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“A corpulência não é apenas uma enfermidade em si, mas o prenúncio de outras. A morte súbita é mais comum naqueles que são naturalmente gordos do que nos magros. Hipócrates” (460 a.C.-370 a.C.). O tecido adiposo é o principal reservatório energético do organismo, e um órgão endócrino composto por adipócitos maduros, pré-adipócitos, fibroblastos, células endoteliais, histiócitos e macrófagos. Acerca das bases moleculares e bioquímicas da obesidade, analise as proposições que se seguem e assinale a opção CORRETA.
I. O aumento do tecido adiposo favorece a hipertrofia dos adipócitos, com o recrutamento de macrófagos, que liberam as citocinas pró-inflamatórias (IL-6 e FNT alfa), que induzem a lipólise;
II. A adiponectina é uma proteína de produção específica pelos adipócitos, cuja produção é inibida por fatores pró-inflamatórios e estresse oxidativo. Os seus níveis encontram-se diminuídos na obesidade e DM II. Tem função anti-aterogênica e regula a homeostasia dos lipídios e da glicose, potencializa a ação da insulina a nível hepático e reduz a produção de glucose hepática;
III. A inflamação contribui para o aumento da produção de Espécies Reativas de Oxigênio (ERO) em obesos. O tecido adiposo, ao estimular a produção de macrófagos e citocinas, aumenta a respiração celular e a produção de ERO, como: radical superóxido, peróxido de hidrogênio, hidroxila e NO.
Somente a proposição II está correta.
As três proposições estão corretas e explicam a associação existente entre obesidade e resistência à insulina.
As três proposições estão corretas e se complementam para fundamentar o ambiente metabólico na obesidade que se caracteriza por excesso de ROS e deficit na atividade de enzimas antioxidantes, apto a gerar estresse oxidativo.
Todas as proposições estão incorretas.
Somente as proposições I e III estão corretas.
A prevalência de caquexia em pacientes com câncer pode abranger 15 a 40% dos casos, sendo uma importante causa de morte. As principais repercussões clínicas da caquexia são:
alterações no funcionamento do aparelho digestivo, como redução da motilidade intestinal e redução da produção de enzimas.
acentuada perda de tecido adiposo, manutenção do tecido muscular e anorexia.
anemia, hipoalbuminemia, apetite preservada e acentuada perda de tecido adiposo e muscular.
sem prejuízo da força muscular e atividade muscular reduzida.
redução de ingestão de alimentos, vulnerabilidade às infecções.
O distúrbio mineral ósseo da doença renal crônica é considerado como síndrome, pois engloba alterações clínicas, bioquímicas e ósseas que se desenvolve no curso evolutivo da doença renalcrônica. Acerca desse assunto, assinale a opção INCORRETA:
Os principais marcadores do metabolismo ósseo propostos pelas Diretrizes do KDIGO (Kidney Disease: Improving Global Outcomes) para o metabolismo ósseo são cálcio, fósforo e paratormônio.
É importante manter as concentrações séricas de fósforo por meio do controle da ingestão alimentar e uso de quelantes.
O paratormônio e o calcitriol são responsáveis pela manutenção do cálcio e do potássio sob o controle na circulação.
A hiperfosfatemia, quando não tratada, aumenta o risco para doença cardiovascular, resultante da calcificação do coração, de vísceras e de artérias periféricas, hiperparatireoidismo secundário e osteodistrofia renal.
A restrição de alimentar de fosforo pode reduzir a ingestão de proteica, bem como levar a desnutrição e ao aumento da mortalidade.
Doenças hepáticas agudas e crônicas podem ser consequentes a lesões no parênquima hepático, provocadas por agentes químicos, virais, farmacológicos ou outros componentes tóxicos, que alteram a estrutura morfológica e a capacidade funcional dos hepatócitos. Alterações no metabolismo glicídico, lipídico e proteico são encontradas nas hepatopatias. A respeito disso, assinale a alternativa INCORRETA.
Nas hepatopatias agudas e graves, verificamos uma diminuição da glicogenólise e da gliconeogênese.
Nas hepatopatias agudas e crônicas, ocorre uma diminuição na liberação dos aminoácidos teciduais e aumento do ciclo da ureia.
Nas hepatopatias agudas e crônicas, ocorre um aumento da lipogênese hepática e diminuição da síntese de LDL.
Nas hepatopatias crônicas, caracteriza-se uma diminuição da função hepática.
Os distúrbios motores do esôfago podem dificultar a passagem dos alimentos pelo esôfago até o estômago, principalmente pelos seguintes motivos:
hipermotilidade do esôfago e rigidez do esfíncter esofágico inferior.
falta de contrações musculares esofágicas e falha em relaxar o esfíncter esofágico inferior.
esfíncter esofágico inferior relaxado e capacidade de propulsão do esôfago.
contrações musculares esofágicas e esfíncter esofágico superior contraído.
peristaltismo e esfíncter esofágico inferior relaxado.
Quais os fatores de risco nutricional que apresentam relação direta com os mecanismos fisiopatológicos da Hipertensão Arterial Sistêmica, de origem renal e neural?
Obesidade e ingestão excessiva de sódio.
Obesidade e ingestão insuficiente de potássio.
Ingestão excessiva de álcool e ingestão excessiva de sódio.
Ingestão insuficiente de potássio e circunferência da cintura elevada.
Ingestão excessiva de gordura e circunferência da cintura elevada.
Analise as afirmativas abaixo sobre a fisiopatologia e dietoterapia na condição de pancreatite.
I. A dor associada à pancreatite é parcialmente relacionada aos mecanismos secretórios das enzimas pancreáticas.
II. A avaliação laboratorial das enzimas amilase e lipase, sendo a elevação das duas enzimas consideradas testes específicos para pancreatite, com alta sensibilidade.
III. A terapia nutricional para a pancreatite crônica inclui a suplementação de vitaminas lipossolúveis e vitamina B12.
IV. Em caso de pancreatite aguda, a oferta de lipídios pelo suporte nutricional parenteral deve considerar a trigliceridemia (TG), e, se TG maior que 400mg/dL, não devem ser ofertados ácidos graxos na solução de dieta. .
Estão CORRETAS, apenas,
I, II e IV.
II e IV.
I e IV.
II e III.
I, III e IV.
A normalização da flora intestinal pode ser um fator positivo para a diminuição da translocação bacteriana, diarreia, doença inflamatória intestinal, síndrome do intestino irritável e intolerância à lactose. No que se refere às doenças intestinais, assinale a alternativa que apresenta as assertivas CORRETAS.
I. A doença inflamatória intestinal (DII) é caracterizada por inflamação aguda da mucosa intestinal com etiologia desconhecida e parece ser influenciada por alguns membros da microflora endógena.
II. A síndrome do intestino irritável é um distúrbio caracterizado por dor abdominal, distensão, constipação ou diarreia, náusea, cansaço, retenção hídrica e dores articulares. Ocorre uma redução das bifidobactérias e aumento das bactérias anaeróbicas, promovendo fermentação anormal no cólon.
III. A intolerância à lactose é caracterizada pela deficiência da lactase. O efeito hiperosmótico provocado pela lactose não digerida leva à entrada de água no intestino. A combinação do influxo de água com gases e ácidos formados pela fermentação da lactose não digerida no intestino delgado resulta em intumescimento da alça intestinal, cólica e diarreia.
IV. As ações dos probióticos sobre a doença inflamatória intestinal (DII) incluem alteração no sistema imune da mucosa, com aumento da produção de anticorpos, atividade de macrófagos e de citocinas anti-inflamatórias.
Somente as assertivas II e III estão corretas.
Somente as assertivas I, III e IV estão corretas.
Somente as assertivas I, II e IV estão corretas.
Todas as assertivas estão corretas.
A osteoporose é definida como uma doença esquelética sistêmica caracterizada por baixa massa óssea e deterioração da microarquitetura do tecido ósseo, com consequente maior fragilidade esquelética. Analise as proposições que se seguem, assinalando a opção CORRETA.
I. Para indivíduos de baixo peso que apresentam menor massa óssea e maior risco de fraturas, sugerem-se dietas ricas em cálcio para promoverem reduções na expressão e atividade da AG sintase, aumento de 2 a 3 vezes da lipólise, auxiliarem na perda de peso, redução do IMC, CC, redução da absorção de gorduras e induzirem aumento na excreção fecal de gordura;
II. A influência da proteína sobre a massa óssea não é explicada apenas por seu efeito calciúrico, mas também por influência de fatores de crescimento, em particular hormônio do crescimento e IGF-1 (fator de crescimento semelhante à insulina) e outras citocinas envolvidas na formação e reabsorção óssea, dessa feita indica-se maior ingestão de proteína, a fim de minimizar a calciúria;
III. A sobrecarga aguda de fósforo pode diminuir a calcemia e elevar o paratormônio, promovendo reabsorção óssea. Por outro lado, a privação alimentar de fósforo pode resultar em elevação da calciúria, provavelmente por ativação da Vitamina D e aumento da absorção intestinal de cálcio. No entanto, quando as ingestões de cálcio e proteína estão adequadas, a alimentação rica em fósforo pode não ter efeito sobre a densidade mineral óssea;
IV. A suplementação diária de cálcio e vitamina D poderia minimizar os efeitos negativos da baixa ingestão diária de micronutrientes sobre a saúde óssea, no entanto estudos randomizados envolvendo mulheres pós-menopausa com osteoporose não conseguiram mostrar resultados positivos sobre a concentração plasmática de Vitamina D.
A proposição I representa um cuidado nutricional correto para a patologia.
A proposição II é um cuidado nutricional correto para a patologia.
Todas as proposições estão incorretas.
Somente as proposições I e III estão corretas.
Somente as proposições III e IV estão corretas.
O paciente crítico comumente se encontra em estado séptico e de intenso catabolismo.
A respeito da fisiopatologia dessa condição e suas consequências para o metabolismo, assinale a alternativa CORRETA.
A resposta orgânica ao trauma é iniciada pela fase fluxo (flow), que é caracterizada pelo gasto energético muito aumentado e pela liberação de citocinas pro-inflamatórias.
A hiperglicemia, comum ao paciente crítico, é, essencialmente, decorrente da resistência à insulina secundária à resposta inflamatória.
Durante a sepse, o aumento do tônus simpático e a liberação de catecolaminas provocam a liberação de hormônios contrarreguladores, como a insulina.
O catabolismo muscular proteico intenso, comum ao paciente crítico com sepse, induz o balanço nitrogenado positivo.
A obesidade tornou-se um problema de saúde pública mundial tanto por causa da alta prevalência como por causa da estreita associação com o desenvolvimento de outras doenças.
Nesse contexto, assinale a alternativa INCORRETA.
A obesidade visceral é um importante fator para o desenvolvimento do diabetes, pois estimula a secreção de citocinas e, por consequência, exacerba a resistência à insulina.
Os fatores de risco para a síndrome metabólica incluem obesidade avaliada pelo índice de massa corporal, hiperglicemia, hipertensão arterial, hipertrigliceridemia e elevação da lipoproteína de baixa densidade (LDL).
A gastrectomia por by-pass gástrico é o tratamento para a obesidade que pode resultar em perda de aproximadamente 30% do peso corporal nos primeiros 2 anos após a cirurgia com boa manutenção do peso perdido. Contudo, uma má-alimentação no pós-operatório pode provocar a síndrome de Dumping.
O metabolismo lipídico alterado, com concentrações circulantes aumentadas de ácidos graxos livres, provoca a secreção hepática de triglicerídeos lipoproteicos de densidade muita baixa (VLDL), ocasionando a hipertrigliceridemia, maior responsável pela patogênese das anormalidades metabólicas da obesidade.
Uma alta concentração sérica de colesterol, especificamente o colesterol LDL alto, é uma das principais causas de doença das coronárias, acidente vascular encefálico e mortalidade. As lipoproteínas ricas em triglicerídeos, como a lipoproteína VLDL, são aterogênicas. Os níveis séricos de colesterol e triglicerídeos se elevam em função do consumo alimentar aumentado dos seguintes nutrientes, EXCETO:
carboidratos.
ácidos graxos trans.
ácidos graxos poli-insaturados.
ácidos graxos saturados.
colesterol.
Dentre as complicações apresentadas a seguir, é comprovadamente associada à obesidade:
elevados níveis de colesterol LDL.
aumento dos níveis de colesterol HDL.
esteatose hepática não alcoólica.
aumento do risco de todos os tipos de câncer.
As doenças inflamatórias intestinais (DII) comumente acarretam em perda de peso devido à ingestão alimentar insuficiente e inadequada. No contexto dessas doenças, analise as afirmativas a seguir.
I. Portadores de colite ulcerativa apresentam deficiência de vitamina B12.
II. A doença de Crohn e colite ulcerativa se diferem, principalmente, pelas camadas histológicas acometidas e pela comum presença de fístulas na primeira, contribuindo para a deterioração do estado nutricional.
III. Após a identificação da intolerância a certo alimento nos pacientes tanto com Crohn quanto com colite ulcerativa, esse alimento é excluído da dieta e não pode ser reintroduzido, nem mesmo durante a fase de remissão da doença, devido ao risco de recidiva.
IV. As DIIs na fase ativa evoluem com intolerância à lactose decorrente da deficiência na produção intestinal da enzima lactase.
Estão corretas as afirmativas:
I e II, apenas.
I, II e IV, apenas.
II e III, apenas.
II e IV, apenas.
As fístulas gastrointestinais representam complicações importantes no período pós operatório. A presença da mesma prolonga o tempo de internação hospitalar. Sobre esse assunto, assinale V para verdadeiro e F para falso.
( ) As fístulas gastrointestinais têm como principais sequelas: formação de coleções líquidas, abscessos , hemorragias, sepse, desnutrição e óbito.
( ) As fístulas gastrointestinais permitem contato de secreções do tubo digestório com o interior do abdômen ou com o meio externo, promovendo grande perda substancial. Enzimas digestivas, água, eletrólitos e nutrientes, de uma víscera oca passa para outra ou para a pele, causando uma ampla variedade de efeitos fisiopatológicos.
( ) As fístulas são classificadas , de acordo com: Volume de débito : Baixa ( menor que 300 ml/24h); Alto (maior que 300 ml/24h); Tipo de comunicação: Interna : Sem exteriorização; Externa: comunicação com o exterior. Abertura da fístula: Lateral: Difícil fechamento espontâneo. Terminal: Mais fisiológica, com fechamento espontâneo, mais provável.
( ) O período de maior probabilidade de aparecimento é do sexto ao décimo terceiro dia. Fístulas que surgem até 48h do procedimento operatório são consideradas precoces, resultantes, principalmente de erro técnico.
( ) Os sintomas clínicos das fístulas incluem dor, inicialmente local e depois difusa e febre, embora a ocorrência de fístulas possa ser assintomática. As fístulas internas podem cursar com obstipação intestinal, dispnéia, leucocitose, pneumatúria, piúria e sepse.
A sequência correta é
V,V,V,F,F
V,F,F,V,F
V,F,V,F,F
V,V,V,F,V
V,V,F,F,F