Questões de Concurso sobre Violência Doméstica

 
 
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Em casos de suspeita ou confirmação de abuso sexual de crianças e adolescentes, as ações da família e da rede implicam três dimensões: a primeira refere-se ao atendimento, voltado para a proteção da criança/adolescente vítima, a reparação do dano, a restauração da sua integridade, a prestação de serviços de assistência social e saúde. Outra dimensão, é do processo legal de notificação, investigação, denúncia pública, processo jurídico, sanção/responsabilização do abusador. A dimensão da valorização da palavra da vítima e do acesso aos seus direitos, fortalecidos principalmente pelo Conselho Tutelar e pelo Ministério Público, corresponde


A

às metas operacionais.


B

ao nível subjetivo.


C

às ações preventivas.


D

ao fluxo de defesa.


E

à prova de confiança.

Analise a situação hipotética a seguir:


Atuando em uma Estratégia de Saúde da Família, a assistente social Mariana deparou-se com um relato de uma usuária que informou que não pode realizar o registro do filho recém-nascido, pois seu companheiro havia retido seus documentos pessoais e cartões de crédito quando ela saiu de casa para separar-se dele. Na ausência de seu Registro Geral (RG) de identificação civil, a certidão de nascimento da criança não poderia ser emitida.


Em relação ao caso apresentado, Mariana deve dar os devidos encaminhamentos considerando tratar-se de violência doméstica e familiar, nos termos da Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha)? Por quê?


A

Não, pois trata-se de ex-companheiro com o qual ela não mais coabita.


B

Não, pois não houve ato violento que lhe atingisse fisicamente.


C

Não, pois o roubo de documentos é apenas uma violência contra o patrimônio.


D

Sim, porque o ex-companheiro cometeu violência moral contra ela.


E

Sim, porque se trata de violência patrimonial e a legislação também abarca ex-companheiros agressores.

Esmeralda Ortiz é uma criança negra de 10 anos de idade que foi encaminhada à Joana, assistente social inserida no serviço da Proteção Social de Média Complexidade, pois se encontrava em situação de risco pessoal e social. No acolhimento à criança, constatou-se que a Esmeralda sofria violência física e psicológica, pois a mãe a esperava dormir e cometia inúmeras agressões, geralmente com bitucas de cigarro e pedaços de pau. Durante o atendimento, Esmeralda estava com receio de que as violências continuassem sendo perpetradas no âmbito do Centro de Referência Especializado da Assistência Social (CREAS). Com base nos pressupostos políticos, éticos, técnicos e legais para intervenção profissional da Joana, assinale a alternativa INCORRETA.


A

O Estatuto da Criança e do Adolescente foi promulgado com a importante missão de assegurar o cumprimento e a observância dos direitos das crianças e dos adolescentes do Brasil em contramão ao Código de Menores. O ECA realça as crianças e adolescentes como sujeitos de direitos que detém prioridade absoluta, assegurando direitos fundamentais inerentes à pessoa humana e primazia na proteção e atendimento.


B

No artigo 5° do Estatuto da Criança e do Adolescente prevê que nenhuma criança e adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração e violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.


C

A política de atendimento dos direitos da criança e do adolescente, de acordo com o ECA, far-se-á através de um conjunto articulado de ações governamentais e não governamentais, da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.


D

As situações de risco demandarão intervenções em problemas específicos e ou abrangentes. Nesse sentido, é preciso desencadear estratégias de atenção sociofamiliar que visem a reestruturação familiar nuclear e a elaboração de novas referências morais e simbólicas, no sentido de fortalecê-lo para o exercício de suas funções de proteção básica ao lado da auto-organização e conquista de autonomia.


E

É dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente.

A violência intrafamiliar é habitualmente tipificada para fins dos registros em violência sexual, violência física e violência psicológica. A maioria dos casos de violência sexual acontece dentro de casa e tem como principais agressores os próprios pais biológicos, membros da família extensa, os companheiros das mães, pessoas próximas da família, presentes frequentemente no espaço doméstico.


Segundo os estudiosos, esses tipos de violência são fenômenos complexos, podendo se encontrar, em cada um, o atravessamento de dois fatores preponderantes, a saber, os atravessamentos


A

intergeracionais e de gênero.


B

físicos e ambientais.


C

educacionais e religiosos.


D

morais e biológicos.


E

mentais e bioquímicos.

As autoras Teresa Lisboa e Eliane Pinheiro, no texto “A intervenção do Serviço Social junto à questão da violência contra a mulher” (2005), apresentam, para melhor compreensão desse tema, diferentes concepções das violências praticadas contra mulheres.


Com base no artigo citado, analise os conceitos a seguir e assinale a alternativa correta.


A

Violência doméstica é uma expressão mais recente e busca designar um padrão de comportamento que visa à preservação da organização social de gênero, fundada na hierarquia e desigualdade de lugares sociais sexuados que subalternizam o gênero feminino.


B

Violência intrafamiliar é um termo que está sendo muito utilizado pelos programas governamentais. Ela ocorre tanto no espaço interno quanto no externo e é resultado de relações violentas entre os membros da família.


C

Violência de gênero é um termo que surge nos anos 70, por meio do movimento feminista, ao denunciar para a sociedade que as mulheres eram o alvo principal da violência praticada pelos homens.


D

Violência contra a mulher é produzida e reproduzida nas relações de poder e, quando a soberania masculina se sente ameaçada, a violência aparece como um mecanismo que tem o poder de manter a ordem estabelecida.

"Eu procurei as delegacias de polícia para me sentir acolhida depois de ter sido agredida pelo meu ex-marido. Saí de lá pior do que entrei. Nunca pensei que poderia ser tão maltratada mesmo estando toda cheia de machucados. Meu ex me machucou por fora, mas os policiais da delegacia me feriram por dentro".


Relato de uma recepcionista e estudante de Pedagogia para o Portal Terra (2022).


A prática de violência constante no relato acima é denominada:


A

Violência física.


B

Sensitividade.


C

Revitimização.


D

Peculato.

O movimento feminista foi um ator fundamental no processo de elaboração e aprovação da Lei denominada Maria da Penha (Lei no 11.340/2006), que tipificou a violência, denominando-a violência doméstica, e a definiu como qualquer ação ou omissão baseada no gênero que cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual, psicológico e dano moral ou patrimonial às mulheres, ocorrida em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabitação. Ainda, essa Lei trouxe a possibilidade de instaurar medidas mais rigorosas em relação aos agressores, não havendo mais a possibilidade de julgamento das violências de gênero como crimes de menor potencial ofensivo. De acordo com o artigo 10-A da citada Lei, é direito da mulher em situação de violência doméstica e familiar o atendimento policial e pericial especializado e ininterrupto, prestado por servidores, preferencialmente do sexo feminino,


A

ainda que em treinamento.


B

previamente capacitados.


C

devidamente certificados.


D

atento e satisfatório.


E

neutro e indiscriminado.

Por Violência Moral compreende-se:


A

Qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades.


B

Qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.


C

Qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos.


D

Qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal.

Conforme norma brasileira, o feminicídio é uma das circunstâncias qualificadoras do homicídio. Com efeito, tal crime cometido contra a mulher por razões da condição de sexo feminino poderá levar à pena de reclusão de 12 a 30 anos. Neste prisma, considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve


A

ausência da violência doméstica e familiar.


B

menosprezo ou discriminação à condição de mulher.


C

passionalidade, fornicação ou adultério.


D

divórcio litigioso.

Sabrina atende uma criança com nítidos sinais de violência doméstica. Ao tentar esclarecer a dinâmica familiar com a mãe da criança, esta mostra-se evasiva nas respostas e desejosa por ir embora.


Sabrina então resolve lançar mão do instrumento da visita domiciliar, que tem como objetivo


A

refletir a subjetividade e as contradições das relações familiares.


B

fiscalizar e avaliar o espaço em que se dão as relações de determinada família.


C

estabelecer cenários sociais, dando-lhes significado profissional.


D

complementar dados, observar as relações sociais no ambiente de convivência.


E

manter um contato mais próximo com os usuários, reforçando vínculos.

A Lei Maria da Penha (Lei nº. 11.340/06) define que a violência doméstica contra a mulher é crime e aponta as formas de evitar, enfrentar e punir a agressão. Conforme disposto na Lei, dentre as formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, a violência moral:


A

É entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.


B

É entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal.


C

É entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, etc.


D

É entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades.

São considerados canais de denúncia, EXCETO:


A

Disque Interesse Coletivo (Ligue 90).


B

Disque Direitos Humanos (Disque 100).


C

Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180.


D

Fala.BR – Plataforma Integrada de Ouvidoria e Acesso à Informação.

De acordo com o Art. 24-A, da lei que cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, a pena para quem descumprir decisão judicial que defere medidas protetivas de urgência previstas nesta Lei é de:


Assinale a alternativa CORRETA:


A

Pena – detenção, de 2 (dois) meses a 3 (três) anos.


B

Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos.


C

Pena – detenção, de 4 (quatro) meses a 3 (três) anos.


D

Pena – detenção, de 5 (cinco) meses a 3 (três) anos.


E

Pena – detenção, de 10 (dez) meses a 6 (seis) anos.

Considerando uma grave situação de violência física contra uma criança indígena da etnia Kaingang de 8 anos causada por familiares, um assistente social solicitou medidas de proteção social para vítima. Sobre esse caso, é correto afirmar que


A

o acolhimento em instituições deve ser considerado a principal estratégia para proteção social dessa criança indígena.


B

o acolhimento institucional pode facilitar a adaptação dessa criança indígena em um processo de retorno à família ou comunidade de origem, quando assim for possível.


C

é interessante considerar a guarda na família extensa (parentela ou comunidade) ou mesmo em acolhimento do tipo familiar, dentro de famílias da mesma etnia da criança, uma vez que não implicaria em uma ruptura com a cultura de origem do acolhido.


D

a modalidade de “família acolhedora” pode ser uma estratégia adequada para se garantir o direito à convivência familiar e comunitária dessa criança, desde que seja em famílias de outra aldeia e etnia, garantindo que participe na dinâmica de uma aldeia e seja protegida da violência vivenciada.


E

o acolhimento institucional ou familiar não é considerado como medida de proteção para essa criança indígena, já que causa a ruptura de uma vivência comunitária muito específica, com práticas culturais, padrões de organização e compreensões de mundo fundamentalmente diferentes.

A assistente social Alair acompanha uma família no CRAS em que trabalha. Ontem, uma das filhas do casal, com 7 anos de idade, em meio ao atendimento, revelou-lhe uma situação de violência da qual foi vítima.

Tendo em vista que se tratou de uma revelação espontânea, os “Parâmetros de atuação do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) no sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência” indicam que a conduta de Alair deve ser:


A

pedir para outro profissional da equipe ficar na sala como testemunha;


B

permitir o livre relato da criança com o mínimo de interferência;


C

convocar a família da criança para acompanhar o relato;


D

recusar-se a ouvir e informar o Conselho Tutelar;


E

fazer perguntas que possam elucidar o que ocorreu de fato.

No que diz respeito a assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar, registe V, para Verdadeiro, e F, para falso:


(__)As mulheres em situação de violência doméstica e familiar devem ter acesso aos benefícios decorrentes do desenvolvimento científico e tecnológico.

(__)As mulheres em situação de violência doméstica e familiar devem ter acesso aos serviços de contracepção de emergência.

(__)As mulheres em situação de violência doméstica e familiar devem ter acesso as medidas preventivas e tratamentos para evitar a transmissão de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), especialmente após situações de violência sexual.


Assinale a alternativa com a sequência CORRETA.


A

V, F, F.


B

F, F, V.


C

V, V, V.


D

F, F, F.

A violência intrafamiliar é toda (o), EXCETO:


A

Ação que afeta a integridade física e psicológica do membro da família.


B

Omissão do direito ao pleno desenvolvimento do membro da família.


C

Ação que inclui outros membros do grupo sem função parental.


D

Ato cometido dentro ou fora de casa por algum membro da família.


E

Prática que prejudica o bem estar de outro membro da família.

O caminho percorrido por um/a usuário/a para a obtenção de seu direito social é, muitas vezes, de árduo enfrentamento de descaso e humilhação, conforme o relato a seguir: “Sofia. 16 anos. Quando se dirigia ao seu local de trabalho foi abordada por um conhecido e, sob ameaças físicas, foi levada a uma praia onde foi violentada. No mesmo dia apresentou queixa à Polícia e foi levada ao hospital, que marcou exame no IML para três dias depois. Só conseguiu comparecer um mês e meio depois devido ao trauma que sofreu durante o interrogatório policial. Quando ela não se lembrava dos detalhes que lhe eram perguntados, o policial dizia: “tu é que deves saber... tu é que fostes violada”. Ela disse que foi bombardeada com questões do tipo “que roupa usava... quantos namorados tinha”. A família foi interrogada; a irmã, durante três horas, o mesmo ocorrendo com seus amigos.” (BARROCO & TERRA, 2012, p. 79/0). As autoras perguntam às/aos assistentes sociais o que elas/eles têm a ver com isso quando são testemunhados casos de humilhação, desrespeito ou atitudes moralistas, e afirmam:


A

As condutas de outros profissionais não dizem respeito ao trabalho das/os assistentes sociais e, portanto, devem ser enfrentadas pelas/os usuárias/os.


B

O atendimento profissional de terceiros pode ser questionado quando se tratar de usuárias/os atendidas/os por assistentes sociais.


C

A omissão em face de situações antiéticas é uma posição de valor que contribui para a reprodução das situações de violações.


D

A violação de direitos efetuadas por autoridades policiais devem ser criticadas nos restritos espaços sócio-ocupacionais.


E

O exercício ético-profissional requer um posicionamento isento de julgamento das atitudes de terceiros.

O combate à violência e à exploração sexual de crianças e adolescentes implica a responsabilização legal dos envolvidos: a denúncia, a declaração formal, a instauração do devido processo e o julgamento. Uma importante estratégia nesse combate é a atuação dos aparelhos policial e judiciário na construção de uma cultura cívica da punição legal em oposição à cultura da impunidade. Nessa perspectiva, é consenso, entre as normativas e os planos de enfrentamento a esse tipo de violência, a necessidade de aperfeiçoamento dos mecanismos de responsabilização penal da pessoa que comete abuso e/ou exploração sexual, a disponibilização de serviços qualificados para esse fim e de serviços de


A

autoajuda.


B

superação de crises.


C

notificação compulsória.


D

autoria declarada.


E

urgência identificada.

O Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual InfantoJuvenil tem como referência fundamental o Estatuto da Criança e do Adolescente e reafirma a proteção aos princípios listados nas alternativas a seguir, à exceção de uma. Assinale-a.


A

condição de sujeitos de direitos


B

prioridade absoluta


C

da condição peculiar de pessoas em desenvolvimento


D

gestão centralizada

   
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