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A pancreatite é um termo genérico que abrange uma série de condições com variações na etiologia, no curso clínico e no tratamento. Na pancreatite aguda, as causas são variadas, incluindo desde a ingestão de álcool, doenças do trato biliar, hipertrigliceridemia, traumas abdominais, pós-operatórios de cirurgias abdominais, até causas infecciosas (por exemplo: virais) e medicamentosas (por exemplo: corticosteroides). A respeito da terapia nutricional, assinale a alternativa CORRETA:
Na terapia nutricional na pancreatite aguda grave, o objetivo principal é manter o repouso pancreático, com o jejum via oral (evitar a fase gástrica da estimulação pancreática), e, em decorrência do hipermetabolismo, procurar preservar o estado nutricional.
A terapia nutricional deve ter início o mais breve possível (72 horas após as medidas iniciais do tratamento médico).
A via enteral não é indicada, e quando necessária, deve-se iniciar com uma velocidade alta, com progressão de volume o tipo de fórmula (polimérica), conforme a tolerância digestiva.
A nutrição parenteral não é indicada para complementar a oferta via enteral mesmo quando essa via não é tolerada.
As Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) são distúrbios inflamatórios crônicos, as quais apresentam duas formas clínicas: Doença de Crohn (DC) e Retocolite Ulcerativa (RU). Os distúrbios nutricionais são frequentes e variados conforme a idade, forma clínica, estilo de vida, etc.
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A diarreia, a perda de peso e as deficiências nutricionais podem ocorrem nas duas formas clínicas.
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Sendo assim, é correto afirmar:
Em caso de perda de peso, devem ser evitados os suplementos hipercalóricos a fim de não sobrecarregar o trato digestório, assim como não nutrir o paciente por sonda, uma vez que há um quadro inflamatório intestinal.
O uso de probióticos e prebióticos, assim como de glutamina, é recomendado a todos os pacientes com diagnóstico de DII, tanto na fase ativa como na de remissão.
A diarreia sanguinolenta, comum na DC, exige a suplementação com doses altas de ferro, pois o risco de anemia ferropriva, nesses casos, é alto.
Para o tratamento da diarreia recomenda-se a exclusão alimentos hiperfermentativos e a restrição de frutas e vegetais; com a suspensão do sintoma, é necessário estimular o consumo desses alimentos.
A restrição de fibras na dieta é fundamental para ambos os períodos, tanto no de remissão como na fase ativa da doença, independentemente de sintomas gastrointestinais, como diarreia, flatulência ou distensão abdominal.
A doença inflamatória intestinal inicia-se meses ou anos antes de seu diagnóstico. Atualmente, duas afecções encontram-se classificadas como doenças inflamatórias intestinais: a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. Considerando o comprometimento no trato gastrointestinal que essas doenças causam,
a nutrição parenteral é a principal via recomendada nas doenças inflamatórias intestinais.
as causas da desnutrição na doença inflamatória intestinal estão relacionadas a perdas gastrointestinais aumentadas, má absorção, ingestão inadequada e necessidades nutricionais aumentadas.
as dietas, na doença de Crohn, devem ser, como característica básica, rica em fibras, hiperglicídicas e hiperlipídicas.
a dieta, na fase de recuperação da retocolite ulcerativa, deve ser, como características básicas, hiperproteica, hipoglicídica, hipolipídica e com quantidade elevada de fibras solúveis.
De acordo com Rosa (2020), o consumo de lipídeos na doença inflamatória intestinal deve atingir de 20 a 25% das necessidades energéticas do paciente. Assim, deve-se priorizar:
os ácidos graxos insaturados em uma proporção de W6:W3 de 3:1 ou preferencialmente 2:1.
a redução do consumo de ácidos graxos saturados e gordura monoinsaturada.
o aumento do consumo de gordura poli-insaturada e ácido graxo saturado.
o consumo de ácidos graxos de cadeia longa, como o ácido araquidônico e palmítico.
o aumento do consumo de ácido graxo de cadeia média presente no óleo de coco e nas carnes.
Para tratamento da síndrome do intestino curto (SIC), recomenda-se que
dietas hipolipídicas, pobres em carboidratos e fibras solúveis com restrição de oxalato, estão mais indicadas diante da presença anatômica e funcional, parcial ou total, do cólon.
a alimentação oral deve ser iniciada assim que haja estabilização das perdas hidroeletrolíticas e o controle das perdas fecais.
a TNE não deve ser utilizada em esquema contínuo cíclico noturno com bomba de infusão em longo prazo quando o fornecimento energético por via oral não for adequado.
a utilização de dietas parenterais como suplemento pode também ser útil em alguns pacientes para melhorar o aporte energético diário.
As doenças inflamatórias intestinais possuem fisiopatogenia autoimune e, na fase ativa, possuem impacto significativo no estado nutricional. Suponha que você atenda a um paciente internado com Doença de Crohn ativa e trato gastrointestinal funcionante, mas com impossibilidade mecânica de receber dieta por via oral. Qual a indicação primária de terapia nutricional?
Jejum (dieta zero).
Nutrição parenteral total.
Nutrição enteral com fórmula padrão polimérica.
Nutrição enteral com fórmula oligomérica e nutrição parenteral suplementar.
Nas doenças inflamatórias intestinais deve-se ajustar o planejamento dietético às fases da doença, portanto, a
ingestão de proteína por kg de peso por dia deve ser diminuída na fase ativa de doença.
ingestão de proteína por kg de peso por dia deve ser aumentada na fase ativa de doença.
oferta de calorias deve ser complementada com uso de nutrição parenteral na fase de remissão.
ingestão de proteína por kg de peso por dia deve ser aumentada na fase de remissão de doença.
oferta de calorias deve ser suficiente para perder peso e apoiar o crescimento adequado em pacientes pediátricos.
A doença celíaca é um distúrbio crônico do intestino delgado, de caráter autoimune, desencadeado em indivíduos geneticamente predispostos pela exposição ao glúten. A doença geralmente aparece na infância, nas crianças com idade entre 1 e 3 anos, mas pode surgir em qualquer idade, mesmo em pessoas adultas. Desse modo, pessoas incluídas nessa condição podem fazer consumo de alimentos ou produtos alimentícios como
biscoito de polvilho, macarrão de sêmola e leite zero lactose.
geleia de frutas sem açúcar, amendoim japonês e leite de soja.
pão integral, mel e tapioca.
lentilha, sagu e leite de coco.
kibe com carne moída, suco de laranja e bolo de fubá.
Paciente, sexo masculino, com 19 anos. Há 2 anos iniciou quadro de disenteria, emagrecimento, astenia e cólica abdominal, foi diagnosticado com doença de Crohn e, após múltiplas ressecções cirúrgicas, evoluiu com quadro de síndrome do intestino curto. Quanto ao efeito na absorção de nutrientes, sabe-se que, nesta síndrome
a suplementação parenteral de micronutrientes não é indicada.
raramente ocorrem quadros de deficiência de cálcio e fósforo.
a preservação da válvula ileocecal não impacta na absorção de nutrientes.
a remoção da porção do íleo permite ao jejuno assumir as funções de absorção dos nutrientes.
ocorre uma menor absorção de magnésio e zinco.
Sobre a doença de Crohn (DC), é correto afirmar:
é uma doença inflamatória intestinal de origem não conhecida, caracterizada pelo acometimento segmentar, assimétrico e transmural de qualquer porção do tubo digestivo, da boca ao ânus, e pode ter manifestações extraintestinais.
apresenta 4 formas principais: inflamatória, fistulosa, fibroestenosante e descamatória.
acomete o tubo digestivo com igualdade de ação.
acomete apenas o sistema digestivo.
geralmente se inicia na infância.
Para o tratamento dos sintomas gastrointestinais do paciente com síndrome do intestino irritável tem sido preconizada uma dieta pobre em FODMAPs.
Nesse contexto, assinale a alternativa INCORRETA com relação a essa dieta:
Algumas frutas como maçã, manga e melancia devem ser evitadas por serem ricas em FODMAPs.
A dieta pobre em FODMAPs limita os alimentos que contêm lactose, frutose e fruto-oligossacarídeos.
Na dieta pobre em FODMAPs deve-se aumentar os alimentos que contêm galacto-oligossacarídeos e polióis ou álcoois de açúcares.
As deficiências nutricionais que podem originar-se com a dieta pobre em FODMAPs incluem ácido fólico, tiamina, vitamina B6, cálcio e vitamina D.
As doenças inflamatórias intestinais (DII) são distúrbios inflamatórios crônicos do sistema digestório que afetam crianças e adultos. Dentre as principais, citam-se a Doença de Crohn e a Colite Ulcerativa. Considerando as recomendações para o manejo nutricional nas DII, assinale a alternativa incorreta:
A hidratação adequada deve ser mantida, a fim de evitar desequilíbrios hidreletrolíticos
A alimentação deve se concentrar em 2 ou 3 momentos do dia, mantendo períodos prolongados de jejum para minimizar os sintomas associados.
O consumo de alimentos refinados, industrializados e processados com adição de conservantes e edulcorantes deve ser evitado.
O consumo de carne vermelha deve ser moderado.
No que diz respeito ao consumo de frutas e vegetais, recomenda-se a restrição destes somente quando a doença se apresentar na forma ativa, em função da necessária redução da motilidade intestinal.
Recentemente, a European Society for Clinical Nutrition and Metabolism publicou Diretrizes Práticas sobre Nutrição Clínica nas Doenças Inflamatórias Intestinais – DII (ESPEN, 2020). Em relação ao manejo nutricional dos pacientes acometidos por DII, analise as afirmativas abaixo.
I | A terapia probiótica que usa Lactobacillus reuteri ou VSL#3 pode ser considerada, na indução da remissão, para uso em pacientes com Retocolite Ulcerativa leve a moderada. |
II | A necessidade de proteína é intensificada na DII ativa, e a ingestão deve aumentar para 2,0 a 2,5g/kg/dia em adultos em relação ao recomendado para a população em geral. |
III | Os requerimentos de proteína na fase de remissão são elevados, e a provisão deve ser semelhante ao recomendado para a população em geral (cerca de 1,5g/kg/dia). |
IV | Recomenda-se suplementação de ferro em todos os pacientes com DII quando houver anemia por deficiência de ferro. |
I e III.
I e IV.
II e III.
II e IV.
Doenças inflamatórias intestinais (DII) afetam crianças e adultos, podendo comprometer o trato gastrointestinal, interferindo diretamente no estado nutricional e qualidade de vida desses indivíduos. Qual afirmativa é INCORRETA?
O uso de colestiramina apresenta risco adicional mínimo de má absorção de gordura no tratamento da Doença de Crohn.
O uso de esteróides no tratamento da Doença de Crohn colabora com a necessidade da monitorização de cálcio, vitamina D e suplementação dos mesmos.
O uso de probióticos deve ser prescrito para o tratamento da Doença de Crohn ativa de acordo com a tolerância.
O uso de glutamina via enteral e ou parenteral não é recomendado no tratamento de Doença de Crohn.
A doença de Crohn é uma patologia crônica, progressiva e marcada pela inflamação de qualquer parte do trato gastrointestinal. A doença pode estar sempre ativa, progredir por surtos ou entrar em remissão prolongada mas, até agora, é incurável. Diarreia, dor abdominal, febre baixa e perda de peso não intencional são os sintomas mais comuns, podendo ter, como achados endoscópicos, úlceras, estenoses e granulomas.
MAZAL, J. (2014) Crohn Disease: Pathophysiology, Diagnosis, and
Treatment. Radiologic technology. 85(3), 297-320, com adaptações.
A respeito da fisiopatologia da doença de Crohn, assinale a alternativa correta.
Com o aumento da permeabilidade, micro-organismos e substâncias podem ainda ganhar acesso à circulação sistêmica, sendo concebível que sejam também, em parte, responsáveis por patologias sistêmicas.
A baixa permeabilidade intestinal está relacionada diretamente com a doença de Crohn e é identificada, inclusive, em pacientes assintomáticos.
A barreira intestinal é definida como a facilidade com que o epitélio intestinal permite a passagem de moléculas.
Pacientes com doença de Crohn têm a diversidade de microbiota intestinal aumentada, e consequentemente, baixa permeabilidade intestinal.
Probióticos e prebióticos estão associados ao aumento da permeabilidade intestinal e são promotores da integridade da barreira intestinal.
Em 2019, a ESPEN publicou um Guideline com recomendações de suporte nutricional para as doenças inflamatórias intestinais (DII). Considerando a fase ativa da doença de Crohn e a colite ulcerativa, assinale a alternativa correta.
A necessidade calórica dos pacientes com DII na fase ativa é maior do que a de indivíduos saudáveis.
Probióticos não devem ser usados na fase ativa da doença de Crohn.
A recomendação proteica na fase ativa é a mesma da fase de remissão, hiperproteica, entre 1,2 g/kg de peso e 1,5 g/kg de peso.
Ômega 3 e glutamina são recomendados na fase ativa para pacientes com nutrição enteral ou parenteral.
Pacientes com doença de Crohn com fístula distal (ileal ou colônica baixa), mesmo com baixo débito, não podem receber todo o suporte nutricional por via enteral.
Crianças com doença inflamatória intestinal podem ter depleção nutricional causada por aumento das necessidades nutricionais decorrentes de:
balanço nitrogenado negativo.
formação de abcessos e fístulas.
sangramentos frequentes.
sensação de paladar alterado.
Paciente de 45 anos comparece à consulta com gastroenterologista queixando-se de dor abdominal localizada na parte inferior do abdômen há alguns meses. Refere como fator de melhora a evacuação, já o de piora o consumo de carboidratos, frituras e bebidas alcóolicas. Após exames laboratoriais e de imagem, o médico solicitou à paciente que fizesse uma dieta restrita em carboidratos, conhecidos como FODMAP (oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis fermentáveis), os quais causam dor abdominal, diarreia, constipação e inchaço, sintomas relacionados à enfermidade para a qual obteve diagnóstico. Qual é a enfermidade em questão?
Síndrome do intestino irritável.
Doença de Crohn.
Intolerância à lactose.
Fecaloma.
Doença celíaca.
Nas doenças inflamatórias intestinais (DII), a tolerância individual deve ser levada em conta, sempre tendo como objetivo principal a preservação de um bom estado nutricional. Uma das características da dieta para DII é ser:
hipolipídica, oferecendo até 25% das calorias totais
isenta em lactose, oferecendo mono e dissacarídeos
antifermentativa, evitando alimentos como sementes oleaginosas
pobre em fibras solúveis, evitando a ação das bactérias intestinais
A Doença de Crohn (DC) é uma doença inflamatória que acomete homens e mulheres de diferentes idades, apesar de ser mais comum na terceira década da vida. Ao se tratar de intervenções nutricionais em pacientes com DC, muitas diretrizes recomendam a utilização de Terapia Nutricional Enteral (NE) e Parenteral (NP). Sobre esse assunto, assinale a alternativa correta.
A NE é a opção menos recomendada na fase recidiva da doença.
Se o paciente apresenta o consumo alimentar oral durante a fase de estabilidade da doença, não se recomenda a NE para terapia de suporte.
A NP é utilizada quando a doença volta a se manifestar, sendo utilizada por 1 a 2 semanas.
Via de regra, a NE é ofertada por meio do tubo de alimentação.
A NE pode ser recomendada como uma dieta de manutenção durante a fase de estabilidade, como complemento da dieta oral usual.