Questões de Concurso sobre Traumatologia

 
 
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Homem de 28 anos vítima de acidente automobilístico é levado ao pronto-socorro. Encontra-se hemodinamicamente estável.

Tomografia de abdome com contraste evidencia laceração hepática grau III, sem extravasamento ativo de contraste.


Qual a conduta mais adequada neste caso?


A

Laparotomia exploradora imediata


B

Embolização arterial hepática de rotina


C

Tratamento não operatório com monitorização clínica


D

Hepatectomia segmentar


E

Lavado peritoneal diagnóstico

Paciente do sexo masculino, 25 anos de idade, vítima de acidente com motocicleta, é atendido de urgência em centro de trauma e recebe tratamento imediato.

Ao exame, encontrava-se alcoolizado, com sangramento significativo no foco de fratura, frequência cardíaca de 140 bpm, PA de 80 x 40 mmHg, pulsos periféricos palpáveis. Apresentava fratura exposta do fêmur esquerdo com extensa lesão de partes moles, com perda de cobertura cutânea no nível da fratura e perda do compartimento lateral da coxa. O exame radiográfico evidenciou fratura multifragmentar do fêmur com perda óssea de 6 cm. Não apresentava nenhuma lesão além da fratura do fêmur.


Segundo a classificação de Ganga Hospital Open Injury Score (GHOIS) para as fraturas expostas, esse paciente recebe pontuação


A

13.


B

14.


C

15.


D

17.


E

19.

Um paciente de 32 anos é admitido após colisão automobilística de alta energia. Após reposição inicial, encontra-se hemodinamicamente estável, porém apresenta dor abdominal difusa. Exame FAST positivo, e a tomografia computadorizada contrastada evidencia lesão hepática com extravasamento arterial ativo, sem indicação imediata de laparotomia.


Considerando os princípios atuais do manejo endovascular no trauma abdominal, qual é a conduta mais apropriada nesse caso?


A

Não realizar angiografia, pois todo paciente com FAST positivo deve ir diretamente para laparotomia.


B

Realizar angiografia diagnóstica apenas se houver instabilidade hemodinâmica persistente.


C

Proceder com angiografia diagnóstica e possível embolização, uma vez que há blush arterial na TC (tomografia computadorizada).


D

Repetir TC em 6 horas para confirmar extravasamento antes de angiografia.


E

Evitar angiografia, pois presença de lesão hepática é contraindicação absoluta à intervenção endovascular.

No atendimento inicial ao politraumatizado, segundo o protocolo de Suporte Avançado de Vida no Trauma (ATLS), qual é a prioridade imediata após garantir a segurança da cena?


A

Avaliar a exposição completa do paciente e iniciar o controle térmico.


B

Realizar o exame FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) para triagem de hemorragias internas.


C

Colher gasometria arterial para avaliação metabólica inicial.


D

Avaliar a via aérea, garantindo proteção da coluna cervical.


E

Realizar tomografia computadorizada de corpo inteiro para avaliação global das lesões.

Paciente politraumatizado com luxação posterior do quadril em radiografia e déficit de dorsiflexão (suspeita de lesão do nervo ciático). Conduta imediata mais apropriada?


A

Tomografia de quadril antes de qualquer tentativa de redução para descartar fragmento intra-articular.


B

Imobilização e observação; reduzir apenas se persistir dor após analgesia.


C

Redução aberta imediata, pois déficit neurológico contraindica redução fechada.


D

Redução fechada urgente sob sedação/anestesia, antes de tomografia, com avaliação neurovascular pré e pós-redução.

Homem, 31 anos, é vítima de fratura fechada de tíbia após acidente motociclístico. Duas horas após a imobilização inicial, passa a referir dor intensa e progressiva, desproporcional ao exame físico, não aliviada por analgésicos opioides. Apresenta parestesia distal, com pulsos periféricos ainda palpáveis. Qual é a conduta imediata mais adequada?


A

Mensurar pressão intracompartimental e indicar fasciotomia de urgência.


B

Solicitar Doppler arterial do membro acometido.


C

Administrar bloqueio anestésico regional para analgesia.


D

Elevar o membro e aguardar redução do edema.


E

Ajustar analgesia e reavaliar em 6 horas.

Paciente adulto, 80 kg, apresenta queimadura térmica de 40% de SCQ. Segundo a fórmula de Parkland, o volume total de Ringer lactato nas primeiras 8 horas será:


A

6.400 mL.


B

8.000 mL.


C

10.400 mL.


D

12.800 mL.


E

16.000 mL.

Homem de 25 anos, vítima de queda de motocicleta, chega estável ao atendimento, mas com fratura instável de pelve, hematoma perineal de grande proporção e sangue no meato uretral. FAST: negativo; tentativa de passagem de Foley pelo emergencista encontra resistência; bexigoma palpável ao exame físico.


Segundo as diretrizes, qual é a conduta imediata mais apropriada no manejo da uretra?


A

Realizar uretrograma retrógrado (RUG) imediato e, se confirmar lesão completa, proceder com cistostomia suprapúbica.


B

Solicitar TC de pelve antes de qualquer intervenção urinária.


C

Realizar nova tentativa de cateterização com guia de sonda.


D

Tentar realinhamento uretral aberto no ato inicial de trauma.


E

Colocar cateter a cegas sob sedação leve, pois o relaxamento facilita a passagem.

Homem de 34 anos, vítima de colisão automobilística de alta velocidade, apresenta dor lombar esquerda e escoriações no flanco. Está hemodinamicamente estável. Ao exame físico: hematoma em flanco esquerdo e dor à palpação profunda. Demais exames demonstram:


• Lab: hematúria microscópica.

• TC abdome com contraste (fase portal): laceração renal de 2,5 cm, sem extravasamento, hematoma perirrenal contido; sem outras lesões.


Com base nas diretrizes atuais de trauma geniturinário, qual é a conduta inicial mais adequada?


A

Indicar nefrectomia parcial, pois lacerações > 2 cm exigem cirurgia precoce.


B

Realizar angiografia com embolização seletiva, considerada de rotina em todo trauma renal, independente do grau.


C

Manejo não operatório com observação, monitorização seriada e repouso relativo.


D

Solicitar uretrocistografia, pois hematúria microscópica indica trauma uretral associado.


E

Transferência imediata para centro terciário, pois todo trauma renal requer equipe especializada em 24h.

Nas lesões traumáticas fechadas de nervos periféricos associadas a fraturas, a classificação de Seddon é fundamental para o prognóstico. Uma lesão caracterizada pela interrupção anatômica dos axônios e da bainha de mielina, porém com preservação do endoneuro (tubos endoneurais íntegros), permitindo a regeneração axonal espontânea e guiada com prognóstico favorável de recuperação funcional, é tecnicamente classificada como:


A

neurotmese.


B

neuropraxia.


C

axonotmese.


D

degeneração walleriana completa.


E

neuroma de amputação.

A avaliação metabólica em pacientes vítimas de trauma grave ou choque séptico utiliza marcadores de perfusão tecidual. Sobre a interpretação do lactato sérico e do déficit de base (Base Excess - BE) na ressuscitação, assinale a alternativa correta.


A

O déficit de base (Base Excess) é um indicador sensível da magnitude da acidose metabólica global e da dívida de oxigênio, sendo que valores de BE mais negativos que -6 mEq/L na admissão correlacionam-se fortemente com maior necessidade de transfusão maciça e mortalidade aumentada no trauma.


B

A alcalose metabólica pós-ressuscitação, evidenciada por um Base Excess positivo (> +2 mEq/L), é um sinal de mau prognóstico, indicando falência mitocondrial irreversível e incapacidade de utilizar oxigênio.


C

O lactato arterial reflete exclusivamente o metabolismo anaeróbio muscular esquelético, não sendo influenciado pela função hepática, o que o torna superior ao Base Excess para monitorar a ressuscitação em pacientes com cirrose hepática prévia.


D

A normalização da pressão arterial média e do débito urinário garante que o clareamento de lactato ocorreu, dispensando a coleta seriada de gasometrias nas primeiras 6 horas de ressuscitação.

Paciente idoso, vítima de queda de altura, chega ao pronto-socorro com dor torácica intensa e dispneia. A radiografia de tórax em PA mostra mediastino >8 cm, obliteração do contorno da aorta, desvio traqueal para direita e depressão do brônquio fonte esquerdo. Considerando o caso apresentado, qual é o diagnóstico mais provável?


A

Pneumotórax hipertensivo.


B

Ruptura de árvore traqueobrônquica.


C

Hemotórax maciço.


D

Contusão pulmonar.


E

Ruptura traumática de aorta.

Homem de 18 anos, vítima de acidente automobilístico de alta energia, chega ao pronto-socorro com os seguintes sinais vitais:


PA 60/40 mmHg

FC 148 bpm

SpO₂ 89%

Glasgow 8


Após intubação orotraqueal e reposição inicial com cristaloides, o paciente mantém instabilidade hemodinâmica.

Ultrassonografia FAST evidencia grande quantidade de líquido livre em espaço hepatorrenal e derrame pleural à direita.


Qual a conduta mais adequada?


A

Tomografia de corpo inteiro


B

Lavado peritoneal diagnóstico


C

Drenagem torácica seguida de laparotomia exploradora


D

Reposição volêmica e observação


E

Arteriografia com embolização hepática

Jovem de 17 anos é vítima de colisão motocicleta versus poste e é levado à sala de emergência com queixa de dor abdominal.


Sinais vitais:

PA 118/74 mmHg

FC 100 bpm

FR 22 irpm


Ao exame físico apresenta escoriação em flanco esquerdo e dor à palpação abdominal, sem sinais de irritação peritoneal.

Ultrassonografia FAST evidencia pequena quantidade de líquido livre em cavidade abdominal.


Qual a conduta mais adequada neste momento?


A

Laparotomia exploradora imediata


B

Lavado peritoneal diagnóstico


C

Tomografia computadorizada de abdome com contraste


D

Observação clínica e alta após analgesia


E

Repetir FAST após 6 horas

Um paciente com traumatismo cranioencefálico grave apresenta perda progressiva da autorregulação cerebral e desenvolveu ondas de pressão intracraniana durante a monitorização intracraniana. Com base nos princípios fisiológicos de perfusão cerebral e na doutrina de Monro-Kellie modificada, sobre os mecanismos compensatórios e os limites da autorregulação cerebral, é INCORRETO afirmar que:


A

A autorregulação cerebral é um mecanismo pelo qual grandes mudanças na pressão arterial sistêmica produzem pequenas mudanças no fluxo sanguíneo cerebral (CBF) em um amplo intervalo de pressão de perfusão cerebral (PPC), porém, em um paciente com TCE grave e perda de autorregulação, a relação entre PPC e CBF torna-se linear, aumentando o risco de isquemia se a PPC cair abaixo de 50-60 mmHg.


B

As ondas B de Lundberg (ondas de pressão com amplitude de 10-20 mmHg, durando 30 segundos a 2 minutos, variáveis com padrões de respiração periódica) refletem flutuações na compliance cerebral e são menos graves do que as ondas A de Lundberg (plateau waves), que alcançam elevações de PIC >50 mmHg por 5–20 minutos e geralmente estão associadas a aumento simultâneo da pressão arterial média.


C

Quando a PIC se eleva e a complacência cerebral diminui, os componentes venosos desaparecem do traçado de PIC e as pulsações arteriais tornam-se mais pronunciadas. Esse fenômeno ocorre porque, na curva de complacência progressivamente desfavorável, pequenos aumentos de volume intracraniano causam grandes aumentos de pressão, impedindo a transmissão efetiva das oscilações venosas.


D

A fórmula PPC = PAM – PIC é clinicamente útil, mas tecnicamente imprecisa, pois a pressão de interesse real é a pressão arterial média ao nível das carótidas (MCP), que pode ser aproximada pela PAM com o transdutor zerado ao nível do forame de Monro. Entretanto, essa fórmula não leva em consideração variações regionais da pressão intracraniana ou gradientes de pressão na cavidade intracraniana, que existem na prática clínica.


E

De acordo com as diretrizes de manejo de TCE grave, o alvo terapêutico recomendado para PPC é ≥80 mmHg para evitar isquemia cerebral, mesmo em pacientes com perda de autorregulação, e o uso agressivo de fluidos e vasopressores para atingir esse valor é preferível ao controle primário da PIC.

Paciente politraumatizado chega ao primeiro atendimento. Ao realizar o teste de força, foi encontrada uma força grau 3, que representa


A

ausência de contração muscular.


B

contração visível, movimentação ausente.


C

capacidade de mover, mas não de vencer a força da gravidade.


D

capacidade de vencer a força da gravidade, mas incapacidade de vencer resistência.


E

força normal.

Paciente alcoolizado, vítima de queda, levado à emergência por populares. Na avaliação, apresenta-se normotenso, com Glasgow 10 e pupilas isocóricas e fotorreagentes. Realizou tomografia computadorizada do crânio, sem alterações. A conduta correta diante do caso é:


A

Alta após observação breve.


B

Diagnosticar intoxicação alcoólica.


C

Intubação por TCE grave.


D

Alta com acompanhante.


E

Observação hospitalar seriada.

Paciente de 17 anos de idade, sexo masculino, sofreu acidente de bicicleta durante competição de Mountain Bike.

Na emergência, apresenta-se gemente, não responsivo às solicitações verbais, hipocorado 3+/4+, PA 82 x 37 mmHg, FC 135 bpm, FR 26 irpm, SatO2 78%. Na inspeção, observa-se colapso jugular bilateral, além de grande equimose com crepitação à compressão, sem enfisema subcutâneo, em parede torácica esquerda. Auscultas cardíaca evidenciou hipofonese, e ausculta respiratória evidenciou abolimento do murmúrio a esquerda além de macicez à percussão torácica. Discreta resposta a estímulos álgicos. Pupilas isocóricas e fotorreagentes.


A medida inicial a ser tomada é


A

toracotomia imediata, anterolateral esquerda no 6º EIC.


B

proceder com protocolo E-FAST e, se inconclusivo, tomografar.


C

toracostomia fechada com dreno tubular no 5º EIC, linha axilar média.


D

toracocentese de alívio com agulha de grosso calibre no 2º EIC na linha hemiclavicular anterior.


E

obtenção de via aérea definitiva por intubação orotraqueal, com proteção da coluna, associada a manobra de Sellick.

Durante atendimento de politrauma, há necessidade simultânea de via aérea, hemostasia e acesso vascular. A equipe é multiprofissional e inclui profissionais recém-chegados ao setor. Diante do exposto, a estratégia de trabalho em equipe que mais reduz risco de falhas e duplicidade de tarefas no atendimento imediato é:


A

Execução de tarefas em paralelo sem verbalização para reduzir ruído e acelerar o fluxo assistencial.


B

Comunicação por mensagens escritas em prontuário durante o atendimento, evitando interrupções verbais.


C

Definição de líder, distribuição clara de funções e comunicação em circuito fechado com confirmação das tarefas.


D

Solicitação de exames e procedimentos pela ordem de chegada dos profissionais, mantendo autonomia individual sem coordenação.


E

Discussão de todo o plano terapêutico ao final do atendimento inicial, para reduzir tempo gasto com comunicação.

No trauma cranioencefálico, a distinção clínica e radiológica entre Hematoma Epidural (Extradural) e Hematoma Subdural Agudo é vital. Assinale a alternativa correta.


A

O Hematoma Subdural Agudo tem formato de lente biconvexa e cruza as suturas cranianas, sendo causado pela ruptura de artérias cerebrais profundas em traumas de baixa energia em idosos.


B

O Hematoma Epidural é mais comum em idosos e alcoólatras devido à atrofia cerebral que tensiona as veias-ponte, enquanto o Subdural é típico de jovens com fratura de crânio.


C

O Hematoma Epidural resulta tipicamente da ruptura da artéria meníngea média, apresentando-se na tomografia como uma lesão hiperdensa biconvexa (em lente) que não cruza as suturas cranianas, podendo cursar com o "intervalo lúcido" clínico.


D

O intervalo lúcido (perda de consciência, melhora e nova piora) é patognomônico e exclusivo do Hematoma Subdural, nunca ocorrendo no Epidural devido à rapidez do sangramento arterial.

   
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