Questões de Concurso sobre Teoria Geral do Crime

 
 
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O dolo direto de segundo grau


A

se verifica com a consciência sobre os resultados necessários para atingir determinado fim e a vontade de seguir adiante.


B

impede a desclassificação do delito para a forma tentada.


C

é puramente cognitivo no direito penal brasileiro.


D

leva em consideração a finalidade última do agente representado pelo resultado típico.


E

está presente quando o agente tem consciência do risco criado por seu comportamento, considera seriamente sua realização e se conforma com o resultado lesivo.

Dentro da teoria geral do crime, entende-se por “crimes de empreendimento” aqueles em que:


A

todas as elementares do tipo penal precisam ser praticadas para que o resultado seja alcançado;


B

o agente pratica os atos de execução, mas a configuração do crime depende da colaboração da própria vítima;


C

há exigência de reiteração da conduta e finalidade de obtenção de lucro;


D

o legislador equipara a forma tentada à forma consumada do delito, prevendo a mesma pena para ambas as modalidades;


E

o crime é cometido por meio da profissão lícita do agente, como meio para realizar uma conduta criminosa.

Segundo o Código Penal e a doutrina, o sujeito que, por errônea representação dos fatos, crê estar diante de injusta agressão iminente e repele a suposta agressão


A

pratica crime impossível, agindo de forma atípica.


B

incorre em erro de proibição, agindo sem culpabilidade, de acordo com a teoria estrita da culpabilidade.


C

incorre em erro de tipo permissivo, agindo sem dolo, de acordo com a teoria estrita da culpabilidade, permanecendo a possibilidade de punição pelo crime culposo.


D

incorre em erro de tipo permissivo, agindo sem dolo, de acordo com a teoria limitada da culpabilidade, permanecendo a possibilidade de punição pelo crime culposo.


E

incorre em erro de tipo permissivo, agindo sem dolo e sem culpa, de acordo com a teoria limitada da culpabilidade.

Marcos e João são vizinhos com histórico de discussões em razão dos ruídos noturnos provocados pelas festas produzidas por João. Certa noite, Marcos, em um acesso de raiva, efetua disparo de arma de fogo contra João, com intenção de matar seu alvo. O disparo atinge a perna da vítima, que é prontamente levada ao hospital, onde fica internada. No segundo dia de internação, em razão de um vazamento de gás não percebido, João morre por asfixia.


Diante do caso narrado, Marcos deverá responder pelo crime de:


A

homicídio, uma vez que João só se encontrava no hospital em razão das lesões decorrentes da conduta criminosa de Marcos (conditio sine qua non);


B

lesão corporal seguida de morte, uma vez que a morte por asfixia no hospital não era previsível;


C

lesão corporal, já que eliminando-se em abstrato o vazamento de gás, não haveria a morte como resultado naturalístico de sua conduta;


D

tentativa de homicídio, com fundamento na teoria da causalidade adequada, também adotada pelo ordenamento jurídico;


E

tentativa de homicídio, em razão da existência de concausa concomitante para o resultado morte: o disparo de arma de fogo e o vazamento de gás.

Sandro foi preso em flagrante ao subtrair um pacote de macarrão, cujo valor era R$9,00, de um hipermercado do bairro onde morava. O Ministério Público ofereceu denúncia em face de Sandro, mas o magistrado rejeitou a peça acusatória, reconhecendo a incidência do princípio da bagatela ou insignificância. O referido princípio exclui a


A

ilicitude.


B

tipicidade formal.


C

culpabilidade.


D

tipicidade material.


E

punibilidade.

No que diz respeito a consumação e tentativa, corresponde a uma das etapas da fase interna ou mental:


A

manifestação;


B

preparação;


C

resolução;


D

execução;


E

consumação.

O roubo simples, a extorsão simples e a omissão de socorro são classificados, respectivamente, como crime


A

material, formal, formal.


B

material, material, formal.


C

material, formal, de mera conduta.


D

formal, material, de mera conduta.


E

material, de mera conduta, de mera conduta.

Em relação ao iter criminis, nos termos das teorias objetiva e subjetiva, especialmente quanto ao delito de furto, é correto afirmar que:


A

o início dos atos executórios pode ser aferido por outros elementos que antecedem a própria subtração da coisa, tais como a pretensão do autor ou a realização de atos tendentes à ação típica, ainda que periféricos;


B

a idoneidade do ato para a realização da conduta típica não serve como elemento para aferir o início dos atos executórios que antecedem a própria subtração da coisa;


C

a probabilidade concreta de perigo ao bem jurídico tutelado não serve como elemento para aferir o início dos atos executórios que antecedem a própria subtração da coisa;


D

se a subtração não tiver sido efetivamente iniciada, mesmo que o agente seja surpreendido no interior da residência da vítima, não é possível a configuração do delito;


E

a realização de condutas periféricas indubitavelmente ligadas ao tipo penal do delito de furto não permite a configuração da conduta reprovável.

Considere o seguinte caso hipotético: Artomis, utilizando-se de grave ameaça, obriga Simotramis a adentrar seu veículo e comete o crime de sequestro previsto no Código Penal (Art. 148 – Privar alguém de sua liberdade, mediante sequestro ou cárcere privado. Pena – reclusão, de um a três anos). Entretanto não existe qualquer testemunha do crime e o veículo de Artomis acaba sendo, numa abordagem de rotina, interceptado pela Polícia Militar. Artomis foi preso em flagrante e Simotramis libertado.


Diante desta situação hipotética e nos termos do Código de Processo Penal, é correto afirmar que


A

a falta de testemunhas não impedirá o flagrante; mas, nesse caso, com o condutor, deverão assiná-lo pelo menos quatro pessoas que hajam testemunhado o recebimento da nota de culpa.


B

a falta de testemunhas da infração impedirá a lavratura do auto de prisão em flagrante.


C

não houve o crime de sequestro, em razão de o veículo ter sido interceptado pela Polícia Militar.


D

a falta de testemunhas não impedirá o flagrante; mas, nesse caso, com o condutor, deverão assiná-lo pelo menos quatro pessoas que hajam testemunhado a apresentação do preso à autoridade.


E

trata-se de crime permanente, entendendo-se o agente em flagrante delito enquanto não cessar a permanência.

Sobre a perspectiva da teoria finalista, que influenciou intensamente a reforma do Código Penal Brasileiro (1984), é INCORRETO afirmar:


A

O dolo é considerado como “dolo natural”, não o integrando a consciência da ilicitude.


B

O dolo exige representação real da ação típica, não bastando uma consciência potencial, ainda que não se exija uma representação refletida.


C

O ilícito pessoal não se esgota no desvalor de resultado e se co-constitui pelo desvalor da ação, devendo, o resultado, ser considerado como “obra do autor”.


D

A culpabilidade mantém-se como uma categoria psicológica, desprovida de aspectos valorativos/normativos.

Crime progressivo, uma das hipóteses de aplicação do princípio da consunção, pressupõe, necessariamente, prática de crime plurissubsistente.


C

Certo


E

Errado

A causa de diminuição do Art. 16 do Código Penal, referente ao arrependimento posterior, somente tem aplicação se houver:


A

a restituição da coisa antes do recebimento da denúncia, não possibilitada sua reparação, variando o índice de redução da pena em função da maior ou menor celeridade no ressarcimento do prejuízo à vítima;


B

a integral reparação do dano ou a restituição da coisa antes do recebimento da denúncia, variando o índice de redução da pena em função da maior ou menor celeridade no ressarcimento do prejuízo à vítima;


C

a restituição da coisa antes do recebimento da denúncia, não possibilitada sua reparação, variando o índice de redução da pena em função da integralidade e preservação do bem restituído;


D

a integral reparação do dano ou a restituição da coisa antes do recebimento da denúncia, variando o índice de redução da pena em função da integralidade do bem restituído;


E

a restituição da coisa antes do oferecimento da denúncia, não possibilitada sua reparação, variando o índice de redução da pena em função da integralidade e preservação do bem restituído.

Analise os itens a seguir em relação à responsabilidade penal da pessoa jurídica:


I- No Brasil, a responsabilidade penal da pessoa jurídica é pautada exclusivamente no modelo da heterorresponsabilidade, em que a pessoa jurídica apenas pode ser responsabilizada mediante coautoria necessária com a pessoa natural.


PORQUE


II- Uma das desvantagens do modelo da autorresponsabilidade é a impossibilidade de solucionar situações em que as pessoas naturais não possam ser identificadas individualmente ou que tenham agido sem culpa.


Marque a alternativa correta:


A

Ambos os itens estão corretos e o item Il explica o item I.


B

Ambos os itens estão corretos, mas o item Il não explica o item I.


C

Apenas o item I está correto.


D

Ambos os itens estão incorretos.

João praticou a conduta de furto continuado, que resultou em prejuízo de 5.000 reais para a vítima, Paulo. Apurada a conduta, atualizou-se o valor para 6.500 reais, tendo sido pago por João, em abril de 2021, o valor do principal, 5.000 reais. Em maio do mesmo ano, o Ministério Público ofereceu a denúncia, tendo João efetuado o pagamento, em setembro, do restante do valor devido.


Nessa situação hipotética, a conduta de João


A

é atingida por causa extintiva de punibilidade.


B

não deve haver qualquer alteração na pena, por se tratar de crime de ação penal pública incondicionada.


C

possui uma causa atenuante prevista em lei.


D

é abrangida pela causa de diminuição da pena do arrependimento posterior.


E

não é punida em razão do arrependimento eficaz.

Praticado o crime por José, o Ministério Público ofereceu a denúncia. Durante a instrução, José confessou a prática delitiva e ficou comprovado que o crime não se consumou por circunstâncias alheias a sua vontade. O juiz, no momento de fixar a pena, deverá adotar o seguinte critério para diminuir a pena a ser aplicada a José em razão da tentativa:


A

O comportamento da vítima.


B

A confissão de José perante a autoridade judiciária.


C

A motivação do crime.


D

A culpabilidade de José no momento da execução do crime.


E

O caminho (iter criminis) percorrido por José, na execução do crime, até ser interrompido.

A tentativa imperfeita ocorre quando o agente, por fatores alheios a sua vontade, não esgota os meios de execução ao seu alcance, dentro daquilo que considera suficiente para alcançar o resultado pretendido.


C

Certo


E

Errado

A lei dispensa tratamento cauteloso à embriaguez do agente, que inclui não apenas o uso de álcool, mas também de qualquer outra droga, lícita ou ilícita, que possa provocar alterações de ordem psíquica.


Se a embriaguez foi causada:


A

por motivos alheios à vontade do agente, poderá haver apenas exclusão do juízo de culpabilidade;


B

por motivos alheios à vontade do agente, poderá haver apenas redução do juízo de culpabilidade;


C

voluntariamente, poderá haver exclusão ou redução do juízo de culpabilidade;


D

por descuido, o sujeito deverá responder, pois o juízo de culpabilidade se mantém;


E

por descuido, poderá haver apenas redução do juízo de culpabilidade.

   
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