secundários são aqueles obtidos pelo segundo autor do estudo.
Dados primários são aqueles obtidos diretamente para atender aos objetivos da pesquisa epidemiológica.
Em geral, os dados secundários são de melhor qualidade, pois são obtidos a partir de outras metodologias.
Dados primários e secundários são aqueles disponíveis em publicações especializadas, nas instituições de demografia e estatística do estado.
São utilizados dois métodos para coleta de dados de consumo de alimentos em pesquisas epidemiológicas: o registro ou diário alimentar e o Questionário de Frequência Alimentar (QFA).
Segundo Brasil (2007):
A anemia por deficiência de ferro é a mais comum das carências nutricionais e, devido a sua alta prevalência e às suas consequências, é considerada um dos problemas mais graves de Saúde Pública no Brasil.
BRASIL; MINISTÉRIO DA SAÚDE. Carências e micronutrientes. Brasília: Ministério da Saúde, 2007. (Cadernos de Atenção Básica, n. 20)
Com relação à magnitude e às consequências da anemia ferropriva, assinale a alternativa correta.
Estudos de abrangência nacional apontam a anemia ferropriva como a carência de maior prevalência em todas as regiões do Brasil.
As prevalências dessa deficiência são mais elevadas em crianças menores de 6 meses devido ao desmame precoce e à má alimentação da gestante.
As crianças e as mulheres em idade reprodutiva são consideradas as mais susceptíveis a essa carência nutricional.
A deficiência de ferro resulta em menor desempenho de desenvolvimento mental e psicomotor em crianças na idade escolar, no entanto, pesquisas têm demonstrado que a suplementação por dois a três meses tem sido suficiente para minimizar os distúrbios comportamentais e de desenvolvimento infantil.
Em gestantes adultas, os efeitos da anemia são mais elevados que na adolescência, devido às necessidades aumentadas de Ferro, em consequência de maior tempo de fluxo menstrual.
Crianças que são amamentadas apresentam menor prevalência de deficiência de vitamina A, mesmo em áreas com altas prevalências.
A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009 apresentou informações valiosas sobre o estado nutricional da população brasileira de crianças, adolescentes e adultos. No que tange à população infantil, pode-se afirmar corretamente que
a desnutrição está concentrada nas famílias com os mais baixos rendimentos e, do ponto de vista geográfico, na Região Nordeste do país.
o crescimento físico das crianças da região Nordeste é inferior aos da região Sul.
crianças que vivem em áreas rurais do país crescem menos do que as que vivem em grandes metrópoles.
a comparação com resultados obtidos por inquéritos anteriores à POF 2008-2009 confirma a tendência de declínio da desnutrição infantil, observada desde a década de 1980.
o declínio da desnutrição ocorreu prioritariamente em crianças de classe média de zonas urbanas da região Norte.
A epidemiologia nutricional avalia a eficácia, a efetividade e a eficiência de procedimentos profiláticos e terapêuticos utilizados no controle de doenças cardíacas.
As doenças crônicas não transmissíveis aumentaram de forma acentuada nas últimas décadas e, no Brasil, são as principais causas de óbitos em adultos. A obesidade é um dos fatores de maior risco para o adoecimento entre os indivíduos portadores de doenças crônicas. As pesquisas nacionais, nas últimas quatro décadas, apontam para o aumento rápido da prevalência de obesidade e excesso de peso. No que se refere aos fatores que contribuíram para aumento das prevalências de excesso de peso e de obesidade na população brasileira, nas últimas décadas, assinale a alternativa correta.
Aumento do consumo de alimentos ultraprocessados (biscoitos, embutidos, refrigerantes, refeições prontas), com queda no consumo de frutas, hortaliças e alimentos básicos como ovos, gordura animal, peixe, leguminosas, raízes e tubérculos e arroz, associados ao sedentarismo.
Sedentarismo e consumo elevado de alimentos ricos em açúcar, gorduras saturadas, gordura trans e sal, associados ao baixo consumo de carboidratos complexos e fibras e redução no consumo de frutas e hortaliças.
Sedentarismo e aumento no consumo de alimentos ultraprocessados (biscoitos, embutidos, refrigerantes, refeições prontas), com queda no consumo de frutas, hortaliças e estabilização no consumo de alimentos básicos como ovos, gordura animal, peixe, leguminosas, raízes e tubérculos e arroz.
Globalização e marketing acentuado para o consumo de alimentos processados e ultraprocessados, associados ao sedentarismo e estabilização no consumo de hortaliças e frutas.
Balanço energético negativo, em função do elevado consumo de alimentos ultraprocessados, redução de alimentos in natura, associados com o menor dispêndio de energia devido ao sedentarismo.
As regiões mais pobres do Brasil, Norte e Nordeste, apresentam grande concentração de casos de deficit nutricional de acordo com o indicador peso-para-idade.
O monitoramento de rotina das práticas de consumo alimentar colabora com o diagnóstico da situação alimentar e nutricional dos indivíduos e da população e, ao mesmo tempo, fornece dados para o planejamento e a organização do cuidado. Em relação à utilização dos formulários de marcadores de consumo nos serviços de Atenção Básica, é correto afirmar que
as questões referem‐se aos alimentos ingeridos na última semana.
os formulários podem ser aplicados por profissionais de saúde, independentemente de sua formação.
as orientações sobre alimentação adequada e saudável devem ser realizadas pelo nutricionista.
as informações coletadas permitem uma avaliação quantitativa da alimentação.
os alimentos estão agrupados em blocos segundo o tipo de processamento.
Os hábitos alimentares podem sofrer alterações em razão do custo dos alimentos. A escolha alimentar de uma população sofre mudanças visíveis conforme aumenta o respectivo poder aquisitivo.
A mídia faz que alguns indivíduos sejam influenciados negativamente na hora de escolher o alimento.
De acordo com os dados disponibilizados pelo Ministério da Saúde, com relação à epidemiologia da desnutrição infantil:
Os principais fatores atribuíveis à redução da desnutrição no Brasil como um todo se devem ao aumento da escolaridade materna, ao crescimento do poder aquisitivo das famílias, à ampliação dos programas de transferência de renda, como o Programa Bolsa Família, à expansão da assistência à saúde e à melhoria das condições de saneamento. Assim, o enfrentamento da desnutrição infantil deve ser realizado a partir do enfrentamento dos seus determinantes sociais e de suas políticas públicas promotoras da equidade.
BRASIL; MINISTÉRIO DA SAÚDE; SECRETARIA DE ATENÇÃO À SAÚDE; DEPARTAMENTO DE ATENÇÃO BÁSICA. Manual instrutivo para implementação da Agenda para Intensificação da Atenção Nutricional à Desnutrição Infantil: Portaria nº 2.387, de 18 de outubro de 2012. Brasília: Ministério da Saúde, 2013
Para monitorar o estado nutricional, a Vigilância Alimentar e Nutricional (VAN) tem papel fundamental para identificar os casos de desnutrição por meio do registro de medidas antropométricas e de marcadores do consumo alimentar de indivíduos de todas as fases de vida. No entanto, para que as ações de VAN sejam incorporadas como rotina da rede de atenção básica, algumas medidas são necessárias para que os dados sejam inseridos no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional.
BRASIL; MINISTÉRIO DA SAÚDE; SECRETARIA DE ATENÇÃO À SAÚDE; DEPARTAMENTO DE ATENÇÃO BÁSICA. Marco de referência da vigilância alimentar e nutricional na atenção básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2015
Com base nisso, assinale a alternativa correta
Para crianças menores de 24 meses, o monitoramento de peso e comprimento deve ser realizado ao menos uma vez a cada seis meses.
Crianças menores de 2 anos precisam ser avaliadas com relação ao peso, comprimento e circunferência da cabeça, ao menos 1 vez ao ano, e investigado o consumo alimentar, principalmente quanto à prática do aleitamento exclusivo até 6 meses de idade e do aleitamento complementar até dois anos de idade.
A Caderneta de Saúde da Criança é um instrumento importante para auxiliar no acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento da criança, mas se os dados antropométricos forem inseridos continuamente no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, o acompanhamento poderá ser apenas eletrônico, não sendo necessário o preenchimento físico da Caderneta.
Na ausência de balança pediátrica e antropômetro horizontal na Unidade Básica de Saúde, a criança poderá ter as medidas de peso corporal e altura/comprimento calculadas por meio de estimativas específicas para idade e sexo.
Para garantir a fidedignidade das medidas antropométricas, é necessário avaliar o(s) equipamento(s) a ser(em) utilizado(s) na Unidade Básica de Saúde, pois o uso de balança descalibrada ou uma régua antropométrica imprecisa compromete a qualidade de qualquer método antropométrico e, em crianças, podem subestimar ou superestimar um agravo nutricional.
Os sistemas alimentares envolvem diversos atores, etapas e processos. Eles são formados pelo meio ambiente, pelas pessoas, pelas instituições de processos por meio dos quais os produtos alimentícios são produzidos, processados e levados até o consumidor. Os dados recentes divulgados pela FAO em seu relatório anual sobre a situação de insegurança alimentar no mundo deixam claro que há um desequilíbrio no nosso sistema alimentar global. Analise as afirmações abaixo e marque a alternativa que mais convém:
I - Existem cifras alarmantes sobre desperdício alimentar no mundo: 1/3 do alimento produzido é perdido ou desperdiçado.
II - Há produção de alimentos suficientes para alimentar a população mundial de forma saudável e nutritiva, mas não há distribuição justa e adequada.
III - Os modelos de sustentabilidade degradam o meio ambiente e ameaçam ecossistemas e a biodiversidade, colocando em risco a população mundial.
IV - A previsão é de que em 2050 não teremos no mundo recursos naturais necessários para garantir a segurança alimentar e nutricional, para os 9 bilhões de pessoas estimadas.
Marcar a alternativa que contempla o contexto:
Todas as afirmações estão corretas.
Apenas afirmações I e III estão corretas.
Apenas afirmações II e III estão corretas.
Afirmações I, II e IV estão corretas.
A prevalência da obesidade aumentou rapidamente em todo o mundo nas últimas duas décadas, tornando-se um importante problema de saúde pública, em razão da sua respectiva associação com o aumento das taxas de morbidade. Inúmeras pesquisas demonstraram que o comportamento alimentar é regulado por uma série de substâncias. A que estimula a ingestão dos alimentos é a leptina.
O traço predominante na caracterização da transição nutricional no Brasil é, sem dúvida, a emergência epidêmica do sobrepeso e obesidade, como evento de maior visibilidade epidemiológica e de implicações correlatas com o comportamento da morbimortalidade. Sobre o acompanhamento da situação brasileira nos últimos trinta anos, observa-se:
um processo de transição nutricional marcado por diferenças pequenas entre gêneros.
um processo de transição nutricional marcado por evolução temporal similar entre regiões.
a existência de estreita colinearidade entre a prevalência de sobrepeso/obesidade no Brasil e a ocorrência de anemia.
o quase desaparecimento da desnutrição infantil no Brasil.
a modificação dos hábitos alimentares e o aumento da atividade física
A diversidade alimentar mínima é um dos indicadores propostos pelo Ministério da Saúde para Avaliação de Marcadores de Consumo Alimentar na Atenção Básica. Esse indicador mede a proporção de crianças que receberam:
o número mínimo de grupos alimentares proposto no Guia Alimentar para Crianças menores de dois anos.
quatro grupos alimentares no dia anterior à avaliação.
o aporte calórico necessário para seu peso, altura e idade.
seis grupos alimentares no dia anterior à avaliação, incluindo aleitamento materno.
quatro grupos alimentares, de diferentes fontes de micronutrientes, no dia anterior à avaliação.