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Em A sociedade contra o Estado, o antropólogo, Pierre Clastres descreve as situações em que diversas tribos da Amazônia, como os Yanomamis, se comportam com relação a seus chefes. O autor classifica como chefe sem poder, uma vez que, nas palavras do autor: “o espaço da chefia não é o lugar do poder, e a figura (mal denominada) do ‘chefe’ selvagem não prefigura em nada aquela de um futuro déspota”. Entretanto, o poder é exercido em apenas uma situação. Em que oportunidade o chefe exerce, excepcionalmente, o poder?
Na caça.
Na guerra.
Nos funerais.
Nos casamentos.
No dia a dia.
No Brasil, a modernidade veio deitar raízes em terreno já profundamente atravessado por ambiguidades. Eram dois os “brasis” que coexistiam no século XIX: o Brasil agrário, das casasgrandes e senzalas, onde nada parecia ameaçar a vontade senhorial, a dominação pelo privilégio e a lógica do favor; e o Brasil das cidades, de modas e imigrantes europeus, nas quais o progresso imprimia ao tempo aceleração vertiginosa. A independência fora costurada sob influência de ideias americanas e européias de diferentes colorações liberais, e a República veio aprofundar o alcance e a penetração deste ideário. Contudo, se por um lado a influência da ideologia burguesa era nítida, por outro o próprio sistema escravista bastava para desmentir um de seus pressupostos básicos, a racionalização produtiva. Havia, portanto, uma incompatibilidade claramente definida: em teoria, adotava-se a igualdade perante a lei, a liberdade trabalhista, a universalidade dos princípios; as práticas econômicas, entretanto, descortinavam outra realidade. Aqui, o sopro ideológico que animava a modernidade de nossos vizinhos ao Norte parecia ter serventia menos como motor e espelho de um sistema econômico do que para emprestar uma coloração moderna ao discurso das elites.
Neste cenário, tomou forma uma importante disputa sobre as matrizes políticas que deveriam moldar institucionalmente (e ideologicamente) a administração do Brasil e, por conseguinte, guiar-nos o desenvolvimento. Intelectuais e políticos como Paulino José Soares de Souza, o Visconde de Uruguai, Aureliano Cândido Tavares Bastos (deputado pelo Partido Liberal) e Oliveira Vianna, envolveram-se em tal debate, polarizado em torno das matrizes do:
Americanismo, que pregava a descentralização política, a fim de fortalecer a noção de indivíduo e as virtudes do associativismo, e a liberalização das atividades econômicas; e Iberismo, que reconhecia a centralização política como uma necessidade instrumental – o Estado defendendo a unidade territorial e os indivíduos frente ao poder dos caudilhos, a quem não interessava o acesso das massas aos direitos civis e políticos;
Brasilianismo, que fazia do reconhecimento da singularidade brasileira – nosso modelo de colonização agrário e escravocrata – a mola mestra do desenvolvimento econômico; e Bolivarianismo, que enfatizava a justiça social e união dos países latino-americanos contra a exploração das potências do Norte;
Iberismo, que reconhecia a centralização política como uma necessidade instrumental – o Estado defendendo a unidade territorial e os indivíduos frente ao poder dos caudilhos, a quem não interessava o acesso das massas aos direitos civis e políticos; e Brasilianismo, que fazia do reconhecimento da singularidade brasileira – nosso modelo de colonização agrário e escravocrata – a mola mestra do desenvolvimento econômico;
Americanismo, que pregava a descentralização política, a fim de fortalecer a noção de indivíduo e as virtudes do associativismo, e a liberalização das atividades econômicas; e Brasilianismo, que fazia do reconhecimento da singularidade brasileira – nosso modelo de colonização agrário e escravocrata – a mola mestra do desenvolvimento econômico;
Iberismo, que reconhecia a centralização política como uma necessidade instrumental – o Estado defendendo a unidade territorial e os indivíduos frente ao poder dos caudilhos, a quem não interessava o acesso das massas aos direitos civis e políticos; e Bolivarianismo, que enfatizava a justiça social e união dos países latino-americanos contra a exploração das potências do Norte.
“Intérpretes do Brasil” delimita uma categoria singular de intelectuais voltados à compreensão dos dilemas do país face à modernização peculiar e aos problemas históricos, quando comparados aos mesmos processos ocorridos nos países ditos “desenvolvidos”.
No clássico “Dependência e desenvolvimento na América Latina”, Fernando Henrique Cardoso postula um projeto político nacional que deveria ter como modelo os países desenvolvidos, com correções pontuais para adaptação à nossa realidade.
O “sentido da colonização” brasileira, na interpretação de Caio Prado Jr. sobre a formação histórica do país, é expressão que descreve o processo de conscientização da população brasileira quanto à formação de uma nação nos trópicos, apartada do mero jogo de trocas comerciais com os países “desenvolvidos, que não tinha “sentido”.
Característica comum a intelectuais como Sérgio Buarque, Caio Prado Jr. e Raymundo Faoro é a detecção de um “mal de origem”, ou seja, supostas “falhas” na formação histórica do Brasil.
O “homem cordial”, categoria criada por Sérgio Buarque de Holanda, delimita o tipo brasileiro, e, no entender do sociólogo, é a contribuição original do Brasil ao mundo moderno, devendo ser preservada em nosso processo de modernização.
No que concerne ao movimento sindical no Brasil, assinale a opção correta.
Em geral, os sindicatos no Brasil interpõem frente às questões educacionais e demandam do Estado maior qualificação profissional dos seus associados, repudiando bandeiras relativas à condição salarial.
A questão sindical no Brasil é evidenciada pela defesa de interesses meramente corporativos.
A questão sindical no Brasil é dúbia, uma vez que se refere tanto à defesa de interesses sociais quanto ao corporativismo associativo ou manipulativo.
A questão sindical brasileira reflete a questão partidária, visto que pesquisas indicam que o sindicalismo pressupõe, tendencialmente, maior nível de consciência política, comparado aos partidos políticos.
Os sindicatos no Brasil defendem interesses supranacionais, dado que buscam bandeiras globalizantes em suas demandas.

No Brasil, o exercício da cidadania tem significado positivo e impessoal, enquanto nos Estados Unidos da América a cidadania tem um sentido de negatividade e pessoalidade.
A cidadania no Brasil, ao contrário da existente em países como os Estados Unidos da América, fundamenta-se no individualismo, considerado um aspecto positivo.
Em um contexto histórico determinado, o conceito de cidadania regulada pressupõe a existência de um pluralismo democrático.
Em situações históricas e sociais diferentes, a mesma noção de cidadania engendra práticas sociais e tratamento diversos.
Há substancial diferença entre a concepção de cidadania no Brasil e nos Estados Unidos da América, visto que os norteamericanos se utilizam da cidadania relacional, ao contrário dos brasileiros.
De acordo com a literatura sobre o policiamento comunitário, existe mais chance de envolvimento e cooperação dos policiais com os cidadãos em bairros de classe média mais homogêneos, o que pode significar a implantação dessa filosofia nestes lugares e a permanência do policiamento tradicional em bairros de classes baixas.
Na década de 1980 as classes populares, até então vistas como oprimidas e passivas diante do gerenciamento público e privado da classe dominante, tomaram consciência da situação e da necessidade de reivindicar melhoria das condições de trabalho e vida. Os conflitos sociais por direito tomaram conta do cenário brasileiro e motivaram a organização dos diferentes segmentos da sociedade em defesa de seus interesses. Sobre o papel da sociologia neste período assinale o que for correto:
A sociologia encontrava um contingente de fatos favoráveis ao estudo científico e à análise crítica. Nos anos seguintes, a ciência dedicou-se às problemáticas brasileiras, principalmente ao processo de redemocratização do país.
A sociologia neste período se preocupou com o processo de industrialização do país, nas questões de reforma agrária e movimentos sociais na cidade e no campo.
Na década de 1980 a sociologia expandiu suas preocupações para o exterior, exaltado principalmente a influência norte americana.
Neste período a sociologia ampliou sua temática para questões envolvendo condição feminina, menor abandonado, favela, artes, violência urbana e rural, movimentos sociais.
Surgiram novos movimentos sociais surgiram no Brasil em um contexto marcado pelo autoritarismo e pela menor participação política.
“Aproxima-se o dia em que será preciso limitar os direitos e poderes do automóvel, não sem dificuldade e destruição. A rua? É o lugar (topia) do encontro, sem o qual não existem outros encontros possíveis nos lugares determinados (cafés, teatros, salas diversas). (…) Nela efetua-se o movimento, a mistura, sem os quais não há vida urbana, mas separação, segregação estipulada e imobilizada.”
Henri Lefèbvre.
Partindo-se do pressuposto de que existe uma relação entre o trecho apresentado e os movimentos sociais ocorridos recentemente no Brasil, é correto afirmar:
As ações revelam intensa relação com as lutas da classe operária e as disputas de poder econômico.
A falta de pauta nas manifestações demonstra que seguiam os imperativos sociais e políticos globais.
Ao questionar os valores das passagens dos ônibus, os manifestantes reivindicam o direito ao acesso à cidade.
O movimento foi constituído exclusivamente de segmentos de classes sociais excluídas.
A não aceitação do diálogo com as instituições municipais revela o caráter puramente político das manifestações.
Observe a imagem:

< http://4.bp.blogspot.com/_l1k4tvRFGlY/TLy1yfiMbKI/AAAAAAAACSI/hbpk21eyYNY/s400/BrasilAmeoouDeixeo09_12_2009_II.jpg >. Acesso em: 23 de novembro de 2013.
A charge acima faz alusão a que período histórico do Brasil?
Era Vargas.
Ditadura militar de 1964.
Governo de João Goulart.
Governo Dutra.
Governo de Jânio Quadro.
Em relação ao sistema de segurança pública brasileiro em vigor, desenvolvido a partir da Constituição Federal de 1988, que estabeleceu um compromisso legal com a segurança individual e coletiva no país, é CORRETO afirmar:
Planejamento, monitoramento, avaliação de resultados e gastos eficientes dos recursos financeiros têm sido procedimentos usuais nas ações de combate à criminalidade, seja no executivo federal, seja nos executivos estaduais.
As políticas de segurança pública no Brasil, via de regra, têm servido apenas de paliativo a situações emergenciais, sendo deslocadas da realidade social, desprovidas de perenidade, consistência e articulação entre os setores envolvidos.
A promulgação de leis, decretos, portarias e resoluções, visando instrumentalizar o enfrentamento da criminalidade e da violência, mesmo sem articulação das ações de segurança pública no contexto social, por si só produz resultados consistentes e satisfatórios.
A história das políticas de segurança pública na sociedade brasileira, nas últimas duas décadas, pode ser caracterizada como práticas que vão muito além de uma série de intervenções governamentais espasmódicas, meramente reativas, voltadas para a solução imediata de crises que assolam a ordem pública.
A respeito da questão racial e da exclusão social no Brasil, assinale a opção correta.
A condição de pobreza é considerado aspecto prioritário para a discriminação racial dos negros no Brasil.
A igualdade racial no Brasil é uma realidade, visto que os negros foram socialmente incluídos desde a abolição da escravatura.
O negro não aceitou a condição de invisibilidade social no Brasil, razão pela qual ele é o representante das minorias que protestam contra as iniquidades sociais.
A ideia de subalternização do “homem de cor” produz a inclusão social do negro na sociedade brasileira.
O negro identificou-se de forma integral ao padrão de civilização dos europeus no Brasil.
As principais resistências ao Plano Nacional de Direitos Humanos III originaram-se de grupos religiosos, militares, midiáticos e latifundiários, o que revela a manutenção de um padrão político-cultural na sociedade brasileira que dificulta mudanças em temas sensíveis.
No Brasil, não é recente a adoção de ações afirmativas, ou seja, a adoção de um conjunto de políticas públicas destinadas a proteger grupos sociais ou minorias que, no passado, tenham sido discriminados. Essas ações têm como desafio superar os obstáculos que impedem o acesso aos estudos, ao trabalho e aos direitos sociais e humanos de determinados grupos. Nessa perspectiva, as políticas de ações afirmativas no Brasil relativas à educação são
I a garantia a grupos responsáveis pelas diversas manifestações culturais do país do acesso, da criação, da difusão e da promoção através do Programa Identidade e Diversidade Cultural Brasileira (Brasil Plural);
II a concessão de bolsas de estudos em universidades privadas através do Programa Universidade para Todos (PROUNI);
III o Sistema Especial de Reserva de Vagas para estudantes egressos de escolas públicas, em especial negros e indígenas, previstas na Reforma da Educação Superior e adotadas em algumas instituições públicas federais de educação superior;
IV a concessão de bolsas de estudos em universidades privadas aos descendentes indígenas através do Programa de Apoio a Educação Indígena.
Em relação às informações anteriores, estão corretos os itens
III e IV.
II e IV.
I e II.
II e III.
O Brasil pode ser considerado androcêntrico, uma vez que diferentes papéis sociais e profissionais são efetivamente compartilhados entre homens e mulheres, mesmo que em graus diferenciados em cada estado da Federação.
No que se refere à dinâmica demográfica paulista, é INCORRETO afirmar:
O Estado de São Paulo que, desde a década de 1940, desempenhou papel de relevância na dinâmica demográfica nacional, também experimentou mudanças significativas. Seguindo a mesma tendência verificada nas metrópoles, apresentou sensível redução no ritmo de crescimento populacional nos anos 1980.
No período 1980-1991, os papéis dos componentes vegetativo e migratório se inverteram. O componente vegetativo passou a responder pela maior parte do crescimento populacional do estado.
As mudanças na dinâmica populacional paulista podem ser evidenciadas, em grande medida, pela análise dos componentes vegetativo e migratório. O componente vegetativo teve papel importante no crescimento da população estadual. A migração também teve peso relevante, contribuindo para a manutenção das altas taxas de crescimento verificadas no estado até 1980.
No período 1980-1991, os papéis dos componentes vegetativo e migratório se inverteram. O componente migratório passou a responder pela maior parte do crescimento populacional do estado.
O Estado de São Paulo passou a exibir um novo padrão demográfico. Em que pese a importância do crescimento vegetativo, a contribuição da migração neste novo cenário foi notável. A desaceleração do ritmo de migração no/para o Estado de São Paulo nos anos 1980 implicou uma sensível redução no ritmo de crescimento da população estadual.
A Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) introduzida pelo Governo Vargas, na década de 1930, foi importante para ampliar os direitos sociais, dando atenção às demandas trabalhistas. No entanto, segundo José Murilo de Carvalho, este avanço dos direitos sociais ocorridos com a instituição da CLT, nessa mesma década, até 1945, também trouxe recuos significativos particularmente quanto aos direitos
políticos, em decorrência da ditadura militar.
civis, em decorrência da nova lei do divórcio.
políticos, em decorrência da ditadura do Estado Novo.
econômicos, em decorrência do milagre econômico.
civis, em decorrência da ditadura militar.
No Brasil, a alfabetização é condição necessária para que a pessoa possa
candidatar-se a um cargo eletivo.
filiar-se em um partido político.
votar nas eleições.
candidatar-se a cargos no Executivo, mas não no Legislativo.
Contando com dinâmicas econômicas diferenciadas, as regiões paulistas assumiram papéis distintos quanto à redistribuição espacial da população. Baseado nessa informação, é correto afirmar:
A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), maior centro econômico e populacional do país, vem se configurando há várias décadas como o grande polo de atração populacional do estado. A migração não se mostrou como a variável determinante do crescimento desta área.
A queda relativa da migração no crescimento da metrópole associou-se estritamente a fatores demográficos, esses prevalecendo frente às transformações ocorridas na estrutura produtiva do Estado de São Paulo pós-1956.
A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) vinha experimentando ganhos populacionais importantes nas trocas migratórias efetuadas com outras regiões do Estado de São Paulo nos anos 1970. Isso se deve ao grande poder de atração populacional da metrópole. Assim, cerca de 450 mil pessoas haviam migrado para a área metropolitana, na década de 1970, vindo de regiões circunvizinhas como Campinas, Litoral, Vale do Paraíba e Sorocaba.
O município de São Paulo não contribuiu de forma decisiva para as mudanças ocorridas na metrópole. Historicamente, a capital paulista não registrava elevadas taxas de crescimento devido à intensidade das migrações em associação com os elevados níveis de fecundidade e com o declínio da mortalidade.
O fortalecimento do interior relacionou-se, principalmente, ao grande dinamismo da produção industrial para o mercado externo, à agricultura e à agroindústria. Esses fatores, em conjunto, contribuíram tanto para a aceleração dos movimentos migratórios em direção ao interior, quanto para a retenção da po-pulação do interior em suas regiões de origem.
Segundo José Murilo de Carvalho, os direitos civis ficaram só na lei, em muitos casos, na história da sociedade brasileira. Ele afirma que diante da nossa herança colonial o legado maior é contra os direitos civis, pois com a
escravidão se negava a condição humana do escravo, herdava-se uma grande propriedade de terra rural, herdava-se um Estado comprometido com o poder privado. Esses três empecilhos ainda persistem no exercício da cidadania civil.
república se negava, ainda, a condição humana do negro escravo, herdava-se uma propriedade de terra urbana, herdava-se um Estado comprometido com o poder privado. Esses três empecilhos ainda persistem no exercício da cidadania civil.
república se negava, ainda, a condição cidadã do negro, herdava-se uma grande propriedade urbana, herdava-se um Estado comprometido com o poder executivo. Esses três empecilhos ainda persistem no exercício da cidadania política.
escravidão se negava a condição humana do escravo, herdava-se uma grande propriedade de terra rural, herdava-se um Estado pouco comprometido com o poder executivo. Esses três empecilhos ainda persistem no exercício da cidadania política.
república se negava a condição humana do escravo, herdava-se uma grande propriedade de terra urbana, herdava-se um Estado pouco comprometido com o poder privado. Esses três empecilhos ainda persistem no exercício da cidadania civil.