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Questões de Concurso sobre Sociologia (Ciências Sociais)

 
 
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Há mais sociologia em Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, do que no Censo de Minas Gerais, de 1950. O Censo quantifica o que o senso comum já sabe. Reduz o todo ao tempo do atual, aplaina discrepâncias, harmoniza curvas estatísticas... Já Rosa decifra os mistérios do viver dividido, expõe os avessos da sociedade, desconstrói as harmonias censitárias...


José de Souza Martins. O artesanato intelectual.

In: Revista Brasileira de Sociologia, v. 1, n.º 2, jul./dez./2013 (com adaptações).


O saber sociológico é um saber científico, mas também é produto de um artesanato intelectual. Resultado de um conjunto de movimentos intelectuais que se iniciam no século XVI e persistem até o século XVIII, a sociologia, que nasce como forma de explicação da sociedade capitalista, é também uma arte.


A partir dos trechos precedentes, é correto afirmar que a sociologia


A

consolidou-se como campo científico a partir dos princípios do Renascimento italiano, sem qualquer influência do Romantismo.


B

como ciência racional, constitui-se, ao longo de sua história, como um instrumento a serviço dos interesses dominantes.


C

assenta sua base científica na pesquisa quantitativa e censitária, o que a torna uma ciência moderna por excelência.


D

propõe-se não só como conhecimento apoiado na observação objetiva, mas também como criação dos meios da observação em função da dinâmica do objeto.


E

é considerada uma forma de arte quando atende a um caráter objetivista e convencional, pautado no senso comum.

Assinale a opção correta, com base na concepção teórica de Karl Marx e Max Weber, a respeito de classes, estratificação e desigualdade sociais.


A

Segundo Marx, a sociedade capitalista representa o ápice da igualdade social, já que permite a eliminação de todas as formas de exploração social.


B

Weber amplia a concepção marxista de classes sociais e defende a existência de uma relação econômica determinante na sociedade capitalista.


C

A afirmação de Marx de que a estratificação social é homogênea elimina qualquer possibilidade de consonância entre suas análises e o pensamento weberiano.


D

Os referidos teóricos apresentam abordagens similares no que diz respeito ao conceito de desigualdade social.


E

Weber estrutura sua análise da estratificação social em uma perspectiva multidimensional, articulada em três eixos: a classe (dimensão econômica); o status (prestígio social); e o partido ou poder (capacidade de influência política).

A literatura e relatórios de pesquisa costumam definir a geração Z como aqueles nascidos, aproximadamente, entre 1997 e 2012. Sobre esse assunto, assinale a alternativa INCORRETA.


A

A geração Z é caracterizada por uma socialização profundamente mediada por tecnologias digitais, com forte presença de smartphones, redes sociais, algoritmos e comunicação instantânea desde a infância.


B

A geração Z demonstra elevada valorização de construção de carreira e estabilidade institucional, reproduzindo expectativas semelhantes às da geração Y.


C

A geração Z apresenta maior familiaridade com linguagens visuais, comunicação fragmentada e múltiplas plataformas, o que influencia seus modos de aprendizagem, sociabilidade e construção identitária.


D

A geração Z tende a manifestar maior preocupação com saúde mental, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e coerência ética das instituições com as quais se relaciona.


E

A geração Z se desenvolveu em um contexto de instabilidade econômica e crise ambiental já naturalizadas, o que contribui para posturas mais pragmáticas em relação ao trabalho, ao consumo e ao futuro.

“De qualquer modo o certo é que os portugueses triunfaram onde outros europeus falharam: de formação portuguesa é a primeira sociedade moderna constituída nos trópicos com características nacionais e qualidades de permanência. Qualidades que no Brasil madrugaram, em vez de se retardarem como nas possessões tropicais de ingleses, franceses e holandeses” (Freyre, 2006, p.86).


Avalie as características que se afirmam ser atribuídas por Gilberto Freyre na obra Casa-grande & senzala ao colonizador português para explicar o êxito na conquista e domínio dos portugueses sobre os povos tropicais.


I- Mobilidade.

II- Miscibilidade.

III- Cordialidade.

IV- Miscigenação.

V- Personalismo.


Está correto apenas o que se afirma em


A

I e III.


B

II e V.


C

I, II e IV.


D

II, III e V.


E

I, III e IV.

Lilia Schwarcz (1993) demonstra como o Brasil do final do século XIX e início do século XX foi interpretado por pensadores e cientistas sociais como um espaço de experimentação social e biológica da miscigenação entre raças europeias, africanas e indígenas.


Avalie o que se afirma serem argumentos apresentados por Schwarcz sobre o que as elites intelectuais brasileiras teriam feito.


I- Desvalorizado a miscigenação como elemento integrador, por isso ela foi interpretada dentro de uma lógica hierárquica que atribuía inferioridade a determinados grupos raciais.

II- Rejeitado totalmente a miscigenação, defendendo a segregação absoluta das populações europeias, africanas e indígenas.

III- Adaptado seletivamente teorias raciais europeias e norte-americanas às condições locais, articulando-as ao projeto de modernização e à construção de uma identidade nacional.

IV- Importado integralmente as teorias raciais europeias e norte-americanas, aplicando-as de modo homogêneo e sem adaptações ao contexto nacional.

V- Promovido a centralidade do discurso científico no debate racial, o que teria decorrido do fato de que a ciência conferia legitimidade simbólica e intelectual a projetos políticos e sociais excludentes.


Está correto apenas o que se afirma em


A

I e III.


B

II e V.


C

III e V.


D

II e IV.


E

I, II e IV.

Durante as eleições de 2022, circulou intensamente nas redes sociais um vídeo editado que mostrava supostos “invasores” de propriedades rurais portando armas, gerando grande comoção e pedidos por intervenção policial. Posteriormente, verificou-se que as imagens eram de anos anteriores e fora de contexto.


SANTOS, João Vitor T.; IZUMINO, E. Mídia e violência: novas tendências na cobertura da criminalidade. São Paulo: Hucitec, 2015. p. 89-112. COHEN, Stanley. Folk Devils and Moral Panics: The Creation of the Mods and Rockers. 3. ed. London: Routledge, 2002.


Analisando este fenômeno a partir de uma perspectiva sociológica que investiga a relação entre comunicação, desvio e ordem social, é possível afirmar que tal caso ilustra principalmente:


A

A operação de um modelo informativo voltado à apresentação factual e desapaixonada de eventos, em que a imparcialidade é mantida mesmo em contextos de alta polarização política.


B

A potencialização da vigilância social horizontal, nas quais as tecnologias digitais conferem aos cidadãos uma ferramenta eficaz para o monitoramento coletivo e a denúncia de ilegalidades.


C

A consolidação de um ecossistema comunicacional que privilegia o fornecimento de dados verificados e contextualizados, essenciais para o debate democrático sobre temas estruturais complexos.


D

A produção e circulação estratégica de uma narrativa espetacularizada sobre o crime, que simplifica conflitos sociais, amplifica percepções de risco e gera pressão por respostas punitivas imediatas.


E

O desempenho de uma função social educativa por parte dos meios de comunicação, que utilizam casos concretos para ilustrar consequências legais e dissuadir potenciais infrações.

“Acontece que esse adolescente, esse jovem, adentra a escola com a sua forma de ser, de se vestir, de pensar, de falar, e quando ele chega na escola, isso é negado, pois existe uma cultura escolar que é muito engessada, que não é maleável na aceitação do cotidiano desse jovem e não está acostumada, não está preparada. Os professores não estão preparados. Os adultos, em geral, não estão preparados para receber essa juventude que pensa, que age de forma diferente ao esperado, ao que eles aprenderam, ao que eles querem ensinar. Então, diante disso, evidentemente que há muitas contradições, muitas brigas, o que não obrigatoriamente leva à violência dura, mas leva às violências do cotidiano, às microviolências, às violências institucionais. A violência dura acontece quando todas essas outras violências do cotidiano chegam a um nível onde se usa ou arma ou faca. O que é a violência dura? A violência dura está no código penal, a violência dura é aquilo que não acontece, cotidianamente na escola”.]


ABRAMOVAY, Miriam. Entrevista. In. Dialogia. Violências na Escola, sob o Olhar de Miriam Abramovay. São Paulo, n. 32, p. 4-9, maio/ago. 2019. p. 3-4.


A partir das discussões sobre violências no âmbito escolar, marque a alternativa CORRETA:


A

A violência escolar é fenômeno autônomo, desvinculado das relações sociais externas à escola.


B

A criminalidade no espaço escolar reflete, exclusivamente, falhas na gestão pedagógica.


C

A escola reproduz, de forma neutra, as dinâmicas sociais, sem possibilidade de transformação.


D

As práticas escolares podem tanto reproduzir quanto atenuar as situações de violência.


E

A violência na escola é resultado direto da indisciplina individual dos estudantes.

Relatórios do IPEA (2023) apontam o crescimento de movimentos sociais que reivindicam memória histórica e reparação simbólica em relação a grupos marginalizados, como povos indígenas e comunidades quilombolas. Esses movimentos contestam narrativas oficiais que silenciam experiências históricas de violência e resistência, transformando a forma como o passado é lembrado em um campo de disputa simbólica (IPEA, 2023).


IPEA. Memória, reparação e justiça histórica no Brasil. Brasília: IPEA, 2023. Disponível em: https://www.ipea.gov.br/publicacoes. Acesso em: 03 fev. 2026.


Uma análise sociológica fundamentada no conceito de memória coletiva interpretaria esse fenômeno como resultado de um processo em que:


A

A lembrança social emerge de um consenso orgânico sobre os fatos fundamentais, servindo primariamente à integração pacífica do corpo social em torno de uma história compartilhada.


B

A significação do passado constitui um campo de luta, cujas narrativas concorrentes buscam estabelecer legitimidade e orientar as percepções coletivas sobre justiça e identidade no presente.


C

A sociedade elabora, ao longo do tempo, uma versão reconciliada dos eventos históricos, cujos antagonismos são superados pela ênfase em valores universais e na continuidade nacional.


D

A preservação da memória opera como um mecanismo institucional de estabilização, no qual conflitos são arquivados e neutralizados por meio de rituais e discursos oficiais predefinidos.


E

O registro do passado forma um patrimônio simbólico autônomo, cuja autoridade decorre de sua fidelidade documental e distanciamento crítico das paixões políticas contemporâneas.

No contexto das teorias étnico-raciais, o Sociólogo Florestan Fernandes destacou-se por apresentar de forma crítica as contradições e incoerências no processo global de modernização no Brasil, acentuada na cidade de São Paulo, sobretudo, no que tange à população negra. “A rápida transformação urbana, ocorrida entre o final do século XIX e o começo do século XX, impossibilitou a inserção do negro [...] no estilo urbano de vida, por não possuir recursos para enfrentar a concorrência dos imigrantes. [...] a heteronomia presente na “situação de castas” impediu aos negros assimilar as potencialidades oferecidas pela “situação de classes”.


ARRUDA, Maria Arminda do Nascimento. Vocação Científica e Compromisso de Vida. In: BOTELHO, André; SCHWARCZ, Lilian Moritz. Um enigma chamado Brasil: 29 intérpretes e um país. São Paulo, Companhia das letras, 2009, p. 317.


Considerando o enunciado acima, podemos inferir que:


A

No processo, se estabelece uma convivência harmônica entre brancos, negros e indígenas no Brasil, como observou Florestan Fernandes.


B

Florestan Fernandes foi o primeiro a adotar uma perspectiva weberiana para analisar a formação da sociedade brasileira, em detrimento da análise marxista e das questões raciais inerentes ao contexto brasileiro.


C

Florestan Fernandes utilizou o marxismo para analisar a relação entre raça e classe social, destacando que o componente racial torna o negro ainda mais prejudicado no Brasil. Apesar desse importante diagnóstico social, sua teoria pouco influenciou o movimento social negro no Brasil, com forte influência de intelectuais norte-americanos.


D

Entre as décadas de 50 e 60, Florestan Fernandes influenciou bastante a sociologia brasileira, consolidando, em parceria com Gilberto Freyre, a ideia de uma democracia racial no Brasil.


E

Resulta desse processo o “desajustamento estrutural”, e a “desorganização social”, típicas da condição dos descendentes dos africanos, relegados a viver um estado de marginalidade social. Esse contexto se revela nas desigualdades de condições e de oportunidades para a população negra no Brasil. Um racismo disfarçado, escamoteado pelas relações sociais.

A igualdade é julgada comparando-se algum aspecto específico de uma pessoa (tal como a renda, ou riqueza, ou felicidade, ou liberdade, ou oportunidades, ou direitos, ou satisfação de necessidades) com o mesmo aspecto de outra pessoa. Por isso o julgamento e a medição da desigualdade são completamente dependentes da escolha da variável (renda, riqueza, felicidade etc.) em cujos termos são feitas as comparações. Eu a denominarei "variável focal"- a variável que a análise focaliza ao comparar pessoas diferentes.


SEN, Amartya. Desigualdade reexaminada. Rio de Janeiro, Record: 2001).


Considerando o pensamento de Amartya Sen sobre desigualdade, assinale a alternativa INCORRETA.


A

O autor argumenta que a igualdade não é um conceito absoluto ou único na história das sociedades.


B

O autor enfatiza que uma situação de igualdade a partir de uma variável (renda) pode coexistir com uma situação de grande desigualdade em outra variável (capacidades físicas ou de saúde).


C

Para o autor a desigualdade não é um fato único a ser medido, mas uma construção analítica cuja compreensão muda drasticamente dependendo da variável que escolhemos focar.


D

O autor propõe uma categoria analítica da desigualdade baseada na triangulação assimétrica das relações econômicas, sociais e culturais.


E

O autor defende o foco na "abordagem das capacidades" (o que as pessoas podem fazer ou ser), em vez de apenas nos recursos que possuem para compreender as desigualdades.

A partir dos anos 2000, ganhou força no Brasil um modelo de gestão escolar inspirado no setor privado: as metas de aprendizagem são definidas com base em índices como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB); os bônus para professores são atrelados ao desempenho dos alunos nas provas; escolas são ranqueadas em listas públicas; e conglomerados educacionais privados passam a administrar unidades públicas por meio de parcerias. Para um conjunto de sociólogos críticos, essa não é apenas uma mudança administrativa, mas a expressão de uma lógica mais profunda que transforma a educação, antes pensada como direito social e formação cidadã, em uma commodity regulada pela lógica do mercado.


BALL, Stephen J. Educação global S.A.: novas redes políticas e o imaginário neoliberal. Tradução de Janete Bridon. Petrópolis: Vozes, 2022.


A interpretação sociológica que melhor explica a transformação descrita é a que identifica a operação de um paradigma que:


A

Prioriza a horizontalidade decisória e a emancipação dos sujeitos educativos da tutela estatal, promovendo a soberania pedagógica das comunidades locais.


B

Fortalece o planejamento centralizado e a uniformização curricular como instrumentos para assegurar a igualdade de acesso a um padrão nacional de conhecimentos.


C

Naturaliza a concorrência e a racionalidade mercantil como princípios organizadores, redefinindo a educação como um serviço mensurável e submetido à lógica do desempenho e da competitividade.


D

Busca otimizar a administração pública mediante a aplicação de critérios técnicos universalistas, hierarquia funcional e procedimentos padronizados de avaliação.


E

Funda a política educacional em métricas quantitativas e na crença de que a observação neutra dos dados pode orientar cientificamente a superação dos problemas de aprendizagem.

A relação indivíduo e sociedade é uma questão axial para discussão sociológica. Nessa direção, analise as assertivas a seguir e marque a alternativa CORRETA, com base nos autores clássicos da sociologia.


I. Émile Durkheim afirma que o coletivo sempre prevalece sobre o indivíduo. As leis e as regras construídas coletivamente formatam o indivíduo, garantindo integração e maior coesão entre os membros da sociedade;

II. A preocupação central da sociologia de Max Weber é compreender o indivíduo e suas ações sociais. A sociedade existe concretamente, mas não é algo externo e acima das pessoas;

III. Segundo Karl Marx, são as condições materiais de existência que determinam a realidade social, se contrapondo ao idealismo alemão de Hegel. Não é, portanto, a consciência dos homens que lhes determina a realidade objetiva, mas ao contrário, a realidade social é que lhes determina a consciência;

IV. Para Karl Marx existem condicionamentos estruturais que levam o indivíduo, os grupos e as classes para determinados caminhos, em razão do modo de produção da vida material. Ademais, apesar de reconhecer a força desses condicionamentos estruturais, o autor aponta caminhos e possibilidades de transformação social.


Estão CORRETAS as assertivas:


A

I, II e III, apenas.


B

I e II, apenas.


C

I, II e IV, apenas.


D

II, III e IV, apenas.


E

Todos as assertivas estão corretas.

Beatriz Nascimento definiu o racismo brasileiro como “um emaranhado de Sutilezas". Para a historiadora e intelectual negra, o fenômeno e suas consequências não podem ser estudados apenas na externalidade, mas também nos impactos da corporeidade e da subjetividade dos sujeitos oprimidos, ou seja, “o racismo é uma experiência que retira o sujeito de si mesmo”.


NASCIMENTO, Beatriz. Uma história feita por mãos negras: relações raciais, quilombos e movimentos Rio de Janeiro: Zahar, 2021)


Assinale a alternativa que mantem CORRETA relação com o pensamento da autora:


A

O racismo é uma ideologia que atravessa o tempo desconectado do desenvolvimento e das transformações históricas da sociedade brasileira.


B

O racismo é modelo que permanece sutil em microagressões cotidianas, e que por isso suavizou as formas de violência em sua essência.


C

O racismo também se manifesta nos corpos - como território de disputa: corpos negros são constantemente vigiados, hipersexualizados ou invisibilizados.


D

O perfilamento racial (abordagem policial baseada no fenótipo) revela a superação do racismo estético e da desigualdade no acesso a espaços de poder.


E

O emaranhado de sutilezas é o que permite combater a alienação gerada pelo racismo, onde o sujeito oprimido é forçado a internalizar estereótipos, duvidar de si mesmo ou se moldar aos padrões brancos para ser aceito.

"A sociedade não foi simplesmente um modelo segundo o qual o pensamento classificador teria trabalhado; foram seus próprios quadros que serviram de quadros ao sistema. As primeiras categorias lógicas foram categorias sociais; as primeiras classes de coisas foram classes de homens nas quais tais classes foram integradas. Foi porque os homens estavam agrupados e viam-se em pensamento em forma de grupos que agruparam idealmente os outros seres, e as duas maneiras de agrupamento começaram a confundir-se a ponto de tornar-se indistintas. Pensava-se que as coisas faziam parte integrante da sociedade e foi seu lugar na sociedade que determinou seu lugar na natureza" (Durkheim; Mauss, 2001, p. 450-451).


A partir da tradição durkheimiana, os processos de classificação, ordenação e produção de esquemas cumprem funções para a realização e manutenção da vida em sociedade, fornecendo as bases teórico-metodológicas da escola sociológica funcionalista. Marque a alternativa que melhor descreve o processo de estruturação e manutenção da vida em sociedade a partir dessa tradição funciona lista:


DURKHEIM, Émile; MAUSS, Marcel. Algumas formas primitivas de classificação. ln: MAUSS, M. (org.). Ensaios de Sociologia. São Paulo: Perspectiva, 2001 . p. 399-455.


A

As hierarquias sociais determinam as hierarquias lógicas de pensamento, pelo qual são estruturados ritos, práticas, crenças etc., e assim é assegurada a manutenção da vida social pela reprodução de suas funções.


B

As classificações lógicas de pensamento modelam o tipo de sociedade passível de realização e estruturam as hierarquias e funções sociais que garantirão a reprodução da vida social.


C

Rituais, cultos e práticas coletivas reafirmam as funções sociais e a superioridade da coletividade, fortalecendo os laços sociais estruturados pelas classificações lógicas de pensamento (essas, resultantes das primeiras interações humanas com a natureza).


D

As diversas formas como são organizadas as comunidades e a produção classificatória que permite a manutenção da vida social refletem o conjunto das produções materiais resultantes do trabalho sobre a natureza.


E

As hierarquias lógicas de pensamento e as hierarquias sociais decorrem de um complexo processo de estratificação social, calcado em conflitos orientadores das relações de dominação social que legitimam práticas e rituais classificadores.

Em sua reflexão acerca das formas de estratificação social da sociedade brasileira, sobretudo ao longo do século XX, conforme indicado em dois dos textos 14A1-I, Lélia Gonzalez defende que


A

a imigração europeia dos colonos foi o fator de impedimento da igualdade social no Brasil.


B

as formas de produção material existentes no Brasil se originam de seu contexto feudal, que estruturou a relação entre casa grande e senzala.


C

as desigualdades sociais presentes na sociedade brasileira devem ser compreendidas à luz da exploração da população negra.


D

tal estratificação seguiu uma lógica linear e comum que acompanha a dos países colonizadores.


E

a classe trabalhadora no Brasil se organizou de forma subordinada em relação ao contexto de origem do capitalismo na Inglaterra.

Ao propor a consolidação da sociologia como ciência autônoma, Émile Durkheim estabelece não apenas um objeto específico, mas também um modo rigoroso de investigação. Ao afirmar que os fatos sociais devem ser tratados como "coisas", o autor busca afastar explicações baseadas em impressões subjetivas, enfatizando a necessidade de análise objetiva, externa ao indivíduo e orientada por regularidades observáveis. Considerando essa formulação teórica e suas implicações metodológicas, assinale a alternativa correta:


A

Fatos sociais são construções psicológicas internas que exigem interpretação fenomenológica baseada em experiências individuais e subjetivas.


B

Fatos sociais devem ser tratados como coisas, possuindo exterioridade, coercitividade e objetividade independentes das consciências individuais.


C

Fatos sociais explicam-se pelas intenções subjetivas dos indivíduos, devendo ser analisados a partir de significados atribuídos pelos atores sociais.


D

Fatos sociais correspondem a ações voluntárias livres que dispensam a análise das estruturas sociais externas, coercitivas e objetivas.


E

Fatos sociais resultam de interações simbólicas cotidianas, sendo compreendidos exclusivamente a partir de análise microssociológica interpretativa.

Ao formular a chamada lei dos três estados, Auguste Comte buscou explicar o desenvolvimento histórico das formas de conhecimento humano. Segundo essa perspectiva, a humanidade progride intelectualmente ao abandonar explicações baseadas em forças sobrenaturais ou entidades abstratas, passando a compreender a realidade por meio da observação e da formulação de leis científicas. Com base nessa interpretação, assinale a alternativa correta:


A

A lei dos três estados afirma a inexistência do progresso histórico do conhecimento humano, mantendo formas de explicação sempre idênticas.


B

A lei dos três estados defende a superioridade permanente das explicações religiosas sobre o conhecimento científico, racional, moderno e contemporâneo.


C

A lei dos três estados explica a evolução do pensamento humano, passando pelas fases teológica, metafísica e científica positiva.


D

A lei dos três estados rejeita a ciência como forma de conhecimento válido, privilegiando explicações baseadas em crenças tradicionais.


E

A lei dos três estados propõe a simultaneidade das explicações religiosas, filosóficas e científicas, sem ordem de desenvolvimento histórico definido.

A segurança pública envolve não apenas ações repressivas, mas também estratégias preventivas voltadas à redução da violência. Políticas integradas podem incluir educação, inclusão social e uso de tecnologias, além da atuação das forças de segurança. Nesse contexto, a prevenção é considerada elemento central para resultados mais duradouros. Considerando esse cenário, qual ação está associada à prevenção da violência?


A

A centralização das ações apenas no sistema prisional.


B

A eliminação de programas sociais em áreas de alto risco social.


C

A implementação de políticas sociais integradas e ações educativas.


D

A atuação exclusiva das forças policiais em ações repressivas.

A análise das desigualdades sociais no Brasil envolve a compreensão de fatores históricos, econômicos e estruturais que influenciam o acesso a oportunidades. Indicadores como renda, escolaridade e acesso a serviços públicos revelam diferenças significativas entre grupos sociais. Nesse contexto, políticas públicas buscam reduzir essas disparidades por meio de ações integradas. Considerando essa realidade, qual estratégia contribui de forma eficaz para a redução das desigualdades sociais?


A

A focalização de políticas sociais apenas em grupos de extrema pobreza.


B

A ampliação de programas de transferência de renda sem integração com outras políticas.


C

A expansão do crescimento econômico com base em setores estratégicos.


D

A ampliação do acesso à educação, renda e serviços públicos essenciais.

Ao se envolver em um acidente de trânsito, um indivíduo ataca o outro envolvido com xingamentos e ameaças, agindo por impulso e com descontrole emocional instantâneo. De acordo com a teoria de Max Weber, essa conduta pode ser classificada, sobretudo, como uma ação


A

social afetiva.


B

social racional com relação a fins.


C

tradicional.


D

com fins.


E

social orientada por valores.

 
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