Questões de Concurso sobre Os Contratualistas (Hobbes, Locke e Rousseau)

 
 
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Para os filósofos contratualistas, o Estado é pensado como tendo por origem um contrato entre os indivíduos. Segundo Thomas Hobbes, “é como se cada homem dissesse a cada homem: autorizo e transfiro o meu direito de me governar a mim mesmo a este homem, ou a esta assembleia de homens, com a condição de transferires para ele o teu direito, autorizando de maneira semelhante todas as suas ações”.


(HOBBES, T. Leviatã, cap. 17, In: MARÇAL, J. CABARRÃO, M.; FANTIN, M. E. (org.) Antologia de textos filosóficos, Curitiba: SEED-PR, 2009, p. 365.)


A partir do enunciado, é correto afirmar que Hobbes recorre à ideia do contrato com o fim de:


A

descrever como os Estados nacionais surgiram na história.


B

calcular os deveres e direitos dos indivíduos em relação ao Estado.


C

convocar os homens a resistirem ao poder do Estado.


D

mostrar que os homens agem na esperança de contrapartidas.


E

provar que os homens não sabem governar a si mesmos.

Podemos situar historicamente alguns pensadores na chamada Renascença e Idade da Razão (1500-1750). Quase todos demonstravam renovado interesse no conjunto da cultura clássica greco-romana e contestavam a autoridade da igreja (O livro da filosofia, São Paulo: Globo, 2011). Sabendo disso, faça a associação dos filósofos mais destacados do período, listados na primeira coluna, com as frases que melhor representam a síntese do pensamento deles, elencadas na segunda coluna.


COLUNA 01


1.Nicolau Maquiavel

2. Francis Bacon

3. John Locke

4. René Descartes

5. Thomas Hobbes


COLUNA 02


( ) Penso, logo existo.

( ) O homem é o lobo do homem.

) Conhecimento é poder.

( ) Os fins justificam os meios.

( )Todo o nosso conhecimento provém de nossa experiência.


A sequência CORRETA dos itens é:


A

4-5-2-1-3.


B

3-1-2-5-4.


C

2-1-4-3-5.


D

1-2-3-4-5.

O contrato social firma um acordo entre os seres humanos, a fim de que eles vivam em sociedade. Marque a alternativa que apresenta filósofos “contratualistas” que compartilham desta ideia:


A
Pascal, Hegel e Sócrates.

B
Descartes, Kant e Spinoza.

C
Hobbes, Locke e Rousseau.

D
Platão, Aristóteles e Locke

A filosofia de Hobbes foi muito influenciada pelas ideias de Bacon e Galileu. Por causa dessas influencias, Hobbes abandonou as grandes pretensões metafísicas (a busca da essência do ser). A partir de então, o filósofo buscou investigar as causas e propriedade das coisas. Relativo à filosofia de Hobbes, assinale a alternativa CORRETA.


A

A filosofia para Hobbes seria a ciência dos corpos, ou seja, tudo que tem existência natural.


B

Em seus estudos, Hobbes deu ênfase maior à filosofia da natureza do que à filosofia política.


C

Em sua tese, o principal assunto abordado é relacionado ao acaso e à liberdade.


D

Para o filósofo inglês, toda realidade poderia ser explicada a partir do elemento corpo, entendido como o elemento material que existe, independentemente, do pensamento.

Para Hobbes, a mais alta expressão da justiça está no cumprimento das determinações do soberano, na medida em que os homens alienaram seus interesses pessoais àquele que lhe dá em troca a segurança e a paz. Mas ao mesmo tempo essa submissão ao poder estatal não nega o fato de que haja uma lei da natureza, que se expressa pela razão, e que, justamente pelas insuficiências dos homens em concretizá-la em estado de natureza, é suplantada pela lei civil do soberano. [...] O direito do homem à sua preservação resulta da razão mas, além disso, é uma condição humana concreta. Por direito natural, os homens podem se defender, mas, mesmo que não lhes fosse permitido, fariam-no do mesmo modo. [...] Por isso, a lei fundamental da natureza, que manda buscar e seguir a paz, é imediatamente acompanhada por um direito natural fundamental, procurar todos os meios de defesa própria em caso de ausência de paz.

(MASCARO, Alysson Leandro. Filosofia do Direito. São Paulo: Atlas, 2018, p. 167 e 169)


De acordo com as ideias expostas acima e em consonância com o pensamento de Thomas Hobbes,



A

o estado de natureza representa o governo do soberano e a organização jurídica da sociedade civil.


B

estado de natureza e poder soberano são exatamente iguais.


C

o Estado fundamenta-se na razão e no poder soberano.


D

a sociedade civil está totalmente desvinculada do direito natural e do Estado.


E

estado de natureza, direito natural e sociedade civil são conceitos idênticos.

A nosso ver, a principal característica dessas doutrinas é serem extrovertidas: ou seja, não praticam a dedução a partir de princípios inatos, como tenta fazer o racionalismo, mas voltam-se para o exterior, tratam o homem como objeto de ciência. [...] observando o homem tal como ele é em vez de escrutinarem o dever-ser, acreditam que os atos dos homens estão instintivamente dirigidos pela vontade de bem-estar [...]. [...] o homem tende para a segurança. Essa necessidade será plenamente satisfeita pelo Estado [...]. Com efeito, é nesse momento que a política começa a se especializar; em vez de ser a ciência do justo, torna-se uma arte do útil, à qual o direito está subordinado.

(VILLEY, Michel. A formação do pensamento jurídico Moderno. São Paulo: Martins Fontes, 2009, passim)


As ideias expressas acima referem-se



A

ao normativismo de Hans Kelsen, expressão da máxima racionalidade da lei.


B

à doutrina ética, da autonomia da vontade e fenomenalista de Emmanuel Kant.


C

à filosofia “materialista”, liberta das orientações da moral neoestoica, de Thomas Hobbes.


D

à concepção aristotélica de Direito, representada, dentre outras, pela ideia de que o direito é a justa partilha dos bens.


E

ao pensamento platônico de justiça, que se relaciona à organização da pólis.

“No século XVIII, as noções de liberdade e igualdade avançaram com a original concepção política firmada na vontade geral (do povo), elaborada pelo “cidadão de Genebra” (Suíça) Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). Aspectos avançados do seu pensamento decorrem do entendimento de que cada cidadão pode transferir sua liberdade e seus bens apenas para a comunidade (interpretada como corpo único) da qual ele faz parte” (ARANHA e MARTINS, 2016, p. 249). A partir do trecho e de seus conhecimentos sobre a filosofia política de Rousseau, é correto afirmar que o contrato social


A

origina-se da discórdia entre os indivíduos, por isso uma das principais frases do pensador é a seguinte: “o homem é lobo do próprio homem”.


B

para ser legítimo tem a sua origem no consentimento unânime entre os indivíduos. No caso, cada sujeito se aliena de forma total ao abdicar sem reservas de todos os seus direitos em favor da comunidade. No entanto, tendo em vista que cada um é parte integrante da comunidade, ao abdicar de sua liberdade pelo pacto, ou seja, em prol da obediência da lei, acaba por obedecer a si mesmo e, assim, é livre.


C

expõe que obedecer à vontade geral consiste em algo ilusório e metafísico.


D

antecede ao estado de natureza, já que consiste em um termo pré-civil.

“É um conceito estabelecido por Augusto Comte para designar o amor mais amplo possível ao outro, vale dizer, a inclinação natural que nos levaria a escolher o interesse geral de preferência a nossos próprios interesses. Em seu sentido mais moral, por oposição a egoísmo e a egocentrismo, esse conceito designa a atitude generosa que consiste em sacrificar efetivamente seu interesse próprio em proveito do interesse do outro ou da comunidade. ”

O trecho acima se refere ao:


A
anamnese

B
altruísmo

C
amoralismo

D
agnosticismo

O trecho abaixo aborda os temas da natureza e da cultura:

“Não são, portanto, a razão, a afetividade, nem mesmo a linguagem que distinguem, em última análise, os seres humanos, mesmo que, à primeira vista, esses diversos elementos possam parecer discrimi-natórios. Quem tem um cão sabe perfeitamente que o cão é mais sociável e até muito mais inteligente do que alguns seres humanos! Nesses dois aspectos só diferimos dos animais pelo grau, do maior ao menor, mas não de modo radical, qualitativo. O critério de diferenciação entre o homem e o animal reside em outro ponto. Rousseau vai situálo na liberdade, ou, como exprime por meio de uma palavra que vamos analisar, na “perfectibilidade”. No animal, a natureza fala o tempo todo e fortemente, tão fortemente que ele não tem a liberdade de fazer nada além de obedecer lhe. No homem, ao contrário, domina certa indeterminação: a natureza está presente de fato, e muito, como nos ensinam todos os biólogos. Contudo, o homem pode afastar se das regras naturais, e até criar uma cultura que se opõe a elas. Por exemplo, a cultura democrática que vai tentar resistir à lógica da seleção natural para garantir a proteção dos mais fracos” (FERRY, L. Aprender a viver. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. p. 130133. Adaptado).

Segundo o texto de Luc Ferry, seguindo o pensamento de Rousseau, o que diferencia homem do animal é a


A
afetividade, que permite aos homens demonstrar suas emoções para com o outro.

B
comunicação, que permite aos homens estabelecer estratégias de ações conjuntas.

C
liberdade, que permite aos homens superar as regras naturais e fazer cultura.

D
perfectibilidade, que permite ao homem ser a única criatura perfeita no reino da natureza.

E
programação genética, que permite aos homens, e não aos animais, construir culturas.

Acerca da filosofia política de Hobbes, assinale com V o que for verdadeiro e com F o que for falso.

( ) A condição em que todos os homens naturalmente se encontram é para Hobbes a da guerra de todos contra todos.

( ) Justiça e injustiça não são mais do que convenções estabelecidas pelos homens.

( ) A política tem fundamento natural, logo, deriva dos ditames da natureza.

( ) A terceira lei da natureza prescreve que os homens busquem a paz.

Está correta, de cima para baixo, a seguinte sequência:


A
V, V, F, F.

B
F, V, F, V.

C
V, F, V, V.

D
F, F, V, V.
De acordo com Locke, um homem renuncia ao estado de natureza e ingressa na sociedade política porque

A
ele vai desfrutar de liberdade absoluta quando sujeito ao estado.

B
o estado de natureza é um estado sem a limitação de nenhuma lei.

C
no estado de natureza, o gozo de sua liberdade é muito incerto e inseguro.

D
ele rejeita as leis do estado de natureza.
A filosofia teórica de John Locke teve ampla influência na reflexão racional sobre o empirismo e o racionalismo. Considerando a teoria do conhecimento humano na filosofia de John Locke, assinale a afirmação FALSA.

A
O empirismo de Locke sustenta que todas as ideias simples derivam sempre e apenas da experiência.

B
O espírito humano é como uma folha em branco, uma tábula rasa, que constrói o conhecimento com base na razão.

C
Nosso intelecto pode combinar de vários modos as ideias que recebe, mas não pode de modo nenhum dar-se a si próprio as ideias simples e nem destrui-las.

D
Ter a ideia de algo em nosso espirito não prova a existência dessa coisa mais do que o retrato de um homem possa tornar evidente a sua existência no mundo.

Sobre John Locke, analise as afirmativas a seguir.

I. Não pretendeu transformar o discurso do cristianismo em discurso racional: para ele, fé e razão constituem âmbitos diferentes.

II. As leis, às quais os homens comumente referem as suas ações, são de três tipos diversos: as leis divinas; as leis civis; e, as leis da opinião pública ou reputação.

III. O empirismo lockiano possui bases na tradição empirista inglesa e, por isso, se opõe às ideias cartesianas de tal modo a produzir antagonismo.

A respeito de John Locke está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)


A

II.


B

I e II.


C

I e III.


D

II e III.

Leia o texto a seguir: “Porque enquanto cada homem detiver seu direito de fazer tudo quanto queira, todos os homens se encontrarão numa condição de guerra.” (HOBBES, T. Leviatã. SP: Nova Cultural, 2004. p. 114. Adap-tado)

O pensador inglês Thomas Hobbes acredita que, para evitar a guerra, os homens devem se associar e determinar a autoridade de um poder central (o Estado), capaz de assegurar a paz entre seus mem-bros. Essa autoridade precisa


A
construir um ambiente de diálogo.

B
garantir os desejos individuais.

C
instituir o estado de natureza.

D
limitar as liberdades individuais.

E
respeitar as decisões comuns.

Na obra Leviatã, Hobbes opõe-se à tese aristotélica de que o homem é sociável por natureza, dizendo que


A

as organizações sociais respondem a necessidades objetivas dos seres humanos, visto que eles precisam da proteção de um estado organizado e forte.


B

a socialização desvirtua o homem, tornando-o indefeso e marginalizado.


C

os indivíduos nascem livres e autônomos e rejeitam a vida em sociedade por ser escravizante.


D

é impossível a constituição de uma sociedade organizada e pacífica porque não atende às características naturais dos indivíduos.


E

no estado de natureza os indivíduos vivem isolados e em luta permanente, vigorando a discórdia e a luta de uns contra os outros.

“Dos poderes humanos o maior deles é aquele que é composto pelos poderes de vários homens, unidos por consentimento de uma só pessoa, natural ou civil, que tem o uso de todos os seus poderes na dependência de sua vontade.” Leviatã, Thomas Hobbes (1588-1679)


Na filosofia política de Thomas Hobbes, percebe-se que:


A

Na concepção de ser humano do autor, a natureza humana é percebida como agressiva e egoísta.


B

O contrato social institui a paz e preserva os direitos, segundo Hobbes.


C

As normas ditadas pelo Estado protegem os cidadãos contra inimigos externos e discórdias internas, daí a necessidade de um governo centralizado, conforme a teoria hobbesiana.


D

O Estado de natureza, segundo Thomas Hobbes, é um estado de guerra, em que cada um é governado pela própria razão e age em prol de sua vida, agindo da forma que lhe convém.


E

Todas afirmativas são verdadeiras.

Segundo Rousseau, a vontade geral


A

é a vontade de todos, resultante da soma de vontades particulares.


B

visa atender aos interesses de um segmento social majoritário.


C

visa à satisfação do bem comum e dos interesses da coletividade.


D

expressa as vontades ou interesses privados dos indivíduos.

Para o filósofo francês Jean-Jacques Rousseau, o homem é bom, livre e feliz no estado de natureza. Os vícios e a corrupção resultam da vida em sociedade. É na sociedade que os homens adquirem sentimento de inveja, cobiça e ódio entre seus semelhantes. Para que o homem viva conforme sua natureza boa, livre e feliz, Rousseau defende

A
a ruptura radical com os vícios da vida em sociedade e o retorno definitivo à vida em contato com a natureza.

B
uma educação em contato com a natureza para que na infância o homem não seja contaminado pelos vícios da sociedade.

C
uma revolução que ponha fim às instituições criadas pelo homem em sociedade e a adoção de um modo de vida anarquista.

D
a adequação aos bons costumes da vida em sociedade, pois é impossível o retorno definitivo à natureza.

E
que cada indivíduo busque ser bom na vida social ao controlar seus instintos maldosos, pois assim alcançará a felicidade.
Conforme a obra O Contrato Social de Rousseau, a vontade geral pode ser concebida como

A
a soma das vontades particulares dos cidadãos.

B
a vontade do poder executivo eleito em sufrágio universal pela maioria dos cidadãos.

C
a que expressa o que há de comum em todas as vontades individuais.

D
a vontade comum da maioria dos representantes do povo.

Imagem associada para resolução da questão

Assinale a alternativa correta.


A
A afirmativa I é verdadeira e a II, falsa.

B
A afirmativa I é falsa e a II, verdadeira.

C
As afirmativas I e II são verdadeiras e a II é uma justificativa da I.

D
As afirmativas I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I.
   
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