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Os Serviços Residenciais Terapêutico (SRT) fazem parte das estratégias para atendimento em saúde mental. Assinale a alternativa incorreta em relação aos SRT:
Os SRT deverão acolher pessoas com internação de longa permanência, egressas de hospitais psiquiátricos e hospitais de custódia
Existem duas modalidades de SRT, sendo que uma delas é destinada a pessoas com transtorno mental em processo de desinstitucionalização, e a outra é destinada a pessoas com transtorno mental e acentuado nível de dependência, especialmente em função do seu comprometimento físico, que necessitam de cuidados permanentes específicos
As modalidades de SRT devem se manter como unidades de moradia, inseridos na comunidade, prioritariamente dentro dos limites de unidades hospitalares gerais ou especializadas, estando vinculadas a rede pública de serviços de saúde
São consideradas internações de longa permanência a internação de dois anos ou mais ininterruptos em hospitais psiquiátricos ou hospitais de custódia
Considere as seguintes ações:
1. Proporcionar ao usuário um momento para pensar/refletir.
2. Exercer boa comunicação.
3. Oferecer suporte ilimitado ao usuário ainda que isso possa ser prejudicial ao profissional, pois o usuário tem sempre prioridade.
4. Lembrar-se de escutar o que o usuário tem a dizer.
Correspondem a ações de saúde mental na atenção básica à saúde:
1, 2 e 4 apenas.
1, 2 e 3 apenas.
3 e 4 apenas.
2 e 4 apenas.
1 e 3 apenas.
A rede pública de atenção à saúde é constituída de diversas unidades de saúde. Qual delas corresponde à unidade responsável pela atenção psicossocial?
CADS.
CAPS.
CRAS.
CREAS.
UBS.
Ao se avaliar o impacto dos fatores de risco para suicídio sobre o indivíduo, é preciso compreender que esses fatores têm intensidade e duração diversas e exercem seu poder em diferentes fases da vida dessa pessoa. Assim, a interação entre acontecimentos que ficaram no passado distante (fatores de risco predisponentes) e eventos mais recentes (fatores de risco precipitantes) deve ser considerada quando ocorre uma tentativa de suicídio ou um suicídio.
BOTEGA, N. J. Crise suicida: avaliação e manejo. Porto Alegre: Artmed, 2015 (adaptado).
Considerando as informações do texto, assinale a opção que apresenta um caso de interação de fatores de risco predisponentes e precipitantes, após tentativa de suicídio.
Jovem de 19 anos, comportamento impulsivo, agressivo e autodestrutivo; humor instável; dificuldades para enfrentar situações estressantes e baixa tolerância à frustração; presença de transtorno psiquiátrico na família.
Mulher de 28 anos; mora com a mãe; diagnóstico de esquizofrenia com sintomas positivos desde os 21 anos; hospitalizações anteriores; retraimento social persistente.
Homem de 35 anos, ingeriu doses de vários medicamentos que encontrou em casa; duas tentativas prévias de suicídio por ingestão de medicamentos; pensamentos, sentimentos e ações restritivos e inflexíveis.
Mulher de 46 anos, relato de maus tratos e violência sexual na infância; ambiente familiar disfuncional; rede de apoio social empobrecida; relacionamentos anteriores conflituosos e violentos.
Homem de 57 anos, histórico de depressão crônica e recorrente; uso abusivo de álcool; não adesão anterior à medicação e psicoterapia; recebeu diagnóstico de infecção por HIV há algumas semanas e não contou para a família.
Leia o que segue.
Os mais de trezentos anos de psiquiatria centrada no hospital psiquiátrico produziram muitas sequelas e desastres nas vidas de muitos milhares de pessoas. Quando iniciamos um trabalho de desinstitucionalização e constituição de um trabalho de saúde mental e atenção psicossocial, nos deparamos com muitas pessoas que vivem há décadas enclausuradas nestas instituições. O modelo psiquiátrico e asilar que as oprimiu reduziu-lhes as expectativas, obstruiu-lhes os projetos de vida, achatou-lhes as expressões e sentimentos. Desta forma, a grande maioria delas não tem condição de voltar a viver sem a ajuda de terceiros e, por isso, é muito importante que sejam organizados programas e estratégias de apoio psicossocial para estas pessoas [...]. |
AMARANTE, P. Saúde mental e atenção psicossocial. SciELO-Editora FIOCRUZ, 2007, p. 9
Assinale a alternativa que exemplifica corretamente as estratégias de apoio à desinstitucionalização dos pacientes psiquiátricos, adotadas no Brasil.
A criação de espaços terapêuticos nos hospitais especializados em psiquiatria.
A criação do Programa “Loucos sem Fronteiras” cujo título faz referência aos muros dos antigos manicômios.
A criação de quartos especiais para pacientes residentes em hospitais.
A criação de residências terapêuticas e adoção do Programa “De volta para casa”.
A criação de programas de adoção de pacientes sem vínculo familiar por pessoas da comunidade.
O trabalho do psicólogo inserido no campo da Saúde Mental pressupõe uma postura ético-política, que considera a Reforma Psiquiátrica como um marco histórico e conceitual de transformação na saúde mental, destacando a importância desse movimento para a reestruturação das práticas de saúde no país. De acordo com as Referências Técnicas para atuação de Psicólogos no CAPS (2013), do Conselho Federal de Psicologia, o trabalho do psicólogo passou a exigir:
I. intervenções que representem transformações no território;
II. ampliação do conceito de clínica, bem como transformações metodológicas e tecnológicas;
III. maior incidência do trabalho do psicólogo sobre a produção de subjetividades;
IV. valorização da participação do usuário e seus familiares no processo de tratamento.
Dos itens, verifica-se que estão corretos
I, II, III e IV.
III e IV, apenas.
II e IV, apenas.
I e II, apenas.
I, apenas.
Tal reorientação do campo brasileiro da saúde mental implica a diluição da clínica psicológica nas políticas públicas de atenção, com ênfase na promoção da cidadania e na (re)inserção social. Dentre as adjetivações que essas práticas clínicas então emergentes vêm recebendo, destacam-se, salvo:
Ampliada.
Singularizada.
Psicossocial.
Compartilhada.
Peripatética.
“Há equipes em que a presença de diversos saberes se apresenta de forma consolidada, cristalizando os discursos. Por exemplo, nas discussões de casos em que se toma os sujeitos como objetos, sobre os quais se debruçam saberes, cultos ou não, muito sendo dito sobre eles, mas pouco ou nenhum espaço sendo aberto para ouvir o seu próprio dizer. Nos casos de pacientes ‘crônicos’, há muitos anos vinculados aos serviços, isso fica evidente no descrédito que se dá a sua palavra, uma vez que ela é feita de repetições. Isso nos faz indagar: de que lado estará a repetição, na fala dos pacientes ou na escuta surda dos técnicos? Podemos pensar aqui em uma nova cronicidade, que não está do lado do paciente, mas do lado dos técnicos assentados em um saber já sabido (...).” (Ibid., p. 119).
O texto faz alusão à “nova cronicidade” dos profissionais da saúde mental que NÃO se colocam diante do saber em posição de:Abstinência.
Partilha.
Ampliação.
Instrumentalização.
Nenhuma das respostas anteriores.
Segundo o documento “Saúde Mental e Atenção Básica, o vínculo e o diálogo necessários”, publicado pelo Ministério da Saúde, afirma-se que
I. grande parte do sofrimento psíquico menos grave continua sendo objeto de trabalho de ambulatórios e de atenção básica
II. municípios com menos de 20 mil habitantes podem começar a estruturar a rede de cuidados em saúde mental a partir da atenção básica, pois, segundo a legislação, não precisam ter um CAPS (Centro de Atenção Psicossocial).
III. as ações de saúde mental na atenção básica devem obedecer ao modelo de redes de cuidado de base territorial e à atuação transversal com outras políticas específicas.
IV. mais da metade das equipes de saúde da família se deparam com problemas de saúde mental na população assistida, mas não estão habilitadas para intervir, devendo encaminhar os casos para os cuidados de um CAPS (Centro de Atenção Psicossocial).
Com base no documento citado, estão corretas apenas as afirmativas
I, II e III.
II e III.
I, III e IV.
II, III e IV.
Dada as afirmativas, sobre modelos de atenção utilizadas no campo da saúde mental,
I. O modelo psicossocial utiliza-se das ferramentas da Clínica Ampliada.
II. O modelo psicossocial utiliza-se de instrumentos de medida de sintomas e protocolos de cuidado padronizados.
III. O modelo biomédico privilegia o olhar para a doença, numa perspectiva de cura dos sintomas.
IV. O modelo biomédico privilegia tratar os aspectos subjetivos e a produção de sentidos dada pelo próprio usuário para sua doença.
verifica-se que está(ão) correta(s)
I, apenas.
III, apenas.
I e III, apenas.
II e IV, apenas.
I, II, III e IV.
O efeito rebote da adoção do ideal da cidadania aplicado aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), em torno dos Direitos Humanos, como reorientação do campo da saúde mental é sua:
Judicialização.
Subjetivação.
Psiquiatrização.
Cientificização.
Nenhuma das respostas anteriores.
Com base na afirmação de Campos (2013), a saber, “tomamos a supervisão clínico-institucional como um dispositivo de formação e intervenção”, considere as estratégias abaixo.
I - Análise constante da organização do processo de trabalho.
II - Análise permanente do cotidiano.
III - Discussão e construção coletiva de casos.
Quais dessas estratégias são propostas por Campos?
Apenas I.
Apenas II.
Apenas III.
Apenas I e II.
I, II e III.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (2001), sobre os transtornos mentais, assinale a alternativa correta.
No Brasil, os distúrbios mentais e intelectuais ocupam a 12ª posição entre as causas de concessão de benefício previdenciário como auxílio doença, afastamento do trabalho por mais de 15 dias e aposentadorias por invalidez .
O modelo teórico centrado no conhecimento médico continua predominando na área de intervenção mental e não existem perspectivas promissoras de ações integradas e multidisciplinares.
As abordagens da Psicologia, ao longo das últimas décadas, têm realizado uma renovação e ressignificado de sua prática e perspectivas metodológicas buscando construir uma visão do sujeito socialmente contextualizado e associando sua visão e prática interventiva pautada na preocupação com o adoecimento e com o sofrimento mental.
A psicodinâmica do trabalho atua intervindo nos transtornos mentais menores, através de métodos quantitativos, obedecendo ao modelo único de saúde médica com essência teórica baseada na Gestalt Terapia e no Psicodrama.
Reflita sobre a Lei n.º 10.216, de 6 de abril de 2001, artigo 2.°, parágrafo único. São direitos da pessoa portadora de transtorno mental, EXCETO
Ter acesso ao melhor tratamento de saúde, consentâneo às suas necessidades.
Ser tratada, preferencialmente, em serviços particulares de saúde mental.
Ter garantia de sigilo nas informações prestadas.
Ter livre acesso aos meios de comunicação disponíveis.
Pensar na inserção dos psicólogos no serviços de saúde mental exige que saibamos localizar a dimensão da clínica e sua relação com a política de saúde mental que orienta o funcionamento destes serviços. Neste contexto, assinale a alternativa INCORRETA acerca dos serviços de saúde mental.
Visam um trabalho focado em abordagens individuais, em que cada profissional atua independente dos demais.
Estão comprometidos com a construção e a produção de uma subjetividade aberta a alteridades e atentos ao que potencializa a transformação do cotidiano.
Equipes multiprofissionais valorizam a fala dos usuários, fazem diagnósticos da situação e encaminhamentos, quando necessário, e produzem efeitos terapêuticos.
O que deve ser considerado é a existência complexa do sujeito, seu discurso e o desenvolvimento de suas próprias possibilidades de relação, criatividade e produção.
Trata-se do modelo da reinserção social: os projetos coletivos são válidos, desde que não se encubra a singularidade do sujeito.
A Reforma Psiquiátrica propõe desafios complexos para o trabalho em saúde mental, mobilizando diversos autores em reflexões sobre o tema, em especial o trabalho em equipe. No artigo “A Estratégia Atenção Psicossocial: desafio na prática dos novos dispositivos de Saúde Mental” (Yasui e Costa- -Rosa, 2008), são apresentadas algumas características do trabalho em equipe multiprofissional. Sobre esta modalidade de atenção é correto dizer que:
há uma composição de disciplinas em níveis diferentes, com cooperação sistemática entre os diversos campos disciplinares.
é um conjunto importante e numeroso de problemáticas dentro da especificidade da atenção à saúde, impedindo a medicalização e a psicologização.
diferentes disciplinas analisam um mesmo objeto; a própria consistência do objeto é transformada.
estuda um objeto sob diferentes pontos de vista, sem acordo prévio sobre os métodos e os conceitos a serem utilizados.
o processo de trabalho é construído como uma criação coletiva de relações horizontais que aspiram à transversalidade.
A função estratégica dos dispositivos de recepção resultou na sua adoção por diversas equipes de saúde mental. Assinale a alternativa que expõe a importância deste dispositivo clínico.
Os dispositivos de recepção incentivam a criação de listas de espera para resolver o problema gerado pelo aumento da demanda e a insuficiência dos recursos da rede de saúde mental.
A partir dos grupos de recepção foi possível garantir a repetição automática da prescrição farmacológica em consultas espaçadas.
O dispositivo da recepção caracteriza-se por ser um lugar de passagem sem implicações clínicas para o paciente, que será rapidamente encaminhado para o tratamento.
No ato clínico da recepção, o profissional responde com uma ‘resposta-remédio’, seja ela um medicamento, um diagnóstico, um encaminhamento precipitado ou mesmo uma interpretação.
A recepção representa um dispositivo privilegiado de transformações no funcionamento dos serviços, na formação dos profissionais e mesmo na atitude social relativa à doença mental.
Sobre a integração entre as equipes de saúde mental e da saúde da família, marque a opção INCORRETA.
O Núcleo de Apoio à Saúde da Família deve fornecer suporte às equipes de Saúde da Família focalizando suas ações em usuários que requeiram cuidados de reabilitação, definindo a conduta de acordo com cada situação.
Nas reuniões de matriciamento entre as equipes de NASF com as ES, os casos são discutidos e as orientações e intervenções com relação a eles são encaminhadas.
A abordagem psicossocial com foco dos projetos terapêuticos dos usuários desenvolvidos em ações de matriciamento não configuram o trabalho em rede de saúde psicossocial.
As equipes devem discutir cada caso e avaliar conjuntamente se é caso de visita domiciliar, se deve ser feito um atendimento individual ou uma proposta de trabalho em grupo.
O diagnóstico situacional deve ser realizado pelas duas equipes, considerando a rede de apoio do usuário na etapa de elaboração do seu projeto terapêutico.
Nas organizações, geralmente, os psicólogos são chamados para intervir no momento do surgimento de sintomas relacionados à Saúde Mental. Esses sintomas são entendidos como consequência negativa resultante do processo de trabalho. Apesar disso, Borges e Mourão (2013) acreditam que as contribuições mais consistentes do psicólogo do trabalho devem incluir atitudes prevencionistas. Quanto ao aspecto preventivo, não se deve incluir:
Mudanças de conduta e comportamento para saúde no ambiente de trabalho.
Tirar o foco da saúde pública para influenciar os determinantes da saúde no ambiente de trabalho, focando-se, assim, no clima e na cultura daquele local e na realidade específica.
Estratégias destinadas a reduzir o absenteísmo relacionado a doenças.
Prevenção como parte integrante da gestão moderna de saúde e segurança ocupacional e da QVT.
Prevenção fazendo parte integrante da cultura e das mudanças organizacionais.
A estratégia do Apoio Matricial (AM), ou matriciamento em saúde mental, facilita o direcionamento dos fluxos na rede, promovendo a articulação entre os equipamentos de saúde mental e a Estratégia de Saúde da Família (ESF). O AM se constitui em:
um encaminhamento para a equipe de saúde mental de alguns casos acompanhados pelas equipes de atenção básica.
compartilhamento de casos através de discussões conjuntas de casos, mantendo a responsabilidade das ações sob responsabilidade das equipes de atenção básica.
intervenções conjuntas junto às famílias e comunidades ou em atendimentos conjuntos, sob responsabilidade das equipes de saúde mental.
um arranjo organizacional que viabiliza o suporte técnico em áreas específicas para equipes responsáveis pelo desenvolvimento de ações básicas de saúde.
um arranjo organizacional responsável pelo suporte técnico e capacitação em saúde mental para equipes de atenção básica.