Questões de Concurso sobre Ensino de literatura

 
 
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O aluno deveria ser persuadido, motivado a gostar de ler, atraído, pelo texto literário, encarando a leitura literária como um jogo, nos termos de Iser (1999), em que o autor dita as regras de funcionamento do jogo, por meio da tessitura textual e o leitor descobre como jogar, negociando sentidos, decifrando pistas, fazendo inferências, enfim, reconstruindo o jogo, antes dirigido pelo autor. Enquanto os alunos não encontrarem esse sentido para a leitura literária, continuarão a ler sem prazer, lendo apenas os resumos das obras clássicas disponíveis na web, recortando e copiando textos da internet, fazendo da pesquisa na escola mera cópia, diminuindo a capacidade imaginativa, restringindo seu potencial de coprodução enquanto leitores críticos.


(MARTINS, Ivanda. A literatura no Ensino Médio: quais os desafios do professor?. In: BUZEN, Clécio; MENDONÇA, Márcia (orgs.). Português no ensino médio e formação do professor. São Paulo: Parábola, 2006, p. 97-8)


Analisando a proposta de leitura do texto literário na escola, apresentada pela professora Ivanda Martins, julgue as abordagens do texto literário condizentes com essa visão.


I. A escola deve priorizar a leitura das obras literárias clássicas, que coloquem o aluno em contato com uma linguagem pertencente a contextos espaço-temporais distantes da realidade do aluno.

II. Para o aluno desenvolver estratégias comunicativas e dominar a norma-padrão, é necessário o estímulo à leitura de obras literárias, os consagrados clássicos.

III. A linguagem literária é marcada pela especificidade própria e única, que distingue linguagem literária de linguagem não literária, que o aluno deve perceber.

IV. É preciso que o aluno reconheça a obra literária como uma figura tridimensional (multi/inter/transdisciplinar) que utiliza a língua como instrumento de realização artística.


Está(ão) CORRETA(S)


A

I e II, apenas.


B

I, II e III, apenas.


C

III, apenas.


D

III e IV, apenas.


E

IV, apenas.

“O problema da leitura e da literatura na escola não se resume, a meu ver, a uma questão de adequação à faixa etária ou ao gosto do aluno, nem ao condicionamento neurotizante do hábito de ler através de técnicas milagrosas”.


Maria do Rosário Mortatti Magnani. Leitura, literatura e escola: sobre a formação do gosto.


Buscando elencar causas para o problema apontado, a autora conclui, entre outros motivos, que:


A

os estímulos padronizados da indústria cultural acabam moldando e imobilizando o gosto do leitor, tendendo a torná-lo consumidor de literatura trivial.


B

a formação do gosto pessoal é um fenômeno individual, sobre o qual não devem recair juízos de valor.


C

o acesso precário da maioria dos cidadãos brasileiros às produções culturais de seu tempo dificulta a tarefa da escola de promover a apreciação da arte.


D

as práticas de leitura devem ser feitas em sala de aula, pois a falta de tempo dos alunos para se dedicar aos trabalhos externos à escola tem de ser considerada.


E

a reflexão sobre o papel recreativo do texto literário ajuda a despertar nos alunos o gosto por esse tipo de linguagem.

Em Por que ler os clássicos, Calvino assinala que as leituras feitas:


A

na juventude podem ser pouco profícuas pela inexperiência da vida, pela impaciência e distração, o que valida a noção de que os alunos adolescentes não gostam de ler.


B

na juventude podem ser formativas no sentido de que dão uma forma às experiências futuras, fornecendo, entre outros, modelos, termos de comparação, esquemas de classificação e paradigmas de beleza.


C

na juventude estimulam o altruísmo, sedimentando a consciência política em formação e promovendo o exercício futuro da cidadania.


D

na vida adulta, desde que alternadas em uma sábia dosagem com outras formas de entretenimento, ampliam a saúde mental e a reserva cognitiva.


E

na vida adulta são mais proveitosas do que as da juventude, porque, ao deixarem de ser leituras escolares obrigatórias, tornam-se atividades associadas a momentos de fruição estética.

Devido ao público específico a que se dirige, a literatura infantil brasileira tem um sistema literário próprio, cuja historiografia é distinta da literatura escrita para o público em geral.


C

Certo


E

Errado

Leia o trecho a seguir, retirado do ensaio “O direito à literatura”, de Antonio Candido:


“[...] (1) ela é construção de objetos autônomos como estrutura e significado; (2) ela é uma forma de expressão, isto é, manifesta emoções e a visão do mundo dos indivíduos e dos grupos; (3) ela é uma forma de conhecimento, inclusive como incorporação difusa e inconsciente.”


Vários escritos. São Paulo: Duas Cidades, 1995.


De acordo com o autor, essas seriam não apenas as principais funções da literatura, como também as justificativas para seu ensino. Além disso, Candido considera que é importante ensinar a literatura como construção, pois o leitor, ao perceber a organização intencional das palavras, seria capaz de:


A

Aceitar a universalidade da ficção.


B

Organizar sua própria visão de mundo.


C

Compreender perspectivas distintas da sua.


D

Tornar-se um leitor proficiente.


E

Tomar posição em assuntos contemporâneos.

Partindo do pressuposto de que a obra de Machado de Assis já se constitui como um clássico, ao menos no Brasil, a linha do pensamento de Ítalo Calvino, em Por que ler os clássicos, permite afirmar que a leitura obrigatória da obra de Machado, na escola:


A

é incoerente, porque levar um clássico como Machado de Assis para a sala de aula é correr o risco de que o aluno se afaste dessa leitura por não compreender sua sintaxe e vocabulário rebuscados.


B

é ineficaz, uma vez que um clássico funciona como tal no momento em que pode haver uma relação pessoal entre leitor e obra, ou seja, na vida adulta.


C

é coerente, pois a escola é obrigada a dar ao aluno os instrumentos necessários para que possam fazer escolhas de leituras futuras.


D

é ineficaz, pois as leituras mais eficazes de obras culturalmente valorosas ocorrem depois do ensino escolar, quando se tornam leituras desinteressadas.


E

é coerente, contanto que o instrumental crítico a respeito da obra do autor anteceda os textos originais, para que o aluno tenha o entendimento prévio daquilo que será lido.

A literatura tem um papel fundamental na formação de uma criança e pode funcionar como um primeiro passo para desenvolver sua fruição artística e valores humanos. Existem características que podem ser mais desenvolvidas, apenas com o hábito da leitura. Assinale a característica incorreta:


A

Valorização e desenvolvimento na criatividade para que o aluno interaja com o mundo de forma autônoma e autêntica.


B

Desenvolvimento nas competências de interpretação de texto e comunicação, bem como de produção textual.


C

Aquisição de informações diversas, e textos de qualidade podem incitar reflexões importantes que ajudarão o aluno a desenvolver seu senso crítico.


D

Atenção à escolha dos temas dos livros infanto-juvenis não se importa à temática que o aluno será exposto.

“Um estudo em vermelho” é um romance policial, escrito por um dos maiores representantes desse gênero. Ao levar textos como esse, pertencentes à literatura canônica, para sala de aula e discuti-los com os estudantes, seja por meio de leitura coletiva, protocolada ou individual, o professor demonstra uma compreensão


A

de como praticar a tradição literária escolar, cuja tendência é valorizar mais o conteúdo, para que os estudantes possam ter uma formação plena como leitores de textos literários diversificados.


B

de como ampliar e consolidar a compreensão do estudante sobre o que é literatura e como ela se apresenta no cotidiano, para que seja consolidada a relação do estudante com a cultura literária.


C

de que apresentar e ensinar a cultura literária reconhecida como patrimônio cultural contribui para a formação do gosto literário individual dos estudantes, os quais poderão sair da escola com interesses estéticos e culturais autônomos.


D

da escolarização da literatura que, de modo geral, é entendida como as práticas tradicionais de ensino de literatura, as quais contribuem, de acordo com os teóricos, progressivamente para a construção do repertório cultural dos estudantes.

No ensaio “O direito à literatura”, Antonio Candido defende uma concepção de literatura ampla, que englobaria desde mitos até as diferentes formas de ficção. Por outro lado, Magda Soares aponta que:


“[...] a escola toma para si a literatura, escolariza-a, didatiza-a, pedagogiza-a, para atender seus próprios fins – faz dela uma literatura escolarizada.”


Levando em consideração o trecho retirado do livro A escolarização da leitura literária: o jogo do livro infantil e juvenil, assim como as ideias defendidas por Candido em seu ensaio, haveria, entre ambos os textos, uma:


A

Concordância, posto que ambos compreendem a literatura como algo que não deve ser trabalhado na escola.


B

Discordância, posto que Soares defende que a literatura não é material de ensino e Candido defende o oposto.


C

Concordância, posto que ambos compreendem a literatura como historicamente determinada e socialmente relevante.


D

Discordância, posto que Candido está pensando apenas no contexto de literatura como direito fundamental e Soares está analisando apenas o ensino de literatura.


E

Concordância, posto que ambos pensam a literatura fundamentalmente no ambiente escolar e, assim, seu papel humanizador.

Qual das perguntas abaixo corresponde a uma concepção formalista de literatura?


A

Qual ideia central o autor procura transmitir pelo texto?


B

Que experiências de vida o autor traz para o texto?


C

Quais recursos de língua o autor utiliza para criar o texto?


D

Quais fatos históricos contextualizam o autor do texto?

Analise as afirmativas a seguir:


I. Aprender uma língua é a única forma de aprender os significados culturais pelos quais as pessoas do seu meio social entendem e interpretam a realidade e a si mesmas.

II. O ensino da Língua Portuguesa deve organizar-se de modo que os alunos sejam capazes de valorizar a leitura como fonte de informação e uma via de acesso aos mundos criados pela literatura.


Marque a alternativa CORRETA:


A

As duas afirmativas são verdadeiras.


B

A afirmativa I é verdadeira, e a II é falsa.


C

A afirmativa II é verdadeira, e a I é falsa.


D

As duas afirmativas são falsas.

Ainda a propósito do trabalho com o texto literário na escola, é correto afirmar somente que:


A

as características compositivas do texto literário distanciam esse tipo de texto da realidade dos alunos, principalmente os da escola pública.


B

deve-se focar o estudo nos aspectos estilísticos das obras literárias, uma vez que isso favorece o desenvolvimento das habilidades fundamentais à escrita.


C

para complementar os estudos dos textos literários, podem ser usadas adaptações audiovisuais, contudo essas adaptações não devem substituir o texto literário.


D

incentivar a produção literária dos alunos deve ser o foco do trabalho com o texto literário, pois isso permite constituir um espaço de libertação e de empoderamento.

A professora de literatura e língua portuguesa, ao ver a lista das obras trabalhadas no 1º ano do Ensino Médio, percebe a ausência de diversidade entre elas. A professora opta, então, por excluir Vidas secas, de Graciliano Ramos, um livro canônico, e inclui o livro Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo, uma autora negra e contemporânea. Um grupo de pais e mães pergunta à professora a razão dessa mudança.


Utilizando o ensaio de Antonio Candido, “O direito à literatura”, a professora pode justificar sua escolha dizendo que:


A

A literatura é um valor universal, portanto não importa quem é o autor ou a autora de uma obra.


B

Os textos antigos perdem seu valor, já que o interesse que uma obra desperta está ligado a sua atualidade.


C

As diferentes perspectivas trazidas pela literatura permitem maior abertura ao diferente.


D

A construção literária e o trabalho com a forma são importantes para ensinar a organização das próprias ideias.


E

A literatura é, antes de tudo, uma escolha individual e não tem relação com a construção da empatia.

Ítalo Calvino, na obra Por que ler os clássicos, reflete sobre o que seria exatamente um “clássico”. Uma de suas conclusões é a de que um “clássico”:


A

refere-se a leituras que se distinguem pela sua antiguidade e estilo, de modo a nos fazer compreender mais a fundo o tempo histórico no qual foram produzidas.


B

pode ser tanto uma obra antiga como uma moderna que já possua um lugar próprio em uma continuidade cultural, a partir de traços deixados na linguagem ou nos costumes.


C

é tudo aquilo que relega as questões da atualidade a uma posição secundária e que pode prescindir de tais questões.


D

condiciona formas de consciência e molda o comportamento futuro, ainda que pouco do livro lido permaneça na memória consciente.


E

diferencia-se de obras advindas exclusivamente da cultura popular, de modo que nem todos os setores sociais têm acesso a elas.

Ano: 2022
Banca: Instituto Municipal de Desenvolvimento de Recursos Humanos - IMPARH
Prova: IMPARH - Prefeitura de Fortaleza - Professor - Área: Língua Portuguesa - 2022

A propósito do texto literário e de sua abordagem em sala de aula, é correto o que se afirma somente em qual item?


A

Os gêneros literários em sala de aula têm por função precípua favorecer o pleno desenvolvimento de habilidades de escrita literária.


B

É imprescindível que os alunos desenvolvam a habilidade de identificar as marcas linguísticas e as influências sociais que caracterizam cada escola literária.


C

O contato do aluno com o texto literário deve ser incentivado, pois isso lhe permitirá reduzir consideravelmente a presença de marcas de oralidade em seu texto escrito.


D

É importante que os alunos se apercebam das especificidades do texto literário e de que sua leitura exige uma atitude diferente do leitor quando comparada à de outros textos.

Letramento literário pode ser pensado como a condição daquele que não apenas é capaz de ler e compreender gêneros literários, mas aprendeu a gostar de ler literatura e o faz por escolha, pela descoberta de uma experiência de leitura distinta, associada ao prazer estético.


(BARBOSA, Begma Tavares. Letramento literário: sobre a formação escolar do jovem leitor. Educ. foco, Juiz de Fora, v. 6, n. 1, pp. 145-167. Em: 2011. Adaptado.)


O propósito comunicativo desse excerto é:


A

Definir o letramento literário como um dos desdobramentos do conceito de letramento.


B

Argumentar a favor do letramento literário como estratégia de formação de jovens leitores.


C

Sugerir o letramento literário como prática pedagógica para a formação da competência leitora.


D

Ensinar os professores meios de abordar a literatura em sala de aula, com o objetivo de formar futuros leitores literários.

Um problema que, segundo Irandé Antunes no Texto 4, desvirtua o trabalho com o texto literário nas aulas de português é


A

acreditar na seriedade das palavras e em seus limites de significação.


B

alimentar a crença de que o texto literário foge da racionalidade para fomentar fantasias.


C

conceber o texto literário como gênero estranho.


D

usar o texto literário para fixar conteúdos gramaticais.

No ensaio “Literatura e escola: antilições”, Ivete Lara C. Walty aponta que:


“[...] o discurso didático esvazia o texto literário de seu potencial, congelando-o em definições e classificações, ou usando-o com outros objetivos tais como transmitir conhecimentos, ensinar regras morais, refletir sobre drogas ou aborto na adolescência e, principalmente, ensinar regras gramaticais. ”


In: EVANGELISTA, A. A. M.; BRANDÃO, H. M. B.; MACHADO, Z. V. A escolarização da leitura literária: o jogo do livro infantil e juvenil. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2001.


De acordo com a autora, isso ocorreria, pois a escola:


A

É incapaz de estabelecer uma relação adequada com a instituição literária.


B

Não deveria trabalhar com o discurso literário.


C

Não estabelece normas rígidas e regras claras para o trabalho com a literatura.


D

Utiliza um excesso de didatismo em seu trabalho com a literatura.


E

Não produz um leitor obediente que seja capaz de reproduzir enunciados textuais.

Arrastaram-se para lá, devagar, Sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás. Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se. O menino mais velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão.


(RAMOS, Graciliano. Vidas Secas.)


Considerando a estética literária em que se enquadra o autor de “Vidas Secas”, assinale a afirmativa correta.


A

Como autor modernista, Graciliano Ramos está entre os grandes romancistas brasileiros do Nordeste cujo regionalismo adquire um caráter crítico.


B

O fragmento apresenta características literárias próprias do movimento a que pertence como: subjetivismo, alienação social e concepção mística do mundo.


C

Também denominado “romance científico”, inspirado pela prática darwinista, a obra de Graciliano Ramos demonstra um estudo minucioso da natureza humana.


D

Uma das características que se pode observar nessa fase da literatura brasileira é a utilização da metalinguagem, conforme é possível observar no fragmento destacado.

   
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