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José, sozinho em casa, à noite, temeroso por conta das ameaças à sua vida que recebera nas semanas anteriores, percebeu um vulto se aproximando de sua residência. Ele acreditou ter visto o vulto fazer um movimento com o braço em direção ao bolso do casaco e, depois, apontando em sua direção. Por isso, José entendeu que o vulto portava uma arma de fogo e, estando também armado, disparou primeiro, causando grave ferimento no desconhecido. Instantes depois, percebeu que era apenas o vizinho tentando entregar-lhe uma correspondência. José foi acusado de tentativa de homicídio e alegou, em sua defesa, que acreditou que seria vítima de um disparo.
Sobre a natureza do argumento deduzido pela defesa de José e a consequência jurídico-penal decorrente de sua eventual aceitação, assinale a afirmativa correta.
Trata-se de descriminante putativa, tendo por consequência a exclusão do dolo.
Trata-se de legítima defesa, tendo por consequência a exclusão da ilicitude da conduta.
Trata-se de legítima defesa putativa, tendo por consequência a exclusão da culpabilidade.
Trata-se de erro de tipo permissivo, tendo por consequência a exclusão da ilicitude da conduta.
Trata-se de inexigibilidade de conduta diversa, tendo por consequência a exclusão da culpabilidade.
A coação física irresistível, também denominada vis absoluta ou vis corporalis, não traz responsabilização penal ao autor direto. Isso se dá por tratar-se de ______. Assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna.
fato atípico
excludente de ilicitude
excludente de culpabilidade
erro do tipo
Guilherme, Juiz de Direito no âmbito do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, dispõe de três processos aptos para a prolação de sentença. Na primeira relação processual, o acusado Caio alegou que praticou o fato para salvar-se de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.
No segundo processo, o réu João afirmou que perpetrou a conduta sob coação moral irresistível. Por fim, na terceira ação penal, a defesa do denunciado Lucas aduziu que, em razão de desenvolvimento mental incompleto, o agente não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato. Registre-se que todas as alegações das defesas foram devidamente comprovadas em juízo.
Nesse cenário, considerando as disposições do Código Penal, avalie as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa.
( ) Caio agiu sob o manto da legítima defesa, excludente de ilicitude.
( ) A coação moral irresistível a que foi submetido João é uma causa excludente da culpabilidade.
( ) Lucas é isento de pena, em razão da inimputabilidade penal, causa excludente da culpabilidade.
As afirmativas são, respectivamente,
F – F – F.
V – F – V.
V – V – F.
F – V – F.
V – V – V.
Em relação à culpabilidade e à imputabilidade do agente, assinale a opção correta.
São elementos que integram a culpabilidade, segundo a teoria “normativa pura” (concepção finalista): imputabilidade, possibilidade de conhecimento da ilicitude do fato e exigibilidade de conduta diversa.
A hipótese configura “embriaguez voluntária”, quando o agente, com o objetivo principal de cometer extorsão, embriaga-se para ter coragem suficiente para a prática do ato criminoso.
Para definir “maioridade penal”, a legislação brasileira adotou o sistema “biopsicológico”, considerado inimputável os menores de 18 (dezoito) anos, independentemente de possuir a plena capacidade de entender a ilicitude do fato ou de determinar-se segundo esse entendimento.
O agente que, embora diagnosticado com uma doença mental, era, ao tempo da ação ou da omissão, capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento, será considerado inimputável para efeitos de isenção de pena.
A emoção e a paixão excluem a imputabilidade penal do agente.
Acerca do arrependimento posterior, das descriminantes putativas, da coação irresistível e da obediência hierárquica, bem como do erro sobre os elementos do tipo e sobre a pessoa, assinale a opção correta.
Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, é possível a aplicação do instituto do arrependimento posterior caso o dano seja reparado integralmente, por ato voluntário do agente, até a prolação da sentença.
O agente que agir sob coação irresistível, seja moral ou física, praticará uma conduta típica e antijurídica, mas não culpável, ficando isento de pena o referido agente.
O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo e a culpa.
Ocorre aberratio ictus quando o acidente ou erro no emprego dos meios executórios faz com que se atinja um bem jurídico diferente do pretendido.
As descriminantes putativas configuram, à luz da teoria extremada da culpabilidade, erro de proibição.
Sobre a Teoria do Tipo, assinale a alternativa INCORRETA.
Se o fato criminoso é cometido sob coação irresistível, a pena do agente será reduzida em dois terços.
O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço.
O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena.
O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.
É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima.
Caso se trate de coação moral resistível, o cidadão coagido responderá pelo crime praticado, em sua forma culposa.
Certo
Errado
Durante assalto a uma joalheria, dois homens armados obrigaram a gerente, mediante grave ameaça, a abrir o cofre e a acondicionar as joias que estavam guardadas ali em uma mochila, que eles levaram consigo na fuga.
-
Com base no caso descrito e no conceito tripartite de crime, assinale a afirmativa correta.
A cooperação da gerente com os roubadores é um fato penalmente atípico.
Em razão da ameaça, a gerente não agiu com dolo ao colaborar com os roubadores.
A gerente não agiu de forma culpável, apesar de haver cometido um injusto penal.
A gerente cometeu o crime de roubo em concurso de agentes, mas é favorecida por uma escusa absolutória.
A gerente agiu em legítima defesa, razão por que a sua colaboração com os roubadores é justificada.
Ainda no que se refere à Teoria do Crime, assinale a alternativa incorreta.
Se o fato é cometido sob coação irresistível, só é punível o autor da coação
O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço
Se o fato é cometido em estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da ordem
Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente os meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem
Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo iminente, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, era razoável exigir-se
Segundo o que dispõe o Código Penal, se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência à ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico,
ambos serão punidos, mas o executor da ação terá a sua pena diminuída por ter sido coagido.
só será punido o executor da ordem, o agente hierarquicamente inferior.
só será punível o autor da coação ou da ordem.
tanto o autor do fato quanto o da coação serão punidos, mas o segundo terá a sua pena agravada.
ambos serão punidos na medida de sua culpabilidade.
Caso se trate de coação irresistível tanto moral quanto física, excluir-se-ão a ilicitude da conduta do cidadão coagido e a sua culpabilidade.
Certo
Errado
Constituem elementos da culpabilidade:
inimputabilidade, potencial consciência da lei e inexigibilidade de uma conduta diversa;
maioridade, potencial consciência da lei e inexigibilidade de uma conduta diversa;
imputabilidade, potencial conhecimento da ilicitude e exigibilidade de uma conduta diversa;
maioridade, potencial conhecimento da ilicitude e exigibilidade de uma conduta diversa;
imputabilidade, potencial conhecimento da ilicitude e inexigibilidade de uma conduta diversa.
O agente que pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se, age em
estado de necessidade.
legítima defesa.
estrito cumprimento de dever legal.
exercício regular de direito.
inexigibilidade de conduta diversa.
Considerando o Título II – “Do Crime”, da Parte Geral do Código Penal, analise as afirmações abaixo indicando F, para a que for falsa, e V, para a verdadeira.
( ) O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.
( ) A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe somente a quem tenha, por lei, obrigação de cuidado, proteção ou vigilância.
( ) Diz-se o crime tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma pela vontade própria do agente.
( ) Considera-se em legítima defesa quem pratica o fato para salvar de perigo atual ou iminente, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.
( ) Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
F, F, V, F e V.
V, F, V, F e V.
V, F, F, F e V.
V, F, F, V e V.
F, V, V, F e V.
Sobre a culpabilidade, assinale a alternativa incorreta:
Na última fase de exame do juízo de culpabilidade, a normalidade das circunstâncias do fato fundamenta a exigibilidade de comportamento diverso, conforme ao direito, e a anormalidade das circunstâncias de fato pode fundamentar situações de exculpação, que excluem ou reduzem a dirigibilidade normativa.
A pratica excesso na legítima defesa real exercida contra B, por utilização imoderada de meio necessário, em razão de defeito emocional no psiquismo de A, derivado de medo: a hipótese concreta pode fundamentar situação de exculpação, que exclui a culpabilidade de A.
A ação típica praticada em situação de coação moral irresistível não é justificada, mas é exculpada por inexigibilidade de comportamento diverso, punindo-se apenas o autor mediato.
O delegado de polícia A ordena que seu comandado, o investigador de polícia B, realize sessões de afogamento no preso cautelar C, para obtenção de confissão de prática do crime de homicídio qualificado, o que é cumprido por B: na hipótese, não há situação de exculpação a B, nem mesmo causa de diminuição de pena, podendo, entretanto, haver reconhecimento de circunstância atenuante a este.
Não é admissível juridicamente o exercício da legítima defesa por parte de inimputável por doença mental contra agressões injustas, atuais ou iminentes, de terceiros, mas a legítima defesa exercida por outrem, contra agressão injusta, atual ou iminente, de inimputável por doença mental, sujeita-se a limitações ético-sociais, que definem a permissibilidade de defesa.
São pessoas inimputáveis, EXCETO aquelas:
menores de 18 anos.
inteiramente incapazes de compreender o caráter ilícito do fato em razão de deficiência mental.
inteiramente incapazes de se determinarem pela compreensão do caráter ilícito do fato em razão de doença mental.
em estado de embriaguez absoluta decorrente de caso fortuito ou força maior.
sob coação irresistível ou obediência hierárquica.
A prescrição e a inexigibilidade de conduta diversa constituem, respectivamente,
causa de exclusão da tipicidade e causa de exclusão da culpabilidade.
causa de exclusão da ilicitude e causa de extinção da punibilidade.
causa de extinção da punibilidade e causa de exclusão da culpabilidade.
causa de extinção da pena e causa de exclusão da tipicidade.
causa de exclusão da culpabilidade e causa de extinção da pena.
Com relação à ilicitude e à culpabilidade é CORRETO afirmar:
A prática de fato típico em razão de obediência à ordem não manifestamente ilegal de superior hierárquico é hipótese de inexigibilidade de conduta diversa e pode excluir a culpabilidade do agente.
Com relação à natureza jurídica do estado de necessidade, a doutrina destaca que para a teoria unitária, ou é o estado de necessidade justificante, funcionando como causa de exclusão da ilicitude da conduta do agente ou exculpante, excludente da culpabilidade.
O Código Penal Brasileiro adota a teoria limitada da culpabilidade pela qual as descriminantes putativas sempre são consideradas erro de proibição.
Segundo entendimento doutrinário e jurisprudencial, a ausência de lesividade seria causa supralegal de exclusão da tipicidade, enquanto a inexigibilidade de conduta diversa e o consentimento do ofendido, quando não integrante do tipo penal, excluem a culpabilidade da conduta do agente.
Coação moral irresistível é causa de
exclusão de antijuricidade.
exclusão da punibilidade.
diminuição da pena.
exclusão da culpabilidade.
exclusão da tipicidade.
De acordo com o Código Penal, são causas de exclusão da ilicitude, EXCETO
o estado de necessidade.
a legítima defesa.
o estrito cumprimento de dever legal.
a obediência hierárquica.
o exercício regular de direito.