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A desnutrição pode ser definida como uma condição clínica decorrente de uma deficiência ou excesso, relativo ou absoluto, de um ou mais nutrientes essenciais. Diante da desnutrição ocorrem diversas alterações hormonais com consequências metabólicas que afetam a capacidade física e as ações necessárias ao funcionamento do corpo humano. Acerca das alterações metabólicas e orgânicas na desnutrição pode-se afirmar que:
Os hormônios tireoidianos, o T4 e o T3, apresentam atividades aumentadas o que implica na redução do metabolismo basal.
O hormônio do crescimento tem sua atividade reduzida, o que implica na redução da síntese de proteínas viscerais.
As gonadotrofinas estão aumentadas, ocasionando amenorreia em mulheres.
A insulina tem sua atividade reduzida, deixando de agir sobre a síntese proteica e muscular.
Sobre a desnutrição energético-proteica Kwashiorkor, analisar os itens abaixo:
I. É mais frequente em crianças menores de 5 anos, nas quais a deficiência de crescimento é acentuada, bem como a de peso; além da atrofia muscular, ausência de gordura subcutânea e caquexia.
II. Nesse tipo de desnutrição, a deficiência é predominantemente proteica. A criança apresenta face de idoso, pele enrugada e normalmente mostra-se irritadiça.
III. A hipoalbuminemia é uma das principais causas e não a única, acarretando retenção de água e perda de cálcio, resultando em sede e secreção de vasopressina, que aumenta a ingestão de água e diminui a sua excreção, agravando o edema.
IV. Os cabelos das crianças que apresentam esse tipo de desnutrição são descorados, ralos, avermelhados e facilmente arrancáveis – ocorre deficiência de aminoácidos sulfurados especialmente a metionina.
Estão CORRETOS:
Somente os itens I e II.
Somente os itens II e III.
Somente os itens III e IV.
Somente os itens II, III e IV.
Todos os itens.
Segundo as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (2011), quais são as recomendações para a terapia nutricional no paciente pediátrico gravemente desnutrido durante a fase de estabilização?
Dieta isenta de lactose e à base de aminoácidos livres, com até 100 kcal/kg/dia, 130 mL/kg dia de oferta hídrica e de 2 a 2,5 g de proteína/kg/dia.
Dieta com baixos teores de lactose e sódio, com até 100 kcal/kg/dia, 130 mL/kg dia de oferta hídrica e de 1 a 1,5 g de proteína/kg/dia.
Dieta com baixo teor de lactose e suplementação de micronutrientes, com 150 kcal/kg/dia, 150 a 200 mL/kg dia de oferta hídrica e de 3 a 4 g de proteína/kg/dia.
Dieta isenta de lactose e suplementação de micronutrientes, com 200 kcal/kg/dia, 150 a 200 mL/kg dia de oferta hídrica e de 2 a 2,5 g de proteína/kg/dia.
Na vigência da desnutrição ocorre desequilíbrio das funções orgânicas e o corpo passa a funcionar com deficiências e carências.
Sobre as alterações metabólicas e orgânicas da desnutrição, assinale a opção INCORRETA.Na vigência de desnutrição, o trato gastrointestinal e o pâncreas podem se atrofiar, com diminuição da produção de secreções.
O aumento da permeabilidade intestinal em pacientes desnutridos compromete a barreira intestinal.
Na presença de desnutrição ocorrem diversas alterações hormonais, tais como aumento da insulina e somatomedina, e redução do hormônio de crescimento.
A desnutrição proteica pode prejudicar a cicatrização de feridas por prolongar a fase inflamatória, além de aumentar a taxa de infecção de feridas.
Nas mulheres, a desnutrição se associa a diminuição das gonadotropinas, retardando a menacme ou levando à amenorreia e redução da fertilidade.
A prevenção e o controle da desnutrição dependem de medidas mais amplas e eficientes de combate à pobreza e à fome e políticas de inclusão social. No entanto, é responsabilidade dos profissionais de saúde o atendimento à criança com desnutrição de acordo com o atual conhecimento científico disponível e a atuação efetiva, tanto para salvar as vidas dessas crianças, como para promover a sua recuperação e evitar recaídas.
(Brasil. Manual de Atendimento da Criança com Desnutrição Grave em Nível Hospitalar. Brasília, 2005).
Sobre a desnutrição, escolha alternativa INCORRETA.A falta do diagnóstico nutricional adequado, além de ser prejudicial para a definição do correto tratamento da criança, influencia os dados estatísticos e, portanto, repercute no encaminhamento das políticas e programas para atendimento da criança com desnutrição.
Apesar do baixo risco de morte, as crianças com desnutrição grave devem ser adequadamente diagnosticadas e necessitam de internação hospitalar até que este risco diminua e ela possa, então, ser acompanhada em outros níveis de atenção à saúde, inclusive em seu domicílio.
A criança com desnutrição grave tem sua fisiologia muito alterada em relação à criança eutrófica, necessitando de cuidados hospitalares especializados, principalmente na fase mais grave da doença, quando frequentemente estão presentes as infecções e distúrbios hidroeletrolíticos associados.
No Brasil, apesar de estudos epidemiológicos indicarem que a prevalência da desnutrição energético-proteica (DEP) tem diminuído, a doença continua a ser um relevante problema de Saúde Pública no país, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, na área rural do Brasil e nos bolsões de pobreza das periferias das grandes metrópoles.
A alimentação adequada da criança com desnutrição grave é de extrema importância e deve atender às necessidades nutricionais, primeiro para a estabilização metabólica da criança e, em seguida, para a sua reabilitação. De acordo com o recomendado pelo Ministério da Saúde (Manual de Atendimento da Criança com Desnutrição Grave em Nível Hospitalar, 2005), na fase de estabilização, os preparados alimentares devem
fornecer no máximo 50 Kcal/Kg de peso/dia e 1g de proteína/Kg de peso/dia.
ter alta osmolaridade e baixo teor de lactose.
ter volume inicial de 200 mL/Kg de peso/dia.
ser oferecidos em pequenos volumes e em intervalos frequentes.
ser oferecidos preferencialmente por sonda naso-gástrica.
A desnutrição pode ocorrer precocemente na vida intrauterina (baixo peso ao nascer) e, frequentemente, cedo na infância, em decorrência da interrupção precoce do aleitamento _________________ e alimentação complementar inadequada nos primeiros ______ anos de vida, associada, muitas vezes, à privação alimentar ao longo da vida e à ocorrência de repetidos episódios de doenças infecciosas diarreicas e respiratórias. O déficit __________ é o melhor indicador de influências ambientais negativas sobre a saúde da criança, sendo o indicador mais sensível de má nutrição.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.
materno exclusivo – dois – estatural
artificial – três – ponderal
materno complementado – quatro – cognitivo
misto ou parcial – cinco – social
na mamadeira – dois – emocional
A prevalência da desnutrição em pacientes hospitalizados tem sido amplamente documentada. A respeito desse tema, assinale a opção INCORRETA.
A desnutrição hospitalar pode ser resultado de uma conjugação entre a desnutrição primária, consequente do baixo nível socioeconômico e a desnutrição secundária, consequente à doença do paciente.
Conforme aumenta o tempo de internação hospitalar também aumentam os riscos de desnutrição terciária.
Destaca na etiologia da desnutrição hospitalar o aspecto iatrogênico, ocasionado, por exemplo, pelos longos períodos de jejum, falta de apetite, intolerância à alimentação e rotatividade de pessoal responsável.
A desnutrição crônica é de fácil diagnóstico pelo exame clínico do paciente, que se encontra emagrecido e sem massa gordurosa e muscular. Essa desnutrição geralmente responde positivamente ao tratamento nutricional adequado.
Na desnutrição aguda as reservas gordurosas e musculares podem estar normais, aparentando um bom estado nutricional, porém observa-se laboratorialmente hipoalbuminemia, leucocitose e transferrina aumentada.
O diagnóstico da Desnutrição Energético-Proteica (DEP) grave é baseado principalmente na história dietética e características clínicas. A forma de Kwashiorkor marasmático da DEP edematosa combina características clínicas de Kwashiorkor e marasmo. Sobre as características bioquímicas e histopatológicas da Desnutrição Energético-Proteica, assinale a afirmativa correta.
A excreção urinária de creatinina é alta.
A hemoglobina e o hematócrito estão geralmente altos no Kwashiorkor.
As concentrações séricas de proteínas totais e, especialmente, albumina estão elevadas na DEP edematosa.
A proporção de aminoácidos não essenciais para essenciais no plasma está elevada no Kwashiorkor e, geralmente, normal no marasmo.
Sobre a desnutrição e a recuperação do desnutrido, escolha a alternativa INCORRETA:
No combate a hipovitaminose A, deverá ser promovido o estímulo à produção e ao consumo de fontes alimentares ricas nesta vitamina ou seus precursores sem a necessidade de suplementação e/ou enriquecimento/fortificação de alimentos.
Os problemas alimentares e nutricionais que gravitam em torno da desnutrição energético-proteica devem ser enfocados por meio de uma abordagem familiar, reconhecendo-se que os fatores de risco se definem dentro de um contexto que poderia ser considerado como “família vulnerável”. Na prática, essa visualização torna recomendável a avaliação simultânea de outros membros da família, principalmente irmãos e, eventualmente, mães em condições de sobrecarga fisiológica, como gestação e lactação.
Em relação às carências de micronutrientes, e especificamente no controle da deficiência de ferro, serão adotadas como medidas essenciais o enriquecimento alimentar, a orientação educativa e, sobretudo, o uso de ferro medicamentoso.
No binômio desnutrição/infecção serão enfatizadas as ações dirigidas à prevenção e ao manejo adequado das doenças infecciosas. A distribuição de alimentos e a educação alimentar constituirão ferramentas indispensáveis, que serão trabalhadas em conjunto com a prevenção e o controle das diarreias, das infecções respiratórias agudas e das doenças imunopreveníveis, medidas essenciais para evitar a desnutrição ou o seu agravamento.
Assinale a alternativa INCORRETA, de acordo com os indicadores que determinam o quadro de desnutrição calórico-proteica.
Índice Creatinina-Altura (ICA).
Pré-Albumina.
Albumina Sérica.
TSH.
Transferrina.
Considerando-se a epidemiologia da desnutrição em crianças, marcar C para as afirmativas Certas, E para as Erradas e, após, assinalar a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
( ) A fome e a desnutrição são reconhecidas como as principais causas de mortalidade por doenças infecciosas em crianças menores de 5 anos. Mais da metade das mortes por pneumonia, diarreia, sarampo, malária ou HIV/Aids têm a desnutrição como causa básica.
( ) Embora o termo desnutrição possa referir-se a diferentes processos, tem sido mais frequentemente utilizado para descrever déficits nutricionais. A prevalência desses déficits nutricionais está diminuindo no Brasil e no mundo; entretanto, alguns grupos populacionais, especialmente crianças menores de 5 anos e de regiões menos desenvolvidas, ainda são atingidos pela desnutrição em níveis alarmantes.
( ) A inter-relação entre nutrição, infecção e pobreza não é considerada fator determinante da ocorrência de desnutrição.
C - C - E.
E - C - C.
C - E - E.
E - C - E.
A expressão desnutrição energético-proteica engloba uma ampla variedade de situações clínicas cuja gravidade oscila desde formas muito graves até formas leves. O marasmo é uma das formas graves de desnutrição e tem como sinais e sintomas:
Diarreia.
Hepatomegalia.
Edema generalizado.
Cabelo fraco, seco e descolorido.
Magreza extrema e atrofia muscular.
As causas da desnutrição podem estar relacionadas a muitos e distintos fatores, assim, a hierarquia das causas e a organização da precedência da exposição a cada fator passam a ser ferramentas importantes nas análises da determinação do estado nutricional. Acerca desse assunto, assinale a alternativa correta.
Desnutrição é parte de um ciclo que inclui pobreza e doença, sendo que cada um destes componentes está inter‐relacionado e contribuem para a ocorrência e persistência do outro.
A pobreza e o desemprego são considerados como causas proximais da desnutrição.
A disponibilidade de alimentos no domicílio ou o acesso a serviços de saúde são considerados determinantes distais da desnutrição.
Exemplos de causas intermediárias da desnutrição: consumo inadequado de nutrientes e a ocorrência de doenças infecciosas.
A ocorrência da desnutrição pode estar relacionada a fatores biológicos, sociais, econômicos e culturais que, por sua vez, somente durante a infância podem estar envolvidos em qualquer um dos mecanismos de determinação.
A desnutrição corresponde a uma doença de natureza clínico-social multifatorial, cujas raízes se encontram na pobreza. Sobre o tema, analise as assertivas e assinale a alternativa correta.
I. O kwashiorkor do adulto pode ser reconhecido por: albumina sérica menor que 2,8g/dl e, pelo menos, por um dos seguintes achados: edema, sinais de cicatrização inadequada e cabelos frágeis, arrancáveis com facilidade.
II. O marasmo pode ser classificado clínicamente por: por emagrecimento acentuado apresentando grande redução de panículo adiposo, distrofia muscular de ombros, braços, nádegas e pernas, contorno das costelas visíveis, quadris estreitos em relação ao tórax e escassez de gorduras nas nádegas e coxas.
III. Os preparados parados alimentares oferecidos na fase de estabilização de crianças com desnutrição grave internadas devem: fornecer no máximo 100 Kcal/Kg de peso/dia (mínimo aceitável de 80 Kcal/Kg de peso/dia) e 1 a 1,5 g de proteína/Kg de peso/dia. Estes valores são essenciais para manter os processos fisiológicos básicos da criança. Além disso, devem ter baixa osmolaridade (280 mmol/litro) e baixo teor de lactose (13g/l).
Apenas I está correta.
Apenas I e III estão corretas.
Apenas II e III estão corretas.
Todas estão corretas.
A classificação C – gravemente desnutrido na Avaliação Subjetiva Global se dá por
recuperação recente de peso e redução das atividades físicas cotidianas.
perda de peso entre 5 e 10% do peso habitual nos últimos 6 meses e redução da ingestão alimentar.
melhora da ingestão alimentar anteriormente alterada e perda moderada de tecido celular subcutâneo.
perda importante do tecido celular subcutâneo e melhora dos sintomas digestivos.
perda de peso significativa (> 10% do peso habitual) e redução das atividades físicas cotidianas.
O tratamento da Desnutrição Proteico Energética (DPE) é realizado em 03 estágios e é semelhante para o Marasmo e Kwashiorkor. Marque abaixo a opção que indica a sequência destas fases:
Tratamento das complicações agudas, realimentação e reabilitação nutricional;
Realimentação, tratamento das complicações agudas e reabilitação nutricional;
Reeducação alimentar, tratamento das complicações agudas e reabilitação nutricional;
Tratamento das complicações agudas, reeducação alimentar e reabilitação nutricional.
A Desnutrição é uma doença de natureza clínico-social multifatorial cujas raízes se encontram na pobreza. A desnutrição grave acomete todos os órgãos da criança, tornando-se crônica e levando a óbito, caso não seja tratada adequadamente. Sobre a desnutrição assinale a alternativa INCORRETA.
Pode começar precocemente na vida intrauterina (baixo peso ao nascer) e frequentemente cedo na infância, em decorrência da interrupção precoce do aleitamento materno exclusivo e da alimentação complementar inadequada nos primeiros 2 anos de vida.
Outros fatores de risco na gênese da desnutrição incluem problemas familiares relacionados com a situação socioeconômica, precário conhecimento das mães sobre os cuidados com a criança pequena (alimentação, higiene e cuidados com a saúde de modo geral) e o fraco vínculo mãe e filho.
A prevenção e o controle da desnutrição dependem de medidas mais amplas e eficientes de combate à pobreza e à fome e políticas de inclusão social.
Nenhuma das alternativas.
O marasmo usualmente ocorre em crianças com menos de 1 ano de idade, quando o leite materno é suplementado com sopas aguadas de cereais nativos, os quais normalmente são deficientes em proteínas e calorias. Os sintomas típicos incluem:
Parada no crescimento, perda muscular, fraqueza e anemia
As vítimas do marasmo mostram edemas em membros
O marasmo causa insuficiência renal
O marasmo causa infecções respiratórias
O marasmo causa cegueira e perda capilar
Leia o relato do caso a seguir.
Paciente M.B.S., de 25 anos, com 49 kg, 1,64 m, estando no quinto dia de internação na clínica médica. Cardiopata, previamente desnutrida, inapetente, com aceitação da dieta oral menor que 60%.
Nesse caso, a conduta é:
terapia nutricional enteral com 1,0 a 1,2 g/proteína/kg, 25-30 kcal/kg.
suplementação oral com 1,0 a 1,2 g/proteína/kg, 25- 30 kcal/kg.
terapia nutricional enteral com 1,2 a 1,5 g/proteína/kg, 30-40 kcal/kg.
suplementação oral com 1,2 a 1,5 g/proteína/kg, 30- 40 kcal/kg.