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“Açaí” é um dos sucessos do compositor alagoano Djavan. Observemos a letra da canção:
Açaí
Solidão
De manhã
Poeira tomando assento
Rajada de vento
Som de assombração
Coração Sangrando toda palavra sã
A paixão Puro afã
Místico clã de sereia
Castelo de areia
Ira de tubarão Ilusão
O sol brilha por si
Açaí
Guardiã
Zum de besouro
Um imã
Branca é a tez da manhã
Açaí. In: Luz. Rio de Janeiro: CBS/Sony Music, 1982. Faixa 3, lado A.
Assinale a alternativa correta com relação ao termo “afã”:
Afã faz referência ao gosto peculiar do açaí.
O termo foi cantado pelo autor apenas por ser uma palavra desconhecida.
Afã opera como sinonímia da palavra paixão.
O termo é um neologismo, aspecto marcante na obra do compositor.
Afã tem sentido semelhante a trabalho intenso, faina, zelo e lida.
Com base nos versos a seguir, de “Vaca Estrela e Boi Fubá”, analise a situação da voz narrativa e assinale a alternativa correta:
“Eu sou filho do Nordeste, não nego meu naturá/ Mas uma seca medonha me tangeu de lá pra cá / Lá eu tinha o meu gadinho, num é bom nem imaginar / Minha linda Vaca Estrela e o meu belo Boi Fubá / Quando era de tardezinha eu começava a aboiar”
O texto enaltece a vida urbana e as oportunidades encontradas pelo sertanejo após deixar o Sertão.
O eu lírico expressa um sentimento de nostalgia e perda, provocado pela migração forçada devido a fenômenos climáticos.
O narrador demonstra vergonha de suas origens nordestinas ao se mudar para outra região.
A principal motivação para a mudança do personagem foi a busca por modernização tecnológica na pecuária.
O “aboiar” mencionado no texto refere-se a uma atividade de lazer que o narrador mantém em sua nova moradia.
No poema “Isto”, de Fernando Pessoa, diz o enunciador na 1ª estrofe:
Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Marque a única afirmação incorreta.
Se a forma verbal “dizem” fosse substituída por “digam”, o tipo de sujeito seria diferente, provocando alteração de sentido, pois deixaria de impessoalizar o agente da ação verbal para dirigir a enunciação diretamente a interlocutores.
O adjunto adverbial “com a imaginação” pode ter o sentido de modo ou meio; afinal, pode indicar tanto a maneira como o eu lírico sente quanto o meio, a mediação psíquica pela qual sente.
Se os três últimos versos fossem assim escritos: “Eu simplesmente sinto com a imaginação: não uso o coração” ou “Eu simplesmente sinto com a imaginação; não uso o coração”, o sentido original se manteria, mas não a relação sintática entre as duas orações de cada período, devido à mudança de pontuação entre elas.
O emprego do advérbio “simplesmente” modaliza a forma verbal “sinto”, expressando autenticidade e naturalidade para enfatizar o sentimento do eu lírico diante da falsidade que se lhe atribui ao escrever.
Haveria uma leitura diferente de “finjo ou minto” se assim estivesse redigido esse segmento: “ora finjo, ora minto”; afinal, com estas conjunções correlativas alternativas, indica-se que ambos os comportamentos seriam intercalados ou recorrentes, não apenas opções separadas.
Leia o poema abaixo e depois marque a única afirmação incorreta.
Poética
conciso? com siso
prolixo? pro lixo
(José Paulo Paes, em Os melhores poemas de José Paulo Paes, 2003.)
Não só em tom laudatório à economia vocabular empregada com discernimento, mas também em tom crítico à linguagem vazia e descartável, o poema brinca com a dualidade entre concisão e prolixidade por meio da distinção entre palavras e expressões sonoramente semelhantes.
A contração coloquial da preposição “para” com o artigo definido “o” em “pro lixo” é o que permite a proximidade sonora com a primeira sílaba de “prolixo”.
O efeito estilístico que o poeta estabelece entre “prolixo” e “pro lixo” se enquadra na figura de linguagem de paronomásia.
O poeta provoca um efeito de homofonia tanto entre a palavra “conciso” e a locução “com siso” como entre a palavra “prolixo” e a locução “pro lixo”.
A função da linguagem do texto de José Paulo Paes é poética, porque o foco não está em transmitir alguma informação, mas sim em valorizar a forma e o efeito das palavras, criando humor crítico e didático ao refletir sobre a concisão e a prolixidade.
Leia o Texto 1 para responder a questão
Texto 1
Soneto da hora final
Será assim, amiga: um certo dia,
Estando nós a contemplar o poente,
Sentiremos no rosto, de repente,
O beijo leve de uma aragem fria.
Tu me olharás silenciosamente,
E eu te olharei também, com nostalgia,
E partiremos, tontos de poesia,
Para a porta de treva aberta em frente.
Ao transpor as fronteiras do Segredo,
Eu, calmo, te direi: — Não tenhas medo.
E tu, tranquila, me dirás: — Sê forte.
E como dois antigos namorados,
Noturnamente tristes e enlaçados,
Nós entraremos nos jardins da morte.
MORAES, Vinicius de. Soneto da hora final. In: MORAES, Vinicius de. Livro de sonetos: 1957/1967. Organização de Eucanaã Ferraz. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 30.
No segundo terceto, a construção “Eu, calmo, te direi” é retomada paralelamente em “E tu, tranquila, me dirás”. Essa organização sintática contribui para o sentido do poema ao
contrastar a reação emocional de cada personagem diante da morte.
distribuir ações sucessivas entre os amantes durante a despedida.
construir uma reciprocidade afetiva diante da travessia da morte.
subordinar a fala da mulher à atitude assumida pelo homem.
O poema utiliza a forma de uma receita culinária – com lista de ingredientes, modo de preparo e verbos de comando – como base para sua elaboração estética. Considerando essa configuração formal, essa escolha
preserva as convenções do gênero receita, mantendo finalidade instrucional voltada à execução prática do preparo descrito.
transpõe convenções do gênero receita para um formato predominantemente descritivo, priorizando a caracterização de estados afetivos.
retoma convenções do gênero receita e as transforma em recurso expressivo, combinando instruções simuladas a conteúdos metafóricos.
afasta-se das convenções do gênero receita, empregando sua aparência estrutural sem estabelecer relação funcional com esse modelo.
Leia o poema a seguir:
POÇAS D’ÁGUA
As poças d´água são um mundo mágico
Um céu quebrado no chão
Onde em vez de tristes estrelas
Brilham os letreiros de gás Néon.
(Mario Quintana, Preparativos de viagem, São Paulo, Globo, 1994.)
Levando-se em conta o texto como um todo, é correto afirmar que a metáfora presente no primeiro verso se justifica porque as poças:
Refletem a tristeza e a solidão do eu-lírico.
Representam um espaço de sonhos e imaginação.
São comparadas a um mundo real e palpável.
Revelam a fragilidade da vida urbana.
Simbolizam a escuridão da noite e o desconhecido.
Assinale a alternativa incorreta, de acordo com o poema acima:
O poema foi escrito, visando o público infantil.
O poema fala das incertezas e dúvidas infantis.
O poema ensina sobre o ato de escolher.
Através de linguagem rebuscada e difícil, Cecília busca trazer a realidade infantil em seu poema.
Considerando a estrutura do poema anterior, assinale a alternativa INCORRETA.
Todos os pares de rima do poema são rimas ricas.
Trata-se de um soneto decassílabo.
O esquema de rimas do poema é ABBA – ABBA – CDE – CDE.
Em sua estrutura, há quatorze versos e quatro estrofes.
As estrofes que compõem o poema são dois quartetos e dois tercetos.
“Eu sonho com um poema
Cujas palavras sumarentas escorram
Como a polpa de um fruto maduro em tua boca,
Um poema que te mate de amor
Antes mesmo que tu saibas o misterioso sentido:
Basta provares o seu gosto...”
(Mário Quintana)
Na estrofe acima, o autor defende a ideia de um poema ideal, em que:
as palavras impressionem o leitor mais pelo seu significado do que pela sua beleza.
as palavras impressionem o leitor mais pela sua beleza do que pelo seu significado.
o leitor entenda o significado de todas as palavras do poema.
o leitor não precise nunca mais de outro poema na vida.
o leitor seja capaz de escrever poemas com as mesmas características do poema lido.

(“Ver navios”, de Haroldo de Campos)
Em relação ao poema acima, é correto afirmar que o autor:
explora somente a sonoridade das palavras, produzindo um som agradável, sem nenhuma relação direta com o sentido dos versos.
trabalha somente a estética visual dos versos, sem associar esse aspecto com a sonoridade das palavras.
apresenta o significado objetivo de “ver navios”, informando dados da realidade com base numa experiência pessoal.
explora tanto a sonoridade da letra “v” quanto o concretismo visual das palavras, associando-os ao significado dos versos.
utiliza as palavras aleatoriamente, sem nenhuma relação de significados entre si, num processo típico da modernidade.
No poema,
exalta-se a poesia que busca a perfeição formal, valorizando-se a métrica em detrimento do conteúdo.
dirige-se com ironia aos poetas Schimdt e Vinicius, cuja exacerbada vaidade contrasta com a modéstia de Drummond.
alude-se à necessidade, defendida por Drummond, de a poesia abordar temas socialmente relevantes.
critica-se a tendência de se comparar a grandeza de poetas, desconsiderando-se a dimensão intangível da poesia.
defende-se que a poesia pode surgir a partir de elementos aparentemente banais do cotidiano, como uma fita métrica.
Falando-se sobre versificação, leia os itens e assinale a alternativa verdadeira.
I- Versificação é a arte de fazer versos.
II- Verso é cada linha do poema, é uma unidade rítmica.
III- Ritmo é a cadência de sons produzida pela sucessão de sons fortes, (sílabas tônicas) e sons fracos, (sílabas átonas).
IV- Metro é a medida do verso, é a quantidade de sílabas poéticas.
Apenas os itens I e IV estão corretos.
Apenas os itens I e III estão corretos.
Todos os itens estão corretos.
Apenas os itens II e III estão corretos.
A aproximação entre a leitura de poesia e a brincadeira oferece à criança a possibilidade de agir além do comportamento habitual enquanto amplia o conhecimento da língua.
Certo
Errado
“ Vou-me embora prá Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora prá Pasárgada”
( Manuel Bandeira )
Ao ler esses versos de Manuel Bandeira, pode-se dizer que:
I - O poema reflete a busca do autor para a liberdade.
II - No poema há o entendimento de que o autor já viveu em Pasárgada, como se lá fosse a sua própria morada de outrora.
III - O poema ressalta a ideia do poeta de uma fuga para um lugar melhor.
IV - Em Pasárgada, o autor teria a possibilidade de viver aventuras amorosas e a satisfação de desejos eróticos.
Estão corretos os itens:
Somente I e IV
Somente II e III
Somente I e III
I, II, III e IV
Leia atentamente as afirmações a seguir:
I. Os versos “Às vezes você me pergunta / Por que é que eu sou tão calado / Não falo de amor quase nada / Nem fico sorrindo ao teu lado...” revelam que o autor e a entidade já mantinham certo relacionamento.
II. A música sugere que a felicidade humana está diretamente ligada à conformidade com as normas sociais e religiosas.
III. Não é possível afirmar que canção trata sobre a busca por sentido e identidade.
É (São) incorreta(s) a(s) afirmação(ões):
Apenas III.
Apenas II.
Apenas I.
II e III.
Leia o poema a seguir e analise as assertivas a seu respeito:
Canção do exílio
Gonçalves Dias
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o Sabiá,
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
I. Trata-se de um poema formado por seis estrofes, cada uma delas, um quarteto.
II. Os versos do poema são todos heptassílabos.
III. Trata-se de um poema formado somente por versos brancos.
Quais estão corretas?
Apenas I.
Apenas II.
Apenas l e II.
Apenas l e III.
Apenas Il e III.
De acordo com a habilidade EF69LP48 do do Currículo do Ensino Fundamental II de Itatiba, espera-se que os alunos interpretem “em poemas, efeitos produzidos pelo uso de recursos expressivos sonoros (estrofação, rimas, aliterações etc)”.
No caso dos versos de Quental e de Quintana, fica evidente nas estrofes transcritas o recurso a
versos brancos e livres.
rimas emparelhadas ou alternadas.
versos em redondilhas maiores.
versos em redondilhas menores.
rimas interpoladas e preciosas.
Considere o texto abaixo:
Os bons vi sempre passar
No mundo, que os não estima;
E os maus sempre a prosperar,
Na sua má usança, sublima.
Assim que o mundo é tal,
Que premeia a quem não deve,
E castiga o leal;
E, se por bom se houve,
Não há prêmio nem favor,
Que lhe faça melhor
Luís Vaz de Camões
O poema camoniano em evidência, pela forma e pelo conteúdo que apresenta, trata-se de um(a)
cantiga, uma vez que apresenta uma crítica social com estrutura poética em mote e glosa.
esparsa, já que retrata a injustiça e a arbitrariedade no mundo em uma forma poética monostrófica.
trova, pois apresenta reflexões filosóficas em uma estrutura de sete sílabas poéticas de rimas alternadas.
elegia, poema composto de versos hexâmetros e pentâmetros alternados, que aborda a fragilidade dos temas morais.
vilancete, composto por um mote (três primeiros versos) e uma glosa (desenvolvimento do mote em sete versos) sobre uma temática popular.
O poema apresenta sequências de versos rimados e métricas regulares, como em “Seus olhos que brilham tanto / Que prendem tão doce encanto”. Essa organização formal caracteriza principalmente:
A prosa poética, marcada pela ausência de métrica e rima estruturada.
O verso livre, que permite liberdade total na extensão e ritmo.
A poesia clássica ou lírica, com preocupação rítmica e sonoridade musical.
O haicai, pela condensação de imagens em poucas sílabas.