Questões de Concurso sobre Doenças Hepáticas e Biliares

 
 
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Uma das doenças do fígado de grande importância clínica é a esteatose hepática, conhecida também como fígado gorduroso. Essa doença, que pode ser causada pelo consumo excessivo de álcool, é reversível com abstinência do álcool, mas pode evoluir para uma cirrose caso o consumo de álcool continue abusivo.


Sobre as causas metabólicas da esteatose hepática, está correto afirmar que:


A

a redução na produção de triacilglicerol no tecido adiposo, bem como o aumento da síntese hepática de lipoproteínas de alta densidade, aumentam a probabilidade de ocorrência de esteatose hepática.


B

a redução na mobilização de triacilglicerol no tecido adiposo, bem como o aumento da síntese hepática de lipoproteínas de baixa densidade, aumentam a probabilidade de ocorrência de esteatose hepática.


C

o aumento na mobilização de ácidos graxos do tecido adiposo, a redução da síntese hepática de ácidos graxos e o aumento da oxidação de ácidos graxos levam ao acúmulo de gordura no fígado.


D

o aumento na mobilização de ácidos graxos do tecido adiposo, o aumento da síntese hepática de ácidos graxos e a redução da oxidação de ácidos graxos levam ao acúmulo de gordura no fígado.


E

o aumento na mobilização de ácidos graxos do tecido adiposo, a redução da síntese hepática de ácidos graxos e a redução da oxidação de ácidos graxos levam ao acúmulo de gordura no fígado.

Assinale a alternativa que explicita a quantidade de quilocalorias (Kcal) por kilo de peso corporal (Kg) por dia que o paciente com doença hepática crônica e desnutrição moderada deve receber.


A

30 Kcal


B

40 Kcal


C

25 Kcal


D

45 Kcal


E

50 Kcal

O fígado pode ser acometido por diversas patologias tanto agudas, quanto crônicas. Dentre elas, a cirrose se destaca por sua elevada incidência. Como resultante das alterações hepáticas, sobretudo em pacientes que consomem álcool, nota-se que o cirrótico também desenvolve desnutrição proteico-energética (DPE). Assim sendo, é de suma importância instituir-se um planejamento nutricional e dietético adequado. Sobre esse tema, assinale a opção que corresponde a uma conduta nutricional CORRETA.


A

Em pacientes alcoólatras crônicos que cursam com excesso de ferro plasmático ou com diagnóstico de hemocromatose, recomenda-se redução do ferro alimentar com suplementação parenteral de ferro.


B

As principais deficiências e correções sugeridas para pacientes cirróticos de etiologia não alcoólica são folato, tiamina, vitamina B12. A suplementação de zinco deve ser feita, independente da albuminemia do paciente.


C

Para o tratamento da Ascite grau 3 recomendam-se restrição de sódio e realização de paracentese em grandes proporções, associada a infusão intravenosa de albumina na proporção de 8 g para cada litro de líquido removido.


D

Há necessidade de restringir líquidos em cirróticos com ascite que apresentam concentração sérica normal de sódio.


E

Apesar de sangramento ativo, as sondas nasoenterais de material macio e de fino calibre estão indicadas na presença de varizes esofágicas.

Para pacientes com cirrose hepática sem encefalopatia, a recomendação proteica diária para atingir o balanço de nitrogênio é de:


A

0,5 a 1,2 g/kg.


B

0,8 a 1 g/kg.


C

0,8 a 1,5 g/kg.


D

1 a 1,3 g/kg.


E

1,2 a 1,5 g/kg.

Segundo Waitzberg (2017), nas Diretrizes da Terapia Nutricional da cirrose descompensada por desnutrição energética proteica (DEP), a quantidade de proteína e a de energia a serem ofertadas são, respectivamente,


A

0,8 a 1,0 g/kg/dia. 25 a 30kcal/kg/dia.


B

1,0 a 1,2 g/kg/dia. 25 a 30kcal/kg/dia.


C

1,5 a 1,8 g/kg/dia. 35 a 50kcal/kg/dia.


D

1,2 a 1,5 g/kg/dia. 35 a 40kcal/kg/dia.


E

1,2 a 1,5 g/kg/dia. 25 a 30kcal/kg/dia.

Com relação à avaliação nutricional do paciente com doença hepática crônica, assinale a opção INCORRETA.


A

Medidas antropométricas, como peso, altura, dobras cutâneas, circunferência do braço (CB) e área muscular do braço (AMB), são sugeridas na avaliação nutricional desses pacientes.


B

Porcentagem de peso corporal ideal e IMC, não são medidas precisas devido à retenção hídrica, ao edema e à ascite, por subestimar a gravidade da desnutrição e sua prevalência.


C

Deve-se mensurar a gordura subcutânea por meio das dobras cutâneas tricipital, bicipital e subescapular.


D

O índice creatinina-altura (ICA), parâmetro adequado para a estimativa da massa muscular ou celular corporal, deve ser excluído na avaliação nutricional no caso de déficit de função renal.


E

Deve-se mensurar a massa magra pela CB e AMB, devido ao fato de estes indicadores sofrerem maior interferência na retenção hídrica.

Com relação aos sintomas e recomendações nutricionais para paciente com doença hepática em estágio final (pré-transplante), é correto afirmar que:


A

na caquexia: ofertar 120% do GEB (Gasto Energético Basal) e aumentar a oferta energética se houver má absorção.


B

na encefalopatia: ofertar 0,5 a 0,7g/kg/dia de proteína até 1,5 g/kg/dia, suplementar AAA (Aminoácidos Aromáticos) e metionina, e restringir AACR (Aminoácidos de Cadeia Ramificada).


C

na esteatorreia: restringir gordura, priorizar TCL (Trglicerídeo de Cadeia Longa) e suplementar vitaminas hidrossolúveis.


D

na osteopenia: manter o peso adequado, evitar ingestão de álcool e ofertar no máximo 700 mg de cálcio/dia e vitamina D.


E

na hiponatremia: restringir líquidos 0,5L/dia, restringir sódio com cautela e restringir gordura.

Um paciente foi internado com diagnóstico de Cirrose Hepática avançada, Child-Pugh C e apresenta quadro de Encefalopatia Aguda (EA) exacerbada.

Considerando-se as diretrizes atuais e os aspectos nutricionais nesse caso, assinale a alternativa INCORRETA.


A

Nos quadros de EA, a restrição de proteína (aproximadamente 0,6 a 0,8 g / kg / dia) pioram a encefalopatia hepática, devido ao aumento catabolismo proteico.


B

A pré-albumina e a albumina séricas são importantes marcadores de prognóstico de morbidade e de mortalidade em pacientes com essa condição clínica.


C

Restrição temporária de proteínas (0,6 a 0,8 g / kg / dia) pode, ainda, ser indicada nas exacerbações até que a causa da doença seja determinada e eliminada.


D

A pré-albumina e a albumina séricas que são produzidas no fígado devem ser consideradas indicadores do estado nutricional.

Em relação à Orientação Nutricional na Encefalopatia Hepática, é correto afirmar:


A

A utilização de prebiótico, probiótico e simbiótico associada a uma alimentação saudável para controle da disbiose intestinal não é considerada uma estratégia eficiente para o tratamento da cirrose hepática e suas complicações.


B

Evidências científicas demonstraram que pacientes com cirrose hepática e encefalopatia são beneficiados com a utilização de dietas normo ou hiperproteicas modificadas, com aumento na ingestão de proteínas lácteas e proteínas vegetais.


C

A suplementação da dieta com aminoácidos aromáticos é indicada principalmente nos casos em que existe intolerância alimentar à proteína.


D

Os suplementos à base de aminoácidos de cadeia ramificada são contraindicados nos casos de encefalopatia hepática.


E

Na encefalopatia hepática grau 3 e 4, a quantidade de proteína recomendada é em torno de 1.2 a 1.6 g/Kg/dia, sendo que 80% devem ser proteína vegetal.

Um paciente com doença hepática crônica de etiologia alcoólica com presença de ascite e edema periférico apresenta ingestão dietética inadequada e alterações de indicadores bioquímicos e clínicos, que evidenciam prejuízo nutricional. O acompanhamento do estado nutricional desse paciente deve ser baseado preferencialmente por qual método?


A
Dobras cutâneas.

B
Índice de Massa Corporal.

C
Circunferência abdominal.

D
Percentual de perda de peso.

A esteato-hepatite (nonalcoholic steatohepatitis - NASH) é definida como a infiltração gordurosa do fígado.

Em relação à NASH, é correto afirmar que:


A

NASH é condição mais frequentemente associada à obesidade com localização de gordura periférica.


B

Um dos principais critérios diagnósticos para NASH é a história frequente de ingestão alcoólica.


C

A desnutrição, rececção intestinal, calorias não proteicas em excesso, duração da terapia parenteral, obesidade, dislipidemia são os principais fatores nutricionais relacionados à NAS


D

O tratamento para NASH é apenas medicamentoso e não está relacionado às causas.


E

O diagnóstico de NASH é obtido a partir de exame sanguíneo.

Nesta última década, a terapia nutricional em situações de encefalopatia hepática, uma complicação da cirrose hepática, tem sofrido mudanças substanciais. Atualmente, sabe-se que tais pacientes se beneficiam com o uso de


A

dietas hipoproteicas com, no máximo, 0,5 g de proteína por quilo e por dia.


B

dietas hipoproteicas com, no máximo, 0,3 g de proteína por quilo e por dia.


C

dietas hiperproteicas modificadas com aumento da ingestão de proteínas lácteas (leite, iogurte, queijos e requeijão cremoso) e vegetais (soja, feijão, grão-de-bico etc.).


D

dietas hiperproteicas modificadas com aumento da ingestão de proteínas de origem animal (carnes vermelhas, peixes e aves) e proteínas lácteas (leite, iogurte, queijos e requeijão cremoso).


E

dietas hiperproteicas modificadas com aumento da ingestão de proteínas de carnes brancas (peixes e aves) e proteínas de mariscos e ostras.

Acerca do manejo nutricional nas doenças hepáticas, analise as proposições que seguem assinalando a opção INCORRETA.


A

O tratamento dietético requer restrição de sódio para 500 a 2000mg/dia para reverter a ascite, no entanto, dietas muito restritivas de sódio, sem indicação, devem ser evitadas pois são desagradáveis e não conduzem necessariamente ao benefício esperado.


B

Na cirrose compensada, há comprometimento na depuração de triglicerídeos intravenosos; todavia, podem ser removidas quantidades moderadas de gordura da corrente sanguínea, numa taxa normal.


C

Priorizam-se proteínas vegetais devido a maior ingestão de fibras, composição mais favorável de aminoácidos, redução do pH da luz intestinal semelhante aos dissacarídeos não absorvíveis ao promover a fermentação das bactérias intestinais.


D

A capacidade do fígado de converter a vitamina D em sua forma ativa está comprometida e pode contribuir para a osteodistrofia hepática, recomendando-se suplementação de vitamina D, que sempre se revela eficaz para esta prevenção.


E

Deve-se evitar a superalimentação de paciente desnutrido com insuficiência hepática estressado, visto que pode resultar em hiperglicemia, lipogênese, produção aumentada de dióxido de carbono.

Em relação à conduta dietoterápica do paciente com doença hepática gordurosa não alcoólica, é correto afirmar que:


A

Recomenda-se uma dieta hipolípidica e hipoglicídica, com adequada oferta proteica.


B

Recomenda-se uma dieta hiperproteica e hipoglicídica, com adequada oferta de lipídios.


C

Recomenda-se dieta hiperproteica para reparo do tecido hepático e redução da ingestão de alimentos ricos em gorduras.


D

Recomenda-se dieta normoprotéica, normolipídica e normoglicídica.


E

Recomenda-se dieta hipocalórica para perda de peso e redução da ingestão de alimentos e bebidas industrializados que contenham frutose.

A Doença Hepática Gordurosa Não Alcóolica (DHGNA) vem sendo considerada um problema de saúde pública. Sua manifestação mais simples, a esteatose hepática (acúmulo de triglicerídeos no interior do hepatócito), é considerada benigna, porém pode evoluir para a esteatohepatite não alcoólica (EHNA), que envolve estresse oxidativo e inflamação. Esta, por sua vez, pode culminar em fibrose e cirrose hepática, além de câncer hepatocelular. A DHGNA tem estreita elação com a obesidade e a resistência à insulina e, portanto, seu tratamento envolve mudanças no estilo de vida, que incluem uma alimentação saudável. São recomendações dietéticas para o paciente com DHGNA decorrente da obesidade/síndrome metabólica.


A

Redução de peso (5 a 10%); dieta hipocalórica, com redução no fornecimento de carboidratos simples e adequado perfil lipídico – reduzida em ômega 6; suplementação com ômega 3 de 1 a 2 g/dia (a depender da gravidade do quadro).


B

Redução de peso (3 a 5%); dieta hipocalórica, hipoglicídica com redução no fornecimento de frutose e adequado perfil lipídico – reduzida em ômega 6 e enriquecida com ômega 3; suplementada com nutrientes antioxidantes, como Vit A, E e C.


C

Redução de peso (5 a 10%); dieta hipocalórica, hipoglicídica com redução no fornecimento de glicose e frutose e adequado perfil lipídico – reduzida em ômega 6 e enriquecida com ômega 3 e 9; suplementada com nutrientes antioxidantes, como Vit A, E e C.


D

Redução de peso (3 a 5%); dieta hipocalórica, hipoglicídica com redução no fornecimento de carboidratos simples e adequado perfil lipídico – reduzida em ômega 6; suplementação com ômega 3 de 1 a 2 g/dia (a depender da gravidade do quadro).


E

Redução de peso (5 a 10%); dieta hipocalórica, hipoglicídica com redução no fornecimento de carboidratos simples, hipolipídica – reduzida em ômega 6 e enriquecia com ômega 9; suplementação com ômega 3 de 1 a 2 g/dia (a depender da gravidade do quadro).

Sobre a avaliação nutricional do paciente cirrótico descompensado, assinale a alternativa correta.


A

O exame físico é extremamente importante no cirrótico e contribui para diagnósticos importantes, como redução da capacidade funcional, sarcopenia e anemia carencial.


B

O uso dos parâmetros clássicos como IMC e albumina não é possível, visto que a presença de ascite impossibilita a adequada avaliação do IMC, enquanto que a albumina é um marcador de função hepática.


C

Como alternativa para avaliação nutricional nesses pacientes, podemos usar as circunferências do braço e panturrilha, além da PCR; assim, podemos acompanhar a presença de edemas e da inflamação consequente da desnutrição.


D

Como alternativa aos parâmetros bioquímicos para avaliação do estado nutricional do cirrótico, temos a transferrina e a ferritina, ambas proteínas que estão envolvidas com o processo inflamatório e, consequentemente, depleção do estado nutricional.


E

Métodos como a bioimpedânica elétrica (BIA), apesar de pouco utilizada, é muito útil nesses pacientes, tendo em vista que a ascite e o edema impossibilitam o uso do peso atual. A BIA, para esses pacientes, possibilita a correta diferenciação entre massa gorda, massa livre de gordura e água, indicando-nos o verdadeiro status nutricional do paciente.

Várias das complicações da cirrose têm implicações nutricionais. É um fator que afeta a interpretação da avaliação do peso corporal no estágio terminal dessa doença:


A

Ascite.


B

Hematomas.


C

Eritema.


D

Atrofia testicular.


E

Icterícia.

Para o paciente com cirrose não complicada, com ou sem encefalopatia hepática, a necessidade de proteínas variam de:


A

0,6 a 0,8g/kg de massa corporal atual por dia


B

2 a 2,5g/kg de massa corporal ideal por dia


C

1,2 a 1,5g/kg de massa corporal atual por dia


D

1 a 1,5 g/kg de massa corporal ideal por dia

R.W.S.M., sexo masculino, 50 anos, divorciado, motorista, renda mensal de 2 a 3 salários, admitido na clínica médica com diagnóstico de cirrose hepática com Diabetes melitus associado, apresentando ascite e dor abdominal. Paciente é etilista há 20 anos, refere que, há três meses, vinha apresentando episódios febris pela manhã e à tarde e posteriormente evoluiu com aumento do volume abdominal, dores difusas abdominais, astenia e perda de peso. Suspendeu, há 2 meses, o consumo de álcool devido ao início dos sintomas, utiliza insulina diariamente. Peso atual: 60 Kg peso usual: 75 Kg, altura: 1,77cm, PCT 9 mm, CB 22cm. Com base nessa situação hipotética, analise as proposições que se seguem e assinale a opção que NÃO constitui conduta dietoterápica adequada.


A

Recomenda-se o Suporte Nutricional enteral, a fim de evitar perdas de nitrogênio, com sonda nasogástrica de fino calibre, com bomba de infusão continua e fórmula enteral polimérica.


B

Os pacientes com sangramento de varizes esofágicas podem ser incapazes de consumir alimentos por via oral e, com frequência, recebem líquidos e eletrólitos por via endovenosa.


C

O aporte de 1,2 g Proteína /kg para este paciente será bem tolerada, a despeito da gravidade da doença hepática, no entanto deve-se observar a ocorrência de encefalopatia hepática, haja vista a evidente correlação com a ingestão de proteína.


D

Deve-se evitar a superalimentação do paciente desnutrido com insuficiência hepática metabolicamente estressado, visto que isso pode resultar em hiperglicemia, lipogênese, produção aumentada de dióxido de carbono e complicações sépticas.


E

Deve-se considerar uma ingestão aumentada de proteínas vegetais em pacientes que são incapazes de tolerar um aporte proteico superior a 1g/kg/dia, visto que estas são mais bem toleradas e ricas em aminoácidos de cadeia ramificada.

   
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