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Leia o texto a seguir.
A relação entre os denominados saberes psi e o sistema penal é historicamente marcada por uma trágica aliança reforçadora dos danos, das dores e dos enganos provocados pelas nocivas ideias de punição, privação da liberdade, estigmatização e exclusão como suposta forma de controle dos comportamentos negativos ou indesejáveis etiquetados como crimes.
KARAM. Psicologia e o Sistema Prisional, 2011.
Uma perspectiva emancipatória de atuação do(a) psicólogo(a) no sistema prisional deve:
sustentar sua prática na prescrição das tarefas no sentido de garantir a sua própria segurança.
atender à demanda por exames criminológicos no sentido de garantir o devido cumprimento da execução penal.
reproduzir modelos orientados pela noção de normalidade no sentido de garantir o retorno à vida a social e comunitária do apenado.
criar espaços de singularização que possibilitem a resistência e o enfrentamento das dinâmicas segregativas.
restringir a sua atuação ao cumprimento das demandas jurídicas e legais inerentes ao processo penal.
Crianças agressivas não raro incomodam professores porque seu comportamento perturba a sala de aula. Na visão de D. W. Winnicott (2012), tal agressividade
resulta de um processo natural de afirmação do si mesmo no mundo social.
decorre de impulsos e de outros conteúdos psíquicos que não são tolerados pelo ambiente.
envolve mais do que a mera emergência de instintos agressivos primitivos.
corresponde a uma descarga instintiva mal canalizada.
indica a impossibilidade de reparação no plano das fantasias.
Na visão de D. W. Winnicott (2012), a tendência antissocial de uma criança pode ser curada
nos estágios iniciais, pela satisfação plena e imediata da avidez da criança.
por ludoterapia de orientação psicanalítica que promova a atuação da agressividade.
a partir da conscientização de que a falta é um aspecto inerente à condição humana.
com o passar do tempo, na medida em que ela passa a ter domínio sobre as gratificações que busca.
por meio da estabilidade dos cuidados fornecidos a ela pelo ambiente.
Observe o caso a seguir.
Um juiz de direito solicita a uma psicóloga do CREAS que realize uma avaliação psicológica de uma criança de 8 anos suspeita de ser abusada sexualmente pelo pai. No documento, o magistrado solicita para a profissional que aplique o teste HTP e proceda o inquérito da criança por meio de 20 perguntas enviadas por ele em anexo ao documento principal. Também pede que ao final do laudo psicológico, a psicóloga responda, objetivamente, se a criança foi ou não abusada pelo pai. O prazo para realização da solicitação é de 48h.
Considerando o relato acima, qual deve ser a conduta da psicóloga?
Atender à solicitação do juiz, pois os profissionais da Assistência Social devem sempre cumprir as decisões judiciais sob pena de serem presos.
Não atender à solicitação do juiz, pois a psicóloga não deve desempenhar o papel de perito, porém cabe a profissional responder ao magistrado, justificando a sua conduta e enviar dados psicossociais sobre o caso supracitado.
Atender à solicitação do juiz, porém, inicialmente, a profissional deve entrar em contato com o magistrado e informá-lo que a escolha do teste é de autonomia da psicóloga.
Não atender à solicitação do juiz tampouco responder a ele, pois o código de ética profissional da Psicologia garante a autonomia dos profissionais em todas as esferas do judiciário.
As pessoas entram em conflito pelas mais diversas razões e sua dificuldade em cooperar as leva a competir de forma pouco saudável. A comunicação pode colocar algumas armadilhas, logo, para evitá-las é preciso que se criem condições para o diálogo. Dentre as técnicas extrajudiciais de resolução de conflitos podemos citar a mediação, conciliação e a arbitragem. A conciliação já vem sendo muito utilizada até mesmo pelo Poder Judiciário e se caracteriza principalmente por
ser uma técnica na qual as partes escolhem terceiros como conciliadores, com conhecimento técnico e jurídico, para resolverem a demanda. Processo frequentemente formal.
ser mais superficial e rápida que a mediação. O conciliador aproxima as partes em conflito por situações de ordem meramente material às quais os litigantes querem dar uma solução rápida.
ser uma técnica na qual um terceiro imparcial, representante do Estado decide sobre a solução a ser empregada no conflito.
ser uma técnica na qual o conciliador reúne-se com as partes com proposta elaborada após análise de documentação referente ao caso, não sendo necessário escuta anterior das partes.
O racismo estrutural refere-se a um(a):
fenômeno patológico ou que expressa algum tipo de anormalidade social;
elemento que integra a organização econômica e política da sociedade;
estudo sobre as diferentes raças humanas e a necessidade de sua integração social;
forma de classificar as diferentes naturezas humanas a partir de suas origens étnicas;
pesquisa que atestou a inferioridade racial dos povos colonizados.
João Pedro é psicólogo perito e foi chamado a atuar num processo de família, no qual uma das partes designou um assistente técnico. De acordo com a Resolução CFP nº 008/2010, que dispõe sobre a atuação do psicólogo como perito e assistente técnico no Poder Judiciário, é correto afirmar que
o psicólogo assistente técnico é de confiança do Juiz e está sujeito a impedimento ou suspeição legais.
a confidencialidade e o sigilo das comunicações das pessoas atendidas não devem existir entre os psicólogos perito e assistente técnico.
o psicólogo assistente técnico deve estar presente durante todos os procedimentos metodológicos que norteiam o atendimento do psicólogo perito.
é vedado ao assistente técnico ouvir pessoas envolvidas ou solicitar documentos em poder das partes, devendo restringir sua análise ao estudo psicológico resultante da perícia.
o psicólogo perito apresentará indicativos pertinentes à sua investigação que possam diretamente subsidiar o Juiz na solicitação realizada, reconhecendo os limites legais de sua atuação profissional, sem adentrar nas decisões, que são exclusivas às atribuições dos magistrados.
A Alienação Parental é um assunto bastante polêmico, de forma que o Conselho Federal de Psicologia emitiu a nota técnica nº 4/2022/GTEC/CG que versa sobre os impactos da Lei nº 12.318/2010 na atuação das psicólogas e dos psicólogos.
Um dos apontamentos críticos feitos em relação à lei da Alienação Parental é que seu texto
ignora a complexidade das situações de conflito familiar e promove a judicialização na qual mães e pais são reduzidos às categorias de vítima e algoz.
preconiza que os tribunais deveriam ser indicados para capacitar o(a) psicólogo(a) a discriminar no ato investigativo de avaliação psicológica a falsa denúncia de abuso sexual e o abuso sexual de fato ocorrido.
designa o psicólogo e/ou o assistente social como responsáveis por conduzir a “visitação assistida no fórum”, mas não define os parâmetros que devem nortear tal intervenção.
privilegia a realização de estudos técnicos por profissionais servidores públicos, discriminando e subvalorizando os profissionais externos ao judiciário e que atuam no âmbito privado.
define os procedimentos a serem adotados pelos profissionais para a identificação do ilícito civil com base nas normativas do Conselho Federal de Psicologia, contudo, não elenca todos os procedimentos específicos da profissão.
No campo das relações entre psicologia e Sistema de Justiça há uma diferenciação importante a se fazer na relação estabelecida entre essas áreas, conforme indicado por Fernando de Jesus, em 2006. Tal diferenciação indica haver a psicologia na lei, a psicologia e lei e a psicologia da lei. Estabeleça a relação correta sobre a proposição do autor.
I - Psicologia na Lei | ( ) representa uma aproximação abstrata da lei como determinante do comportamento. |
II - Psicologia da Lei | ( ) trata-se de uma psicologia aplicada especialmente à solução de um problema, controlando os profissionais da lei à aplicação dos conhecimentos psicológicos conforme sua conveniência. |
III - Psicologia e Lei | ( ) nem uma nem outra área prevalece sobre o processo decisório: a Psicologia analisa os componentes psicológicos existentes no Direito, desenvolvendo investigação e teoria. |
Assinale a alternativa correta:
II, I, III.
I, II, III.
III, I, II.
III, II, I.
Prática ainda pouco adotada no Brasil, a Justiça Restaurativa vem se firmando como uma importante iniciativa de efetivação da justiça. A Justiça Restaurativa é definida como
uma forma sistematizada de prestação de pena, exclusiva aos infratores que cometeram crimes de menor gravidade, no qual os infratores devem exercer atividades laborais em favor das vítimas, o que configura uma relevante alternativa à pena tradicional.
um processo no qual a pena tradicional é substituída pela pena alternativa, o que implica infrator e vítima, sob a mediação de alguém externo ao conflito, em uma ação cooperativa na construção das formas possíveis da pena e efetivação da justiça na reparação do dano sofrido.
uma via por meio do qual infrator e vítima, em um processo cooperativo e mediado, buscam a solução do conflito ou ações que possam reparar o dano causado por ocasião da infração cometida, não implicando prejuízo às ações cabíveis relativas à pena tradicional.
um modo cooperativo de resolução de conflitos no qual a vítima e o infrator entram em acordo sobre o modo de reparação do dano em troca da desistência de ações em curso na esfera criminal ou cível, configurando assim um importante meio para diminuir o número de processos no sistema judiciário.
Pedro, que tem 70 anos, percebe um salário mínimo como aposentadoria. Ocorre que ele ficou doente e vem usando a maior parte de seus recursos na aquisição de remédios. Diante desse quadro, suas filhas Lucinda e Marilei buscaram a Defensoria Pública, comprometendo-se a prestar solidariamente a responsabilidade alimentar com o pai, assumindo, cada uma, o valor de meio salário mínimo como pensão alimentícia.
Com relação ao caso apresentado, é correto afirmar que:
a transação feita por Marilei e Lucinda tem valor legal e o acordo celebrado deve ser cumprido;
o acordo celebrado não tem valor legal, pois o Ministério Público é o órgão que deveria ter celebrado a transação;
apenas uma das filhas deve ser a responsável por prestar alimentos, sendo proibida a divisão da responsabilidade;
a transação não tem valor legal porque deveria ter sido celebrada diante do juiz da Vara de Família;
o acordo é nulo pois teria que ter ocorrido diante do juiz da Vara do Idoso.
Silva e Dias (em Hutz, 2020, p. 250) declaram que “Nos dias atuais, qualquer profissional que trabalhe ou preste assistência em diversos níveis para famílias se depara com a questão de gênero e necessariamente deve atualizar-se sobre os debates presentes na sociedade e os que se edificam em seu órgão de classe e nos demais que tenham afinidade com o escopo do seu trabalho”. No caso de mudança de nome e de gênero de transgêneros e transexuais, é correto afirmar que
a solicitação de mudança de nome e de gênero pode ser encaminhada diretamente ao cartório, mediante apresentação de autodeclaração que ateste a condição do solicitante.
uma nova certidão de nascimento é automaticamente emitida para transexuais e transgêneros que se submetem a cirurgia de redesignação sexual.
a emissão de nova certidão de nascimento para transgêneros que solicitem mudança de nome e de gênero deve ser solicitada diretamente ao cartório, sem necessidade de atestar a condição.
a mudança pode ser solicitada em cartório mediante apresentação de avaliação psicológica favorável à mudança de gênero.
a solicitação de alteração de nome e de gênero em certidão de nascimento deve ser acompanhada de atestado médico que assegure integridade das funções mentais do solicitante.
Lucas, 19 anos, invadiu a propriedade de seu vizinho idoso, Sr. José, para furtar uma bicicleta. Alertado pelos latidos do cão, o idoso saiu de casa e surpreendeu Lucas saindo com a bicicleta.
Para fugir do local, Lucas atingiu o Sr. José que, na queda, teve os óculos quebrados e ferimentos no braço.
Uma prática de Justiça Restaurativa nessa hipótese buscará
qualificar como etarismo a ação de Lucas.
a admissão de culpa, por parte de Lucas, no processo judicial.
a reparação dos danos sofridos pelo idoso.
a participação compulsória do acusado pelo delito.
a absolvição sumária do jovem infrator.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vem, desde 2016, fomentando a prática de conscientização sobre os fatores relacionais, institucionais e sociais motivadores de conflitos e violência, e por meio da qual os conflitos que geram dano são solucionados de modo estruturado. Para tanto, é necessária a participação do ofensor e, quando houver, da vítima, bem como das suas famílias e dos demais envolvidos no fato danoso, com a presença dos representantes da comunidade atingida pelo fato e de um ou mais facilitadores capacitados em técnicas autocompositivas e consensuais de solução de conflitos.
Trata-se aqui da justiça:
Itinerante;
comutativa;
distributiva;
retributiva;
restaurativa.
Na visão de Howard Zehr (2012), a justiça restaurativa
constitui uma alternativa bem-vinda ao aprisionamento de crianças e adolescentes.
corresponde a uma tentativa de mediação entre vítima e agressor que beneficie a ambos.
expande o círculo dos envolvidos no processo legal ao incluir os diretamente vitimados.
tem por objetivo reduzir a reincidência e as ofensas em série.
promove a recuperação mais ágil e efetiva de menores infratores.
No conhecido texto A psicanálise e a determinação dos fatos nos processos jurídicos (1906), Freud delimita as diferenças entre o neurótico e o criminoso. De acordo com a teoria freudiana, analise as afirmativas a seguir.
I. No neurótico, o segredo está oculto de sua própria consciência, ao passo que o criminoso simula conscientemente ignorar o segredo.
II. O investigador pode ser induzido a erro por um neurótico que, embora inocente, reage como culpado devido a um oculto sentimento de culpa e que se apodera da acusação.
III. No tratamento analítico, o neurótico esforça-se para combater as suas próprias resistências. Já no caso do criminoso, a resistência é de caráter consciente e ele tende a não cooperar com a investigação criminal.
Está correto o que se afirma em:
somente I;
somente I e II;
somente I e III;
somente II e III;
I, II e III.
Para o direito penal, o estudo das falsas memórias possui particular importância na medida em que impacta decisões judiciais. Muitas vezes, a certeza sobre os fatos é buscada em depoimentos testemunhais das vítimas, sobretudo em casos de crimes que ocorrem no âmbito privado.
Sobre as falsas memórias, é correto afirmar que:
são atos conscientes equivalentes a mentiras;
são decorrência de transtornos neurocognitivos;
podem ser distorções de uma memória original;
são aquelas implantadas pela própria pessoa;
podem ser lembranças de experiências factuais.
A atuação do psicólogo no campo da justiça engloba diversos papéis e especializações interdependentes que ajudam a integrar a Psicologia com o sistema jurídico. Sobre a Psicologia Jurídica e suas áreas de atuação, assinale a alternativa que apresenta uma descrição correta das funções e do escopo de atuação dessa especialidade.
A Psicologia Forense é uma subárea da Psicologia Jurídica que se concentra na aplicação de métodos psicológicos para a avaliação da capacidade mental dos réus e não inclui a realização de perícias sobre questões relacionadas ao comportamento criminal.
A Psicologia Penitenciária envolve a realização de avaliações psicológicas para determinar a adequação de medidas de segurança, sem foco em intervenções para a reabilitação e reintegração dos infratores.
A Psicologia da Vitimologia foca a prevenção e o tratamento dos traumas psicológicos causados por crimes e inclui intervenções para ajudar as vítimas a lidar com o impacto emocional do crime, a avaliação de comportamentos criminosos e a reabilitação dos infratores.
A Psicologia do Testemunho especializa-se em avaliar a credibilidade e a precisão das declarações das testemunhas em processos judiciais, com o objetivo de avaliar o bem-estar emocional e psicológico dos envolvidos na questão em litígio.
A Psicologia da Família e da Criança no Contexto Jurídico trabalha na avaliação e intervenção em casos de custódia e abuso infantil, em avaliações para determinar a capacidade parental e em intervenções para garantir bem-estar de crianças e adolescentes em processos judiciais, sendo essencial para decisões relacionadas ao direito familiar.
Os pais de Betina, 11 anos, estão em processo de separação, e está havendo uma disputa judicial pela guarda da criança. Betina está em processo de psicoterapia desde os 8 anos, portanto seu psicólogo, Vinícius, conhece a fundo o histórico da criança e da família, seus sintomas e o impacto que a separação dos pais vem tendo em sua vida. Durante o processo judicial, o juiz nomeou um perito psicólogo para avaliar o caso e apresentar suas considerações. Os advogados de defesa da mãe de Betina consideraram que as conclusões do laudo pericial poderiam prejudicar sua cliente e sugeriram contratar Vinícius para atuar como assistente técnico da parte e elaborar um parecer técnico a fim de contestar ou complementar o laudo pericial.
Diante dessa situação, assinale a alternativa correta.
É correta a sugestão de que o psicoterapeuta da criança atue como assistente técnico do caso, visto que ele conhece profundamente a criança e a história familiar, podendo apresentar informações importantes ao juízo.
Nesse caso, o mais adequado seria que Vinícius interrompesse a psicoterapia com Betina para atuar no processo judicial como assistente técnico.
É vedado que o psicólogo que esteja atuando como psicoterapeuta das partes atue como perito ou assistente técnico, com vistas a preservar o direito à intimidade e equidade de condições.
Caso solicitado pelo juiz, Vinícius deve produzir um relatório advindo do processo psicoterápico, com a finalidade de fornecer informações à instância judicial sobre a pessoa atendida, sem o consentimento formal da paciente e de seus responsáveis.
A atuação de Vinícius como assistente técnico nesse caso, apesar de inadequada, não configura falta ético-disciplinar do psicólogo.
As primeiras pesquisas relacionadas à produção de falsas memórias começaram a ser desenvolvidas no final do século XIX, embora tenham se desdobrado na última década do século XX. Alguns trabalhos indicam que é possível criar erros de memória com recurso a perguntas sugestivas, alertando sobre a cautela durante os procedimentos interrogatórios, notadamente nos contextos policial e forense.
Assinale a afirmativa correta com relação ao fenômeno mnêmico.
A recordação é um processo reconstrutivo, guiado por esquemas mentais que funcionam como organizadores gerais preexistentes.
A memória funciona de forma similar a um sistema de vídeo que grava os acontecimentos permitindo que possamos revê-los tal como ocorreram.
Síndrome das Falsas Memórias é o termo utilizado para designar casos em que testemunhas de crimes deram falsos testemunhos induzidas pelo interrogatório policial.
Estudos indicam que os erros ou distorções de memória são apenas omissivos, ou seja, derivam do esquecimento do acontecimento.
As pesquisas demonstram que as distorções nas lembranças são sempre comissivas, ou seja, são produzidas pela interferência externa.