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Um homem de 38 anos dá entrada na emergência com quadro súbito iniciado durante o almoço em um restaurante de frutos do mar.
Na admissão, encontrava-se sonolento, com pressão arterial de 70×40 mmHg, frequência cardíaca de 125 bpm, frequência respiratória de 36 irpm e SpO₂ de 86% em ar ambiente.
O exame físico mostrava rubor generalizado, edema periorbitário e sibilância difusa bilateral. Não havia sinais de trauma ou atividade convulsiva. As extremidades estavam frias, e o paciente não apresentou melhora com as medidas de suporte iniciais.
Diante da principal hipótese diagnóstica, assinale a medida mais importante.
Nebulização com salbutamol.
Terapia anti-histamínica.
Corticosteroides sistêmicos.
Administração intramuscular de epinefrina.
Triagem toxicológica.
Em relação à alergia alimentar mediada por IgE, assinalar a alternativa CORRETA.
As manifestações clínicas mais frequentes de alergia alimentar (AA) são as mediatas (mediadas por IgE), aparecendo após 24 horas da exposição do alimento.
Uma vez que se suspeite que a criança tenha AA imediata, testes alérgicos podem ser realizados para auxiliar no diagnóstico. Isso pode ser feito por meio de testes cutâneos imediatos ou dosagem sérica de IgG específica para todos os tipos de alimentos.
AA é mais frequente na fase adulta. As sensibilidades a leite de vaca, ovo, trigo e soja iniciam-se no lactente ou criança jovem e tendem a se resolver até a idade escolar.
As reações IgE-mediadas caracterizam-se pela sensibilização à proteína alimentar, com a produção de IgE específica. A IgE fixa-se a mastócitos e basófilos teciduais e, após uma exposição subsequente, o alérgeno proteico liga-se à IgE, promovendo uma série de transformações nessas células, que culminam com a sua desgranulação e a liberação de histamina, proteases, prostaglandinas, leucotrienos e citocinas.
Um Teste de Provocação com Droga (TPD) é considerado o padrão-ouro para a identificação de uma Reação de Hipersensibilidade à Droga (RHD). Qual das seguintes alternativas representa a interpretação mais precisa de um resultado de TPD negativo?
O paciente está definitivamente livre de qualquer hipersensibilidade à droga testada, garantindo uso seguro em qualquer dose futura.
O resultado negativo significa que não houve uma RHD no momento do teste e para as doses administradas.
Um TPD negativo indica que a reação inicial suspeita era de natureza não alérgica, descartando um mecanismo imunológico.
A ausência de reação no TPD sugere que o paciente pode ter desenvolvido tolerância natural à droga ao longo do tempo.
O TPD negativo é inconclusivo, e o paciente deve ser submetido a testes cutâneos adicionais para confirmação.
Um paciente de 48 anos, engenheiro agrônomo, com histórico de rinite alérgica sazonal controlada, procurou o pronto-socorro há 3 semanas após ser picado por uma vespa (identificada pelo paciente) enquanto trabalhava em campo. Cerca de 5 minutos após a picada, ele desenvolveu prurido palmoplantar, urticária generalizada, sensação de “aperto na garganta”, dispneia com sibilos e tontura. Foi prontamente atendido, recebeu epinefrina intramuscular, anti-histamínicos e corticosteroides, com melhora progressiva. Essa foi a primeira reação sistêmica à picada de inseto que ele experimentou, embora lembre-se de ter tido “inchaços grandes” no local de picadas anteriores de abelhas ou vespas, que duravam dias. Considerando o risco de futuras reações e a ocupação do paciente, qual é a conduta mais apropriada para a prevenção e manejo a longo prazo?
Prescrever um autoinjetor de epinefrina e orientar o paciente a utilizá-lo em caso de nova picada com qualquer sinal sistêmico. Não são necessários testes diagnósticos adicionais, pois a reação sistêmica já ocorreu e a identificação do inseto é suficiente para o manejo.
Iniciar imediatamente um curso de dessensibilização oral com veneno de vespa, monitorando o paciente de perto para reações adversas, e orientar o uso de anti-histamínicos profiláticos antes de trabalhar em campo.
Realizar testes cutâneos (prick test e intradérmico) e/ou dosagem de IgE específica (sIgE) para veneno de vespa e abelha. Se os testes forem positivos, discutir com o paciente a indicação de Imunoterapia com Veneno (ITV) e a importância de portar o autoinjetor de epinefrina.
Recomendar que o paciente evite áreas com insetos e utilize roupas de proteção ao trabalhar, além de prescrever um tratamento profilático com corticosteroides orais em baixa dose por 3 meses para reduzir a sensibilidade.
Encaminhar o paciente para avaliação psicológica para manejo da ansiedade e medo de novas picadas, pois a reação pode ter sido exacerbada por um componente psicogênico, e não é comum que a primeira reação sistêmica seja tão grave.
Em um paciente com rinite alérgica persistente, qual dos seguintes mecanismos de ação dos corticosteroides tópicos nasais é o principal responsável pela redução da inflamação e dos sintomas nasais, como obstrução, rinorreia e espirros?
Inibição da liberação de histamina pelos mastócitos.
Bloqueio dos receptores H1 da histamina.
Supressão da produção de citocinas próinflamatórias.
Estabilização da membrana dos mastócitos.
Aumento da produção de anticorpos IgE.
Os anti-histamínicos H1 desempenham papel fundamental no tratamento da Rinite Alérgica (RA), sendo divididos em duas grandes classes: os de primeira geração, que atravessam a barreira hematoencefálica (BHE) e possuem ação sedativa significativa, e os de segunda ou terceira geração, que apresentam menor penetração no sistema nervoso central, com reduzido efeito sedativo. Em casos de RA com obstrução nasal, pode-se associar anti-H1 a descongestionantes orais para potencializar o alívio sintomático. Considerando o contexto apresentado, assinale a alternativa que apresenta a associação entre um anti-histamínico H1 de segunda geração e um descongestionante oral.
Azatadina + pseudoefedrina.
Bromofeniramina + fenilefrina.
Fexofenadina + pseudoefedrina.
Bromofeniramina + pseudoefedrina.
Triprolidina + pseudoefedrina.
Qual é a recomendação atual sobre a introdução de alimentos potencialmente alergênicos, como ovo e amendoim, na dieta dos lactentes para prevenção de alergia alimentar?
Realizar testes de IgE específica para todos os lactentes antes de introduzir qualquer alimento alergênico.
Atrasar a introdução até os 12 meses de idade, bem como do camarão e frutos do mar.
A mãe deve evitar o consumo desses alimentos durante a gestação e a amamentação.
Atrasar a introdução até depois dos 12 meses de idade para permitir a maturação do sistema imune.
Introduzir a partir dos 6 meses de vida, de forma progressiva, junto com a dieta complementar.
Um médico explica a um residente que sintomas da rinite alérgica são resultado da inflamação mediada por imunoglobulina E (IgE) e ocorrem em indivíduos geneticamente predispostos e sensibilizados. Ele ressalta que, resposta alérgica pode ser dividida em duas fases.
Com base nessas informações, assinale a alternativa correta:
Fases imediata e tardia.
Fases horizontal e vertical.
Fases superior e inferior.
Fases interna e externa.
Fases curta e longa.
As imunodeficiências primárias (IDP) constituem um conjunto crescente de doenças geneticamente determinadas. A presença de dois ou mais sinais de alerta deve motivar a investigação dessa condição. São considerados sinais de alerta para IDP:
I – Duas ou mais pneumonias em um ano.
II – Histórico familiar de imunodeficiência primária.
III – Quatro ou mais novas otites em um ano.
Com base nessas informações, assinale a alternativa correta:
Apenas o item II está correto.
Apenas os itens I e II estão corretos.
Apenas os itens I e III estão corretos.
Apenas os itens II e III estão corretos.
Todos os itens estão corretos.
A respeito da urticária, analise as afirmações a seguir:
I – A urticária se manifesta na forma de pápulas ou vergões, que consistem de inchaço central com eritema reflexo circundante, e está associada a coceira e sensação tipo queimação.
II – A maioria dos casos de urticária é do tipo crônico onde as lesões são permanentes.
III – A urticária aguda é causada exclusivamente por fatores genéticos hereditários e não tem relação com alergias ou infecções.
É correto o que se afirma em:
Apenas o item I está correto.
Apenas os itens I e II estão corretos.
Apenas os itens I e III estão corretos.
Apenas o item II está correto.
Todos os itens estão corretos.
Um paciente de 40 anos, sem comorbidades, é admitido no pronto-socorro 30 minutos após ser picado por uma abelha. Ele evolui rapidamente com prurido generalizado, placas urticariformes, edema de lábios e pálpebras, dispneia com sibilos audíveis e sensação de "garganta fechando". Ao exame, apresenta-se hipotenso (PA 70/40 mmHg) e taquicárdico (140 bpm). Qual é a medida terapêutica de maior impacto e que deve ser administrada imediatamente para reverter este quadro de anafilaxia?
Salbutamol (beta-2 agonista) em nebulização contínua, para tratar o broncoespasmo e a hipotensão.
Hidrocortisona 500 mg por via intravenosa, para bloquear a resposta inflamatória tardia.
Prometazina (um anti-histamínico H1) 50 mg por via intravenosa, para reverter o prurido e a urticária.
Epinefrina (Adrenalina) por via intramuscular, na dose de 0,3 a 0,5 mg (solução 1:1.000), na face anterolateral da coxa.
Sabe-se que a alergia alimentar é uma condição clínica na qual o sistema imunológico responde de forma exagerada e consistente a um alimento específico, sempre que a ele for apresentado. Os mecanismos imunológicos envolvidos nas diversas manifestações clínicas permitem a classificação em reações mediadas por IGE, não mediadas por IGE e mistas. Dentre as reações mistas e suas apresentações clínicas, temos:
esofagite eosinofílica, síndrome da enterocolite induzida por proteína alimentar e urticária de contato.
urticária de contato, anafilaxia e dermatite herpetiforme.
dermatite herpetiforme, dermatite de contato por alimento e urticária de contato.
anafilaxia, proctocolite induzida por proteína alimentar e esofagite eosinofílica.
esofagite eosinofílica, dermatite atópica e colite eosinofílica.
Paciente, sexo masculino, 28 anos, agricultor, residente em uma área rural do interior de Santa Catarina, comparece ao consultório em novembro. Relata um quadro de rinoconjuntivite caracterizado por espirros frequentes em salva, coriza aquosa abundante, prurido nasal e ocular intenso, além de congestão nasal. Os sintomas iniciaram-se no final de setembro e têm piorado progressivamente, sendo significativamente mais intensos durante o trabalho no campo e em atividades ao ar livre. Refere melhora parcial com o uso esporádico de anti-histamínicos não sedantes. Não apresenta febre, tosse produtiva ou dor de garganta. Considerando o histórico clínico, a época do ano e a ocupação do paciente, qual é a abordagem mais adequada para o diagnóstico etiológico da rinite alérgica neste caso?
Realizar testes cutâneos de leitura imediata (prick test) com uma bateria que contemple os aeroalérgenos regionais, com ênfase em pólens de gramíneas, dada a sazonalidade dos sintomas e a ocupação do paciente, visando confirmar a sensibilização IgE mediada e planejar o manejo a longo prazo.
Iniciar corticoterapia oral em dose decrescente e recomendar lavagem nasal diária, pois o quadro agudo sugere inflamação intensa que necessita de controle rápido antes da investigação diagnóstica.
Solicitar dosagem de IgE sérica específica para painel de fungos e ácaros, pois esses alérgenos são os mais prevalentes em qualquer estação no Sul do Brasil e a IgE sérica é o exame mais fidedigno.
Realizar rinomanometria e videonasofibroscopia para avaliar o grau de obstrução e a presença de alterações estruturais, sendo esses exames prioritários antes de qualquer tratamento alérgico.
Aconselhar o paciente a mudar de atividade profissional para reduzir a exposição ambiental e prescrever apenas anti-histamínicos de segunda geração para controle sintomático.
O cofator de maior risco para reações anafiláticas graves e/ou fatais é:
uso de imunoterapia sublingual.
presença de dermatite atópica.
pré-escolares do sexo feminino.
dosagem de IgE total elevada.
níveis séricos elevados de triptase.
Uma mulher de 32 anos apresenta eczema crônico em mãos e antebraços, com prurido intenso, agravado pelo uso de detergentes e produtos de limpeza. A biópsia revela espongiose e infiltrado linfocítico dérmico. Após a realização de testes de contato, observa-se reação positiva ao níquel e à fragrância. Qual é a abordagem terapêutica inicial mais apropriada para este caso?
Evitar contato com os alérgenos identificados e iniciar uso de corticosteroides tópicos de alta potência.
Uso de inibidores de calcineurina tópicos e corticosteroides sistêmicos por 6 semanas.
Evitar contato com os alérgenos identificados e iniciar uso de imunossupressores sistêmicos, como metotrexato.
Administração de imunoterapia específica subcutânea para níquel.
Início de fototerapia UVB e corticosteroides orais em dose imunossupressora.
Um paciente de 48 anos desenvolve uma síndrome de hipersensibilidade grave após uso de alopurinol, caracterizada por febre, rash cutâneo, linfadenopatia e envolvimento hepático. Exames laboratoriais revelam eosinofilia e elevação de transaminases. Qual é o manejo inicial mais indicado?
Manutenção do alopurinol com redução da dose e uso de corticosteroides sistêmicos.
Inicío de plasmaférese para remoção do fármaco residual e imunocomplexos.
Suspensão imediata de todas as medicações e iniciar imunoglobulina intravenosa (IVIG).
Início de um inibidor de calcineurina como tacrolimo para controle da inflamação.
Suspensão imediata do alopurinol e uso de corticosteroides sistêmicos.
Crianças com quadro de alergia alimentar não-IgE mediada (mecanismo tipo IV, celular), grave em lactentes(0-12 meses), caracterizada por reações gastrointestinais agudas e intensas após ingestão de alérgenos sem sintomas alérgicos cutâneos ou IgE positivos, são sugestivos de:
Secundária a gastroenterite viral por Rotavírus.
Alergia alimentar IgE-mediada – anafilaxia.
Enterocolite necrotizante.
Síndrome de Enterocolite Induzida por Proteína Alimentar (FPIES).
Enterite eosinofílica (EoE).
Homem de 36 anos apresenta Dermatite Atópica (DA) moderada a grave, caracterizada por um escore SCORAD de 45, prurido intenso e persistente que interfere no sono, e lesões eczematosas disseminadas. Apesar do uso otimizado de corticosteroides tópicos de alta potência e emolientes, o controle da doença não foi alcançado. O paciente não possui histórico de infecções graves recentes ou outras comorbidades que contraindiquem terapias sistêmicas. Considerando as recomendações das diretrizes de tratamento da DA, qual das seguintes opções terapêuticas sistêmicas é a mais fortemente recomendada como primeira linha para esse cenário?
Iniciar tratamento com um inibidor de Janus quinase (iJAK) oral, como o upadacitinibe, devido à sua alta eficácia e à conveniência da administração oral.
Prescrever ciclosporina oral, por ser um imunossupressor tradicional com experiência de uso consolidada em dermatite atópica grave e perfil de segurança conhecido.
Iniciar tratamento com dupilumabe, um anticorpo monoclonal, devido à forte recomendação e alta certeza de evidência para DA moderada a grave refratária a tratamentos tópicos.
Optar por fototerapia UVB de banda estreita, por ser uma modalidade terapêutica que evita a exposição a medicamentos sistêmicos e seus potenciais efeitos adversos.
Administrar um curso curto de corticosteroide sistêmico oral para controle rápido da exacerbação, seguido de manutenção com metotrexato para controle a longo prazo.
Um médico explica a um residente que os clássicos sintomas da rinite alérgica incluem dois ou mais achados por mais de uma hora por dia durante mais de duas semanas, e que o prurido pode envolver não apenas o nariz, mas também outras regiões. Com base nessas informações, assinale a alternativa correta sobre quais sintomas caracterizam a rinite alérgica:
Congestão, rinorreia, espirros e prurido nasais.
Tosse seca, dor torácica, febre e fadiga.
Náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal.
Vermelhidão ocular, fotofobia, lacrimejamento e diplopia.
Dor articular, rigidez matinal, inchaço e limitação de movimento.
A maioria das substâncias que provocam anafilaxia é de natureza proteica, mas polissacarídios também podem ser alergênicos.
Com base nessas informações, assinale a alternativa correta sobre os alimentos mais alergênicos:
Arroz, batata, feijão, maçã, banana, carne bovina e mel.
Amendoim, leite de vaca, nozes, peixes, soja, trigo e crustáceos.
Lentilha, milho, uva, frango, pera, abacaxi e iogurte natural.
Aveia, ervilha, melancia, carne suína, tomate, castanha-do-pará e pepino.
Cenoura, abóbora, coco, alface, goiaba, queijo e café.