Questões de Concurso sobre Dor, Estresse e Luto

 
 
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Uma paciente que, enquanto discorria sobre os pesados encargos que os familiares e amigos atribuíam a ela, começou a acusar um desconforto no ombro direito, que foi crescendo de intensidade, até transformar-se em uma dor quase insuportável. A paciente atribuiu a dor à possibilidade de ter deitado de “mau jeito” no divã. De qual fenômeno estamos falando?


A

Imagem corporal.


B

Repressão.


C

Conversões.


D

Hipocondria.


E

Somatização.

Sobre a questão do luto no cuidado com os pacientes oncológicos é importante considerar que:


A

A fragilidade e a vulnerabilidade emocional de um dos progenitores são pontos a serem considerados no trabalho com famílias enlutadas.


B

O luto antecipatório familiar deve funcionar como um alerta sobre os complicadores do processo de luto.


C

A percepção e a atenção de como as perdas ao longo do tratamento estão sendo vividas antes da morte, a expressão de sentimentos ambivalentes e de culpa que permeiam o vínculo e o cuidado com a criança, são pontos fundamentais a serem considerados e cuidados junto aos pais que se encontram com seus filhos em iminência de morte.


D

A dor de quem sobrevive a uma perda tão significativa como a de um filho pode ser insuportável, desestruturante e avassaladora para o funcionamento psíquico, mas deve ser superada.

Sobre a aquisição do conceito de morte pela criança, é CORRETO situá-lo


A

no sensomotor e sua organização da diferenciação eu/outro, oriunda da permanência de objeto.


B

no pré-operatório e a noção de animismo que distingue os seres animados dos inanimados.


C

nas operações concretas com a emergência da noção de reversibilidade /irreversibilidade.


D

nas operações formais, em que o conceito de “vida” e “morte” são apreendidos de forma hipotética.


E

como independente das aquisições cognitivas, pois o significado de “morte” é uma vivência afetiva.

Carlos, diante da morte do irmão, diz: “Ele não devia ter morrido tão cedo. Sinto uma saudade raivosa, uma tristeza rancorosa. Imagino reencontrá-lo a qualquer hora. Coisa doida esta saudade e ódio. Às vezes, sinto-me culpado, mas sempre termino achando que fui abandonado”.

Considerando o processo de elaboração do luto descrito por Bowlby, é CORRETO afirmar que Carlos está na fase de


A

Entorpecimento.


B

Anseio e busca pela pessoa perdida.


C

Desorganização e desespero.


D

Recuperação e reorganização.


E

Raiva e barganha.

Os recursos internos que o indivíduo tem para enfrentar situações de estresse certamente influenciam na resposta do paciente ao seu tratamento, mas o fator externo, ou seja, o apoio que recebe, também influencia. São considerados efeitos do chamado suporte e/ou apoio social

I recuperação rápida e menos complicações médicas;

II taxas de mortalidade mais baixas;

III menos perturbação ao enfrentar doenças terminais;

IV menor vulnerabilidade à doença e mortalidade.

Estão corretos os itens


A

I e III, apenas.


B

II e III, apenas.


C

III e IV, apenas.


D

II e IV, apenas.


E

I, II, III e IV.

Considere os seguintes enunciados:

I. Vou rezar e vai ser diferente.

II. Que todos se danem!

III. Os exames estão errados.

IV. Que seja como tem de ser!

V. Estou triste, só me resta chorar.

Kubler-Ross propôs um conjunto de cinco estágios que descrevem o processo de morrer, os quais, em geral, obedecem a uma ordem. Assim, assinale a alternativa que, CORRETAMENTE, mostra a correspondência enunciado/estágio a partir da descrição e da sequência definida pela autora.


A

III – II – I – V – IV


B

III – II – V – IV – I


C

V – I – III – II – IV


D

II – V – III – I – IV


E

I – III – V – IV – II

Sobre o luto, analise as afirmativas abaixo.

I. O funcionamento familiar adequado durante a fase de prestação de cuidados ao paciente e principalmente no luto é importante para o bem-estar psicológico dos seus membros;

II. É uma reação anormal e caracteriza um estado temporário de desarmonia de todas as funções psíquicas;

III. É uma reação normal e caracteriza um estado temporário de loucura e desarmonia de todas as funções psíquicas;

IV. A vivência do luto pode ser potencializada de acordo com o nível de coesão entre os membros da família.

Marque a sequência alternativa CORRETA:



A

As alternativas I e II estão corretas;


B

Apenas a alternativa II está incorreta;


C

Apenas a alternativa III está correta;


D

As alternativas II e III estão corretas;


E

As alternativas I e IV estão corretas.

A terminalidade é uma situação frequente nos hospitais gerais. De acordo com Camon (2004) sobre pacientes terminais, marque (V) para afirmativas Verdadeiras e (F) para as Falsas.

I. ( ) Torres (1983) afirma que a morte é, no século XX, o sujeito ausente do discurso. Entretanto, nos últimos 50 anos, o silêncio começa a ser removido das ciências humanas. Historiadores, antropólogos, biólogos, filósofos, psicólogos, psiquiatras e psicanalistas iniciam com audácia uma luta contra a morte interdita.

II. ( ) Numa sociedade que escraviza o homem valorizando os meios de produção em detrimento da dignidade humana, a saúde passa a ser desvalorizada, pois está em risco a capacidade funcional do indivíduo, já que este torna-se menos produtivo.

III. ( ) O paciente terminal é depositário de uma série de incertezas que culminará tornando-o alguém vitimizado não apenas por uma determinada patologia, mas principalmente por toda uma incompreensão de sua real situação.

IV. ( ) O paciente em sofrimento desalentador está necessitando de apoio existencial, palavra, conforto, enfim, quer se sentir uma pessoa com significação existencial própria. Em alguns casos, essa necessidade se sobrepõe à necessidade da terapia medicamentosa.

Assinale a alternativa CORRETA sobre as afirmativas anteriores:


A

I. (F), II. (F), III. (V), IV. (F).


B

I. (V), II. (F), III. (F), IV. (V).


C

I. (V), II. (V), III. (V), IV. (V).


D

I. (V), II. (V), III. (F), IV. (V).


E

I. (V), II. (F), III. (V), IV. (V).

O processo de relaxamento que utiliza, sobretudo, as sensações de peso e de calor denomina-se método

A
autógeno.

B
cognitivo.

C
físico.

D
mental.
Hardiness constitui um estilo de personalidade que consiste em traços minimizadores do estresse. São eles:

A
enfrentamento, conquistas e humor.

B
comprometimento, desafios e controle.

C
aprendizado, resiliência e proteção.

D
manejo, relaxamento e apoio.

Ajuriaguerra e Marcelli (1991) propõem quatro fases que permitem localizar as princpais etapas que a criança passa na compreensão de morte. São elas:


A

“Fase da incompreensão total (0 a 2 anos), Fase concreta de realismo e de personificação (2 a 4-6 anos), Fase abstrata de percepção mítica da morte (até 9 anos), Fase abstrata de acesso à angustia existencial (a partir de 10-11 anos)”.


B

“Fase concreta de realismo e de personificação (0 a 2 anos), Fase da incompreensão total (2 a 4-6 anos), Fase abstrata de percepção mítica da morte (até 9 anos), Fase abstrata de acesso à angustia existencial (a partir de 10-11 anos)”.


C

“Fase da incompreensão total (0 a 2 anos), Fase abstrata de percepção mítica da morte (2 a 4-6 anos), Fase concreta de realismo e de personificação (até 9 anos), Fase abstrata de acesso à angustia existencial (a partir de 10-11 anos)”.


D

“Fase concreta de realismo e de personificação (0 a 2 anos), Fase abstrata de percepção mítica da morte (2 a 4-6 anos), Fase abstrata de acesso à angustia existencial (até 9 anos), Fase da compreensão total (a partir de 10-11 anos)”.


E

”Fase abstrata de percepção mítica da morte (0 a 2 anos), Fase concreta de realismo e de personificação (2 a 4-6 anos), Fase abstrata de acesso à angustia existencial (até 9 anos), Fase da compreensão total (a partir de 10-11 anos)”.

Na vivência do processo de morrer, as diferentes crenças religiosas parecem se unificar na ideia de passagem de um mundo a outro: morte-passagem; morte-libertação; convívio-eterno-com-o-criador; ressurreição; reencarnação; morte fecunda. Assim, considerando os estágios propostos por Kubler-Ross, o apego à religiosidade, muito comum entre os pacientes terminais, deve ser apreendido como uma estratégia defensiva que leva à


A

negação da morte e, portanto, emocionalmente ajustada.


B

aceitação da morte e, portanto, emocionalmente ajustada.


C

conformação da morte e, portanto, emocionalmente desajustada.


D

recusa da morte e, portanto, emocionalmente desajustada.


E

racionalização da morte e, portanto, emocionalmente ajustada.

Considere a seguinte afirmação:

“Muitas vezes, temos um tratamento fútil que não mais beneficia o doente em estado crítico, terminal, em estado vegetativo persistente, ou o neonato concebido com seríssimas deficiências congênitas, tornando-se, portanto, fútil e inútil. A insistência em implementar ou dar esse tratamento irá resultar numa situação que caracterizamos como _____________.” (Pessini, 2001.)

Assinale a alternativa que completa CORRETAMENTE a lacuna acima.


A

Distanásia


B

Eutanásia


C

Mistanásia


D

Ortotanásia


E

Agatanásia

O paciente terminal vive um emaranhado de emoções, que incluem ansiedade, luta por sua dignidade e o temor com a finitude de sua vida. Sobre a morte, no processo de hospitalização, é correto afirmar que


A

se deve evitar falar sobre a morte em contexto hospitalar para não intensificar a ansiedade do paciente.


B

o não falar é a melhor forma de lidar com a morte, uma vez que protege, alivia a dor e facilita a elaboração do luto.


C

a negação é a primeira reação diante da morte. Assim, o psicólogo deve reforçar essa atitude nos pacientes, o que facilitará a elaboração do luto.


D

a morte é vista como uma ameaça às funções dos profissionais da psicologia e cria sentimento de impotência diante dos atendimentos dos pacientes.


E

a distorção apresentada no conceito de morte nas diferentes fases do tratamento do paciente terminal deve-se exclusivamente às limitações cognitivas do paciente.

O relacionamento interpessoal é dimensão fundamental da experiência humana, pois confirma a existência do indivíduo. Pacientes que se encontram em condição de terminalidade vivenciam a necessidade de relacionamentos com base na empatia e compaixão. Dessa forma, a comunicação é um elemento fundamental na relação humana e um componente essencial do cuidado ao fim da vida. Sobre este aspecto, assinale a opção INCORRETA.


A
É direito do paciente saber sobre sua real condição, porém é necessário o uso de habilidades comunicacionais por parte do profissional, bem como a adequada percepção e interpretação dos sinais não verbais do paciente, pois são eles que vão permitir a identificação do estado emocional e permitir ao profissional perceber até onde ir naquele momento.

B

As informações transmitidas ao paciente devem ser de acordo com suas condições emocionais e deve ser feita de modo progressivo e suportável.


C

A informação contínua e acessível aos familiares é o elemento essencial que permitirá uma vivência mais serena e tranquila do processo de morrer do doente, sem gerar expectativas que não podem ser atendidas.


D

Evitar conversar com o doente e com os seus familiares sobre a condição atual é uma forma de poupá-los e minimizar dores e sofrimentos da condição de terminalidade. Nesta situação, a transmissão de um discurso otimista e focado em assuntos diversos e superficiais é uma alternativa de comunicação favorável.


E

Ao cuidar do paciente em processo de morrer, uma das principais habilidades de comunicação necessária ao profissional é a escuta.

Kubbler-Ross (1996), assinala que a raiva é um sentimento que atravessa frequentemente o familiar de um paciente terminal. Em relação à esse sentimento de raiva no contexto da terminalidade da vida, assinale a alternativa correta.


A

A tolerância da raiva dos familiares, por parte da equipe de saúde, quer seja dirigida à própria equipe, ao paciente, ou contra Deus, possibilitará ajudá-lo a dar passos largos na aceitação sem culpa.


B

A intervenção no familiar do paciente, de forma que este vislumbre a inadequação do seu sentimento de raiva frente à situação de perda, possibilitará que esta raiva seja ultrapassada e passe ao sentimento de aceitação.


C

A interpretação da significação do sentimento de raiva, demonstrando a sua não pertinência à situação de perda, deve ser realizada ao familiar do paciente por parte de toda equipe multidisciplinar.


D

A equipe de saúde tem como objetivo evitar que esse familiar expresse seu sentimento de raiva


E

A equipe de saúde deverá atuar multidisciplinarmente, e de forma congruente entre si, a fim de evitar a qualquer custo que recaia sobre ela o sentimento de raiva por parte do familiar do paciente terminal.

O fechamento do processo de luto e consequente elaboração da perda de um ente da família sinaliza um movimento de perspectiva acerca de projetos de vida. Na atualidade, é frequente evitar falar sobre a morte e desviar a atenção sobre as suas repercussões. A família, no enfrentamento de situações de perda, mostra-se geralmente fragilizada, com sentimentos de angústia e insegurança. Com familiares na situação descrita, é correto afirmar que


A

evitar atender o familiar nessa situação é a estratégia utilizada para cessar o sofrimento.


B

somente nos casos em que for solicitado pela equipe, o profissional de psicologia poderá intervir


C

a discussão clínica com a equipe multidisciplinar interfere no andamento do processo de elaboração do luto; por isso, não deve existir.


D

ofertar espaço para escuta dos sentimentos e percepções envolvidas diante da perda do membro da família contribui para o enfrentamento da perda e elaboração do luto.


E

as rotinas e modos de funcionamento das instituições de saúde interferem no atendimento ao familiar, provocando um afastamento e impossibilidade da realização do trabalho nessa perspectiva.

A dor emerge como uma vivência singular para cada sujeito que traz uma história singular que está associada ao estado físico e mental do momento. Esta situação tem marcante significado no cuidado com pacientes terminais ou fora de possibilidades terapêuticas. Neste sentido, o psicólogo em sua prática deve considerar:


A

Compreender que a dor vincula-se aos valores e às crenças da pessoa, o que pode aumentar o sofrimento físico e psíquico frente a situação;


B

Reconhecer que cabe unicamente ao médico fazer a avaliação funcional da dor;


C

Reconhecer que a dor e o sofrimento são manifestações de fenômenos neurofisiológicos distintos, que requerem o emprego de sedativos;


D

Aceitar que o tratamento concentra-se nos sintomas físicos, considerados como única fonte de angústia do paciente;


E

Intervir junto ao paciente na aceitação da dor e do sofrimento como elementos naturais do ciclo vital.

A questão da origem da vida e da morte está presente na criança, principalmente no que concerne à separação definitiva do corpo. Nesse sentido, em relação ao processo de luto infantil, é correto afirmar que:


A

o ocultamento da verdade ajuda no processo de luto da criança e a sua relação com o adulto.


B

sua capacidade crônica de observação, ajuda no processo do luto


C

entre os jogos infantis em que ocorre a simbolização da morte estão os jogos de xadrez, esconde-esconde, mocinho e bandido e jogos educativos.


D

as crianças terminais apresentam, além do medo da morte, o medo do sofrimento e do tratamento


E

a vivência do luto infantil é expressa de forma expressamente idêntica ao luto do adulto

O enfrentamento da morte é tema fundamental para o profissional da Psicologia em ambiente hospitalar. A morte e todo o estudo da tanatologia precisa passar por variáveis importantes em sua compreensão. “Ainda não se conseguem falar sobre a morte”. Pode-se dizer que a morte é compreendida no ambiente hospitalar em, no mínimo quatro possibilidades, segundo Kovacs (2010).

São formas de compreender a morte, EXCETO:


A

A morte prevista em tempo previsto faz passar de uma fase aguda a uma fase crônica em um espaço de tempo nítido e compreensivo pela equipe.


B

A morte prevista em tempo indefinido é típica em doenças crônicas e letais. Nesta fase o espaço de manutenção e sobrevivência podem ser ambíguos.


C

A morte incerta em tempo previsto pode ser compreendida em grande parte as vezes em cirurgias graves em que não se sabe ao certo onde se poderá chegar. Coloca a psicologia a serviço uma vez que é a possível morte ou processo de morrer pós cirúrgico de um transplante por exemplo.


D

A morte imprevista em tempo imprevisto. Escleroses múltiplas, e doenças genéticas fazem com que o processo de morte e morrer sejam de fato incertos e ambíguos. Nestes casos os tratamentos e todo o processo de diagnóstico e prognóstico se tornam menos complexos à toda equipe. As dúvidas e as incertezas confortam os quadros de pacientes mais inseguros.

   
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