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Fonoaudiólogo recebeu encaminhamento de professor de escola regular com o seguinte relatório; “José tem 7 anos e está no 2o ano do ensino fundamental. É capaz de ler frases simples e, quando lhe é solicitado para identificar alguma letra, o faz corretamente; mas, na escrita, parece ter dificuldade em relacionar o som à letra. Prefere escrever com letra bastão, e sua caligrafia em letra cursiva apresenta trocas e, por vezes, é ininteligível, com trocas de letras maiúsculas e minúsculas. Dificuldade com a pontuação das frases e acentuação das palavras. Evita as atividades que envolvem maior concentração, principalmente a cópia de pequenos textos. Nas atividades de expressão artística tem dificuldades em recortar e não aprecia a pintura com lápis de cor e giz de cera. Prefere tintas, podendo fazer desenhos maiores. Não gosta de desenhar e copiar figuras geométricas e é desatento.” A mãe refere que, desde a educação infantil, José apresenta essas dificuldades, que, até os 6 anos, ele tinha algumas trocas na fala e que os exames audiológicos resultaram em audição ‘normal’.
Diante de tal relatório, ao iniciar a avaliação, o fonoaudiológico pode suspeitar de um quadro de
transtorno específico de leitura e escrita.
dislexia.
dificuldade de aprendizagem.
transtorno específico de escrita.
distúrbio de linguagem.
Comparando a linguagem escrita com linguagem oral assinale a alternativa que NÃO se refere à linguagem escrita.
Estabelece um contato direto com o destinatário.
Exige sequência de pensamento clara e estruturada.
Há maior distanciamento entre emissor e receptor.
Há maior rigor gramatical.
Requer escolarização e uma aprendizagem formal da escrita.
Sabendo que o processo de apropriação do sistema de escrita na criança é evolutivo e gradual e tendo como base os conhecimentos das etapas de aquisição da linguagem escrita, assinale a alternativa que define CORRETAMENTE o nível silábico-alfabético.
A criança não estabelece relações entre a escrita e a pronúncia. Nesta fase ela expressa sua escrita através de desenhos, rabiscos e letras usadas aleatoriamente, sem repetição e com o critério de no mínimo três. Outra característica desta fase é o "realismo nominal", expressão utilizada por Piaget para designar a impossibilidade de conceber a palavra e o objeto a que se refere como duas realidades distintas.
Nesta etapa, a criança já compreendeu que cada um dos caracteres da escrita corresponde a valores menores que a sílaba. Isto não quer dizer que todas as barreiras tenham sido superadas: a partir deste momento, a criança se defrontará com as dificuldades da ortografia, mas não terá mais problemas de escrita, no sentido estrito.
Caracteriza-se pela correspondência entre fonemas e grafemas, quando a criança compreende a organização e o funcionamento da escrita e começa a perceber que cada emissão sonora (sílaba) pode ser representada, na escrita, por uma ou mais letras.
A criança descobre a lógica da escrita, percebendo a correspondência entre a representação escrita das palavras e as propriedades sonoras das letras, usando, ao escrever, uma letra para cada emissão sonora.
É a fase das garatujas, quando a criança não tem ideia da existência de um sistema convencional de representação da fala e se expressa através de desenhos.
Com relação à avaliação da linguagem escrita, a avaliação do letramento tem como parâmetro assistencial proposto pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa):
10 minutos/exame.
25 minutos/exame.
45 minutos/exame.
60 minutos/exame.
A fluência e a compreensão leitora implicam dois componentes: um de decodificação e um de compreensão. A decodificação compreende os processos de reconhecimento da palavra escrita enquanto a compreensão corresponde aos processos de interpretação. Na compreensão de um texto, podem ser considerados vários níveis de atividade mental, como processos locais, globais, de integração e controle. Os processos de caráter global incluem:
Atividades de identificação do tema do texto, a extração das ideias principais e seu sentido geral.
Atividades de interpretação do significado de cada palavra e o estabelecimento de conexões entre as ideias que expressam.
Atividades de construção de sentidos, de conexão entre as informações explícitas e implícitas e o estabelecimento da coerência.
Atividades de monitoramento e supervisão da compreensão geral do texto, no momento da leitura.
Atividades de integração dos elementos da macroestrutura textual e suas relações causais.
Segundo Capellini (2005), em pesquisas realizadas nos últimos 30 anos, distúrbios relacionados a problemas linguístico-cognitivos geram como consequências:
A) prejuízo no processamento da informação relacionada com a leitura e a escrita, assim como as alterações durante o desenvolvimento da oralidade podendo trazer dificuldades na aprendizagem e desempenho escolar
prejuízo no processamento da informação relacionada com a leitura e a escrita, assim como as alterações durante o desenvolvimento da oralidade, não trazendo dificuldades na aprendizagem e desempenho escolar
sem prejuízo no processamento da informação relacionada com a leitura e a escrita, assim como nas alterações durante o desenvolvimento da oralidade, mas podendo trazer um bom desempenho escolar
prejuízo no processamento da informação relacionada com a leitura e a escrita, não tendo alterações durante o desenvolvimento da oralidade podendo trazer, dificuldades na aprendizagem
desenvolvimento e a aprendizagem da linguagem escrita exigem da criança atenção a aspectos da linguagem aos quais ela não precisava dar importância até aquele momento. Nesse sentido, é correto afirmar que:
Nos processos de decodificação e codificação que envolvem a linguagem escrita, a representação do som na escrita é arbitrária.
A relação grafo-fonológica é unívoca, determinando na escrita que cada fonema da língua portuguesa só pode ser representado por um único grafema.
O desenvolvimento da linguagem escrita ocorre de forma natural, concomitantemente, ao desenvolvimento da linguagem oral.
A escrita é um processo de decodificação, isto é, informações sonoras são transformadas em informações visuais.
A consciência fonêmica influencia o desenvolvimento da escrita e refere-se ao uso de uma consciência geral dos segmentos que compõem a fala.
Considere um tipo de afasia não fluente, cuja principal característica é a redução da fala. O paciente apresenta uma linguagem espontânea extremamente reduzida, com a expressão marcadamente lenta e breve. Nessa afasia, a repetição é boa e, especificamente, neste caso, é muito melhor que a emissão oral observada durante a fala espontânea. A compreensão geralmente está preservada. Na escrita, pode-se observar a mesma falta de iniciativa/inércia observada na fala, e a leitura está normal ou pouco comprometida.
O excerto refere-se à afasia
de broca.
de condução.
de Wernicke.
transcortical motora.
amnéstica ou anômica.
Analise as assertivas e assinale a alternativa correta. O Manual de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais, DSM IV, inclui a dislexia nas perturbações de aprendizagem, utiliza a denominação de “Perturbação da Leitura e da Escrita” e estabelece os seguintes critérios de diagnóstico.
I. O rendimento na leitura/escrita, medido através de provas normalizadas, situa-se substancialmente abaixo do nível esperado para a idade do sujeito, quociente de inteligência e escolaridade própria para a sua idade.
II. A perturbação interfere significativamente com o rendimento escolar, ou atividades da vida quotidiana que requerem aptidões de leitura/escrita.
III. Se existe um déficit sensorial, as dificuldades são excessivas em relação às que lhe estariam habitualmente associadas.
IV. A dislexia é uma perturbação da linguagem que tem na sua gênese um déficit fonológico e intelectual, o indivíduo com dislexia terá um atraso cognitivo e intelectual. Considerando um deficiente intelectual.
Apenas I e III estão corretas.
Apenas I, II e III estão corretas.
Apenas II e IV estão corretas.
Todas estão corretas.
Nos casos de Distúrbios Específicos de Leitura e Escrita (ou Dislexias), o processo de desenvolvimento inicial da criança não revela alterações. Dificuldades significativas começarão a surgir no aprendizado da leitura-escrita, desde o início do processo de alfabetização. Algumas características estão descritas abaixo, das quais é INCORRETO afimar:
Dificuldades na correspondência som-letra, gerando prejuízos para a escrita e para a leitura.
Nível de leitura encontra-se abaixo do esperado para a escolaridade.
Ausência de problemas neurológicos, cognitivos, sensoriais, emocionais e educacionais primários que possam justificar as dificuldades.
Habilidades sintáticas, semânticas e pragmáticas da linguagem oral estão preservadas, sendo que problema está centrado na linguagem escrita.
As habilidades fonológicas, a elaboração de narrativas (recontagem), a função expressiva e o processamento de informações não apresentam de forma alguma, comprometimentos.
A literatura sobre o trabalho fonoaudiológico em crianças com transtorno específico de escrita e dificuldades ortográficas considera que a intervenção pode ser baseada no nível ortográfico que o escolar se encontra e no tipo de erro ortográfico evidenciado na escrita. Nessa concepção, os escolares cometem erros de ortografia natural que tem relação direta com a oralidade e, nesse caso o fonoaudiólogo pode utilizar como estratégias de intervenção atividades de leitura e
formação de palavras com transgressão; reconhecimento de letras e sons, identificação da regra ortográfica.
lista de palavras para memorização, exercícios de frases com lacunas e ditado com apoio de dicionário.
reconhecimento das letras e sons, subtração e substituição de fonemas, identificação de sílaba dentro da palavra.
identificação de palavra dentro da frase, ditado de palavras, identificação a regra ortográfica.
elaboração de frases, memorização de lista de palavras, ditado de palavras, análise fonêmica.
Assinale a alternativa que tem como característica na alteração no desenvolvimento da linguagem escrita.
Podem-se observar atraso ou distúrbio no desenvolvimento da linguagem.
A alteração pode ser na expressão e/ou recepção da linguagem.
Pode estar relacionada à alteração no desenvolvimento da linguagem ou ao transtorno fonológico.
Excluem-se perda auditiva, impedimentos no desenvolvimento cognitivo e no desenvolvimento motor da fala, distúrbios socioemocionais.
Considere as seguintes afirmações, em relação às práticas fonoaudiológicas em crianças com dificuldades na linguagem escrita:
-
I. Salienta-se a importância da estimulação da consciência fonológica em pré-leitores, visto que muitos estudos demonstram sua eficiência no aprendizado da leitura.
II. A principal indicação atual para o tratamento de crianças com dificuldades de linguagem escrita é a intervenção direta nas habilidades de leitura, associada a atividades relacionadas ao processamento fonológico da linguagem.
-
Assinale a alternativa correta:
I é verdadeira e II é falsa.
I é falsa e II é verdadeira.
I e II são verdadeiras.
I e II são falsas.
Estudo de Cardoso-Martins (2008) compara as teorias de Ferreiro e Ehri sobre o desenvolvimento da escrita em pré-escolares. Sobre essa comparação, analise as afirmativas abaixo:
I. Ao contrário de Ferreiro, Ehri tem argumentado que o conhecimento do nome e dos sons das letras é crucial para a compreensão de que a escrita representa a fala.
II. Para Ferreiro, na medida em que as crianças aprendem os nomes e os sons das letras, elas começam a compreender que as letras representam sons estáveis na pronúncia das palavras e começam a evidenciar essa compreensão nas suas escritas inventadas.
III. Ferreiro afirma que, na fase alfabética consolidada, as crianças passam a ser capazes de operar com unidades compostas por duas ou mais letras, as quais correspondem a sílabas ou partes de sílabas nas palavras.
Quais estão corretas?
Apenas I.
Apenas II.
Apenas III.
Apenas I e II.
I, II e III.
Marcos, 6 (seis) anos, apresentou na avaliação fonoaudiológica dificuldades no desenho de figuras, principalmente a humana; dificuldade em copiar círculo, cruz, quadrado e triângulo (o que já é esperado para idade); dificuldade no formato das letras do alfabeto e desinteresse por atividades de escrita. Esses sinais são identificados em que tipo de transtorno de aprendizagem?
dislexia.
disartria.
disgrafia.
discalculia.
disortografia.
Atualmente, estudiosos da aquisição da escrita observam que o modelo de fases proposto por Ehri fornece uma descrição mais apropriada do desenvolvimento inicial da escrita de crianças. Sobre esse modelo, é correto afirmar que:
A autora propõe que a criança passa por quatro fases na aquisição da escrita: pré-silábico, silábico, silábico-alfabético e alfabético.
Sua teoria baseia-se na estruturação da relação fonema-grafema e propõe quatro fases: préalfabética, semialfabética, alfabética completa e alfabética consolidada.
Seu estudo foi desenvolvido em conjunto com Emilia Ferreiro e é um avanço no mesmo sentido da psicogênese da escrita.
Ehri se inspirou em Piaget e construiu uma tese baseada na assimilação de conhecimentos empíricos explorados pela subjetivação logográfica.
Segundo a autora, sua principal descoberta foi a de que a aquisição da escrita alfabética ocorre da mesma forma que a escrita ideográfica.
Dentre os transtornos específicos de aprendizagem, pode-se citar o Transtorno Específico da Escrita, cujas principais manifestações são:
Prejuízos na atenção, na memória e nas funções executivas.
Prejuízos na ortografia, caligrafia, gramática e pontuação.
Prejuízos intelectuais, cognitivos e linguísticos.
Prejuízos na memória operacional verbal e na aprendizagem lógica.
Prejuízos na linguagem receptiva e no desenvolvimento grafomotor.
Sobre a avaliação da leitura e escrita, marque a opção correta.
Devemos ter clareza de que o objetivo da avaliação vai além da escolha de provas ou de testes específicos que determinem pontuações.
Não devemos conhecer o histórico familiar da criança.
É necessário só avaliar a criança falando.
Não buscar com que a criança fale.
Não devemos levar em consideração durante a avaliação os campos de interesse da criança.
Há um grande número de crianças que apresenta dificuldades de aprendizagem e que não consegue acompanhar as atividades de leitura e escrita em idade escolar. Entretanto, é comum a ocorrência de confusão entre os termos dislexia de desenvolvimento e distúrbio de aprendizagem.
Em relação a esses termos, é incorreto afirmar:
O desempenho em provas de raciocínio lógico-matemático é um dos critérios adotados para a realização do diagnóstico diferencial entre dislexia de desenvolvimento e do distúrbio de aprendizagem.
Caracteriza-se como distúrbio específico de leitura quando o processo de desenvolvimento da aprendizagem da criança é comprometido apenas na fase escolar.
Na dislexia do desenvolvimento, fazem parte do quadro clínico alterações relacionadas à asbtração e à resolução de problemas lógico-matemáticos, gerando dificuldades tanto na execução do cálculo propriamente dito, quanto na resolução de problemas com enunciado.
O distúrbio de aprendizagem caracteriza-se pelo comprometimento do processo de desenvolvimento e aprendizagem da criança desde os primeiros anos de vida.
O bom desempenho no âmbito da escolaridade requer o desenvolvimento das seguintes habilidades e competências, EXCETO:
A consciência fonológica não interfere no desempenho da leitura.
Os problemas nos processos de leitura implicam em dificuldades na aprendizagem.
A habilidade de decodificação não influencia a velocidade e o tempo total da leitura.
A leitura requer bom desempenho na codificação semântica e na aquisição de vocabulário.