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Alguns desafios, no campo da assistência social, em sua perspectiva de integralidade, ainda não foram superados, segundo autores como Monnerat e Souza (2011). Entre os principais fatores influenciadores, destacam-se determinações sócio-históricas, políticas e econômicas que contribuem para que alguns obstáculos, afeitos ao processo de elaboração, implementação e execução dessa política, não sejam superados. Quando se consideram esses obstáculos, persistentes no campo da assistência social, como um das políticas que compõe o tripé da Seguridade Social Brasileira, cita-se/citam-se:
A sua lógica contributiva, as particularidades de sua dinâmica e formas de operacionalidade junto ao setor saúde e sistema previdenciário.
A previsão do atendimento integralizado e universal das necessidades mais ampliadas da população, como mecanismo de legitimação do sistema de proteção social brasileiro.
A imprecisa definição do que vem a ser uma política, programas, projetos e serviços, no âmbito da tipificação socioassistencial, mesmo considerando a suficiente aplicação de recursos financeiros.
A omissa atuação das organizações não governamentais que, mesmo tendo forte capacidade técnica setorial e recursos financeiros, responsabilizam o Estado pelo desenvolvimento de todas as ações ligadas à política de assistência social.
A interveniência de um clientelismo político, somada à precariedade do trabalho profissional desenvolvido por um corpo técnico que, com expressiva frequência, são contratados, temporariamente, para desenvolverem atividades em um campo com expressiva trajetória assistencialista.
Considerando a obra “Políticas Sociais: temas & questões” de Pereira (2011), assinale a alternativa que representa a compreensão da autora sobre as políticas sociais:
A compreensão da política social perpassa pela perspectiva micro, ou seja, sua abordagem é avessa ao contraditório e à dinâmica relacional.
A política social é um processo determinado e, portanto, se dá em um vácuo teórico conceitual e ideológico, estando alheia aos acontecimentos econômicos e às correlações de forças políticas.
A política social, sob a égide do capitalismo de feição liberal, transformou-se em um campo de práticas concretas, em que imperava a predominância da responsabilidade estatal e o fortalecimento dos direitos sociais.
A política social possui como função elementar condenar e agir contra as excrecências sociais e fará sentido se for controlada pelas classes dominadas e funcionar como meio de satisfação das necessidades sociais e não das necessidades do capital.
Vários estudiosos sinalizam que chegamos ao ápice do processo de financeirização mundial. Se outrora a ênfase estava somente nos processos de industrialização e urbanização, desde a década de 1970, tem-se a defesa de um capital fetichizado que, mais do que nunca, “vivifica” a mercadoria, “coisifica” o homem e o impede de ter acesso a direitos historicamente conquistados. Esses fatores estruturais, por sua vez determinantes, são direcionados pelas lógicas capitalistas de mercado que também incitam certas posturas e intervenções do Estado. Nesse sentido, sob influencia de um conjunto de ideias políticas e econômicas neoliberais, o Estado tende a
se recompor, em termos organizacionais, por ser cotidianamente pressionado a criar novas leis para regular as relações econômicas e sociais que, por sua vez, podem contribuir significativamente para a melhoria das condições de vida das pessoas.
criar e ampliar programas de redistribuição e transferência de renda, considerando que somente com a melhoria das condições de vida dos indivíduos é que se consegue fomentar o crescimento econômico e social.
ser desburocratizado, para que tenha um melhor controle de taxas, da inflação, e também de preços e produtos. Essa ação favorece, inclusive, a ampliação da lei de oferta e demanda e a ampliação do acesso populacional a bens, direitos e serviços públicos de maior qualidade.
intervir minimamente na economia, favorecendo o livre mercado e o crescimento econômico que, não necessariamente, promove o desenvolvimento humano e social de um país.
A Constituição Federal de 1988, conhecida como a “Constituição Cidadã”, incluiu em seu texto mecanismos de controle social das políticas públicas, nos níveis municipal, distrital, estadual e federal. É correto afirmar que:
O controle social no âmbito das políticas de Seguridade Social é exercido unicamente através dos conselhos, os quais desempenham funções de fiscalização, de mobilização, de deliberações ou de consultoria.
Os conselhos da saúde e da assistência social são órgãos colegiados com participação de representantes do governo e sociedade civil, enquanto que o da previdência é composto apenas por técnico do INSS e do Ministério de Previdência Social.
As ouvidorias também são mecanismos de participação da população na gestão da política apenas no âmbito do SUS.
Os conselhos da saúde, da assistência e da previdência são descentralizados nos níveis municipais, distrital, estaduais e federal.
Os conselhos das políticas de saúde, previdência e assistência social não dependem de previsão legislativa, posto que são órgãos de participação popular.
As políticas sociais, na contemporaneidade, configuram um padrão privatista e mercantilista caracterizado por um conteúdo liberal-conservador. Neste sentido, é CORRETO afirmar que o atual padrão de políticas sociais condiciona intervenções:
Direcionadas a ampliação da cobertura de serviços e programas sociais;
Burocráticas, imediatistas e instrumentais na ótica de superação das estruturas de poder instituídas;
Focalizadas e instrumentais direcionadas ao atendimento de demandas imediatas;
Direcionadas a transformação das relações de poder;
Seletivas, focalizadas, direcionadas a universalização de direitos.
O estudo sobre os fundamentos e as particularidades do serviço social permite entender essa profissão, historicamente demandada, nos marcos de uma dada sociedade que, contraditoriamente, provoca acúmulos socioeconômicos ao passo que acirra desigualdades. Com base nesses estudos, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas:
( ) O serviço social tem na questão social a base de sua fundação como especialização do trabalho.
( ) Repensar a questão social significa entender que mesmo em contextos sócio-históricos diferenciados, as suas bases e expressões continuam as mesmas, independentemente das fases e modificações do sistema vigente.
( ) Somente as políticas de “pleno emprego” e a implementação de sistemas de proteção social mais ampliados, como o Welfare State, poderão erradicar, efetivamente, a questão social.
( ) A questão social refere-se ao conjunto das expressões das desigualdades da sociedade capitalista madura, que tem uma raiz comum: a produção social é cada vez mais coletiva, o trabalho torna-se mais amplamente social, enquanto a apropriação dos seus frutos mantém-se privada, monopolizada por uma parte da sociedade.
( ) Pode-se afirmar que, no Brasil, a emergência da nova questão social se deu com a promulgação da Constituição Federal de 1988.
( ) Os assistentes sociais trabalham com a questão social nas suas mais variadas expressões cotidianas, tais como os indivíduos as experimentam no trabalho, na família, na área habitacional, na saúde, na assistência social pública etc.
Com base nas análises indique a única alternativa que apresenta resposta coerente com as correlações realizadas, considerando as afirmativas de cima para baixo:
V, V, F, V, V, V.
F, V, F, F, V, F.
V, F, V, F, F, V.
F, F, V, F, V, V.
V, F, F, V, F, V.
Sobre o Plano Diretor da Reforma do Aparelho de Estado (PDRE) é CORRETO afirmar segundo Correia e Santos (2015):
As políticas sociais foram consideradas no PDRE serviços exclusivos do Estado, entretanto,é permitido ao Estado dividir essa atuação com outras organizações públicas “não estatais” e privadas.
No PDRE as funções colocadas para o Estado são de exclusivamente executar e financiar as políticas públicas.
A gestão das políticas sociais permanece pública, mas o financiamento é privado.
O PDRE ao priorizar as instituições sem fins lucrativos na parceria com o Estado, possibilita o Estado máximo para a área social.
Propõe o crescente repasse da gestão e do fundo público para o setor privado (denominado “público não estatal”) ou para instituições ditas “estatais”, mas com personalidade jurídica de direito privado.
Sobre a relação entre política social, direitos sociais e cidadania, analise as afirmativas.
I - Não há contradição entre a formulação/implementação de políticas sociais e a consecução de direitos de cidadania.
II - O grau de seletividade de uma política social é contraditório com a perspectiva universal do direito social.
III - Não há, necessariamente, identidade prática entre política social e direito social.
IV - Uma política social é parametrada pela concepção estatal de cidadania e de direitos sociais.
Estão corretas as afirmativas
I e II, apenas.
III e IV, apenas.
I, II, III e IV.
II, III e IV, apenas.
“É o processo pelo qual se desenvolve o fator humano na sociedade. Inclui a promoção de direitos humanos fundamentais, a participação no processo de decisão política e em todos os esforços voltados à construção de um desenvolvimento global, com justiça e bem-estar para todos, sem que nenhum segmento social seja marginalizado desse processo. ”
O texto acima se refere ao conceito de:
Desenvolvimento humano.
Desenvolvimento integrado.
Desenvolvimento social.
Desenvolvimento sustentável.
Sobre as redes de serviço da assistência social, é instância de deliberação e controle social:
Conselhos estaduais.
Fundos municipais.
Comissão Intergestores Tripartite.
Comissão Intergestores Bipartite.
Secretarias Estaduais.
O fundo público sofre pressões e funciona como elemento fundamental para a reprodução do capital e também para a reprodução da força de trabalho.
Sobre o modelo brasileiro de proteção social não contributiva, pode-se afirmar que:
A Constituição Federal (CF) brasileira de 1988, ao afiançar os direitos humanos e sociais como responsabilidade exclusivamente pública, operou, ainda que conceitualmente, fundamentais mudanças, pois acrescentou na agenda dos entes públicos um conjunto de necessidades até então consideradas de âmbito pessoal ou individual.
Discutir a previdência social tem significado, no Brasil, o exame de um seguro social, portanto, não contributivo, quer pelos beneficiários para os quais presta assistência, quer para seus patrões e para o Estado.
A saúde só foi incluída e reconhecida como direito de todos pela Lei Orgânica da Saúde de 1990 que institui o Sistema Único de Saúde.
A inclusão da assistência social no seguro social foi uma decisão plenamente inovadora. Primeiro, por tratar esse campo como de conteúdo da política pública, de responsabilidade estatal, e não como uma nova ação, com atividades e atendimentos eventuais. Segundo, por desnaturalizar o princípio da subsidiariedade, pelo qual a ação da família e da sociedade antecedia a do Estado.
A inclusão da assistência social significou ampliação no campo dos direitos humanos e sociais e, como consequência, introduziu a exigência de a assistência social, como política, ser capaz de formular com objetividade o conteúdo dos direitos do cidadão em seu raio de ação, tarefa, aliás, que ainda permanece em construção.
A questão social ocupa posição central nos estudos, pesquisas e como objeto da intervenção profissional dos assistentes sociais. No movimento de construção de conhecimentos na área do Serviço Social e das políticas sociais, abordar e desvendar a questão social constitui um desafio, frente a complexidade que adquiriu o mundo contemporâneo e dos impactos dos processos de acumulação capitalista. É correto afirmar que, diante do contexto de crise e mudanças que caracteriza os anos recentes, a questão social, em sua essência, permanece a mesma; o que demanda a compreensão é a questão social em
sua superação.
suas novas expressões.
sua reformulação.
seu fortalecimento.
seu desequilíbrio.
A configuração do Estado em um contexto de crise estrutural do capital consolidou um conjunto de políticas de exceção via controle da massa de trabalhadores expropriada do trabalho. Essas políticas tem como estratégias:
universalização do acesso a programas sociais e ampliação do controle social.
programas de transferência de renda e iniciativas voluntárias da sociedade civil.
regulação da participação popular e programas de transferência de renda.
gestão das políticas públicas pelos movimentos sociais e privatização do acesso aos serviços.
Descentralização e globalização são dois termos que nos últimos dez anos, se tornaram recorrência frequente nos discursos e propostas dos políticos e burocratas brasileiros. Também na área social do governo a globalização, como impacto radical e a descentralização – como estratégia de ganhos – têm sido objeto da análise e das considerações de técnicos, burocratas, organizações governamentais e diversos outros segmentos da sociedade, direta ou indiretamente interessados no tema.
Analisando sob a ótica da descentralização brasileira temos, por um lado, que:
O novo modelo econômico associado ao processo de globalização, que entre outras coisas preceitua o liberalismo econômico em um ambiente totalmente nacional, implicava a necessidade de um Estado menos moderno e capaz de atender ao livre mercado e à sua finalidade social;
Durante os anos 80, descentralização era “recomendada” como estratégia ótima para alcançar o “novo modelo” de Estado adequado ao processo de internacionalização das economias;
O antigo modelo econômico associado ao processo de globalização, que entre outras coisas preceitua o neoliberalismo econômico em um ambiente internacional, implicava a necessidade de um Estado mais moderno e capaz de atender ao livre mercado e à sua finalidade social;
Durante os anos 70, descentralização era “recomendada” como estratégia ainda fraca para alcançar o “novo modelo” de Estado adequado ao processo de internacionalização das economias.
Sobre concepção de cidadania moderna, baseada nos estudos de Marshall (1967), marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) A liberdade de associação e de reunião e a possiblidade de participação política referem-se aos direitos políticos.
( ) Os direitos sociais foram instituídos imediatamente após a conquista dos direitos civis.
( ) Os direitos civis e os direitos políticos antecederam aos direitos sociais, os quais foram conquistados a partir das lutas do movimento operário.
( ) Os direitos sociais estão vinculados à concepção econômica liberal clássica.
Assinale a sequência correta.
F, V, F, V
V, V, F, F
F, F, V, V
V, F, V, F
Nas sociedades baseadas em economia de mercado, a pobreza representa a primeira exposição a riscos, especialmente em contextos nos quais as famílias não possuem acesso a bens e serviços básicos que viabilizem oportunidades para o enfrentamento de adversidades. A ausência de recursos materiais alimenta ainda outras fragilidades, tais como a baixa escolarização, condições precárias de saúde, de nutrição e de moradia. Nesse sentido, é correto afirmar que as vulnerabilidades e riscos remetem às noções de carências e de
alienação.
compensação.
sobreposição.
exclusão.
intervenção.
Conhecer os conceitos de risco e de vulnerabilidade social é muito importante para o educador social, devendo esse profissional estar ciente de que
a vulnerabilidade social, diferentemente do risco, é entendida no âmbito da sociologia, como uma condição exclusiva de indivíduos economicamente desfavorecidos.
esses conceitos são equivalentes e dizem respeito aos indivíduos e às suas suscetibilidades ou predisposições a consequências negativas.
esses conceitos devem ser entendidos como processos associados a diferentes contextos histórico-sociais e a diferentes áreas disciplinares.
o risco social e vulnerabilidade são sinônimos de pobreza, porém, é o risco social que coloca a pessoa em situação de vulnerabilidade social.
Considerando o trabalho desenvolvido pelos profissionais nas esferas de formulação, gestão e execução da política social, em um campo extremamente tensionado por projetos profissionais e societários em disputa, em uma dinâmica que expressa as contradições e os interesses sociais públicos e privados no contexto de processos coletivos de trabalho, assinale a alternativa que está em DESACORDO com os desafios profissionais desse contexto:
A intervenção profissional no campo da política social se depara com duas questões cruciais: a autonomia e a especificidade profissional.
A autonomia profissional, o desenvolvimento do pensamento social crítico e a postulação de que a profissão se insere na divisão sociotécnica permitiram o avanço no debate relacionado à condição do assistente social como trabalhador assalariado.
A tensão gerada entre o projeto profissional, que designa o assistente social como ser dotado de liberdade e teleologia, e a sua situação de trabalhador assalariado, ao serem apreendidas subjetivamente, expressam-se através de reclamações acerca da distância entre o projeto profissional e a realidade, ou sobre a discrepância entre teoria e prática.
A postulação da interdisciplinaridade como diretriz dos processos de trabalho nas políticas sociais, particularmente nos serviços sociais, tem exigido – em tempos de acirramento de corporativismos e de busca pela expansão dos campos disciplinares – cada vez mais, uma definição objetiva acerca do que compete aos diferentes profissionais.
Os novos modelos institucionalizados nacionalmente e bastante flexíveis, quanto ao controle da implantação das políticas sociais, inexistentes anteriormente, aumentam a autonomia do assistente social.
Em uma perspectiva histórico-crítica o debate acerca do Estado Social no capitalismo expressa:
uma tensa e contraditória relação entre a luta da classe trabalhadora pelos direitos e as necessidades de regulação estatal para a acumulação do capital.
uma vinculação essencial com o processo de execução das políticas sociais consolidadas a partir da crise do sistema feudal e advento do capitalismo industrial.
uma relação industrial com o conjunto das políticas sociais tendo em vista definir a priori os procedimentos, instrumentos e técnicas para os serviços.
uma síntese unilateral de construção de uma legislação social e trabalhista cunhada no processo da acumulação flexível e reestruturação produtiva do trabalho no capitalismo contemporâneo.