Questões de Concurso sobre Fatos Jurídicos (Art. 104 a 232)

 
 
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Ao abordar a dinâmica entre o Código Civil e o Código de Defesa do Consumidor, Flávio Tartuce traz um exemplo paradigmático do Tribunal de Justiça da Bahia:


“Da mesma maneira, concretizando a teoria e limitando os juros cobrados em cartão de crédito, decisão do Tribunal de Justiça da Bahia, entre tantas ementas que se repetem:


‘Consumidor. Cartão de crédito. Juros abusivos. Código de Defesa do Consumidor. Juros: estipulação usurária pecuniária ou real. Trata-se de crime previsto na Lei nº 1.521/1951, Art. 4º. Limitação prevista na Lei nº 4.595/1964 e nas normas do Conselho Monetário Nacional, regulação vigorante, ainda que depois da revogação do Art. 192 da CF/1988, pela Emenda Constitucional nº 40, de 2003. Manutenção da razoabilidade e limitação de prática de juros pelo Art. 161 do CTN combinando com 406 e 591 do CC/2002. A cláusula geral da boa-fé está presente tanto no Código de Defesa do Consumidor (Arts. 4º, III, e 51, IV, e §1º, do CDC) como no Código Civil de 2002 (Arts. 113, 187 e 422, do CC/2002), que devem atuar em diálogo (diálogo das fontes, na expressão de Erik Jayme) e sob a luz da Constituição e dos direitos fundamentais para proteger os direitos dos consumidores (Art. 7º do CDC). Relembre-se, aqui, portanto, o Enunciado de nº 25 da Jornada de Direito Civil, organizada pelo STJ em 2002, que afirma: ‘A cláusula geral contida no Art. 422 do novo Código Civil impõe ao juiz interpretar e, quando necessário, suprir e corrigir o contrato segundo a boafé objetiva, entendida como exigência de comportamento legal dos contratantes’. Recurso improcedente’.” (TJBA – Recurso 0204106-62.2007.805.0001-1 – Segunda Turma Recursal – Rel. Juíza Nicia Olga Andrade de Souza Dantas – DJBA 25.01.2010)


Manual de direito do consumidor / Flávio Tartuce, Daniel Amorim Assumpção Neves. – 15. ed., atual. e ampl. – Rio de Janeiro [RJ]: Método, 2026.


O fenômeno descrito ilustra a teoria do diálogo de fontes pelo viés:


A

da subsidiariedade;


B

da complementariedade;


C

das influências recíprocas;


D

do sistemático de coerência;


E

da coerência derivada ou restaurada.

Considere os seguintes atos e fatos jurídicos:


i) impenhorabilidade do bem de família;

ii) legitimidade do agente de garantias para execução e para ações judiciais que envolvam discussões sobre a existência, a validade ou a eficácia do ato jurídico do crédito garantido; e

iii) direito de preferência do locatário em adquirir o imóvel locado.


Sobre o tema, é correto afirmar que:


A

a oponibilidade a terceiros depende do registro do título correlato em todas as hipóteses, mas em nenhuma delas terá eficácia constitutiva;


B

a oponibilidade a terceiros depende do registro do título nas hipóteses ii e iii, ao passo que, na hipótese i, o registro será constitutivo;


C

nas hipóteses ii e iii, o registro do título é constitutivo do direito, ao passo que, na hipótese i, o registro apenas tornará o direito oponível a terceiros;


D

em nenhuma das hipóteses o registro terá eficácia constitutiva e a oponibilidade do título dependerá de registro apenas nas hipóteses ii e iii;


E

em nenhuma das hipóteses o registro terá eficácia constitutiva e a oponibilidade do título dependerá de registro apenas na hipótese iii.

O livro III do Código Civil brasileiro dispõe sobre os fatos jurídicos. Sobre o tema, analise as assertivas a seguir:


I.A validade da declaração de vontade dependerá, sempre, de forma especial.

II.A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra em benefício próprio, nem aproveitada aos cointeressados capazes, salvo se, neste caso, for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum.

III.A impossibilidade relativa inicial do objeto invalida o negócio jurídico.

IV.No negócio jurídico celebrado com a cláusula de não valer sem instrumento público, este é da substância do ato.

V.O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem, e não for necessária a declaração de vontade expressa.


É correto o que se afirma em:


A

I, II, III, IV e V.


B

I e IV, apenas.


C

III e V, apenas.


D

II, IV e V, apenas.


E

I, II e III, apenas.

Assinale a alternativa correta:


A

Reduzir os juros vincendos de um empréstimo, na vigência de lei nova que os limitou, é exemplo de retroatividade máxima.


B

Os limites à retroatividade da lei não se aplicam aos regulamentos administrativos.


C

O direito sob condição suspensiva é considerado adquirido perante a lei nova; não é assim considerado no que tange aos efeitos do negócio jurídico.


D

A expectativa de direito não gera efeitos jurídicos.


E

O direito sujeito a termo inicial não é considerado adquirido.

Conforme o Código Civil relativamente à prova, salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode ser provado mediante, EXCETO:


A

Confissão.


B

Alienação.


C

Documento.


D

Testemunha.

Considere as seguintes situações:

(i) fixação de domicílio; e

(ii) morte do genitor que leva à abertura da sucessão hereditária em favor de seu único filho.

De acordo com a classificação do Código Civil, as situações citadas são exemplos, respectivamente, de:


A

ato jurídico stricto sensu e fato jurídico stricto sensu;


B

ato jurídico lato sensu e fato jurídico lato sensu;


C

negócio jurídico e fato jurídico stricto sensu;


D

ato jurídico stricto sensu e fato jurídico lato sensu;


E

ato jurídico stricto sensu e ato jurídico stricto sensu.

Quanto aos fatos jurídicos, sobre a prescrição é correto afirmar que:


A

Que a qualquer tempo poderá a parte renunciar à prescrição.


B

Que a prática de atos incompatíveis com a prescrição presume a sua renúncia.


C

Que o juiz não poderá atender, de ofício, a alegação de prescrição.


D

Que não corre prescrição entre ascendentes e descendentes.

Os atos jurídicos


A

são eventos decorrentes de forças da natureza que produzem consequências jurídicas.


B

são fatos jurídicos voluntários.


C

tanto podem derivar da vontade do homem como de obra da natureza.


D

são apenas as declarações de vontade lícitas.


E

não constituem fato jurídico de nenhuma espécie.

Em relação ao Código Civil, em relação aos Fatos Jurídicos, assinale a alternativa INCORRETA.


A

Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País.


B

A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir.


C

A impossibilidade inicial do objeto invalida o negócio jurídico se for relativa, ou se cessar antes de realizada a condição a que ele estiver subordinado.


D

No negócio jurídico celebrado com a cláusula de não valer sem instrumento público, este é da substância do ato.


E

A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra em benefício próprio, nem aproveita aos cointeressados capazes, salvo se, neste caso, for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum.

São fatos jurídicos:


A

os negócios jurídicos, mas não os atos jurídicos.


B

os eventos da natureza que ensejam consequências jurídicas e os atos jurídicos, mas não os negócios jurídicos.


C

os eventos da natureza que ensejam consequências jurídicas, os atos jurídicos e os negócios jurídicos.


D

somente aqueles que decorram da vontade humana, como os atos jurídicos e os negócios jurídicos.


E

os atos jurídicos, mas não os negócios jurídicos.

Sobre os fatos jurídicos, assinale a alternativa incorreta.


A

Se ambas as partes procederem com dolo, nenhuma pode alegá-lo para anular o negócio, ou reclamar indenização.


B

São os negócios jurídicos anuláveis por dolo, quando este for a sua causa.


C

O dolo acidental só obriga à satisfação das perdas e danos, e é acidental quando, a seu despeito, o negócio seria realizado, embora por outro modo.


D

Nos negócios jurídicos bilaterais, o silêncio intencional de uma das partes a respeito de fato ou qualidade que a outra parte haja ignorado, constitui omissão culposa, provando-se que sem ela o negócio não se teria celebrado.

Após a leitura do excerto abaixo, extraído da obra "Direito Civil Esquematizado", de Carlos Roberto Gonçalves (2021), responda ao que for arguido.

"O Código Civil de 2002 substituiu a expressão genérica "ato jurídico", empregada pelo diploma de 1916 no livro concernente aos "Fatos Jurídicos", pela designação específica "negócio jurídico", porque somente este é rico em conteúdo e justifica uma pormenorizada regulamentação, aplicando -se -lhe os preceitos constantes do Livro III. Alterou, também, a ordem das matérias."


Acerca do instituto "negócio jurídico", assinale o que esteja em confronto com o determinado pelo Código Civil de 2002.


A

A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento.


B

No negócio jurídico celebrado com a cláusula de não valer sem instrumento público, este é da substância do ato.


C

A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir.


D

A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra em benefício próprio, nem aproveita aos co-interessados capazes, salvo se, neste caso, for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum.


E

A impossibilidade inicial do objeto invalida o negócio jurídico se for relativa, ou se cessar antes de realizada a condição a que ele estiver subordinado.

Acerca dos fatos jurídicos e seu tratamento pelo Código Civil, assinale a alternativa INCORRETA.


A

A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra em benefício próprio, nem aproveita aos cointeressados capazes, salvo se, neste caso, for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum.


B

A impossibilidade inicial do objeto invalida o negócio jurídico, ainda que relativa, exceto se cessar antes de realizada a condição a que ele estiver subordinado.


C

No negócio jurídico celebrado com a cláusula de não valer sem instrumento público, este é da substância do ato.


D

O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem, e não for necessária a declaração de vontade expressa.


E

As partes poderão livremente pactuar regras de interpretação, de preenchimento de lacunas e de integração dos negócios jurídicos diversas daquelas previstas em lei.

A prescrição ocorre em 10 anos, quando a lei não lhe haja fixado prazo menor. Contudo, prescreve em um ano:


A

A pretensão de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular.


B

A pretensão contra as pessoas em seguida indicadas por violação da lei ou do estatuto, contado o prazo para os liquidantes, da primeira assembleia semestral posterior à violação.


C

A pretensão para receber prestações vencidas de rendas temporárias ou vitalícias.


D

A pretensão dos credores não pagos contra os sócios ou acionistas e os liquidantes, contado o prazo da publicação da ata de encerramento da liquidação da sociedade.


E

A pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa.

Nos termos do Código Civil, a pretensão dos credores não pagos contra os sócios ou acionistas e os liquidantes, contado o prazo da publicação da ata de encerramento da liquidação da sociedade, prescreve em


A

01 (um) ano.


B

02 (dois) anos.


C

03 (três) anos.


D

05 (cinco) anos.


E

10 (dez) anos.

De acordo com o Código Civil, o comportamento das partes posterior à celebração do negócio


A

poderá justificar a sua resolução, se configurar inadimplemento injustificável, mas não tem qualquer relevância para a sua interpretação.


B

não poderá justificar a sua resolução, mesmo se configurar inadimplemento injustificável, nem tem qualquer relevância para a sua interpretação.


C

tem relevância para fins da sua interpretação e poderá justificar a sua resolução, se configurar inadimplemento injustificável.


D

não poderá justificar a sua resolução, mesmo se configurar inadimplemento injustificável, mas poderá ter relevância para fins da sua interpretação.


E

poderá justificar a sua resolução, se configurar inadimplemento injustificável, ou ter relevância para fins da sua interpretação, somente se uma ou outra coisa tiverem sido expressamente previstas pelas partes.

Acerca das previsões sobre prescrição e decadência na legislação civil, analise as seguintes afirmativas:


I - Em regra, aplica-se à decadência, no que couber, as normas da suspensão e interrupção da prescrição.

II - Havendo capacidade legal e manifestação expressa por escrito, renunciar previamente a prescrição é válido.

III - As partes podem alterar, por acordo, os prazos de prescrição, inclusive mediante renúncia expressa ou tácita.


Está correto o que se diz em:


A

Todas as afirmativas são falsas.


B

Somente as afirmativas I e II são verdadeiras.


C

Somente as afirmativas II e III são verdadeiras.


D

Todas as afirmativas são verdadeiras.

Assinale a alternativa correta de acordo com o Código Civil Brasileiro.


A

Presumem-se fraudatórias dos direitos dos outros credores as garantias de dívidas que o devedor insolvente tiver dado a algum credor.


B

O adquirente dos bens do devedor insolvente, para conservar a posse dos bens, deverá depositar o valor do negócio em juízo, com a citação de todos os interessados.


C

Anulados os negócios jurídicos por fraude contra credores, a vantagem resultante reverterá em proveito do credor quirografário com dividas já vencidas e não pagas.


D

O credor quirografário, que receber do devedor insolvente o pagamento da dívida ainda não vencida, ficará obrigado a dar imediata quitação do recebido.


E

Qualquer credor poderá requerer a anulação de negócio jurídico que implique a transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida praticado por devedor já insolvente.

 
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