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Segundo Pontes (2010), a mediação, como categoria intelectiva antológica e reflexiva, permite aos assistentes sociais construir categorias para auxiliar a compreensão e ação profissionais fundamentadas nas
faticidades.
imediaticidades.
particularidades.
inespecificidades.
heterogeneidades.
A articulação/regulação da vida cotidiana é um processo complexo que compreende, ao mesmo tempo, luta e integração, afirmação e negação, expressão, manifestação e organização. Do ponto de vista funcionalista do Serviço Social, a integração significa ajustamento, treinamento, adaptação e
negação.
submissão.
composição.
omissão.
oposição.
Segundo a análise de Marconsin, apud Forti & Guerra (2013), a documentação tem a importante tarefa de oferecer subsídios para a análise e intervenção do serviço social na realidade. De acordo com a autora, essa tarefa faz parte:
da história e constituição do serviço social como profissão.
da tarefa institucional para análise dos dados coletados.
do momento fundante da ação profissional numa vertente crítica.
da sistematização de dados para o desenvolvimento teórico-prático profissional.
da reconstrução da prática profissional nos diferentes espaços institucionais.
O conhecimento converte o todo caótico (a instituição apresentada na sua imediaticidade) em concreto pensado (a instituição apreendida na sua totalidade).
Sobre instituição, é CORRETO afirmar que
os fenômenos singulares (a instituição) são sempre singularidades de um universal (instituições próprias do modo de produção capitalista) e, por isso, se manifestam em si mesmos.
descobrir a funcionalidade da instituição ao capital exige que se alcance a dimensão imediata desta.
as relações de poder, constantes no organograma, expressam as relações reais que se estabelecem no cotidiano da instituição.
não há todo (instituição), que se encerra em si, mas totalidades em processo (instituição cujas forças sociais e políticas se renovam permanentemente), mas não se explicam em relação (com as totalidades parciais que a compõem).
o profissional da prática, mediante a reconstrução das categorias históricas constituintes do espaço profissional e do fluxo que verte por meio das mediações articuladoras do complexo campo das forças e processos constitutivos do espaço institucional, vai lhe facultar possibilidades concretas.
Segundo Forti (2011), sendo os assistentes sociais profissionais que potencialmente contribuem para a efetivação de direitos, estes têm como tarefa imprescindível o conhecimento:
dos serviços, programas e projetos que possam dar suporte às fragilidades vivenciadas pelos sujeitos alvos de sua atuação
dos diferentes interesses que fundamentam o debate sobre os direitos humanos na sociedade contemporânea
da lógica que preside a sociedade capitalista, os mecanismos necessários para sua perpetuação e o significado das reais possibilidades dos direitos humanos nessa sociedade
de seu espaço sócio-ocupacional e as tensões e contradições nele presentes
teórico-metodológico, ético-político e técnico-interventivo e social
Tomando por base a análise realizada por Iamamoto (2009), pode-se compreender que as alterações verificadas nos espaços sócio-ocupacionais do assistente social estão relacionadas:
a processos sociais historicamente datados, expressando a dinâmica da acumulação, a composição do poder político e a correlação de forças em seu âmbito, refratando ainda as particulares condições e relações de trabalho prevalecentes na sociedade brasileira
a processos macrossociais que incidiram sobre o universo do trabalho na sociedade pós-industrial, sendo agudizados a partir do regime de acumulação flexível
a processos ético-políticos gestados pelo movimento de renovação do Serviço Social no Brasil que possibilitaram novas bases para a construção do projeto ético-político crítico
a processos sociais historicamente datados, expressando a dinâmica da acumulação, a composição do poder político e a correlação de forças em seu âmbito, referindo-se a condições sociais globais inscritas no âmbito do capital fetiche
à autonomia e ao pleno desenvolvimento da profissão que permite que, no momento presente, o Serviço Social tenha prestígio e reconhecimento pela classe trabalhadora
Considerando a atuação profissional crítica do assistente social, o conjunto articulado de instrumentos e técnicas utilizados denomina-se:
tecnicismo.
instrumental.
prática.
intervenção.
referencial.
No debate contemporâneo acerca do Serviço Social, conforme Iamamoto, estão postos diversos desafios para o assistente social. Portanto, para a construção de estratégias para o enfrentamento desses desafios é necessário:
um profissional polivalente, que apresente eficiência e eficácia em seu processo de trabalho e seja engajado na participação ativa dos movimentos sociais.
um profissional articulado com as propostas de emancipação humana dos sujeitos sociais e que enfrente, frontalmente, as tendências neoconservadoras da sociedade.
um profissional atento às possibilidades descortinadas pelo mundo contemporâneo, crítico, propositivo e que aposte no protagonismo dos sujeitos sociais.
um profissional qualificado no âmbito técnico-operativo que valorize a natureza interventiva da profissão e que seja capaz de analisar as correlações dos micropoderes presentes nas instituições.
um profissional competente e com possibilidades de exercer a dimensão investigativa da prática profissional para atendimento das demandas institucionais.
De acordo com o Conselho Federal de Serviço Social (2008), fazem parte do processo de trabalho do Serviço Social a articulação de
objeto, meios, atividade e finalidade.
pesquisa, estudo, avaliação e conclusão.
atendimento, análise e encaminhamento.
entrevista, encaminhamento e retorno.
acolhimento, prescrição e conclusão.
O Serviço Social brasileiro contemporâneo apresenta contorno acadêmico-profissional e social renovado, voltado à defesa do trabalho e dos trabalhadores, do amplo acesso à terra para a produção dos meios de vida, marcado pelo compromisso com a afirmação da democracia, entendida enquanto socialização do poder político, da riqueza e da cultura, no terreno da história. Nessa direção, a luta pela afirmação dos direitos, que reconheça as efetivas necessidades e interesses dos sujeitos sociais, é hoje fundamental como parte de um processo de
permanente busca do saber acumulado na história e sua respectiva incorporação à teoria do Serviço Social.
acumulação de forças em direção à superação histórica das desigualdades.
implementação de políticas de caráter humanista que se responsabilizem pela inclusão sócio-espacial da população marginalizada.
controle da violência urbana de modo a não interferir no cotidiano das grandes cidades.
transformação social que conduza o país a patamares elevados no ranking mundial.
Maria, separada do marido há 10 meses, tendo com este um filho de três anos que, conforme regulamentação judicial de visita, fica com o pai durante fins de semana alternados, além de um dia na semana, no qual ele pega o filho na creche e o devolve à casa da mãe no dia seguinte, recorre à justiça pleiteando que o regime de visitação seja alterado para visitas sem pernoite, em local público, durante 4 horas, em um dos dias do final de semana. Alega que só agora descobriu que o ex-marido é homossexual e que desde a separação vive com um companheiro na mesma casa em que o filho frequenta durante as visitas. Informa ainda que foi instada a investigar a situação em razão das constantes referências que o filho fazia ao “amigo do papai”. Em sua contestação, o pai confirma a nova condição sexual, bem como o fato de estar morando com o companheiro, embora assegure que jamais permitiu que o filho presenciasse qualquer situação constrangedora tanto dentro de casa quanto na rua. Acrescenta ainda que, antes de saber da situação, a ex-mulher sempre comentava que o menino adorava visitá-lo e que falava com alegria dos passeios e brincadeiras que faziam nos dias de visita.
A assistente social a quem coube a realização da perícia determinada pelo juiz da Vara de Família, atestou a veracidade dos fatos relatados pelas partes, e, tendo ouvido a criança, observou que a relação entre ela e o pai é de confiança e bastante afetiva, assim como com seu parceiro, a quem se refere sem denotar qualquer estranhamento. Maria, entretanto, durante as entrevistas, manifestou repulsa pela situação, dizendo-se disposta a tudo para impedir que o filho conviva num ambiente que qualifica de imoral, promíscuo e perturbador do desenvolvimento psíquico e emocional, bem como comprometedor da formação do caráter e de princípios que norteiem as escolhas éticas e morais de qualquer criança. Frente à natureza do conflito, a assistente social elabora laudo pericial no qual oferece ao juiz a seguinte sugestão:
atender parcialmente a demanda da requerente, estabelecendo, por um período de 6 meses, encontros entre pai e filho nas dependências da Vara, os quais serão acompanhados por um psicólogo que fará relatório conclusivo ao final do prazo, objetivando avaliar a dinâmica da relação e possíveis prejuízos ao desenvolvimento psíquico e emocional da criança;
negar o pedido da requerente, mantendo os termos da regulamentação de visitas anteriormente definidos pelo juiz, uma vez que, não havendo nos autos razões objetivas que justifiquem a limitação do pleno exercício da paternidade, bem como do direito da criança de conviver com o pai, fica configurada a prática de alienação parental por parte da mãe;
suspender temporariamente as visitas como forma de evitar a espiral do conflito e encaminhar os pais para Terapia Familiar, na medida em que litígios dessa natureza são melhor equacionados através de formas alternativas de resolução de conflitos;
encaminhar as partes ao Centro de Mediação, já que, por se tratar de conflito polarizado por valores e visões antagônicas da situação, o atendimento à demanda de uma das partes ou a tentativa de composição dos interesses sem a participação dos interessados pode levar à escalada do conflito e resultar em sérios prejuízos ao bem-estar da criança;
deferir o pedido da requerente, em consideração ao interesse superior da criança, tendo em vista o fato incontestável de que o pai não oferece ambiente familiar adequado ao pleno desenvolvimento emocional do filho.
O Serviço Social desenvolve suas ações com base em um arcabouço de representações teóricas e ideais resgatadas das ciências sociais ou da tradição marxista, as quais são reconstruídas frente ao tipo de questões que seus profissionais enfrentam no seu cotidiano. Essa reconstrução põe como necessária a incorporação de recursos constitutivos da prática profissional, a saber:
a avaliação e a articulação.
o plantão social e o encaminhamento.
a triagem e a visita domiciliar.
a reflexão e a ética.
a pesquisa e a investigação.
A ação profissional do assistente social envolve aspectos ético-políticos, teórico-metodológicos e técnico-operativos que norteiam a direção social da prática cotidiana. Ao emitir um parecer social, o assistente social precisa ter clareza dessas questões, pois, ao desvelar a mediação Estado, instituição e classes subalternas é que se dará a compreensão das políticas socioassistenciais como espaços contraditórios onde, se ocorre o controle, o enquadramento dos subalternos, também ocorre
a fragilização de forças presentes no território.
o fortalecimento da questão social.
a aliança de interesses próprios de sociedades em desenvolvimento.
a luta por direitos de cidadania.
a subordinação ao poder.
Analisar os espaços sócio-ocupacionais do assistente social exige
inscrever a reflexão no movimento histórico da sociedade brasileira e mundial, considerando os processos culturais que condicionam o modo como o Serviço Social se insere na sociedade do capital de manufatura.
desconsiderar os distintos projetos em disputa no espaço institucional em que se implementam políticas públicas.
compreender que as transformações em tais espaços têm origem nos processos microssocietários, o que põe em relevo as específicas condições e relações de trabalho.
tecer análises lineares, ainda mais considerando as formas de enfrentamento do capital às suas crises de acumulação.
além das dimensões objetivas que conferem materialidade ao fazer profissional, ser preciso considerar, também, o modo pelo qual o profissional incorpora na sua consciência o significado do seu trabalho e a intencionalidade de suas ações.
De acordo com Iamamoto (2006:p.168), “A análise do Serviço Social no âmbito das relações sociais capitalistas visa superar os influxos liberais que grassam as análises sobre a chamada ‘prática profissional’, vista como prática do indivíduo isolado, desvinculada da trama social que cria sua necessidade e condiciona seus efeitos na sociedade. Os processos históricos são reduzidos a um ‘contexto’ distinto da prática profissional, que a condiciona ‘externamente’. A ‘prática’ é tida como uma relação singular entre o assistente social e o usuário de seus serviços –, seu ‘cliente’ – desvinculada da ‘questão social’ e das políticas sociais”.
A concepção descrita acima leva à formação de um profissional:
dotado de um referencial socioteórico que lhe permite analisar criticamente a sociedade e a profissão;
mistificado e que reproduz mistificações, pois é dotado de uma frágil identidade com a profissão;
cuja inserção institucional é mediatizada pela análise sociohistórica da profissão;
vinculado a práticas profissionais emancipadoras, cujo traço salvacionista é preponderante;
crítico, criativo, compromissado e competente, posto que sua prática é iluminada pelo referencial dialético.
Pontes (2010) afirma que, sem a apreensão dos sistemas de ________________, torna-se impossível uma melhor definição ________________________para o exercício profissional, que se restringe aos limites da demanda ___________________.
Os termos que preenchem, respectivamente, as lacunas de forma correta são
intervenções, teórico-prática, institucional.
negociações, teórico-metodológica, social.
intervenções, teórico-prática reflexiva, social.
mediações, técnica-operacional, educacional.
mediações, teórico-metodológica, institucional.
Para uma abordagem do Serviço Social no processo de reprodução das relações sociais, a análise da profissão do Assistente Social, suas tarefas e atribuições em si mesmas não permitem desvendar a lógica no interior do qual ganham sentido, afirma Yasbek. Segundo a autora, a análise do Serviço Social deve:
Ultrapassar a análise do Serviço Social em si mesmo para situá-lo no contexto das relações mais amplas capitalistas.
Articular a análise social com as questões psíquicas do indivíduo, propondo o método estudo de casos em Serviço Social.
Ser elaborada em conjunto com agentes do Estado e da Igreja.
Considerar o discurso hegemônico dos profissionais sobre a questão social para definir suas atribuições e seus papéis na sociedade.
Evitar a contextualização da profissão visto à regularidade dos fatos sociais.
O Assistente Social é considerado um agente subordinado ou privilegiado nos espaços institucionais, em função de sua
localização na hierarquia institucional.
adesão ao poder institucional.
relação com o objeto institucional.
trajetória na estrutura organizacional.
competência teórica e profissional.
O assistente social possui alguns limites e possibilidades em sua intervenção nos diversos espaços sócio-ocupacionais, exercendo uma autonomia relativa, que se articula com o(a):
atrelamento ao estatuto de assalariamento do profissional e às condições de trabalho institucionais.
a impossibilidade do profissional na construção de um conjunto de respostas institucionais para os usuários.
sintonia com os projetos macrossocietários de transformação da ordem instituída.
condicionamento pelas lutas hegemônicas sociais que influenciam suas bases e que indicam a direção social projetada na sua ação profissional.
vinculação com as múltiplas expressões da questão social que são estruturais ao capitalismo, o que interfere na capacidade de resolução dos conflitos.