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Nos últimos 20 anos o conceito e a prática da economia solidária estabeleceram-se em diversas áreas geográficas do território brasileiro. Assim, podemos verificar, por exemplo, a produção vegetal orgânica estabelecida pelo MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terras no RS ou o PNAE – Programa Nacional de Alimentação Escolar, que integra a agricultura familiar e o abastecimento de hortifrutis das escolas públicas; estas ações são estratégias de desenvolvimento territorial.
Quanto ao conceito de desenvolvimento territorial, assinale a alternativa correta.
A ideia de desenvolvimento territorial evolui, a partir dos anos 80 do sec. XX, do conceito de desenvolvimento local, pois contempla a exploração dos recursos de uma área geográfica muito mais ampla
As estruturas produtivas do território devem perseguir padrões de eficiência e eficácia, assim como de agregação tecnológica, que orientam o crescimento das indústrias tradicionais
Os ativos específicos de um território são formados por suas condições físicas e geográficas, assim como pelos saberes coletivos e pelos processos de aprendizagem característicos
A formação de um território resulta do encontro e da mobilização dos atores sociais que disputam um dado espaço geográfico e que procuram, a partir de seus interesses, identificar oportunidades empresariais
Os investimentos que norteiam o desenvolvimento territorial devem estar orientados a estabelecer verticalidades produtivas de forma a que os processos possam esgotar os recursos necessários da própria comunidade
Denúncias recentes apontam que a desnutrição e o adoecimento entre comunidades yanomami estaria relacionada à inação do governo federal frente à crise humanitária, e revelam um aspecto da história brasileira que pode ser nomeado como
aculturação.
migração.
etnocídio.
modernização.
socialização.
Resumo: O Cravo e a Rosa: último capítulo de 30/09/2022
(29/09/2022 –11:32 Arthur Marinho.)
Leia agora o resumo da novela O Cravo e a Rosa, em reprise na TV Globo (de 26/09 a 30/09/2022), e saiba o que vai acontecer nos próximos capítulos do folhetim. Escrita por Walcyr Carrasco, em 221 capítulos, a trama é protagonizada por Adriana Esteves, Eduardo Moscovis e antagonizada por Drica Moraes.
Capítulo 206 – segunda, 26 de setembro
Joaquim manda Januário se aconselhar com Petruchio. Dinorá afirma que foi coagida pelo irmão, quando inventou a doença de Bianca. Cornélio resolve lhe dar uma chance e os dois se reconciliam. Calixto e Mimosa se casam. Petruchio dá as alianças de presente. Januário conta para Petruchio que Lindinha está na casa de Kiki. Bianca ouve e conta a Catarina. [...]
(Resumo: O Cravo e a Rosa: último capítulo de 30/09/2022. Disponível em: resumodasnovelas.online.)
No Brasil, uma das principais expressões da indústria cultural são as telenovelas. Foi na televisão que esse gênero consolidou-se como um modo específico de entretenimento de massa. Por conta da importância que adquiriram no cotidiano, as novelas são objeto de debate em diferentes esferas da sociedade e também nas Ciências Sociais. Na sociologia, a interpretação das novelas, cinema e a influência da TV apresentam algumas visões, sendo que na perspectiva crítica desenvolvida por Adorno e Horkheimer, mesmo que não especificamente desenvolvida acerca das novelas, mas a cultura de massa de uma forma mais ampla:
Preconiza-se que a utilização do modelo clássico de oposição simples entre o bem e o mal das novelas ajuda o espectador a tomar suas decisões.
Dita-se a ideia de interpretar, que os enredos, os personagens e as cenas têm nas novelas, serve ao propósito de fazer o público refletir na sua própria vida.
Concebe-se as novelas como elementos integradores, com temas populares que não encontram espaço de discussão na agenda política de partidos e governos.
Considera-se as novelas, dentre outros fatores, como um veículo de difusão da ideologia das classes dominantes, um modo de alienar o público, falseando a realidade.
Entende-se que as novelas cumprem um papel importante e crucial na conscientização e na discussão de comportamentos das diferentes classes sociais brasileiras.
Se inibimos ou escondemos dos olhos do estrangeiro ou do inocente o ‘Você sabe com quem está falando?’, deixando de integrá-lo em nossa visão corrente do que fabrica o Brasil, é certamente porque o rito revela conflito e, vale reiterar, nós somos avessos aos conflitos. Em um mundo que tem que se mover obedecendo às engrenagens de uma hierarquia que deve ser vista como algo natural, os conflitos contidos nas interrogações contundentes tendem a ser tomados como irregularidades.
DAMATTA, Roberto. Você sabe com quem está falando? Rio de Janeiro: Rocco, 2020. Adaptado.
Segundo o autor, a expressão “Você sabe com quem está falando?”
é expressão isolada do abuso de poder por parte de determinados indivíduos detentores de status.
manifesta uma característica tipicamente brasileira aos olhos dos observadores estrangeiros.
explicita de maneira perturbadora a naturalização tácita de papéis e posições sociais.
mostra que mesmo em sociedades igualitárias é possível a ocorrência de situações de arbitrariedade.
é uma exceção à sociabilidade brasileira, em que não há lugar para conflitos e hierarquias rígidas.
“A obra de Guerreiro Ramos é marcada pela crítica ao pensamento imitativo que caracterizaria a sociologia brasileira, segundo ele propensa à importação acrítica de ideias e teorias europeias e norte-americanas. Guerreiro Ramos utilizou-se do conceito de _______________ para descrever o processo pelo qual os cientistas sociais do Terceiro Mundo podem apropriar-se de forma criativa dessas teorias ao evidenciarem os seus contextos históricos de produção. Essa foi sua grande contribuição para o pensamento social brasileiro” (MAIA, 2021, p. 20).
Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna do trecho acima.
Redução sociológica
Decolonialidade
Imaginação sociológica
Artesanato intelectual
Perspectivismo
Em “Saúde e democracia: história e perspectivas do SUS”, a socióloga Nísia Trindade Lima e outros (2005) abordam as mudanças no Sistema de Saúde do Brasil após 1988. Nesse sentido, analise as assertivas a seguir.
I. O Sistema Único de Saúde (SUS) teve sua origem em 1992, então fornecendo serviços de saúde privados com baixo custo a toda população.
II. Ainda que o SUS tenha sido um avanço em relação aos antigos sistemas de saúde do Brasil, os desafios enfrentados são muitos e exigem ações integradas do Estado e da sociedade.
III. A precarização do trabalho na área da saúde é um problema que afeta não só os profissionais de saúde, mas também os usuários do SUS.
Quais estão corretas?
Apenas I.
Apenas II.
Apenas I e III.
Apenas II e III.
I, II e III.
O sociólogo Roberto DaMatta estuda, em seu livro Carnavais, Malandros e Heróis, o dilema permanente entre o autoritarismo e a hierarquização da sociedade brasileira e a procura de atributos de solidariedade, altruísmo, harmonia e democracia.
Em relação ao pensamento de DaMatta, assinale a alternativa correta.
A expressão do dilema apontado pelo autor se concretiza na coercitividade policial exercida pelo Estado onde “manda quem pode, obedece quem tem juízo”
O autoritarismo entendido pelo autor se afirma na existência de uma ordem social baseada na meritocracia e por isso, não contestada
O reconhecimento social de privilégios individuais acrescido de um arcabouço legal que oprime e controla os indivíduos se consolida na existência de uma sociedade que tem caminhado no sentido de se tornar democrática
O dilema entre o autoritarismo das pessoas e a busca pela “convivência pacífica” dos indivíduos favorece a aceitação social de privilégios para pessoas das classes dominantes (“você sabe com quem está falando?”) e a redução dos indivíduos, expostos às leis do mercado e da burocracia
A figura do malandro é estereótipo fundamental do despossuído brasileiro, remetendo àquele que não gosta de trabalhar, não cumpre as leis e que tem por paradigma legal a popular “Lei de Gérson: gosto de levar vantagem em tudo”
“Há quase 50 anos a planta trepadeira cipóimbé faz parte da vida de Tania Mara Pereira Nunes, moradora de Paranaguá, no Paraná. Aos 8 anos, ela aprendeu com a mãe e a avó que era possível transformar o cipó em diferentes objetos, entre eles cestas, bonés, tapetes e chapéus. ‘Eu cresci com minhas duas irmãs vendo minha mãe fazendo cada coisa bonita e ela sustentou a gente com esse trabalho, assim como minha avó. Elas [mãe e avó] estão falecidas, mas a arte me aproxima delas, diz’ ”
(G1, 2022).
Assinale a alternativa que indica o nome de uma população tradicional que realiza a atividade descrita no excerto.
Cipozeiros
Faxinalenses
Piaçaveiros
Retireiros
O pragmatismo norte-americano foi uma forte influência no debate sobre os rumos da educação no Brasil do século XX, como o demonstram os contatos epistolares com filósofos de universidades norte-americanas e as viagens de intelectuais brasileiros para os Estados Unidos.

No centro da imagem, Anísio Teixeira (de óculos) e Monteiro Lobato (à sua esquerda), nos Estados Unidos, na década de 1920.
Assinale a afirmativa que descreve corretamente esse diálogo entre a filosofia pragmática norte-americana e a orientação do sistema educacional brasileiro, proposta por representantes do pensamento social brasileiro.
A relação entre democracia e educação, defendida por Anísio Teixeira, pois apenas em uma comunidade democrática pode se concretizar o objetivo educacional de habilitar os indivíduos a continuar a própria formação.
A defesa do ensino religioso e livre da tutela do Estado, propugnada por Gustavo Capanema, em diálogo com o pensamento de Alceu Amoroso Lima.
A apologia ao folclore, realizada por Monteiro Lobato, por entender a educação como transmissão e conservação de saberes legados pela tradição brasileira.
A ascensão educacional de negros e mulatos pela educação religiosa, propagada por Gilberto Freyre ao desenvolver o conceito de democracia racial.
A implantação da educação domiciliar, apoiada por Florestan Fernandes como uma prática que favorece o saber prático, tornando as crianças competentes em vários campos da atividade humana.
Aquarela do Brasil, que inicialmente recebeu o nome de Aquarela Brasileira, foi composta pelo mineiro Ary Barroso no final dos anos 30, durante a Era Vargas. A música é considerada a fundadora do samba-exaltação:
Brasil, meu Brasil brasileiro
Mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
Brasil, samba que dá
Bamboleio que faz gingar
O Brasil do meu amor
Terra de nosso Senhor
Abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Canta de novo o trovador
A merencória luz da lua
Toda a canção do seu amor
(Disponível em: https://www.letras.mus.br/ary-barroso/163032/.)
Até então o samba era voltado à malandragem. A partir daí, o Estado Novo investiu pesado no uso da música como veículo de sua ideologia exaltando o trabalho, chegando a distribuir verbas a escolas de samba, com a condição de que trocassem temas que evocassem a malandragem por temas nacionalistas e patriotas incentivando ao trabalho. Vários autores da sociologia se debruçam no estudo da ideologia, seu significado e presença na história, sendo que:
Para Marx, as ideologias seriam representações do mundo elaboradas pelas classes dominantes que visam à manutenção e à reprodução das relações.
Na visão de Gramsci, os trabalhadores não são submetidos a uma ideologia mas, simplesmente, a uma teia tecnológica que dispensa ideologias.
Para Gramsci, por exemplo, as classes dominadas, apesar de não possuírem ideologia própria, aceitariam a ideologia dominante por interesses econômicos.
Marx, apesar de aprofundar seus estudos no campo econômico contra o capitalismo, elencou a cultura como único campo estratégico de luta trabalhista.
Para Marx e para Gramsci, o processo de dominação se dá na cultura pela capacidade de convencimento, em uma disputa por hegemonia entre essas classes.
Victor Nunes Leal foi um importante jurista brasileiro, nascido em 1914 e falecido em 1985. Entre suas principais obras, podemos citar “Coronelismo, Enxada e Voto”, resultado de um estudo monográfico para sua tese de concurso, tendo sido publicada no ano de 1948. Essa importante obra do autor, o primeiro estudo monográfico sobre a temática, versou sobre o coronelismo, fenômeno característico de um período específico da história política brasileira, estando situado entre os anos 1889 a 1930. Sobre o fenômeno do coronelismo na perspectiva de Leal, assinale a alternativa incorreta.
Oriundo da junção de uma estrutura política desenvolvida com uma inapropriada estrutura socioeconômica, caracteriza-se pelo exercício do poder privado sob moldes arcaicos em um contexto em que há um sistema representativo
O coronelismo havia uma “troca de proveitos”, no qual o poder público oferecia algo ao coronel e vice-versa, estabelecendo-se um compromisso entre dois poderes: um a nível nacional e outro no âmbito local
No coronelismo, o poder local detinha o controle dos votos e o transpunha em moeda de troca frente aos instrumentos de controle da massa ofertados pelo poder público
As causas do coronelismo estavam associadas à consolidada força do poder local no Brasil, já que no nível da política municipal as instituições eram mais consolidadas e autônomas
Para além dos fatores econômicos, o prestígio se constituía como elemento central para o fenômeno do coronelismo, já que dele se originavam o controle de votos e tornava-se possível o escambo característico do fenômeno
A ditadura militar brasileira (1964-1985) buscava legitimar-se institucionalmente pela adoção de princípios anticomunistas, patrióticos, desenvolvimentistas, antipolíticos, tecno-burocráticos e modernizadores do estado. Buscando efetivar uma governança em concordância com tais princípios, o general Humberto Castello-Branco, então presidente da República, efetuou uma profunda reforma administrativa. Dentre as principais medidas dessa reforma encontra-se a
implantação de políticas de descentralização administrativa.
implementação de técnicas e estratégias de gestão democrática.
contratação de quadros políticos favoráveis à redemocratização.
privatização compulsória de autarquias e sociedades de economia mista.
defesa do Estado Democrático de Direito como princípio político central.
No Brasil, a valorização do trabalho e do trabalhador, conforme preceitos traçados pelo OIT, fora inserida na Constituição de 1934, a primeira a Constituição Brasileira a incorporar os direitos sociais e a ordem econômica em nosso país. Em 1º de maio de 1943, foi promulgada a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Deve-se ressaltar que a CLT não teve apenas efeito sobre as relações de trabalho, mas também no âmago do trabalhador, fazendo com que ele passasse a se valorizar e, com isso, exigir ser valorizado, como descreve Márcio Túlio Viana: “desse modo, ao lado da CLT, a imagem do nosso trabalhador foi mudando – até para ele mesmo. Antes, o trabalho já valorizava os produtos que ele fazia, agora, ele próprio ganhava um valor que antes parecia não ter. Já não era preguiçoso ou ignorante. Era de raça boa, exemplo para o mundo. E tinha agora uma identidade – a identidade que os anarquistas queriam lhe dar e que a própria CLT lhe oferecia, mesmo de maneira um tanto diferente”.
(VIANA, 2013.)
A ideia do trabalho como forma de realização do homem em sociedade infelizmente atinge uma parcela pequena de trabalhadores, de modo que no mundo do trabalho atual convivem, sob a mesma legislação, trabalhadores com características muito distintas. Além disso, na atualidade brasileira, especificamente:
Verifica-se assim que a sociedade e o mundo do trabalho contemporâneo são voláteis, às vezes se modificam conforme as necessidades corporativas ou individuais.
A doutrina dominante em relação ao trabalho tem exposto que a natureza da relação de emprego só pode ser contratual independentemente da vontade das partes.
Mesmo após a abolição da CLT continuam as relações de precarização do trabalho e do trabalhador, bem como a ausência de políticas públicas que visem a criação de empregos.
O que dificulta garantir o caráter real do direito do trabalho, sem fazer com que ele perca sua essência, é identificar os trabalhadores que necessitam realmente de sua proteção.
As relações de trabalho, sejam elas de emprego ou não (uma relação de emprego sempre é relação de trabalho; mas nem toda relação de trabalho é relação de emprego), são geridas unicamente pela CLT.
Apesar das diversas e frustradas tentativas de “ocupação planejada” da Amazônia por populações provenientes do Nordeste, Sul e Sudeste do Brasil, desde a década de 70, do século XX, ela ainda é povoada em sua maior parte por povos originários, caboclos e ribeirinhos, povos tradicionais da floresta.
Diante do exposto, analise as afirmativas a seguir.
I. A principal atividade de subsistência destes povos está apoiada em práticas ______.
II. Estas práticas, quando levam em consideração a reposição natural dos recursos, são denominadas práticas ______.
III. A interação entre os povos tradicionais e as atividades científicas proporcionou o desenvolvimento de novas técnicas, com vistas a preservar a ______.
Assinale a alternativa que preencha correta e respectivamente as lacunas.
de consumo / insustentáveis / lucratividade
individualistas / isoladas / produtividade
consensuais / reposicionistas / longevidade
de subsistência / sustentáveis / biodiversidade
capitalistas / neofordistas / privacidade
Pretendo mostrar como a transformação do samba em música nacional foi o coroamento de uma tradição secular de contatos entre vários grupos sociais na tentativa de inventar a identidade e a cultura popular brasileiras. Não é minha intenção negar a existência da repressão a determinados aspectos dessa cultura popular, mas apenas mostrar como a repressão convivia com outros tipos de interação social, alguns deles até mesmo contrários à repressão.
VIANNA, Hermano. O mistério do samba. Rio de Janeiro: Zahar, 2012. Adaptado.
Considerando o trecho acima, é correto afirmar que, para o autor, a construção do samba como símbolo da identidade brasileira, foi
uma consequência necessária da dinâmica de luta de classes no ambiente social brasileiro.
a expressão da resistência dos grupos oprimidos diante da absoluta rejeição de sua cultura pelas elites.
uma invenção das elites letradas que se apropriaram parcialmente de expressões populares.
a prova de que as relações raciais no Brasil seguem um padrão democrático, harmônico e pacífico.
uma resultante da persistente interação entre estratos da sociedade brasileira a despeito das desigualdades.
Caio Prado Júnior apresentou uma análise crítica sobre os efeitos da origem colonial da formação socioeconômica do Brasil.
As opções a seguir apresentam características do que o autor considerou como o “sentido da colonização”, à exceção de uma. Assinale-a.
A escravidão foi a instituição central da produção, capaz de fornecer a força de trabalho.
O povoamento obedeceu aos desígnios da metrópole e seus interesses econômicos exploratórios.
A maior parte da riqueza gerada em território nacional manteve-se alimentando o mercado interno.
O modo de produção hegemônico era baseado no grande latifúndio empregado para a monocultura.
A colonização brasileira está situada na história da expansão do capitalismo mundial.
Na obra “A casa e a rua: Espaço, cidadania, mulher e morte no Brasil”, Roberto DaMatta argumenta que casa e rua não são, na sociedade brasileira, apenas espaços geográficos diferentes, mas entidades morais, domínios culturais institucionalizados diversos. Neste sentido, o brasileiro se comporta de forma diferente nesses espaços, o que explicaria nossa relação com valores como cidadania, igualdade e direitos. Isso acontece porque
a casa representa o desejo da propriedade privada, valor estruturante da sociedade capitalista, enquanto a rua é coletiva e universal, sem dono.
a rua é o espaço da competição pela sobrevivência, onde todos estão em guerra contra todos, enquanto na casa o que impera é a colaboração entre os indivíduos.
a rua representa a violência urbana nessa analogia, em oposição ao espaço da casa, marcado pela segurança e pela proteção a todos os membros da família.
a casa é o domínio da incerteza e da insegurança, porque não é regida por leis e normas, enquanto na rua podemos exigir nossos direitos.
a casa é o ambiente familiar, onde somos pessoas, enquanto a rua é o espaço da impessoalidade, onde deveríamos ser todos iguais.
O gentílico [brasileiro] se implanta quando se torna necessário denominar diferencialmente os primeiros núcleos neobrasileiros, formados sobretudo de brasilíndios e afro-brasileiros, quando começou a plasmar-se a configuração histórico-cultural nova, que envolveu seus componentes em um mundo não apenas diferente, mas oposto ao do índio, ao do português e ao do negro.
RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro. São Paulo: Global, 2015.
Darcy Ribeiro entende que a formação do povo brasileiro
deu-se em continuidade e manutenção das tradições dos povos que participaram da configuração colonial.
foi o transplante da sociedade metropolitana ibérica e sua replicação no território colonial.
baseou-se na persistência da intimidade dos povos autóctones com seus territórios originários.
dependeu de uma situação em que cada etnia participante perdeu os seus caracteres culturais de origem.
produziu uma nação fragmentada nas diversas identidades constituintes e seus conflitos recíprocos.
“Vai ter indígena com iPhone, sim. Estamos conectados, mas mais do que isso: ampliando vozes e conquistando espaços até então nunca alcançados”.
(GUAJAJARA, Lídia. Vai ter indígena de Iphone, sim. Portal Terra. Opinião. Brasília, 12 de mai. de 2022. Disponível em: <https://www.terra.com.br/nos/opiniao/midia-india/opiniao-vai-ter-indigena-com-iphone-sim,1162ac17f37ee2f972f50b9e4ff2b575ron139mt.html>. Acesso em: 25 de jan. de 2023).
Com esta afirmação a comunicadora digital indígena Lídia Guajajara buscou responder a quem questiona a identidade indígena a partir da posse de bens de consumo como celulares, pois esta seria uma visão romantizada sobre o indígena.
A partir das questões levantadas por essa fala podemos afirmar que a cultura é
um produto de um processo sócio-histórico que precisa ser preservado para que não perca sua autenticidade.
um conjunto de características compartilhadas entre indivíduos do mesmo grupo e que é reforçada pela tecnologia.
uma plataforma para a divulgação de ideias e posicionamentos de diferentes indivíduos, buscando generalizar opiniões.
um sistema que ordena o mundo social a partir de uma lógica própria, mas que está sempre em mudança.
uma rede de trocas culturais permanentes onde comportamentos são copiados, ainda que seus efeitos sejam indesejados.
"Em 1974, a transformação do Grupo de Trabalho em Superintendência de Desenvolvimento da Barra da Tijuca - SUDEBAR permite antever a tensão que se avizinha do processo de implementação do Plano e as ameaças potenciais às suas restrições sobre o uso e ocupação do solo."
REZENDE, Vera. e LEITÃO, Gerônimo. Lucio Costa e o Plano Piloto para a Barra da Tijuca: a vida é mais rica e mais selvagem que os planos urbanísticos. In: URBANA, V.6, nº 8, jun. 2014 - Dossiê: Cidade e Habitação na América Latina - CIEC/UNICAMP. Disponível em: naa/artcce/vveww/86353220ppdmp.br/ojs/index.php/urbana/article/view/8635320/pdf p. 678.
Uma das ameaças à aplicação do plano mencionado no texto foi a/o:
aumento do custo das terras.
interesse das grandes construtoras.
ausência de interesse estatal.
oposição da elite local.