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A crescente intelectualização e racionalização não indicam um conhecimento maior e geral das condições sob as quais vivemos. Significa a crença em que, se quiséssemos, poderíamos ter esse conhecimento a qualquer momento. Não há forças misteriosas incalculáveis; podemos dominar todas as coisas pelo cálculo.
WEBER, M. A ciência como vocação. In: GERTH, H.; MILLS, W. (Org.). Max Weber: ensaios de sociologia. Rio de Janeiro: Zahar, 1979 (adaptado).
Tal como apresentada no texto, a proposição de Max Weber a respeito do processo de desencantamento do mundo evidencia o(a)
progresso civilizatório como decorrência da expansão do industrialismo.
extinção do pensamento mítico como um desdobramento do capitalismo.
emancipação como consequência do processo de racionalização da vida.
afastamento de crenças tradicionais como uma característica da modernidade.
fim do monoteísmo como condição para a consolidação da ciência.
O Pensamento Clássico da Sociologia passa pela Ordem Social, pelo Materialismo Dialético e pela conhecida obra Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo.
Acerca do trabalho Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, de Max Weber, assinale a opção correta.
Desde o início, o trabalho de pesquisa de Max Weber, Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, foi idealizado como um livro inteiro para debater o papel do protestantismo na ascensão do capitalismo no norte da Europa, tema este que foi o foco integral dos seus estudos.
Na primeira parte do livro, Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, Weber busca as raízes religiosas dessa forma de ação e à análise do "Conceito de vocação em Lutero". Analisando a tradução que Lutero fez da Bíblia e do termo "profissão" ou "vocação" (em alemão Beruf) ele diz estar aí presente uma ideia nova: a de uma missão dada por Deus. Weber rejeita a perspectiva de Lutero na origem do espírito do capitalismo ao se recusar a levar a ascese dos monges para a prática cotidiana. Dessa forma, Weber afirma que Lutero separa valores religiosos e trabalho.
As consequências econômico-sociais de todo esse processo são analisadas no último capítulo chamado de "Ascese e capitalismo". Neste capítulo Weber demonstra como essas crenças religiosas modificaram a visão religiosa que se tinha da riqueza, dando ênfase à visão crítica da riqueza no catolicismo. A riqueza passa a ser um fim em si mesma, uma consequência para os eleitos, da escolha feita por Deus. Não apenas a riqueza passa a ser vista de forma positiva, mas igualmente seu desfrute, como a dedicação ao esporte, às artes e outras atividades alternativas ao trabalho para usufruir da seleção por Deus. O consumo legitimo de bens materiais "consumismo" passa a ser uma consequência direta dessa perspectiva.
Na segunda parte do livro "Os fundamentos religiosos da ascese intramundana", Weber analisa os principais ramos do protestantismo posteriores a Lutero, o que Weber denominou de "protestantismo ascético" ou "puritanismo". De um lado estão as seitas que aceitam a tese da predestinação (segundo a doutrina de João Calvino. Nessa perspectiva, Deus escolhe quem será salvo, independente dos méritos e conhecimentos dos indivíduos), como é o caso do calvinismo, do pietismo e do metodismo. Um segundo portador importante do puritanismo são os grupos anabatistas que apregoam a necessidade de separar puros e impuros e, por isso, rebatizar todos os cristãos adultos. Em ambos os casos o indivíduo tinha que provar sua qualificação religiosa com base no trabalho árduo, sério, honesto e disciplinado.
Max Weber, com sua obra Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, do ponto de vista histórico, pode ser considerado como o primeiro a sugerir uma ligação entre ideias protestantes e práticas econômicas.
Weber tentou indagar em que medida as convicções religiosas influenciam o comportamento econômico nas diferentes sociedades. Assim, a conduta dos homens nas diversas sociedades só pode ser compreendida dentro de um contexto mais geral da própria existência. Considerando as proposições do autor sobre a religião, é correto afirmar que:
a ética protestante se ligaria à concepção luterana do trabalho.
ao relacionar religião e trabalho, Weber chegou à elaboração da teoria da burocracia, que seria típica das sociedades ocidentais.
a organização racional das empresas, típicas da burocracia, só seria possível mediante, no contexto do capitalismo, com a unificação entre a família e a empresa, que dominaria a vida econômica moderna.
Weber se perguntou em que proporção ou medida uma atitude particular em relação ao trabalho teria sido o traço distintivo, presente no Ocidente e inexistente em relação a outras regiões, capaz de explicar a singularidade da história no Ocidente.
a explicação do trabalho e da religião relaciona-se com a moral da responsabilidade e com a moral da convicção, esta última, da qual o principal expoente seria o cidadão de Florença e sua preocupação com a eficácia, definida pela escolha de meios ajustados ao fim que se pretende.
A ciência para Weber seria também um aspecto do processo de racionalização das sociedades modernas. Nesse contexto é possível deduzir que:
ciência seria um processo definitivo mediado pelo juízo de valor do conhecimento do cientista.
ciência como parte do processo histórico de racionalização implica o não acabamento essencial e a objetividade.
a conduta humana, central na reflexão weberiana, não possuiria intelegibidade intrínseca e possuiria um sentido neutro.
projeto iluminista orquestrado por Weber pretendia aproximar o compreensivismodo materialismo histórico-dialético.
a objetividade do conhecimento nas ciências sociais na perspectiva positivista se relaciona com o problema do julgamento de valor e da relação do valor com o conjunto da sociedade.
Entre as teorias que procuram explicar o capitalismo, podem se destacar duas grandes correntes, representadas por Karl Marx (1818-1883) e Max Weber (1864-1920). Max Weber procura explicar a origem do capitalismo como:
Fenômeno histórico derivado da concentração da propriedade dos meios de produção em mãos de uma classe social e da presença de uma outra classe para a qual a venda da força de trabalho é a única fonte de subsistência.
Resultado de um longo processo histórico que transformou as antigas relações econômicas dominantes no feudalismo, destruindo-as e, ao mesmo tempo, dando origem ao novo sistema.
Evolução natural do crescimento do comércio medieval e das melhores condições de vida existentes no final da Idade Média, o que levou à maior oferta de mão de obra e à diversificação da economia.
Constituição a partir da herança de um modo de pensar as relações sociais, dentre elas as econômicas, legada pelo movimento da Reforma na Europa: do protestantismo de Lutero e ainda mais do calvinismo.
Resultante da atividade comercial e, embora tenha se tornado mais evidente a partir do Mercantilismo, na Idade Moderna, sempre existiu, pelo menos, desde a Antiguidade.
Max Weber (1864-1920) desenvolveu uma concepção particular da metodologia das ciências sociais a partir da crítica às orientações objetivistas do conhecimento. Considere as seguintes proposições acerca da metodologia weberiana:
I. A busca por enunciados gerais de validade universal é típica das ciências modernas, cabendo aos cientistas sociais, portanto, a preparação de instrumentos de pesquisa que recolham os dados da realidade social e explique, por dedução, seus nexos causais.
II. O cientista social deve abdicar-se de qualquer juízo de valor na relação com o objeto de pesquisa, o que não significa a ausência de adesão a determinados valores no processo de conhecimento científico.
III. A tarefa fundamental do cientista social é ordenar racionalmente o mundo empírico a partir da seleção criteriosa de fenômenos relevantes e dotados de historicidade, ou seja, de uma significação cultural particular.
IV. O tipo ideal é uma forma de exposição detalhada da realidade, que a descreve e sintetiza.
Está correto o que se afirma APENAS em
com V as verdadeiras e com F as falsas.
( ) A abordagem de Weber à estratificação social baseou-se na análise desenvolvida por Marx, modificando-a e buscando aperfeiçoá-la.
( ) Weber rejeita totalmente a ideia de conflito de classes.
( ) Em Weber, a honra social pode resultar diretamente de uma situação de classe sendo, na maioria das vezes, determinada pela média da situação de classe dos membros do estamento. Isto, porém, não ocorre necessariamente.
( ) Em Weber, o fato de se ter algum tipo de propriedade que tem valor (por exemplo, moeda, terra, máquinas, conhecimentos), constitui grupos positivamente privilegiados na situação de mercado, enquanto o fato de não se possuí-los constitui classes negativamente privilegiadas.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA.
“Basta uma vista de olhos pelas estatísticas ocupacionais de um país pluriconfessional para constatar a notável frequência de um fenômeno por diversas vezes vivamente discutido na imprensa e na literatura católica bem como nos congressos católicos da Alemanha: o caráter predominantemente protestante dos proprietários do capital e empresários, assim como das camadas superiores da mão de obra qualificada, notadamente do pessoal de mais alta qualificação técnica ou comercial das empresas modernas”. (WEBER, Max. A ética protestante e o “espírito” do capitalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004, p. 29).
O livro A ética protestante e o “espírito” do capitalismo inicia com a constatação de uma relação entre dois fenômenos, a confissão religiosa e a estratificação social. A partir de dados estatísticos, Max Weber procurou estabelecer conexões entre a doutrina protestante e o desenvolvimento do capitalismo. A respeito das teses do autor sobre essas conexões, analise as assertivas abaixo.
I. A relação entre a religião e a sociedade não se dá por meios institucionais, mas por intermédio de valores introjetados nos indivíduos e transformados em motivos da ação social.
II. A formação do ethos protestante mostrou-se propícia ao desenvolvimento do capitalismo, em oposição ao ethos contemplativo atribuído ao catolicismo.
III. A recusa de um modo de vida ascético, baseado na autodisciplina, na poupança, na austeridade, no dever e na propensão ao trabalho, foi determinante para o sucesso dos indivíduos protestantes na sociedade capitalista.
IV. Certos tipos de Protestantismo, em particular o Calvinismo, favoreciam o comportamento econômico racional, característico do “espírito” do capitalismo.
Quais estão corretas?
Para Max Weber, a ação social é aquela cujo objetivo é compartilhado com e orientado para outras pessoas. O sociólogo deve levar em conta o significado intencional que o ator social atribui à sua ação, a qual pode nascer da aceitação de um valor - por hábito ou tradição -, ou de impulsos emotivos irracionais.
A respeito da classificação dos tipos ideais da ação social, assinale a opção que os caracteriza corretamente.
A ação moral é ditada por valores invariáveis a respeito do que é justo e do que não é justo, relacionados a critérios de êxito e utilidade.
A ação afetiva nasce dos hábitos adquiridos, da confiança no que "sempre foi", como no caso de comportamentos determinados por hábitos consagrados.
A ação tradicional expressa uma emoção, se fundamenta em sentimentos e afetos e é impulsionada pelo estado emotivo dos atores.
A ação racional com relação a valores é determinada pela crença em valores e princípios absolutos e, por meio de um cálculo utilitário, organiza os meios necessários para realizá-los.
A ação racional com relação a fins é motivada pelo objetivo pré-fixado e os meios para a sua realização são escolhidos racionalmente.
Sobre os tipos de dominação destacados por Weber, assinale a afirmativa correta.
Opcional, com base na aceitação ou não das condições impostas pelo líder.
Compulsória, imposta e aceita em razão da sobrevivência.
Carismática, pela virtude ou “carisma” de um chefe ou líder.
Voluntária, com base nas relações de vizinhança.
Democrática, sendo exercida com alternância de poder.
Weber considera a Sociologia como "a ciência compreensiva da ação social" e, diferentemente de seus predecessores, concentrou a sua análise
nas estruturas psicológicas determinantes do comportamento dos indivíduos.
nos indivíduos agentes, os atores sociais, e suas ações.
nas relações econômicas de produção.
nas entidades coletivas que estruturam a vida social.
nos interesses utilitários dos sujeitos.