Questões de Concurso sobre Teoria Geral do Crime

 
 
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Insatisfeito com o namoro desenvolvido por Mia, sua paixão platônica, Jack procura Fênix, uma feiticeira conhecida na localidade, solicitando a realização de uma magia que produza a morte de Russel. Enquanto aguarda a produção dos efeitos da bruxaria, Jack descobre que Mia está grávida. Com a intenção de interromper a gravidez, a atrai até sua residência e, mediante engodo, a faz ingerir chá de maçã, acreditando tratar-se de substância abortiva. Atormentado com suas condutas e crendo que a vida de Russel e a gravidez de Mia estão em perigo, Jack procura uma unidade policial e registra o fato.


Os comportamentos de Jack:


A

devem ser punidos, posto orientados à finalidade criminosa e com a intenção de atingir os bens jurídicos de terceiros;


B

não devem ser punidos, posto configuradores de desistência voluntária e crime de ensaio;


C

não devem ser punidos, posto configuradores de tentativa supersticiosa e representação de uma extensão intolerável do perigo;


D

não devem ser punidos, posto configuradores de crimes que exigem resultado e representação de um grau de perigo impune;


E

devem ser punidos, posto buscarem resultados proibidos, ensejadores de afetação aos bens jurídicos, ainda que os fins delitivos sejam inofensivos.

Sobre o conceito analítico de crime, assinale a alternativa INCORRETA.


A

A tipicidade ocorre quando há correspondência entre a conduta concreta examinada e a descrição legal de crime (tipo penal).


B

Se uma conduta típica ocorre em estado de necessidade, legítima defesa, exercício regular de direito ou estrito cumprimento do dever legal ela é justificada, razão pela qual não é contrária ao ordenamento jurídico como um todo.


C

A culpabilidade se caracteriza quando o sujeito for imputável, tiver ao menos potencial consciência da ilicitude de sua conduta e puder agir em conformidade com o direito.


D

Uma pessoa com menos de 18 anos é inimputável e, se ela praticar uma conduta típica e não justificada, seu comportamento será considerado no máximo como ilícito de natureza cível, mas não penal.


E

Os comportamentos em estado de inconsciência, os movimentos reflexos e os provocados por coação física absoluta (irresistível) não constituem ação ou omissão (conduta) para o direito penal, portanto não podem constituir crime.

Acerca do erro de tipo e do erro de proibição (erro sobre a ilicitude do fato), considere as seguintes afirmativas:


1. O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.

2. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço.

3. Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência.

4. Enquanto o erro de tipo é uma falsa representação da realidade que recai sobre elemento do tipo penal, o erro de proibição é um erro de valoração que recai sobre o que é lícito ou ilícito.


Assinale a alternativa correta.


A

Somente a afirmativa 4 é verdadeira.


B

Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras.


C

Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras.


D

Somente as afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras.


E

As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras.

Rita é trabalhadora rural no interior do nordeste brasileiro e, já sendo mãe solo de três filhos, todos menores de seis anos de idade, um deles portador de microcefalia, descobre que está grávida pela quarta vez. Não bastasse isso, Rita ainda descobre que o bebê dessa gestação também é portador de microcefalia. Desesperada, pois já vive abaixo da linha da pobreza, Rita percebe que não terá como sustentar e dar a atenção necessária à outra criança que vai nascer, razão pela qual pratica um aborto.


Nessa hipótese, a respeito da situação de Rita, é correto afirmar que é possível alegar


A

que Rita agiu no exercício regular de um direito, o que exclui a ilicitude da conduta.


B

a tese de que Rita agiu em legítima defesa, o que exclui a ilicitude da conduta


C

que não houve dolo na conduta de Rita, o que exclui a tipicidade da conduta.


D

uma causa supralegal de inexigibilidade de conduta diversa, o que exclui a culpabilidade.


E

o perdão judicial, que vai isentar Rita de pena.

O conceito analítico de crime exige a realização de um comportamento humano.


Um comportamento humano que pode ensejar interesse jurídico-penal e responsabilização do agente que o desempenha é:


A

ação por coação física irresistível;


B

atos reflexos;


C

condutas culposas;


D

perda brusca de consciência;


E

atos automatizados.

Turista estrangeiro que chega ao Brasil portando munição, sem saber que sua conduta é proibida pelo ordenamento jurídico brasileiro, poderá alegar ausência de


A

culpabilidade pela falta de potencial consciência da ilicitude da conduta.


B

ilicitude pelo exercício regular de direito.


C

tipicidade pela falta de dolo.


D

culpabilidade pela inexigibilidade de conduta diversa.


E

conduta penalmente relevante.

Sobre a tipicidade, ilicitude e culpabilidade penais, assinale a afirmativa incorreta.


A

Inexiste crime se o agente praticar o fato no exercício regular de direito.


B

No direito penal, nem todo fato típico é também ilícito.


C

Na legítima defesa, o agente pratica crime, porém a lei garante a não culpabilidade.


D

Não há crime quando o agente pratica o fato em estrito cumprimento de dever legal.

Sobre a teoria geral do crime, analise as proposições seguintes:


I. A superveniência de causa relativamente independente não exclui a imputação quando, por si só produziu o resultado. Contudo, os fatos anteriores imputam-se a quem os praticou.

II. A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado.

III. O crime é consumado quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal.

IV. O crime é tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstância alheias à vontade do agente.


Está correto o que se afirma em


A

I, II, III e IV.


B

I, III e IV, apenas.


C

II, III e IV, apenas.


D

III e IV, apenas.

Acerca da relação de causalidade e da teoria da imputação objetiva, é INCORRETO afirmar:


A

Para a denominada “teoria da equivalência”, é causal, no sentido jurídico-penal, toda e qualquer condição que não possa ser suprimida mentalmente, em um juízo hipotético de eliminação, sem que o resultado seja excluído.


B

A “teoria da conditio sine qua non” não faz distinção entre causa e condição.


C

As denominadas concausas preexistentes relativamente independentes não afastam a imputação do resultado.


D

De acordo com a denominada “teoria do aumento ou incremento do risco”, ainda que haja certeza - em um juízo ex post -, sobre a ineficácia do comportamento lícito alternativo, a imputação do resultado não deve ser excluída.

Sobre causas de justificação, assinale a alternativa correta:


A

O motorista A ignora o sinal de parada obrigatória e conduz o veículo em sentido diverso para evitar blitz de trânsito: se o disparo de arma de fogo pelo policial B, visando o motorista A, produz apenas danos superficiais no veículo deste, mas impede sua efetiva fuga da blitz, a ação do policial B é justificada pelo estrito cumprimento do dever legal.


B

Não se admite legítima defesa para repelir injusta agressão, atual ou iminente, a direito próprio ou alheio, derivada de culpa inconsciente do agressor.


C

De acordo com o Código Penal brasileiro, o erro fático evitável sobre a situação justificante do exercício regular de direito permite a redução da culpabilidade do agente, na terceira fase de aplicação da pena.


D

A ausência de responsabilização penal de atletas na produção de lesões corporais entre si, durante a prática de esportes violentos, como lutas oficiais de boxe e competições de artes marciais regulamentadas, está diretamente relacionada a hipóteses de consentimento real do titular do bem jurídico ofendido.


E

Na análise da cláusula de razoabilidade do estado de necessidade, prevista no Código Penal brasileiro, se na situação concreta era razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, deve ser reconhecida circunstância atenuante, na segunda fase de aplicação da pena.

Sobre o tipo dos crimes culposos, assinale a alternativa incorreta:


A

A qualidade do autor, de motorista profissional de competições esportivas, como exemplo de capacidade individual que serve de orientação ao juízo sobre o risco permitido ou o dever de cuidado em acidentes de trânsito, deve ser avaliada somente na culpabilidade segundo o critério da generalização, e deve ser avaliada no tipo de injusto segundo o critério da individualização.


B

O modelo de homem prudente e o princípio da confiança são exemplos de conceitos utilizados para aferição da lesão do dever de cuidado ou do risco permitido, nos limites de análise do desvalor da ação.


C

Figuras típicas culposas estão previstas de forma diversificada no ordenamento jurídico-penal brasileiro, tanto no Código Penal quanto na legislação penal especial, como por exemplo, na Lei 9.503/97 (Código de Trânsito Brasileiro), na Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98) e no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90).


D

A estaciona em shopping para realizar compras e esquece completamente o filho B dormindo em cadeirinha no interior do veículo, o que produz lesões corporais no infante em razão do forte calor durante o período de esquecimento: trata-se de modalidade de culpa inconsciente, respondendo A pelo resultado de lesão do bem jurídico (lesões corporais culposas em B).


E

A maior ou menor intensidade da lesão do dever de cuidado ou do risco permitido, determinante do resultado de lesão do bem jurídico nos tipos culposos, se constitui em objeto de aferição na terceira fase de aplicação da pena, mediante eventual reconhecimento de causa de diminuição de pena.

Sobre o tipo dos crimes dolosos de ação, assinale a alternativa incorreta:


A

Segundo a teoria da equivalência das condições, compatível com o Código Penal brasileiro e utilizada como método para determinar relações causais, causa é a condição sem a qual o resultado não poderia ter ocorrido.


B

O tipo subjetivo dos crimes dolosos pode ser composto somente pelo dolo, direto ou eventual, mas também pode apresentar, ao lado do dolo, elementos subjetivos especiais, como ocorre por exemplo, nesta última hipótese, com os crimes de importunação sexual (CP, art. 215-A), assédio sexual (CP, art. 216-A) e fraude processual (CP, art. 347).


C

O erro de tipo, evitável ou inevitável, pode recair sobre elementos descritivos ou normativos do tipo objetivo, mas não pode recair sobre elementos subjetivos especiais, diversos do dolo, integrantes do tipo subjetivo.


D

Com a finalidade específica de produzir lesões corporais contra B em via pública, A projeta seu veículo contra a motocicleta pilotada por B, representando, como consequência necessária, a produção de lesões corporais também em C, garupa da motocicleta: o resultado de lesão corporal em B é atribuído a título de dolo direto de 1º grau ao autor A, e o resultado de lesão corporal em C, ainda que lamentado por A, é atribuído a este a título de dolo eventual.


E

Com consciência e vontade dirigidas especificamente a produzir lesões corporais em B, A arremessa pedras contra este, mas por erro na execução acaba também atingindo C, situado próximo a B, produzindo lesões corporais em ambos: A responde por lesão corporal dolosa em B, em concurso formal com lesão corporal culposa em C.

A prescrição e a inexigibilidade de conduta diversa constituem, respectivamente,


A

causa de exclusão da tipicidade e causa de exclusão da culpabilidade.


B

causa de exclusão da ilicitude e causa de extinção da punibilidade.


C

causa de extinção da punibilidade e causa de exclusão da culpabilidade.


D

causa de extinção da pena e causa de exclusão da tipicidade.


E

causa de exclusão da culpabilidade e causa de extinção da pena.

Com relação à ilicitude e à culpabilidade é CORRETO afirmar:


A

A prática de fato típico em razão de obediência à ordem não manifestamente ilegal de superior hierárquico é hipótese de inexigibilidade de conduta diversa e pode excluir a culpabilidade do agente.


B

Com relação à natureza jurídica do estado de necessidade, a doutrina destaca que para a teoria unitária, ou é o estado de necessidade justificante, funcionando como causa de exclusão da ilicitude da conduta do agente ou exculpante, excludente da culpabilidade.


C

O Código Penal Brasileiro adota a teoria limitada da culpabilidade pela qual as descriminantes putativas sempre são consideradas erro de proibição.


D

Segundo entendimento doutrinário e jurisprudencial, a ausência de lesividade seria causa supralegal de exclusão da tipicidade, enquanto a inexigibilidade de conduta diversa e o consentimento do ofendido, quando não integrante do tipo penal, excluem a culpabilidade da conduta do agente.

A imputabilidade é a possibilidade de se atribuir a alguém a responsabilidade pela prática de uma infração penal.


C

Certo


E

Errado

O princípio da insignificância constitui causa de


A

exclusão da tipicidade.


B

exclusão da ilicitude.


C

exclusão da culpabilidade.


D

extinção da punibilidade.


E

extinção da pena.

O ERRO, no DIREITO PENAL PÁTRIO:


A

Quando determinado, o terceiro responde a título de dolo.


B

Requer, como critério de aferição da escusabilidade, o homo medius colocado no lugar do agente.


C

Se recair sobre a existência ou os limites da posição de garantidor, excluirá o dolo.


D

Sobre o objeto material, não afeta a responsabilidade penal do agente, porque ele sempre responde pelo crime que pretendia cometer.


E

Se putativo, não afasta o dolo.

Durante uma discussão pelo excessivo ciúme demonstrado pelo marido, Maria disse a José que não queria mais viver com ele. Tomado de raiva e paixão, José se apropriou de uma faca na cozinha e desferiu dois golpes contra a mulher. Vendo-a caída ao solo, sangrando, arrependeu-se da reação emotiva, especialmente porque Maria, mesmo ferida e ofegante, repetia que o amava e o perdoava por tudo. José então socorreu a esposa e a levou até o hospital, onde ela, recebendo atendimento médico e intervenção cirúrgica (haja vista a primeira facada haver transfixado o pulmão da vítima), sobreviveu. Recuperada, Maria perdoou José, segundo suas próprias palavras registradas em carta, mas saiu de casa e foi morar com os 5 (cinco) filhos na casa da mãe (que, inclusive, levou os fatos praticados pelo genro ao conhecimento da polícia). José, desde então, caiu em depressão profunda e sucumbiu ao alcoolismo. Quanto à responsabilidade penal de José pelos fatos, é correto afirmar que ele responderá:


A

Apenas pelas lesões causadas na vítima, configurada hipótese de arrependimento eficaz.


B

Por homicídio tentado, descaracterizada a violência doméstica em razão do perdão da ofendida.


C

Por feminicídio tentado, atenuado pelo arrependimento posterior, sendo irrelevante o perdão da ofendida.


D

Por feminicídio tentado, mas poderá receber o perdão judicial, tendo em vista as consequências da infração.

Constituem casos de adequação típica de subordinação mediata, previstos no Código Penal brasileiro, EXCETO:


A

Tentativa (Art. 14, II).


B

Crime impossível (Art. 17).


C

Concurso de pessoas (Art. 29).


D

Relevância da omissão (Art. 13, § 2º).

O crime impossível


A

é reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça quando o agente já possuidor da droga a oferece ao policial, que efetua a prisão em flagrante.


B

pela impossibilidade absoluta do meio ocorre quando o objeto não pode sofrer a ação típica, como no caso de alguém que atira da janela uma pessoa que já estava morta.


C

demanda o potencial lesivo da conduta e a ausência de elementos subjetivos do tipo para sua configuração.


D

ocorre quando o agente em situação de extrema vulnerabilidade pratica um fato típico em razão da falta de apoio do Estado.


E

pode ocorrer em caso de furto em estabelecimento comercial se a vigilância concretamente tornar impossível a consumação do delito.

   
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