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A abordagem contemporânea do ensino de Língua Portuguesa compreende a gramática como instrumento de reflexão sobre o funcionamento da língua em situações reais de uso. Nessa perspectiva, o estudo dos aspectos gramaticais integra-se às práticas de leitura, produção textual e análise linguística, favorecendo a construção de sentidos e o desenvolvimento da competência comunicativa dos estudantes (ANTUNES, 2003).
Com base nas concepções contemporâneas sobre o ensino contextualizado de gramática, assinale a alternativa CORRETA.
O ensino de gramática torna-se significativo quando os recursos linguísticos são analisados em textos e situações efetivas de comunicação, articulando o estudo das estruturas aos efeitos de sentido, às finalidades discursivas e às práticas de leitura e produção textual.
A contextualização do ensino gramatical consiste em reorganizar os conteúdos da gramática a partir de atividades de interpretação textual, atribuindo às práticas de leitura e de produção escrita a responsabilidade pela sistematização dos conhecimentos linguísticos.
A aprendizagem da gramática alcança melhores resultados quando privilegia exercícios de classificação e memorização de nomenclaturas, pois esse procedimento assegura domínio das regras e favorece sua aplicação nas diferentes situações comunicativas.
O ensino gramatical produz resultados mais consistentes quando organiza os conteúdos em sequência normativa autônoma em relação às práticas de leitura e de produção textual, permitindo que os estudantes consolidem as regras da língua antes de aplicá-las às diversas práticas de uso da linguagem.
A análise dos fenômenos gramaticais organiza-se a partir de procedimentos metodológicos comuns aos diferentes gêneros textuais, favorecendo a sistematização dos conteúdos linguísticos e a continuidade do processo de aprendizagem entre distintas situações de ensino.
O Texto 4, ao direcionar para a ampliação da competência discursiva do aluno e para a adoção do texto como unidade básica do ensino, alinha-se à concepção sociointeracionista de linguagem. Nessa perspectiva, o instrumento pedagógico que permite ao aluno agir socialmente, dominando as condições de produção e circulação dos enunciados na interlocução, é de
função da linguagem, por ser a competência discursiva que aumenta a capacidade do aluno de identificar os elementos básicos da mensagem em situações formais de comunicação.
estratos de análise da língua, por ser a competência discursiva que contribui para o domínio de todas as unidades linguísticas de forma hierarquizada.
coesão e coerência textual, por constituírem as propriedades semânticas e gramaticais essenciais do texto, garantindo que ele seja interpretado de forma homogênea pelo interlocutor.
gêneros do discurso, por representarem as formas relativamente estáveis dos enunciados que possibilitam aos sujeitos se expressarem em diferentes contextos sociais.
Em oposição à perspectiva pedagógica tradicional do ensino de língua portuguesa, a qual ignora o papel dos fatores socioculturais no comportamento linguístico do falante, assim como ignora fatores de ordem histórica, o ensino produtivo da língua deve levar o aluno a compreender a realidade holística do seu idioma. Assim, mais do que ensinar a metalinguagem, é necessário que o aluno compreenda que há
um repertório verbal homogêneo a ser dominado, sendo o padrão culto o modelo aceitável para todas as situações de comunicação social.
uma maneira sistêmica e descritiva de uso da linguagem, cuja função da escola é a de ensinar a classificação técnica dos fatos linguísticos.
um código linguístico prestigiado que deve ser seguido, sendo que a escola deve atuar como força de neutralização das variações sociais e geográficas de uso da língua.
uma dinâmica heterogênea na língua, manifestada por múltiplas variedades condicionadas por fatores históricos, sociais e regionais.
Sobre as mudanças em relação ao uso do texto como objeto de ensino de língua materna no Brasil a partir da década de 1980, analise as assertivas abaixo segundo Rojo e Cordeiro (2004):
I. Em um primeiro momento, o texto foi usado nas aulas de língua materna como um objeto de uso e não de ensino. Isto é, funcionava como um propiciador de hábitos de leitura, produção textual e análise linguística.
II. Na fase do uso do texto como suporte, o texto passou a ser utilizado para ensinar estratégias e habilidades de leitura e produção, com foco nas estruturas de tipologia textual (narração, descrição, dissertação, argumentação e injunção) e elementos da linguística textual.
III. A partir de uma virada discursiva, os currículos oficiais brasileiros passaram a incluir as situações de produção, circulação e significações dos textos, bem como a abordagem por gêneros textuais.
Quais estão corretas?
Apenas III.
Apenas I e II.
Apenas I e III.
Apenas II e III.
I, II e III.
De acordo com Marcuschi (Produção textual, análise de gêneros e compreensão), os processos de coesão “dão conta da estruturação da sequência [superficial] do texto (seja por recursos conectivos ou referenciais); não são simplesmente princípios sintáticos, constituem os padrões formais para transmitir conhecimentos e sentidos.” Assim sendo, é correto afirmar que, na postagem, os conectores “Mas” e “E” respondem pelas relações de sentido, respectivamente, de
oposição entre o que a nonna conhece e o que ela de fato pratica; acréscimo de qualificativos para os conhecimentos científicos da nonna.
consequência dos saberes da nonna na realização de suas práticas; ressalva ao reconhecimento dos saberes da nonna para curar doenças.
ressalva à eficácia das habilidades da nonna quando age para curar; acréscimo de opinião enaltecendo a competência médica da nonna.
conclusão decorrente da convicção de que as ações da nonna são inócuas; reforço à ideia de que só se soube recentemente o que a nonna já sabia.
contraste entre o conhecimento formal e os conhecimentos práticos da nonna; ênfase no reconhecimento dos conhecimentos da nonna.
Para Cosson (Letramento literário: teoria e prática), a leitura literária deve ser, em relação ao professor e ao aluno, uma “prática significativa para eles e para a comunidade em que estão inseridos, uma prática que tenha como sustentação a própria força da literatura, sua capacidade de nos ajudar a dizer o mundo e a nos dizer a nós mesmos”. Desse modo, na perspectiva do autor, a leitura e a completude de seu sentido envolvem
domínio da linguagem, expressa na norma-padrão e na extensão de repertório para que os sentidos sejam captados adequadamente pelo leitor.
conhecimento dos cânones que definiram as constantes temáticas e estilísticas que reúnem as obras em escolas literárias e traçam o perfil da época.
reconhecimento das matrizes textuais que determinam as escolhas dos autores, a fim de identificar as influências sobre seus estilos e temas.
compreensão da realidade que motivou a seleção de temas pelo autor, como forma de traçar os sentidos que ele define como correto que o leitor capte.
experienciação do mundo por meio da palavra, compartilhando visões de mundo entre os atores do processo e a sociedade, no tempo e no espaço.
Quando se comparam os versos de Mia Couto “... e a única veia que lhe dói / é aquela que ele não sente.” aos de Camões “[Amor] “É um contentamento descontente, / É dor que desatina sem doer.”, identifica-se, a partir do reconhecimento de elementos composicionais, a intertextualidade no plano
estilístico, explícito na expressão de paradoxos.
temático, explícito na questão da dor amorosa.
discursivo, explícito no confronto de teses sobre a dor.
sintático, implícito no contraste das estruturas.
semântico, implícito no recurso à sinonímia.
De acordo com Gomes (2025, p. 4), “Ao abraçar a hibridização e a mestiçagem cultural e midiática, os multiletramentos permitem uma educação que reflete a diversidade e a complexidade do mundo contemporâneo, preparando os alunos para navegarem em um cenário de comunicação cada vez mais diversificado e interconectado”.
Fonte: GOMES, Luiza Carlinda Oliveira. Estratégias de ensino de aprendizagem de produção de textos: a aula de Língua Portuguesa mediada pelos multiletramentos. 2025. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Letras com habilitação em Língua Portuguesa) – Universidade Federal de Ouro Preto, Mariana, 2025.
Nesse contexto, qual das seguintes competências está diretamente associada ao desenvolvimento dos multiletramentos nos Anos Finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio?
Análise crítica de textos multimodais, como memes, infográficos e posts em redes sociais.
Memorização de regras gramaticais para aplicação em exercícios estruturais.
Memorização das características de gêneros literários canônicos.
Produção exclusivamente de textos dissertativos-argumentativos, com vistas ao ENEM.
Estudo da evolução da Língua Portuguesa, desde o latim vulgar.
Durante uma sequência didática, um professor propõe a análise de um texto do gênero reportagem, no qual se identificam trechos predominantemente narrativos ao relatar fatos, segmentos descritivos ao caracterizar personagens e espaços, além de passagens argumentativas ao interpretar dados e opiniões. Em seguida, solicita que os alunos classifiquem essas ocorrências à luz da distinção entre gêneros textuais e tipos textuais. De acordo com a concepção de tipos textuais desenvolvida por Luiz Antônio Marcuschi, a interpretação mais adequada é a de que:
os tipos textuais correspondem a categorias fixas de gênero, determinadas pela finalidade comunicativa global do texto.
a presença de diferentes sequências narrativas, descritivas e argumentativas descaracteriza o gênero reportagem.
os tipos textuais são eventos comunicativos socialmente situados, definidos prioritariamente pelo suporte e pelo contexto de circulação.
a identificação de tipos textuais depende exclusivamente da intenção subjetiva do leitor durante o processo interpretativo.
os tipos textuais constituem sequências linguísticas recorrentes que podem coexistir em um mesmo gênero, sem comprometer sua identidade funcional.
Durante a revisão coletiva de um texto argumentativo, o professor percebe que, embora os alunos utilizem conectivos, as ideias apresentadas não se articulam logicamente, resultando em contradições internas e dificuldade de compreensão por parte do leitor. Diante desse quadro, o professor decide reorientar o trabalho com a escrita. Considerando os princípios da Linguística Textual, essa intervenção deve priorizar:
a substituição dos conectivos por equivalentes formais mais sofisticados.
o planejamento textual, com definição de objetivo comunicativo, organização das ideias e revisão da coerência global do texto.
o aumento da extensão do texto, para ampliar o número de argumentos apresentados.
a eliminação de marcas subjetivas, em favor de uma escrita neutra.
a fragmentação do texto em frases independentes, evitando relações complexas.
O avanço das tecnologias digitais tem ampliado as possibilidades de organização do ensino, permitindo novas formas de acesso ao conhecimento e diferentes caminhos para o desenvolvimento da aprendizagem. Nesse contexto, surgem propostas educacionais que consideram os interesses, as habilidades e as formas de aprender dos estudantes. Com base nessas perspectivas, assinale a alternativa CORRETA.
O uso de inteligência artificial pode identificar interesses e estilos cognitivos dos estudantes, favorecendo estratégias pedagógicas personalizadas.
A utilização de tecnologias digitais na educação está basicamente relacionada à automatização de tarefas administrativas e ao avanço da robótica.
A personalização da aprendizagem implica substituir integralmente os conteúdos curriculares por temas escolhidos exclusivamente pelos estudantes.
A atomização do conhecimento refere-se à fragmentação do currículo em conteúdos desconectados, impossibilitando a aprendizagem aprofundada.
A personalização da aprendizagem baseada em tecnologias digitais elimina o papel do professor no processo educativo.
Uma das vantagens do uso das tecnologias digitais nos processos educacionais é seu aspecto multimodal, que permite mobilizar diferentes linguagens em simultaneidade.
Assinale a opção que exemplifica corretamente a multimodalidade.
Disponibilização de textos e exercícios escritos em ambiente virtual de aprendizagem.
Utilização de um ambiente online que combina explicações escritas e gráficos interativos.
Exibição de videoaula acompanhada de lista de exercícios para resolução posterior.
Aplicação de questionário online com correção automática e pontuação imediata.
Publicação de material didático em formato digital para leitura em diferentes dispositivos.
O Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos aponta que a educação em direitos humanos é compreendida como um processo sistemático e multidimensional que orienta a formação do sujeito de direitos, por meio da articulação de algumas dimensões.
Avalie se essas dimensões incluem:
I. apreensão de conhecimentos historicamente construídos sobre direitos humanos e a sua relação com os contextos internacional, nacional e local;
II. a afirmação de valores, atitudes e práticas sociais que expressem a cultura dos direitos humanos em todos os espaços da sociedade;
III. a formação de uma consciência cidadã capaz de se fazer presente em níveis cognitivo, social, ético e político;
IV. o desenvolvimento de processos metodológicos participativos e de construção coletiva, utilizando linguagens e materiais didáticos contextualizados.
Estão corretas as dimensões
I e II, apenas.
III e IV, apenas.
I, II e IV, apenas.
II, III e IV, apenas.
I, II, III e IV.
Segundo a concepção sociológica de habitus, a socialização familiar do indivíduo favorece o desenvolvimento de certas disposições que interferem no modo como ele se relaciona com as expectativas escolares.
Um exemplo de assimetria produzida pelo habitus ocorre quando o estudante
apresenta baixo desempenho porque perdeu vários conteúdos após longos períodos de ausência decorrentes de problemas de saúde.
demonstra baixo rendimento por não dominar conteúdos prévios necessários para compreender os novos temas trabalhados pela turma.
tem dificuldade de resolução de problemas porque o professor utiliza metodologias inadequadas ao seu nível de desenvolvimento cognitivo.
perde desempenho após uma troca de escola que resultou em ruptura de vínculos e dificuldades de adaptação emocional ao novo ambiente.
encontra dificuldade em acompanhar atividades que exigem registro escrito sistemático por estar acostumado ao registro oral.
A Lei nº 9.394/1996 - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), em seu Art. 5º, estabelece que o acesso à educação básica obrigatória é direito público subjetivo, podendo qualquer cidadão, grupo de cidadãos, associação comunitária, organização sindical, entidade de classe ou outra legalmente constituída e, ainda, o Ministério Público, acionar o Poder Público para exigi-lo.
Com base no que preconiza o referido artigo, avalie se o Poder Público, na esfera de sua competência federativa, deverá, entre outras ações
I. Recensear anualmente as crianças e adolescentes em idade escolar, bem como os jovens e adultos que não concluíram a educação básica.
II. Zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela frequência à escola.
III. Garantir aos pais, aos responsáveis e aos estudantes acesso aos resultados das avaliações de qualidade e de rendimento escolar nas instituições de ensino, diretamente realizadas por ele ou em parceria com organizações internacionais.
IV. Viabilizar o cumprimento da obrigatoriedade de ensino, sem entretanto criar formas alternativas de acesso aos diferentes níveis de ensino, independentemente da escolarização anterior.
Estão corretas as afirmativas
I e II, apenas.
III e IV, apenas.
I, II e III, apenas.
II, III e IV, apenas.
I, II, III e IV.
Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, o trabalho com alfabetização e letramento envolve a compreensão de que a aprendizagem da língua escrita não se limita à decodificação de palavras, mas está relacionada à participação do aluno em práticas sociais de leitura e escrita. O professor deve organizar situações didáticas que articulem o domínio do sistema de escrita alfabética com o uso significativo da linguagem em diferentes gêneros textuais presentes na vida social. Nesse contexto é CORRETA a alternativa que considera as concepções contemporâneas de alfabetização e letramento.
A aprendizagem da leitura e da escrita deve ocorrer apenas após o domínio prévio das habilidades motoras e da cópia correta de letras e palavras, evitando a exposição precoce dos alunos a textos variados.
O trabalho com textos reais deve ser introduzido somente após o aluno dominar completamente as regras ortográficas e a segmentação correta das palavras na escrita, garantindo que o estudante possua uma base normativa sólida.
A alfabetização deve ser conduzida prioritariamente por exercícios repetitivos de leitura mecânica e transcrição de palavras, garantindo a padronização do processo de aprendizagem entre todos os estudantes.
O ensino da alfabetização deve priorizar exclusivamente a memorização de correspondências entre letras e sons, pois a compreensão do uso social da escrita ocorre naturalmente após o domínio completo da decodificação.
A prática pedagógica deve integrar o ensino do sistema de escrita alfabética com situações reais de leitura e produção de textos, permitindo que os alunos compreendam as funções sociais da linguagem escrita.
No âmbito da didática, diferentes elementos compõem a organização do processo de ensino, orientando a ação docente no contexto escolar. Com base nessa perspectiva, assinale a alternativa CORRETA.
A didática associa-se à aplicação de técnicas de ensino, sem relação com a organização racional das ações pedagógicas.
O planejamento do ensino envolve a definição de objetivos e estratégias, constituindo etapa inicial da prática pedagógica.
A avaliação didática do ensino caracteriza-se pela verificação final dos resultados da aprendizagem dos estudantes.
O planejamento do ensino refere-se à definição dos objetivos e dos meios para alcançá-los, podendo ocorrer desvinculado das etapas de execução e avaliação.
A execução do ensino consiste na realização das ações pedagógicas previstas, independentemente dos objetivos definidos no planejamento.
Considerando as concepções contemporâneas de ensino de literatura e os princípios de formação do leitor literário crítico no Ensino Fundamental segundo a Base Nacional Curricular (BNCC) e demais documentos normativos norteadores do ensino da Língua Portuguesa, assinale a alternativa CORRETA.
O ensino da literatura no Ensino Fundamental deve privilegiar procedimentos de análise formal e estrutural do texto apresentado, sendo a relação com experiências pessoais dos alunos um recurso acessório e metodologicamente secundário.
A mediação pedagógica deve promover uma leitura interpretativa e dialógica, articulando a experiência subjetiva do leitor à análise dos elementos narrativos e discursivos do texto, de modo a problematizar temas sociais sem reduzir a obra a um instrumento moralizante ou meramente informativo .
A leitura escolar da obra deve orientar-se prioritariamente pela explicitação dos valores defendidos apenas pelo texto, cabendo ao professor conduzir os estudantes à interpretação considerada mais adequada ao projeto formativo da disciplina.
A abordagem de obras literárias juvenis deve restringir-se aos aspectos linguísticos do texto, uma vez que discussões éticas e sociais extrapolam o campo específico do ensino de Língua Portuguesa.
A formação do leitor literário crítico decorre, primordiamente, do conhecimento sistemático sobre o autor, o contexto histórico e as características do período literário, ficando a leitura interpretativa e significativa em segundo plano.
Em uma escola pública de Ensino Fundamental, um professor de Língua Portuguesa percebe que seus alunos utilizam, em produções orais e escritas, marcas linguísticas próprias de suas regiões e comunidades, como variações de pronúncia, construções sintáticas e escolhas lexicais não coincidentes com a norma-padrão. Ao planejar suas aulas de gramática, o professor decide trabalhar, inicialmente, com exemplos reais da fala dos próprios estudantes, analisando essas formas à luz da gramática descritiva. Em seguida, apresenta as regras da norma-padrão, discutindo com a turma em quais contextos sociais e comunicativos seu uso é esperado, sem desvalorizar as variedades linguísticas dos alunos. Paralelamente, promove debates sobre preconceito linguístico, identidade cultural e respeito às diferenças.
Considerando o caso descrito e as concepções de abordagem normativa, descritiva e reflexiva no ensino da gramática, bem como as orientações dos documentos oficiais de ensino da língua portuguesa, como a Base Nacional Curricular (BNCC), assinale a alternativa CORRETA sobre a proposta adotada pelo professor.
A prática pedagógica articula procedimentos descritivos e normativos a uma perspectiva reflexiva de ensino, ao tomar os usos linguísticos reais como objeto de análise, contextualizar o ensino da norma-padrão e problematizar as relações entre língua, identidade e poder no espaço escolar.
A proposta enquadra-se predominantemente na abordagem normativa, uma vez que a apresentação sistemática da norma-padrão orienta o trabalho gramatical, ainda que se reconheça, de forma acessória, a existência de outras variedades linguísticas.
O enfoque dado às variedades linguísticas, embora socioculturalmente relevante, tende a relativizar o ensino da gramática normativa, podendo comprometer a consolidação de padrões linguísticos socialmente prestigiados.
A adoção da abordagem descritiva implica a equivalência funcional entre todas as formas linguísticas, o que dispensa a necessidade de ensino explícito da norma-padrão e de reflexão sobre adequação comunicativa.
A problematização do preconceito linguístico e da identidade cultural constitui um eixo formativo transversal, porém desvinculado do ensino de gramática, que deve se manter centrado na descrição e prescrição das estruturas linguísticas.
Considere as seguintes habilidades de língua portuguesa dos anos finais do Ensino Fundamental da Base Nacional Curricular (BNCC):
I- (EF69LP55) Reconhecer as variedades da língua falada, o conceito de norma-padrão e o de preconceito linguístico.
II- (EF69LP56) Fazer uso consciente e reflexivo de regras e normas da norma-padrão em situações de fala e escrita nas quais ela deve ser usada.
Fonte: BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2027. p. 161.
Sobre os sentidos dos Textos II e III e as habilidades da BNCC expostas, assinale a alternativa CORRETA.
Com a leitura dos textos II e III e em conformidade com as habilidades descritas, compreende-se que o reconhecimento das variedades linguísticas dispensa o ensino da norma-padrão, uma vez que todas as formas de uso da língua cumprem a mesma função social.
As situações apresentadas nos Textos II e III demonstram que apenas o uso da norma-padrão garante comunicação eficaz, sendo as demais variedades linguísticas inadequadas e socialmente inferiores, em conformidade também com o descrito nas habilidades listadas.
Os textos II e III evidenciam que a língua se manifesta em variedades legítimas de uso e as habilidades recomendam que essas variedades devem ser empregadas de forma consciente e adequada a determinadas situações comunicativas, sem desqualificar outras formas de expressão linguística .
Para evitar as situações presentes nos Textos II e III, a recomendação expressa nas habilidades é que a norma-padrão deve ser utilizada em todas as situações de fala e escrita, independentemente do contexto sociocultural e dos interlocutores envolvidos.
O humor presente nos Textos II e III reforça a ideia de que as variedades linguísticas populares devem ser evitadas, pois comprometem a clareza e a correção da comunicação, contrariando as orientações dadas nas duas habilidades destacadas.