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"Não queria arrancar-lhe as ilusões. Também ele, em criança, e ainda depois, foi supersticioso, teve um arsenal inteiro de crendices, que a mãe lhe incutiu e que aos vinte anos desapareceram. No dia em que deixou cair toda essa vegetação parasita, e ficou só o tronco da religião, ele, como tivesse recebido da mãe ambos os ensinos, envolveu-os na mesma dúvida, e logo depois em uma só negação total. Camilo não acreditava em nada. Por quê? Não poderia dizê-lo, não possuía um só argumento; limitava-se a negar tudo. E digo mal, porque negar é ainda afirmar, e ele não formulava incredulidade; diante do mistério, contentou-se em levantar os ombros, e foi andando."
(MACHADO DE ASSIS. Obras completas em quatro volumes, volume 2. São Paulo: Editora Nova Aguilar, 2015, p. 435)
Assinale a opção em que não haja correspondência de ideias com a frase: "E digo mal, porque negar é ainda afirmar..."
E digo mal, conquanto negar é ainda afirmar...
E digo mal, porquanto negar é ainda afirmar...
E digo mal, pois negar é ainda afirmar...
E digo mal, visto que negar é ainda afirmar...
Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando cada período ou a escola literária às suas respectivas características.
Coluna 1
1. Quinhentismo.
2. Barroco.
3. Arcadismo.
Coluna 2
( ) Desenrola-se no século XVII, no ambiente das transformações econômicas provocadas pela economia açucareira. As invasões holandesas capitaneadas por Maurício de Nassau, principalmente no Nordeste, também apontam renovações culturais.
( ) Atinge seu apogeu com o orador sacro Padre Vieira.
( ) Constituem obras representativas desse período textos que têm a Bíblia como fonte de todo o conhecimento; exemplo disso é o “Diálogo sobre a conversão do gentio”, de Manuel da Nóbrega.
( ) Desenvolve-se no contexto de uma série de transformações sociais e políticas na Europa: ascensão da burguesia, decadência da aristocracia e surgimento do Iluminismo. No Brasil, tais mudanças influenciam a arte literária e a prática política; nesse cenário, ocorre a Inconfidência Mineira.
( ) A ideia de Fugere Urben (“fugir da cidade”) surge, nesta escola literária, como uma reação à modernização das cidades numa poesia marcada pelo bucolismo e pela defesa de uma vida simples na busca de resgatar valores corroídos pelo progresso.
( ) A época em questão deixa como legado uma produção escrita a que se costuma chamar de “manifestações literárias”, e não criações artísticas propriamente. São exemplos os relatórios, as cartas e os tratados cujo fim era traçar o perfil da nova terra descoberta.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
1 – 2 – 2 – 1 – 3 – 3.
2 – 3 – 1 – 3 – 2 – 1.
2 – 2 – 1 – 3 – 3 – 1.
3 – 2 – 1 – 1 – 2 – 2.
3 – 3 – 2 – 1 – 1 – 3.
São facetas que constituem o texto literário, EXCETO
construção de objetos autônomos como estrutura e significado.
forma de expressão, isto é, manifesta emoções e visão do mundo dos indivíduos e dos grupos.
forma de conhecimento, inclusive como incorporação difusa e inconsciente.
construção que enfatiza as funções utilitária e referencial das informações.
Depois da terceira conferência, em 12 de junho de 1871, chegou a vez de Eça falar. O título era “A Literatura Nova”. O romancista era pouco conhecido e o que dele se conhecia não levava a prever que fosse advogar o realismo na literatura. Mas foi isso que fez. Durante a viagem pelo Oriente, Eça ficara entusiasmado por Flaubert. Era daquele tipo de literatura que ele queria falar.
MÓNICA, Maria Filomena. Eça: vida e obra de José Maria Eça de Queirós. Rio de Janeiro: Record, 2001.
Neste fragmento, que trata de conferência de Eça de Queirós no Casino Lisbonense, no Chiado, é-nos revelada a oposição que o escritor português conferia ao romantismo, oposição esta perceptível também em seus escritos literários.
Assinale a alternativa cujo excerto literário expõe, com maior ênfase, a oposição que o escritor, por meio de um de seus personagens, confere ao romantismo.
“Pobre Alencar! O naturalismo; esses livros poderosos e vivazes, tirados a milhares de edições; essas rudes análises, apoderando-se da Igreja, da Realeza, da Burocracia, da Finança, de todas as coisas santas, dissecando-as brutalmente e mostrando-lhes a lesão, como cadáveres num anfiteatro; esses estilos novos, tão preciosos e tão dúcteis, apanhando em flagrante a linha, a cor, a palpitação mesma da vida; tudo isso (que ele, na sua confusão mental, chamava a ‘Ideia Nova’), caindo assim de chofre e escangalhando a catedral romântica, sob a qual tantos anos ele tivera altar e celebrara missa, tinha desnorteado o pobre Alencar e tornara-se o desgosto literário da sua velhice.” (QUEIRÓS, Eça. Os Maias. Rio de Janeiro: Zahar, 2014)
“Craft não admitia também o naturalismo, a realidade feia das coisas e da sociedade estatelada nua num livro. A arte era uma idealização!” (QUEIRÓS, Eça. Os Maias. Rio de Janeiro: Zahar, 2014)
“Alencar […] declarou aos amigos que não era a primeira vez que via Carlos. […] – Estava eu no Rodrigues, esquadrinhando alguma dessa velha literatura, hoje tão desprezada… Lembro-me até que era um volume de Éclogas do nosso delicioso Rodrigues Lobo, esse verdadeiro poeta da natureza, esse rouxinol tão português, hoje está claro, metido a um canto, desde que para aí apareceu o satanismo, o naturalismo e o bandalhismo… Nesse momento, passaste, disseram-me quem eras, e caiume o livro da mão…” (QUEIRÓS, Eça. Os Maias. Rio de Janeiro: Zahar, 2014).
“Alencar já tinha Carlos estreitado ao peito, e quando o soltou, retomando-lhe as mãos, sacundindo-lhas, com uma ternura ruidosa: […] – Tua mãe, devo dizê-lo, tinha literatura e da melhor. Consultou-me, consultava-me sempre, nesse tempo eu era alguém, e lembro-me de lhe ter respondido… ‘Ponha-lhe o nome de Carlos Eduardo, minha rica senhora, Carlos Eduardo, que é o verdadeiro nome para o frontispício de um poema, para a fama de um heroísmo ou para o lábio de uma mulher!’” (QUEIRÓS, Eça. Os Maias. Rio de Janeiro: Zahar, 2014).
“Falou-se logo do crime de Mouraria, drama fadista que impressionava Lisboa, uma rapariga com o ventre rasgado a navalha por uma companheira, vindo morrer na rua em camisa, dois faias esfaqueando-se, toda uma viela em sangue. […] Esse mundo de fadistas, de faias, parecia a Carlos merecer um estudo, um romance… Isto levou logo a falar-se do Assommoir, de Zola e do realismo: e o Alencar imediatamente, limpando os bigodes dos pingos de sopa, suplicou que se não discutisse, à hora asseada do jantar, essa literatura ‘latrinária’” (QUEIRÓS, Eça. Os Maias. Rio de Janeiro: Zahar, 2014).
No trecho “Quando comecei a escrever sobre língua, cheguei a dizer que era inócuo lutar contra o termo ‘homossexualismo’ por remeter à doença. Eu estava errado. O ativismo nos convenceu de que ‘homossexualidade’ é o certo.” (l. 29-31), há menção ao emprego do sufixo para indicar terminologia científica. A alternativa em que todas as palavras apresentam o sufixo – “ismo” com essa mesma finalidade é:
romantismo – surrealismo – modernismo
budismo – positivismo – protestantismo
modismo – neologismo – brasileirismo
alcoolismo – raquitismo – botulismo
O gênero textual em que se enquadra o texto pertence ao domínio discursivo
literário.
cotidiano.
acadêmico.
jornalístico.
seria grafada com acento indicador de crase em “as”.
não seria grafado qualquer acento em “as”.
seria grafada “ligada” em vez de “ligadas”.
seria grafada “outra” em vez de “outras”.
seria grafado “oje” em vez de “hoje”.
Leia as afirmativas a seguir:
I. A mãe e o pai têm direitos e deveres iguais, assim como responsabilidades compartilhadas no cuidado e na educação da criança.
II. Em O Ateneu, de Raul Pompeia, o personagem Sérgio descobre a falsidade e os comportamentos sórdidos de um mundo onde não há lugar para o amor e a amizade.
Marque a alternativa CORRETA:
As duas afirmativas são verdadeiras.
A afirmativa I é verdadeira, e a II é falsa.
A afirmativa II é verdadeira, e a I é falsa.
As duas afirmativas são falsas.
Pela leitura do poema, chega-se à conclusão de que:
Leia o verso abaixo e responda:
SONETO DE DEVOÇÃO
“Essa mulher, flor de melancolia Que se ri dos meus pálidos receios A única entre todas a quem dei Os carinhos que nunca a outradaria”.
(MORAES, Vinícius. Antologia poética. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. p.93)
A figura de linguagem que aparece no trecho “meus pálidos receios” é:
O trecho “E, aliás, gosto dos epitáfios; eles são, entre a gente civilizada, uma expressão daquele pio e secreto egoísmo que induz o homem a arrancar à morte um farrapo ao menos da sombra que passou.” (linhas 2 a 5) é construído sob a lógica da coesão sequencial que não se utiliza de marcadores argumentativos para ligar as estruturas oracionais. Caso se substituísse o sinal de ponto e vírgula por um marcador textual de coesão sequencial, sem que se altere a coerência do texto, ter-se-ia o seguinte conectivo:
malgrado
entrementes
porquanto
debalde
conquanto
Na primeira linha do poema, há uma figura de linguagem que pode ser classificada como:
Prosopopeia
Anáfora
Metáfora
Catacrese
Os termos “oswaldianamente” (linha 30), “deglutir” (linha 30) e “incorporar as conquistas” (linha 32), são alusivos ao Manifesto Antropofágico e ao Movimento Verde-Amarelo, cujas ideias de assimilação de diversas culturas sem construções mimetizadas percorrem todo o texto de Augusto de Campos.
No estudo gramatical, verifica-se que há os termos essenciais, integrantes e os acessórios da oração. Quanto à classificação das expressões destacadas, assinale a alternativa incorreta.
“Vou ficando por aqui”. Termo acessório - Adjunto adverbial de lugar.
“Tomara, meu Deus, tomara”. Termo isolado, sem função sintática com outro – Vocativo.
“Só deixo o meu Cariri no último pau de arara”. Termo essencial – Sujeito Simples.
“A vida aqui só é ruim.” Termo essencial – Predicado Nominal.
O autor, por meio dos recursos da citação e da intertextualidade, utiliza-se de referências à cultura brasileira e à estrangeira como estratégia de argumentação ao defender a ideia de que a produção artística brasileira é autônoma e não sofre influências externas consistentes desde a Semana de Arte Moderna, quando adquiriu maturidade estética e, sobretudo, mais tarde, quando adquiriu universalidade com o Concretismo.
De acordo com os textos, assinale a alternativa correta.
O tema de ambos os textos são divergentes; o primeiro mostra uma realidade semelhante àquela apresentada no texto 2.
O tema de ambos os textos são convergentes; entretanto a visão é diferente. Enquanto o eu lírico do texto 2 deseja ficar, a cena do texto 1 mostra personagens deixando a terra de origem.
O tema de ambos os textos são convergentes; o primeiro mostra pessoas sofridas que aparentam estar com fome e são esquecidas pelo governo e o segundo mostra uma cidade que tem assistência pública e pessoas exultantes.
O tema de ambos os textos tem cunho religioso. No entanto, verifica-se que o primeiro apresenta mais religiosidade que o segundo, comprovada pela observação das personagens.
De acordo com a obra Letramento literário: teoria e prática, de Rildo Cosson, é correto afirmar:
Aceitar a existência do cânone como herança cultural que precisa ser trabalhada não implica prender-se ao passado em uma atitude sacralizadora das obras literárias; assim como a adoção de obras contemporâneas não pode levar à perda da historicidade da língua e da cultura.
A literatura deve ser vista como um sistema autônomo perante outros tantos sistemas. O mais importante desses sistemas corresponde ao cânone, e a relação entre eles não é tão dinâmica quanto se deseja.
Aceitar a existência do cânone como herança cultural que precisa ser trabalhada pressupõe a necessária atitude sacralizadora das obras literárias. Nesse sentido, a adoção de obras contemporâneas não pode levar à perda da historicidade da língua e da cultura.
A literatura deve ser vista como um sistema composto de outros tantos sistemas. Um desses sistemas é denominado, equivocadamente, de cânone, e a relação entre eles é tão dinâmica que a adoção de um cânone depende, sobretudo, de um viés ideológico definido.
Leia as afirmativas a seguir:
I. O subjetivismo é uma das características do Simbolismo, sendo também uma característica própria de escolas anteriores (como o Romantismo) que valorizam o mundo interior do indivíduo. O Simbolismo, no entanto, vai além do subjetivismo dos românticos (início do século XIX), pretendendo atingir as áreas do subconsciente e do inconsciente. Os textos que surgiam, portanto, revelavam-se poesia “difícil”, embrenhando-se nas zonas mais ensombrecidas do eu e das emoções.
II. No Realismo, é nítida a preferência pelo espaço urbano, pois a burguesia fixou-se principalmente nas cidades, onde residem os elementos a serem combatidos, já que a obra literária é vista como instrumento de denúncia dos desequilíbrios sociais. Há preocupação em retratar pessoas da época, encarando o presente histórico, os conflitos do homem da época, os problemas concretos, os dramas cotidianos.
Marque a alternativa CORRETA:
As duas afirmativas são verdadeiras.
A afirmativa I é verdadeira, e a II é falsa.
A afirmativa II é verdadeira, e a I é falsa.
As duas afirmativas são falsas.
Marque a opção que apresenta afirmativa incorreta sobre a literatura contemporânea brasileira:
A literatura contemporânea surge com a publicação de "Missal" e "Broquéis", de Cruz e Souza, o maior representante do movimento no país, ao lado de Alphonsus de Guimarães.
Terminada a Segunda Guerra Mundial, surgiram no Brasil novas tendências artísticas e culturais, dando-se início à literatura contemporânea.
A primeira mudança com o início da literatura contemporânea se deu com a geração de 45.
O escritor Guimarães Rosa é um dos principais representantes desse período e lançou Sagarana (contos) de cunho regionalista.