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Os currículos são o conjunto de saberes culturais que, em dado momento, os responsáveis políticos e os especialistas em educação concordam que seja preciso trabalhá-los na escola para formar pessoas que vivem em um contexto social e cultural. Com relação às crianças de 0 (zero) a 3 (três) anos, Bassedas et alii (1999) afirmam que a existência de um currículo para essa etapa escolar é
algo desnecessário e improdutivo, pois a matrícula das crianças na educação infantil não é obrigatória no país.
algo irreal, considerando que não se pode falar em trabalho com conteúdos a ensinar para crianças tão pequenas.
algo inimaginável, pois o trabalho com crianças pequenas deve estar focado em atividades de interação social e de cuidado pessoal.
muito bom para que se alcance o padrão de qualidade esperado para a educação, desde que esse currículo seja obrigatório a todas as creches.
muito útil, pois serve como referência para os educadores, mas ele deve ter um caráter orientativo, não descritivo.
A aprendizagem é um processo contínuo, que pode acontecer em qualquer lugar e situação. Diante disso, muitas abordagens teóricas relacionadas à aprendizagem foram desenvolvidas ao longo dos anos no intuito de compreender como esse processo ocorre na vida do ser humano, levando-o a aprender, incluindo as de caráter inatista-maturacionista, comportamentalista, piagetiana, histórico-cultural, entre outras. Em se tratando da abordagem histórico-cultural, ela enfatiza que
há, na criança, um conjunto de qualidades ou características que estão fixadas nela desde o nascimento e que determinam um padrão de mudanças comum a todos os membros de determinada espécie, sendo verificadas durante a vida de cada indivíduo.
as ações e as habilidades dos indivíduos são determinadas por suas relações com o meio em que se encontram, influenciadas por fatores externos, pelo ambiente e pela experiência, havendo uma resposta do organismo a algum estímulo presente no meio ambiente.
a criança, desde o nascimento, está em constante interação com os adultos, que compartilham com elas seus modos de viver, de fazer as coisas, de dizer e de pensar, integrando-a aos significados que foram sendo produzidos e acumulados historicamente.
conhecer é organizar, estruturar e explicar a realidade a partir daquilo que se vivencia nas experiências com os objetos do conhecimento, através de um processo de incorporação, permitindo que as coisas e os fatos do meio sejam inseridos em um sistema de relações.
Suzana, educadora de creche de uma turma de dois e três anos, tem percebido que a cada dia as crianças se envolvem mais em conflitos para disputas de objetos e, também, que as crianças se opõem e dizem “não” às comandas propostas pela educadora.
um importante processo de diferenciação, o qual permite que a criança construa um sentimento de unidade subjetiva, e representa um momento crucial de constituição do eu.
a inaptidão dos pais em determinarem regras claras e limites para seus filhos, já que, atualmente, muitos pais sentem-se inseguros e acabam por satisfazer todas as vontades das crianças.
o vocabulário rudimentar das crianças nessa faixa etária, pois, em virtude da pouca capacidade de comunicação e expressão das crianças pequenas, elas tendem a resolver os seus conflitos por meio da disputa ou simplesmente dizendo “não”.
a realidade social na qual a criança está inserida, visto que, em contextos nos quais convive com crianças maiores ou adolescentes, os menores tendem a imitá-los, na intenção de conseguir o que desejam por meio da birra.
o imaginário da sociedade moderna a respeito da infância, no qual a criança passou a representar o papel central na família: a herdeira dos genes, dos bens, do status social e do sobrenome, o que tem tornado as pessoas individualistas desde a infância.
Na educação infantil, de acordo com a BNCC, o planejamento didático dos professores e o desenvolvimento das estratégias de aprendizagem devem estar vinculados a seis campos de experiência: conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer.
A BNCC inclui a arte como componente curricular na educação infantil, com o propósito de assegurar aos alunos não só o desenvolvimento das competências relacionadas à alfabetização, mas também de habilidades relacionadas a linguagens não verbais.
As sequências de atividades, na educação infantil, são planejadas e orientadas com o objetivo de promover:
Desafios impossíveis de serem enfrentados pelo grupo de crianças.
Uma aprendizagem específica e definida.
Atividades não necessariamente dentro de um contexto específico.
Desafios com graus similares de complexidade.
Os espaços são uma das preocupações dos parâmetros nacionais de qualidade da educação infantil (2018), uma vez em que esses devem pautar-se pelas dimensões do cuidar e educar. Sobre espaços na educação infantil, analise as afirmativas abaixo e identifique as corretas:
I- Recomenda-se que sejam previstos degraus e qualquer outro obstáculo que garantam a acessibilidade e segurança das crianças.
II- As salas multiuso são destinadas às atividades especificamente voltadas à estimulação de crianças com deficiência, com profissional da área habilitado e contratado especificamente para execução de atividades a que a sala se destina sobretudo o uso de tecnologias assistivas.
III- A cozinha, bem como todos os outros ambientes de serviço, necessita ser reservados e de difícil acesso às crianças sem monitoramento adequado, a fim de se evitarem acidentes.
IV- Crianças menores necessitam de uma delimitação mais clara do espaço, para evitar o risco de gerar desorganização quando este é muito amplo e disperso. A subdivisão desses espaços amplos em áreas-atividades contribuirá para a apropriação dos ambientes pelos pequenos usuários.
Assinale a alternativa correta:
Apenas as afirmativas III e IV estão corretas.
Apenas as afirmativas II e IV estão corretas.
Apenas as afirmativas I e III estão corretas.
Apenas as afirmativas I, II e IV estão corretas.
Todas as afirmativas estão corretas.
Sobre qualidade das interações, os parâmetros nacionais de qualidade da educação infantil (2018) definem como atribuições dos destinadas ao professor e aos profissionais de apoio da instituição de Educação Infantil:
I- Alternar brincadeiras de livre escolha das crianças com aquelas dirigidas, bem como intercalar momentos mais agitados com outros mais calmos.
II- Intervir e assegurar que as crianças tenham opções de atividades, interações e brincadeiras que correspondam aos interesses e às necessidades apropriadas às diferentes faixas etárias, com possibilidade de fazer alguma atividade enquanto esperam que o restante do grupo termine outra atividade.
III- Reconhecer e proibir expressamente determinadas atitudes, como punição corporal; retirada real ou ameaça de retirada de alimentos, de descanso ou uso do banheiro; linguagem abusiva ou profana; humilhação pública ou privada.
Assinale a alternativa correta:
Apenas as afirmativas I e II estão corretas.
Todas as afirmativas estão corretas.
Apenas as afirmativas II e III estão corretas.
Apenas a afirmativa I está correta.
Apenas a afirmativa III está correta.
Pioneira no conceito de brinquedoteca no Brasil, a autora afirma que brincar é importante, porque:
as crianças aprendem com brinquedos pedagógicos e tiram notas altas
desenvolve a imaginação da criança para brincar sozinha
crianças brincam enquanto adultos trabalham
é bom, é gostoso e dá felicidade
Na educação infantil, no que diz respeito à relação entre a escola e a família, Zabalza (1998) afirma que a participação das mães e dos pais das crianças
é benéfica quando ocorre diariamente, mas pode ser ruim se ocorrer esporadicamente.
enriquece a própria ação educativa que as famílias desenvolvem em sua casa.
intimida os educadores e, por essa razão, precisa ser agendada e autorizada pela direção.
prejudica a autonomia das crianças quando ocorre durante as aulas, deixando-as mimadas.
traz benefícios aos bebês, desde que se limite ao ambiente externo da escola.
A ideia de infância não existiu sempre da mesma maneira. Ao longo da História, constatamos um conjunto de visões sobre a criança que, de certa forma, influenciaram a organização da educação para a criança pequena. Assim, a Educação Infantil tem um papel importante nos dias de hoje, ao conceber a criança como um
ser humano completo em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social.
sujeito com direito a ter oportunidade de expressar seus sentimentos e de ser ouvida.
sujeito social histórico que deve ser visto, apenas, como um ser em crescimento.
ser com todas as características próprias em permanente transformação.
sujeito com direito à atenção da família, da comunidade e do poder público.
Conforme Zabalza (1998), a escola infantil como estrutura institucional global deve ir progredindo. Para que isso ocorra, ele estabelece alguns pontos importantes, entre eles:
A transformação em uma estrutura assistencial comprometida somente com a “guarda e custódia” de crianças pequenas.
A escola, por si só, possui recursos suficientes para enfrentar sozinha o desafio de construir um “novo mundo” para as crianças e ir avançando na direção de melhorar as condições de vida infantis.
Uma das finalidades que o modelo curricular atribui à escola infantil é o de dotar as crianças das competências, aptidões, hábitos e atitudes que possam facilitar a sua posterior adaptação ao Ensino Fundamental.
O sentido geral do trabalho na escola infantil não deve basear-se nas competências já assumidas pelo sujeito para reforçá-las e ampliá-las, pois isso é função da escolaridade posterior.
Preocupar-se essencialmente e apenas para que a criança seja feliz e esteja sendo cuidada durante esses anos.
Nas últimas décadas, têm ocorrido debates a respeito das diversas concepções sobre criança, educação, atendimento institucional e reordenamento legislativo, os quais têm sido determinantes para a formação de um novo profissional para atuar na educação infantil, a fim de responder às demandas atuais de educação das crianças de zero a cinco anos. Nesse sentido, com relação à formação docente, tais debates têm indicado
a necessidade de uma formação mais abrangente e unificadora para profissionais tanto de creches como de pré-escolas e de uma restruturação dos quadros de carreira que leve em consideração os conhecimentos já acumulados no exercício profissional, que possibilite a atualização profissional.
o baixo investimento em formação leiga para todos os professores que atuam nas creches e pré-escolas, prejudicando, assim, a carreira profissional docente e fomentando o desprestigio da profissão de professor, afastando o público mais jovem de investir na carreira de magistério.
a necessidade de ampliação de novas funções para os profissionais da educação infantil, entre elas as de berçarista, auxiliar de desenvolvimento infantil, monitor, recreacionista, dentre outras denominações similares, as quais sanariam o déficit de profissionais para essa etapa de ensino.
o alto investimento que tem ocorrido em políticas de formação de professores em nível médio, de forma abrangente e compensatória, suficientes para subsidiarem os profissionais da educação infantil a atuarem com compromisso e dedicação, valorizando-os em sua carreira docente.
A concepção de infância dos dias atuais é bem diferente de alguns séculos atrás. É importante salientar que a visão que se tem da criança é algo historicamente construído, por isso é que se pode perceber os grandes contrastes em relação ao sentimento de infância no decorrer dos tempos. Nesse sentido, é INCORRETO afirmar que:
Antigamente, a criança era vista como um sujeito de direitos, situado historicamente e que precisa ter as suas necessidades físicas, cognitivas, psicológicas, emocionais e sociais supridas, caracterizando um atendimento integral e integrado da criança, o que não ocorre mais nos dias de hoje.
A humanidade nem sempre viu a criança como um ser em particular, e por muito tempo a tratou como um adulto em miniatura.
O sentimento de infância é algo que caracteriza a criança, a sua essência enquanto ser, o seu modo de agir e pensar, que se diferencia da do adulto e, portanto, merece um olhar mais específico.
A concepção da criança como um ser particular, com características bem diferentes das dos adultos, e contemporaneamente como portador de direitos enquanto cidadão, é que vai gerar as maiores mudanças na Educação Infantil, tornando o atendimento às crianças de 0 a 5 anos ainda mais específico, exigindo do educador uma postura consciente de como deve ser realizado o trabalho com as crianças pequenas, quais as suas necessidades enquanto criança e enquanto cidadão.
A educação infantil está imbricada em uma realidade que visa atender crianças de 02 a 05 anos de idade. Isso denomina as instituições como creche e pré-escola. Assim, esse espaço constitui-se como lócus de enriquecimento cultural e de experiência para as crianças. Dessa forma, qual é a função da educação infantil?
A educação infantil é uma extensão da casa da criança e só é possível desenvolver se essa criança permanecer meio período na instituição.
A educação infantil é uma prática de observação, que apenas sistematiza as ações das crianças, um local em que não pode haver interferências em seu desenvolvimento.
A educação infantil serve apenas como uma instituição de cuidados para com as crianças, buscando estabelecer relações das famílias com elas.
A educação infantil está relacionada à criança, visando a uma atenção maior para essa faixa etária. Assim, assume a função de complementar a educação que as crianças recebem de suas famílias.
Segundo a autora, “agora sabemos que a criança não é um adulto que ainda não cresceu” (p.9), no entanto crianças ainda se veem, tal como os adultos, sobrecarregadas por agendas lotadas de atividades, e os pais sem tempo para as necessidades dos filhos. Nesse contexto, a proposta da brinquedoteca é:
desacelerar o cotidiano das crianças
alimentar a vida interior das crianças
preparar a criança para as suas conquistas sociais e materiais
ajudar a criança a descobrir suas habilidades e objetivos de vida
O desenvolvimento psicomotor infantil que leva a utilização predominante de um dos lados do corpo é conhecido como:
Esquema corporal.
Motricidade fina.
Lateralidade.
Motricidade ampla.
As crianças não são seres sociais por nascimento, mas todas, em um determinado momento de suas vidas, buscam a relação social e a integração em um grupo. Na educação infantil, as relações sociais e a integração a um grupo são resultado de um longo processo educativo. Conforme Gutiérrez (apud Arribas et alii, 2004), com crianças entre 0 e 3 anos, para favorecer as relações interpessoais, a criança deve, entre outras coisas, aprender a
falar em tom moderado.
fazer pequenas coisas sozinha.
descobrir as próprias habilidades.
respeitar a brincadeira dos outros.
utilizar as coisas de que necessita.
Frente às transformações ocorridas nos últimos 50 anos, a escola deve assumir a capacidade de atuar e organizar os conhecimentos em função das questões que se levantam na atualidade, inclusive em relação aos modos como as crianças vivem as suas infâncias e à própria concepção de infância. Para a educação infantil, Barbosa (2008) propõe que seja adotada a concepção das crianças como
aprendizes passivos e respondentes cuja principal tarefa é absorver os conteúdos que lhes são passados pelos educadores.
indivíduos disformes que, no que se refere às regras do bom convívio social, precisam ser moldados por meio do ensino.
protagonistas do seu desenvolvimento, realizado por meio de uma interlocução ativa com seus pares, com os adultos e com o ambiente.
seres em falta, incompletos, que precisam ser protegidos e receber dos adultos as ferramentas necessárias para sua formação integral.
tábulas rasas a serem preenchidas pelos adultos, a fim de que possam contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e tolerante.
Para Bujes (CRAIDY, 2001), “as instituições de educação infantil são hoje indispensáveis na sociedade”. Assim, ela afirma que a experiência da educação infantil, necessariamente, precisa:
Que as experiências curriculares resultem apenas do que, tradicionalmente, é considerado como conhecimento.
Entender que todas as ações, formas de expressão, de manifestação do gosto, da sensibilidade infantil são marcadas pelo que é vivido e aprendido, exclusivamente, nas creches e pré-escolas.
Incluir o acolhimento, a segurança, o lugar para a emoção, para o gosto, para o desenvolvimento da sensibilidade, entre outras coisas.
Constituir-se como um processo de transmissão cultural.
Considerar que a ideia de produção do conhecimento, na experiência escolar, se aplica às etapas posteriores à educação infantil.