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Leia atentamente o seguinte trecho, da obra Teorias do Currículo, de Tomaz Tadeu da Silva:
Do ponto de vista mais crítico, as diferenças estão sendo constantemente produzidas e reproduzidas através de relações de poder. As diferenças não devem ser simplesmente respeitadas ou toleradas. Na medida em que elas estão sendo constantemente feitas e refeitas, o que se deve focalizar são precisamente as relações de poder que presidem à sua produção. Um currículo inspirado nessa concepção não se limitaria, pois, a ensinar a tolerância e o respeito, por mais desejável que isso possa parecer, mais insistiria, em vez disso, numa análise de processos pelos quais as diferenças são produzidas através de relações de assimetria e desigualdade. (SILVA, 2000, p. 91)
Sobre as concepções expressas no trecho sobre currículo, multiculturalismo e diferenças, podemos afirmar que:
O currículo multiculturalista apresentado pelo autor propõe que é necessário, exclusivamente, tolerar e respeitar as diferenças, já que é apenas por meio desta tolerância que é possível compreender os processos que produzem as diferenças.
Um currículo multiculturalista deve propor, por exemplo, ao discutir o racismo, apenas a eliminação de expressões linguísticas usadas comumente relacionadas ao tema.
As desigualdades e diferenças se restringem à sala de aula, ou seja, o multicultural permeia as relações existentes entre indivíduos que interagem na turma em questão.
Para o autor, as diferenças, mais do que respeitadas ou toleradas, devem ser tratadas segundo a perspectiva das relações de poder que estão na origem da produção de diferenças. Desse modo, as diferenças são sempre colocadas em questão.
O pensamento curricular ao longo da história da educação brasileira foi fortemente marcado pela linearidade das teorias sócio-filosóficas que embasaram as construções teóricas do pensamento burguês. Submissos e dependentes das teorizações europeias e, posteriormente, americanas, a elaboração curricular, no Brasil, apresentava um viés funcionalista.
Esse referencial marcou a produção no campo do currículo até a década de
A produção científica brasileira, no campo curricular, pode ser referendada por três construções teóricas principais:
I) A perspectiva pós-estruturalista, que inclui a análise das conexões entre os processos de seleção, organização e distribuição dos currículos escolares e a dinâmica de produção e reprodução da sociedade capitalista.
II) O currículo em rede, que trabalha os contextos cotidianos como espaços de tessitura do conhecimento. Em cada um destes contextos, os sujeitos tecem cotidianamente seus conhecimentos, a partir das múltiplas redes a que pertencem.
III) A perspectiva histórica do currículo e a constituição do currículo escolar. Os trabalhos em história do currículo desse grupo encaminham-se em duas linhas principais: o estudo do pensamento curricular brasileiro e o estudo das disciplinas escolares.
Está (ão) CORRETA(s) a(s) afirmativa(s):
As teorias críticas do currículo efetuam uma completa inversão nos fundamentos das teorias tradicionais. Acerca desse tema, analise as assertivas abaixo e marque (V) para Verdadeiro e (F) para Falso.
( ) Ao tomar o status quo como referência, as teorias críticas se concentram na organização e elaboração do currículo.
( ) As teorias críticas colocam em questão os pressupostos dos presentes arranjos sociais e educacionais.
( ) As teorias críticas consideram importante desenvolver técnicas de como fazer o currículo.
( ) As teorias críticas consideram o status quo como responsável pelas desigualdades e injustiças sociais.
A sequência CORRETA, de cima para baixo é:
V, F, V, F;
V, F, V, V;
F, V, F, V;
F, V, F, F.
As três grandes categorias de teorias do currículo, de acordo com Silva, são: Teorias Tradicionais, Críticas e Pós-Críticas. Embora enfatizem conceitos diferentes, todas buscam o conhecimento que deve ser selecionado de um universo mais amplo. Tal seleção está atrelada a uma questão precedente: o que a pessoa deve se tornar ao vivenciar este ou aquele currículo. Nessa perspectiva, pode-se concluir corretamente que, além de uma questão de conhecimento, o currículo escolar é também uma questão, sobretudo, de
planejamento e organização da escola.
competência do educador.
métodos de ensino.
identidade ou de subjetividade.
formas de avaliação escolar.
Nas últimas décadas, foram produzidas críticas vigorosas à concepção tradicional do currículo escolar. O currículo foi desmistificado, sendo colocado em uma moldura mais ampla, tendo em vista seus fundamentos sociais, históricos e suas implicações na construção das identidades sociais. Segundo as denominadas teorias críticas, o currículo está relacionado às relações de poder e à reprodução das desigualdades na sociedade capitalista. Nessa perspectiva, pode-se compreender o currículo como conhecimento:
universal, que deve ser ensinado;
neutro, que contribui para a cultura dos povos;
seletivo, que transmite visões de mundo;
técnico, que reúne conteúdos e métodos;
profissional, transmitido pela escola.
A organização curricular caracteriza-se pela segmentação do conhecimento em áreas e disciplinas autônomas e pela divisão entre tomada de consciência e ação.
“Apesar de reconhecer a forma integrada como um curso único, com matrícula e conclusão únicas, [...] considera que os conteúdos do ensino médio e os da educação profissional de nível técnico são de “naturezas diversas”. Reestabelece- se, assim, internamente ao currículo, uma dicotomia entre as concepções educacionais de uma formação para a cidadania e outra para o mundo do trabalho, ou de um tipo de formação para o trabalho intelectual e de outro tipo para o trabalho técnico e profissional.” (FRIGOTTO et al, 2005) Com base na citação acima, assinale uma consequência desta política:
em razão disto, no currículo integrado o conhecimento é só geral, posto que estrutura objetivos de produção.
em razão disto, no currículo integrado o conhecimento é só específico, posto que estrutura objetivos de produção.
dá continuidade à política curricular marcada pela ênfase no individualismo e na formação por competências voltadas para a empregabilidade.
um conceito específico, por sua vez, configura-se pela apropriação de um conceito geral com finalidades restritas a objetos, problemas ou situações de interesse produtivo.
no currículo que integra formação geral, técnica e política, o estatuto de conhecimento geral de um conceito está no seu enraizamento nas ciências como leis gerais que explicam fenômenos.
Assinale a alternativa que explica a seguinte afirmação:
A transição do paradigma taylorista/fordista para o novo paradigma técnico econômico traz uma nova concepção de formação profissional. Os currículos passam a serem concebidos sob o modelo de competência.
Em um currículo em rede, a construção do conhecimento se dá a partir de quê?
Das práticas interdisciplinares vivenciadas pelos estudantes.
Dos valores humanos, respeitando as especificidades das ciências.
dois componentes.
um componente.
cinco componentes.
seis componentes.
Quais os elementos característicos quanto à forma de elaboração de um currículo em rede?
Elaboração a partir das relações entre os atores da prática social no cotidiano e na sala de aula.
Elaboração pelos professores de cada disciplina e pela equipe técnica, a partir de estudos teóricos dos quais os conteúdos são selecionados.
Elaboração por equipes interdisciplinares que trazem da sala de aula as expressões de subjetividade e das culturas a serem discutidas.
Elaboração por especialistas dos diversos componentes curriculares, partilhada pela equipe de professores em encontros periódicos.
Paulo Freire desenvolveu o conceito de consciência transitiva crítica articulada com a práxis, desafiadora e transformadora por meio do diálogo.
As teorias da dependência e da modernização tiveram forte influência na educação brasileira nas décadas de 60 e de 70. A primeira, reforçando as análises reprodutivistas e a segunda, revelando-se extremamente conservadora.
“O currículo há muito tempo deixou de ser apenas uma área meramente técnica, voltada para questões relativas a procedimentos, técnicas, métodos... O currículo não é um elemento inocente e neutro de transmissão desinteressada de conhecimento social, não é um elemento transcendente e atemporal – ele tem uma história.”
(Antonio Flávio Barbosa Moreira e Tomaz Tadeu da Silva)
Em seu artigo Sociologia e Teoria Crítica do Currículo, os autores afirmam que, se existe uma noção central à teorização educacional e curricular crítica, essa é a noção de:
realidade
sociedade
poder
cultura
Questão do poder.
Questão de conceitos.
Questão de organização.
Questão de escolha de conteúdos.
As crianças de origem africana precisam de um "ensino culturalmente relevante", para que tenham sucesso na escola, pois, em geral, com a aprendizagem da linguagem escrita vem a desqualificação de sua cultura e a imposição da cultura branca.
As tendências do currículo visto como política cultural enfatizam a ação coletiva fundada na
aquisição dos conhecimentos e habilidades necessárias ao desenvolvimento cultural humano.
aceitação do déficit cultural existente em alunos das camadas mais pobres da população.
inclusão dos saberes universais visando a superação da deficiência cultural africana.
compreensão cultural, na experiência e nos caminhos para o conhecimento do mundo.
obtenção do conhecimento oficial como direito de todos.
Para as teorias críticas do currículo, não só fora da escola encontramos as causas das dificuldades e insucessos dos alunos nos estudos. A escola também é responsável pela produção de fracassos, na medida em que seleciona conteúdos e/ou atividades que permitem a
Escolha a alternativa certa.
Tomaz Tadeu da Silva (2000, p. 150) afirma que depois das teorias críticas e pós-críticas não podemos mais olhar para o currículo com a mesma ingenuidade de antes.
Ambas as teorias nos ensinaram, de diferentes formas, que o currículo é:
uma questão eminentemente técnica, voltada para questões relacionadas a procedimentos e métodos.
uma questão relacionada a transmissão de conhecimentos universalmente válidos/legítimos.
uma questão relacionada ao "como" selecionar objetivos, conteúdos e práticas escolares.
uma questão de saber, identidade e poder.